ÍBIS

                     O Íbis Sport Club foi fundado dia 15 de novembro de 1938, no estado do Pernambuco. É considerado o “pior time do mundo”. A fama veio com uma brincadeira de uma torcida adversária, mas pegou de fato na década de 80, quando atingiu a marca de 55 partidas sem vencer um jogo sequer, sendo 7 empates e 48 derrotas. O time marcou 25 gols e sofreu 231. Foram tres anos e onze meses sem conquistar uma vitória. E foi por causa do Íbis que veio a inspiração dos produtores do programa “Casseta & Planeta” da Rede Globo, de criarem o “Tabajara Futebol Clube”.

HISTÓRIA

                    O Íbis Sport Club foi fundado pela Tecelagem de Seda e Algodão de Pernambuco. A princípio apenas funcionários da empresa jogavam e mesmo assim eram partidas amistosas. Com a morte do proprietário da empresa, João Pessoa de Queiroz, os herdeiros da tecelagem não tiveram interesse em manter o time. Foi então que apareceu a figura de Onildo Ramos, na época gerente da empresa. Foi o próprio Onildo que idealizou o pássaro preto como símbolo. Desde a sua fundação até os dias de hoje as suas cores sempre foram vermelha e preta. Foi durante muito tempo cognominado pela imprensa pernambucana como o “rubro negro das Salinas”, homenagem ao Santo Padroeiro do bairro de Santo Amaro das Salinas. O uniforme é camisa vermelha com listras diagonais pretas, calção preto e meias vermelhas. O Íbis foi fundador da Federação Pernambucana de Futebol, sendo o único clube filiado que nunca deixou de disputar todos os campeonatos promovidos pela Entidade.

O PIOR TIME DO MUNDO

                   Essa fama nacional começou na década de 70, quando teve 9 derrotas consectivas e depois uma sequência de 27 jogos sem vitórias. Depois deste período o Íbis aceitou sua sina e hoje vive de perder, por incrível que pareça a torcida multiplicou-se de 11 para 44 (contando com esposas, filhos e comissão técnica). Desde então o time emplacou conquistando simpatizantes e admiradores pelo mundo. Com o passar dos jogos, a fama de pior time do mundo se consolidou de maneira tal que hoje se trata de uma marca registrada. Tanto no Brasil quanto no exterior. Os torcedores e simpatizantes do Pássaro Preto desejam muitas felicidades e que a resistência continue. Para ostentar o título de pior do mundo, o Íbis teve que ralar muito. Perder nove partidas seguidas, sofrer goleadas homéricas e ainda permanecer na Segunda Divisão estadual por dez anos (subiu em 1999, mas caiu de novo, em 2000), não é para qualquer um. Porém, nem só de revezes foi escrita a história do Íbis. Jogadores famosos como o meia-direita Bodinho, do Inter de Porto Alegre, o lateral-esquerdo Rildo, que jogou no Botafogo carioca ao lado de Garrincha e no Santos ao lado de Pelé, além do atacante Vavá, que jogou no Palmeiras, todos eles defenderam o Pássaro Preto e foram campeões estaduais em várias oportunidades e alguns deles campeões mundiais pela Seleção Brasileira nas Copas de 58, 62 e 70.

                   O clube chegou ao jejum de 3 anos e 11 meses sem vencer um joguinho sequer, entre 1980 e 1984. Neste período ganhou o rótulo de pior time do mundo. Ao todo, o Pássaro Preto disputou 677 jogos na primeira divisão do Pernambucano, com 504 derrotas. Entre 1947 (primeira participação) e 2000 (última), o time sofreu muitas goleadas. O Santa Cruz chegou a vencer o pobre Íbis por 13 x 0 em duas oportunidades (em 78 e 81). O Náutico e Sport ganharam por 11 x 0, além de sofrer muitas goleadas por 10 gols de diferença.

                  Em mais de 70 anos de existência, a principal conquista do Íbis, foi o título “honorário” de pior time do mundo. A notoriedade começou no campeonato pernambucano de 1979, cujo balanço do Íbis foi o seguinte: doze jogos, doze derrotas, 51 gols contra e um a favor (marcado contra pelo zagueiro Cícero, do Sport, na goleada de 8×1). Mesmo após passar anos sem ganhar um único jogo e levando goleadas “estrondosas”, o clube só foi rebaixado para a segunda divisão em 1995. As dificuldades do clube, porém, vem de longe. No campeonato de 1950, em um dos jogos, só apareceram seis jogadores. O limite mínimo da partida era de sete atletas. Para completar o time, o ex-presidente Ozir Ramos calçou as chuteiras e entrou em campo. “Pior time do mundo” virou um tipo de slogan do clube, que assim passou a ser noticiado em todo o Brasil e até nos EUA, onde a sucessão de derrotas chegou a ser citada em uma edição do “New York Times”, um dos jornais mais importantes do mundo. Afinal, como lembra Ozir, para o rubro-negro mais que competir o “importante é existir”.

                  No Estadual de 1980 o Íbis venceu o Ferroviário por 1 a 0 em 20 de julho. Depois disso o time só voltaria a ganhar em 17 de junho de 1984, quando bateu o Velo Clube por 3 a 1. Curiosamente, antes de vencer o Ferroviário, o clube já vinha de dezenove jogos sem vencer, entre 1978 e 1979.

O ÚNICO TORCEDOR

                 Um belo dia, no Recife, jogaram Santa Cruz e Íbis. De repente, um milagre acontece: o Íbis marca um gol, fato raro em sua história. Emudecida, a torcida do grande Santa Cruz percebe que um solitário homem comemora o feito. E parte para cima dele, tentando calar seu grito. O torcedor do Íbis só não saiu moído do estádio porque o ex-lutador Pantera, torcedor-símbolo do Santa, apartou o massacre, com um argumento convincente: “Se vocês matarem esse homem, vão matar toda torcida do Íbis !”  Aquele homem era Francisco Imperiano, o Chico do Táxi, motorista aposentado, 60 anos, ironicamente apontado em Recife como o único torcedor do fragilíssimo Íbis Sport Club, tradicional saco de pancadas do futebol pernambucano. Alto, grisalho, mãos trêmulas, Chico do Táxi é a memória viva (talvez a única) da história do Íbis. É só puxar conversa para ver. Chico conta os casos com a mesma paixão de quem, quando na ativa, carregava em seu táxi o material dos jogadores para o local dos treinos ou dos jogos.

                 Certamente, não seria com nenhum orgulho que o velho Chico do Táxi descreveria a campanha do seu time no campeonato pernambucano de 83: Último colocado, 5 pontos ganhos em 18 jogos, nenhuma vitória, 13 derrotas, 5 empates; 11 gols a favor e defesa mais vazada, sofrendo nada menos que 73 gols; finalmente no fim do campeonato, registrava um débito de mais de 1 milhão de cruzeiros junto à Federação Pernambucana.

RUMO AO ESTRELATO

                 O Íbis do Pássaro Preto e suas façanhas hilariantes vão ganhar as telas de cinema do país. O filme será dividido em quatro partes compreendidas entre introdução, primeira, segunda e terceira etapas. Dentre as peripécias de maior repercussão do Íbis, o fato de ter sofrido 3.700 gols e só ter feito 120 é uma das razões que o levaram a condição de pior do mundo. “Afinal, não é todo dia que aparece um time como o Íbis”, brincou Fontenelle diretor do filme.

                O atual presidente do Íbis, conta que o Pássaro Preto está abrindo as asas para vôos altos e já se prepara desde já para voltar à divisão principal do Pernambucano. “Já temos formada uma comissão técnica e um grupo com cerca de 22 atletas. Também temos marcados três jogos na Europa, quando faremos duas partidas na Bélgica e uma na Alemanha”. Este é o nosso Íbis, que certamente irá representar muito bem o nosso futebol brasileiro lá no exterior. O Íbis não participou do Pernambucano da Série A2 de 2009 por não encontrar uma cidade e um estádio para ser sua sede, mas voltou à ativa no ano seguinte, novamente na Segunda Divisão. Ficou na última posição com apenas quatro pontos: venceu uma partida, empatou outra e perdeu dez. Teve a pior defesa entre todos os participantes (35 gols sofridos) e marcou apenas cinco, resultando num saldo negativo de -30.

               O nome do seu estádio é Luiz Alexandrino em homenagem a um viado que jogava no time. Dos 123 torcedores no Luiz Alexandrino (maior público da historia do estádio), 24 torcedores saíram feridos por causa de boladas na cabeça. No final, mais uma derrota, 1×0, após um recuo do zagueiro (ninguém lembra o nome…) que recuou para o goleiro Luíz da Silva Frango, que por um azar do destino, escorregou e deixou ela passar, para a alegria da “massa” do Santa Cruz. Em sete décadas o Íbis sofreu 3.700 gols e marcou 120, tendo como grandes ídolos da torcida (isso quer dizer familiares) o atacante Mauro Shampoo, que marcou um único gol em 10 anos e também atende como cabeleireiro num salão no centro de Olinda para poder sobreviver na vida, já que seus companheiros de clube morreram, devido aos seus baixos salários. E o goleiro Jagunço, que é o verdadeiro craque do time e da grande torcida, foi dele a assistência para 366 gols, no qual sofreu. Isso se chama fazer a caridade com o próximo. Na próxima terça feira, dia 15, o Ibis Sport Club estará completando 73 anos de sua fundação. E por toda sua história de dificuldades e sofrimentos, não podemos deixar de cumprimenta-lo e deixar aqui nossos votos de que um dia essa má fase venha acabar e assim ele deixe de ser o pior time do mundo, pois sua imensa torcida espalhada por todo o universo não merece tamanho sofrimento.

José Carlos de Oliveira

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