A. A. PONTE PRETA

                   O século 19 estava chegando ao seu final e por volta de 1860 em Campinas existia o Bairro Alto, que se iniciava no Largo do Tanquinho, hoje conhecido como Largo do Pará localizado entre a rua Barão de Jaguara e Av. Francisco Glicério. Em 1870, com a construção da Ferrovia Paulista ligando Jundiaí e Campinas, foi necessário a construção de uma “PONTE” de madeira para interligar a cidade à estrada de São Paulo. Para suportar a passagem dos trens à vapor a PONTE recebeu uma camada de “piche” para impermeabilização, o produto a deixava enegrecida e daí surgiu o nome PONTE PRETA. Por volta de 1872 o Bairro Alto passou a ser conhecido como Bairro da PONTE PRETA e isto até os dias de hoje.

                  No bairro existia um campo de futebol denominado “Campo do Cruzeiro”, este nome devido a grande Cruz instalada nas proximidades, onde hoje se encontra a Igreja Matriz de Santo Antônio, no caminho que levava ao Cemitério do Fundão, atual Cemitério da Saudade. O campo de futebol feito de terra batida ficava entre o Cruzeiro da Missões e a Caixa d’água.

                 Foi neste campo, por volta de 1897 que alunos do antigo Ginásio “Culto à Ciência” praticavam um novo e fascinante esporte que estava despontando na Capital Paulista, o FUTEBOL, introduzido na cidade pelo ferroviário escocês Thomas Scott. Três anos mais tarde, com o crescimento dos adeptos e praticantes do futebol resolveu-se criar uma associação.

                 Em uma reunião realizada à sombra de duas paineiras na data de 11 de agosto de 1900, na casa de número 1 da rua Ponte Preta hoje conhecida como Rua Abolição e onde se localiza o prédio da Escola Senai foi oficializado o nascimento da ASSOCIAÇÃO ATHLETICA PONTE PRETA, o primeiro clube do Brasil em funcionamento ininterrupto e dono da maior torcida do interior do País, capitaneados por Antônio Oliveira, Luiz Garibaldi Burghi e Miguel do Carmo.

                Nesta mesma reunião foi eleita a primeira diretoria, assim composta: presidente: Pedro Vieira da Silva, secretário Alberto Aranha, tesoureiro Miguel do Carmo, procurador Antônio de Oliveira, fiscal de campo Luiz Garibaldi Burghi.

                A ponte onde existia a ponte preta que deu origem ao nome à agremiação, está localizada perto do Senai na rua Abolição. Esta ponte foi erguida onde, cinco anos antes, existia uma ponte de pedestres, de madeira, feita para permitir a transposição da linha férrea da antiga Companhia Paulista. “Aquela ponte de madeira, tingida de alcatrão, deu nome ao bairro e ao time de futebol, que nasciam quase simultaneamente: a Ponte Preta”, fala o cirurgião dentista Sérgio Rossi, autor da principal obra sobre o clube, a História da Associação Atlética Ponte Preta.

               O tempo radicalizou a paisagem. Ao lado da velha ponte está o viaduto de concreto armado que liga a rua Abolição às ruas Proença e Barão de Jaraguá. Sob o novo viaduto, onde no passado os meninos jogavam bola, hoje vivem mendigos.

              Os pilares de sustentação estão pichados. O lixo está por toda parte. O chão é forrado das latinhas de refrigerantes que os meninos de hoje usam para fumar crack.

               Num raio próximo, a 50 metros dali, na primeira quadra da rua Abolição, estão todas as raízes da Ponte. No local onde existe a escola Senai, aconteceu a primeira reunião dos garotos que fundaram a Ponte Preta. E, do outro lado da rua, morava a família de Pedro Vieira da Silva, escolhido como o primeiro presidente da agremiação. Hoje, no terreno, instala-se a Paróquia Bom Jesus, uma dessas seitas de final de século, que arregimentam gente sofrida prometendo os milagres da fé.

              No imóvel onde funcionou a sede da Ponte, até 1912, morava Sebastião Alves, o Lili, um dos primeiros craques da história do clube. O tempo fez com que a casa desaparecesse. Hoje, ali, funcionam duas lanchonetes, a Santa Catarina e a 107, quase na esquina da rua Abolição com a rua Álvaro Ribeiro. São dois redutos de torcedores ponte pretanos. Mas seus proprietários näo torcem para a Ponte. Nem paulistas são.

              A Lanchonete Santa Catarina pertence a Vilmar Pecker, de 46 anos. Veio de uma cidadezinha chamada São Lourenço, no interior catarinense. Deixou para trás a roça e tenta se dar bem no comércio. Torce para o Inter de Porto Alegre. Mas, neste pouco tempo, já aprendeu a admirar a fidelidade dos ponte pretanos ao clube. Ali, metade da freguesia é ponte pretana. A outra se divide entre Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Guarani.

              A Lanchonete 107, também instalada no sagrado solo ponte pretano, pertence a outro catarinense: Vital Pinheiro, de 50 anos. Ele chegou de Concórdia e encontrou na torcida da Ponte quase a totalidade da clientela. O pessoal passa pelo bar antes de cada jogo.

              Logo adiante, no terreno onde está instalada a Sanasa (esquina da rua Abolição com a avenida Angelo Simões) existiu o primeiro campo de futebol da Ponte Preta. Era o campo do Cruzeiro (numa referência a uma antiga cruz metálica que hoje ornamenta a entrada do Cemitério da Saudade). O campo ficava bem ao lado do local onde hoje existe a Igreja de Santo Antônio e a caixa d’água da Sanasa. Uma das pistas da Angelo Simões foi construída sobre o antigo campo.

A  FUNDAÇÃO

              Segundo o “papa” dos historiadores brasileiros, Thomaz Mazzoni, o futebol de Campinas, por estar próximo da capital paulista, teve início em 1897. Alunos do antigo Ginásio “Culto à Ciência” introduziram na cidade o novo e fascinante esporte que despontava em São Paulo.

              No bairro da Ponte Preta, diversos rapazes limparam uma área de terreno, ao lado da linha da ferrovia Paulista, próximo à ponte que deu origem ao nome do bairro. Levantaram duas traves feitas de bambu e iniciaram a prática do futebol. A maioria das vezes o futebol era praticado com bolas feitas de panos, e vez ou outra, bolas com câmara de ar, adquirida pela contribuição dos jogadores que, três anos mais tarde, viriam a ser os fundadores da ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA PONTE PRETA. Como a cada dia se conseguiam mais adeptos, resolveu-se criar uma associação.

              O nascimento da Ponte Preta se deu numa reunião no dia 6 de agosto de 1900, na casa número 1 do que hoje vem a ser a Rua Abolição, à sombra de duas paineiras, onde hoje se situa o prédio da Escola SENAI. Foi oficializado o surgimento da ASSOCIAÇÃO ATHLETICA PONTE PRETA, cuja mensalidade foi fixada em 300 réis.

             Em 1900, um grupo de rapazes e garotos resolveu fundar um time de futebol. Em 11 de agosto de 1900 Alberto Aranha, Antônio de Oliveira, Dante Pera, Luiz Afonso, Luiz Garibaldi Burghi, Miguel do Carmo, Pedro Vieira da Silva e Zico Vieira fundaram a Associação Atlético Ponte Preta com o objetivo de praticar o futebol sem preconceito de raça ou religião. No mesmo ano da fundação, Miguel do Carmo se tornou jogador do clube, o primeiro jogador de futebol negro do país.

               Os meninos e rapazes jogadores de futebol eram brancos, negros e mulatos. Entre os jovens tínhamos quatro negros e dois mulatos, mas um deles se tornou jogador do primeiro time da Ponte Preta após a sua fundação em 11 de agosto de 1900, seu nome era Miguel do Carmo conhecido e chamado na época por Migué.

               Com isso, além de ser primeiro time de futebol fundado no Brasil em atividade ininterrupta, a Ponte Preta também se orgulha de ser a primeira democracia racial no futebol brasileiro. Tanto dentro dos campos quanto fora deles, a Ponte Preta foi pioneira em ter cidadãos afrodescendentes em seus quadros, sem nenhum tipo de preconceito, desde a fundação do time em 11 de agosto de 1900.

               Há quem pense que os primeiros times nacionais a aceitar negros e afro-descendentes foram os cariocas, como o Bangu, que em 1905 escalou Francisco Carregal. No entanto, quando isso ocorreu, já fazia cinco anos que Migué do Carmo tinha entrado em campo com a camisa alvinegra pela primeira vez.

               Outro mito amplamente divulgado é de que o Vasco da Gama teria sido a primeira equipe a aceitar negros em seu elenco. Na verdade, o Vasco foi fundado como clube de regatas em 1898, mas só em 1915 criou seu departamento de futebol.

               E, mesmo como Clube de Regatas, só em 1904 elegeu um presidente afro-descendente. Segundo historiadores, em 1923 jogou pela primeira vez com afrodescendentes e só no ano seguinte defendeu junto à Federação Carioca o direito de ter jogadores negros. Portanto, a Ponte Preta é o primeiro clube brasileiro a ter jogador negro.

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