KAFUNGA: maior goleiro da história do Atlético Mineiro

                  Olavo Leite de Barros nasceu dia 7 de agosto de 1914, na cidade de Niterói – RJ. No meio futebolístico era conhecido por Kafunga, apelido este que ganhou ainda na infância devido ao tamanho do nariz, que o fazia fungar constantemente. E ficou tão conhecido pelo apelido que resolveu mudar o nome e registrá-lo como Olavo Leite Kafunga de Barros, assim como fez o presidente Lula. Kafunga foi o atleta que mais tempo vestiu a camisa do Atlético Mineiro. Jogou de 1935 a 1954 e neste período conquistou inúmeros títulos pelo clube mineiro.  Ao todo foram 13 títulos estaduais, 1936, 38, 39, 41, 42, 46, 47, 49, 50, 52, 53, 54 e 55, Campeão dos Campeões em 1937 e o título de Campeão do Gelo, em Paris em 1950. Foi também o segundo goleiro que mais partidas fez pelo Galo Mineiro. Depois que encerrou a carreira de jogador, tornou-se Deputado Estadual por Minas Gerais e comentarista esportivo na rádio de Belo Horizonte. Kafunga é até hoje uma das maiores (se não a maior) glórias do Atlético Mineiro. Goleiro arrojado, várias vezes campeão, era ídolo da torcida do Galo.

ATLÉTICO MINEIRO

                   Foi contratado pelo Atlético por chamar a atenção numa partida em que defendia a Seleção Carioca e neste jogo ele tomou 10 gols! Isso mesmo, Kafunga levou 10 gols em um jogo em que a Seleção Mineira derrotou a Seleção do Estado do Rio. O jogo terminou 10 a 1 para os mineiros. Mesmo assim o goleiro se destacou fazendo grandes defesas. No ano de 1933 o Atlético pagou 80 mil réis e fez com que o goleiro se mudasse para Minas Gerais para sempre. E o tempo mostrou que os dirigentes atleticanos não tiveram motivos para arrependimento. Ficou 20 anos no Atlético, sendo titular por 19 temporadas. Apesar de não ter grande técnica, esbanjava carisma e sorte. Kafunga tirava coelhos da cartola, como da vez que evitou um gol, dando uma bicicleta, num jogo entre Atlético e Ponte Preta, de Campinas. Kafunga chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira, que iria disputar um certame na Bolívia e Minas Gerais representaria nosso país. Não chegou a jogar pois o campeonato acabou sendo suspenso.

                  Ninguém jogou tanto tempo pelo Atlético quanto Kafunga. Ele foi diferente da maioria dos jogadores de futebol de hoje, que assinam contrato, juram amor pelo clube, beijam o escudo e logo, logo vão embora. Kafunga defendeu o Galo em 435 jogos, de 1935 a 1954, e foi campeão mineiro por 13 vezes, além de “Campeão dos Campeões”, em 1937 e Campeão do Gêlo em 1950. Mas como tudo na vida não vivemos somente de momentos bons, Kafunga também teve seus dias negros durante sua carreira e um destes dias foi 16 de abril de 1950, quando o Atlético Mineiro fez um amistoso com o Corinthians no estádio do Parque São Jorge. O jogo terminou com a vitória corintiana por 9 a 1 e o goleiro era o nosso querido Kafunga, que mesmo tomando nove gols, foi considerado o melhor homem em campo, pois foi um verdadeiro bombardeio do tive de Parque São Jorge. O interessante foi que o Atlético abriu o placar através de Biguá, depois os corintianos marcaram na seguinte ordem; Cláudio, Nenê, Luizinho, Luizinho, Luizinho, Cláudio, Edélcio, Colombo e Nelsinho.

CAMPEÃO DO GÊLO

                 Esta façanha do Galo Mineiro aconteceu no início da década de 50. O Atlético foi o primeiro time de Minas Gerais a embarcar para uma excursão à Europa. Jogando em temperaturas baixíssimas, o Galo teve excelente desempenho, vencendo seis partidas, empatando duas e perdendo outras duas. A campanha deu ao alvinegro o apelido de “campeão do gelo”, incorporado em seguida a uma parte do hino do clube. Esta década foi uma das melhores de toda a história atleticana, vencendo sete títulos mineiros, em 1950, 52, 53, 54, 55, 56 e 58. Até hoje a torcida atleticana lembra um dos melhores times do Atlético, em toda sua história de mais de 100 anos, formado por: Kafunga – Murilo e Ramos – Mexicano – Zé do Monte e Afonso – Lucas – Lauro – Carlyle – Nívio e Lero. A última partida de Kafunga pelo Atlético e por conseguinte de sua carreira, aconteceu no dia 10 de julho de 1954, quando o Atlético empatou em 2 a 2 com o Sete de Setembro de Belo Horizonte pelo Campeonato Mineiro.

CAMPEÃO DOS CAMPEÕES

               Com uma equipe espetacular, o Atlético conquistou o Campeonato Mineiro de 1936, adquirindo assim o direito de representar o futebol de Minas Gerais num torneio com representantes do futebol do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. Um autêntico Campeonato Brasileiro de clubes para aquela época, o qual daria ao vencedor o título de “Campeão dos Campeões do Brasil”. A expectativa em Minas Gerais era muito grande e a temporada de 1937 começava com a presença do Galo das Alterosas num confronto com as grandes forças do futebol do país. Pelo Rio de Janeiro aparecia o Fluminense, que tinha um time espetacular. A Portuguesa de Desportos estava representando o estado de São Paulo, a qual também estava com uma boa equipe na época. O Rio Branco representava o Espírito Santo. A estréia do Galo foi um desastre, perdeu para o Fluminense por 6 a 0, mas depois se recuperou e venceu todas, inclusive o próprio Fluminense no segundo turno por 4 a 1. A torcida do Galo já estava satisfeita pela vingança, mas as vitórias continuaram, sendo a última  que garantiu o título foi diante da Portuguesa por 3 a 2. Com isto, a torcida do Atlético festejou e muito com a conquista do título de Campeão dos Campeões do Brasil.

TREINADOR

                 Quando parou de jogar, Kafunga não conseguiu ficar fora do futebol, por isso foi gerente e técnico do Atlético em 1961. O Atlético passava por sérios problemas na sua direção técnica. Sem êxito, passaram Yustrick, Osni Pereira e Antonio Moisés. Com o último as ondas de avolumaram. Foi quando o Atlético se lembrou de que na superintendência do clube havia um elemento credenciado a assumir o posto. Foi Olavo Leite Kafunga Bastos efetivado como técnico. Elemento tarimbado, com longos anos de atividades e conhecendo como ninguém, o ambiente atleticano, assumiu o comando do elenco, em momento de crise. Chamou os jogadores e falou das tradições da camisa, pediu a colaboração, e mais do que isso, que fizesse ressurgir o espírito de luta, a garra, e a raça, que somente foram características das jornadas memoráveis do clube. Vieram as primeiras partidas e, desde logo, se notou a mudança. Alguns tropeços naturais, mas o clube reestruturou seu plantel sem despesas e voltou a ocupar a liderança do futebol mineiro. Entretanto, sua experiência como técnico não durou muito. Ele não se adaptou e voltou as arquibancadas.

COMENTARISTA ESPORTIVO

                 O nome de Kafunga é uma lenda dentro do Atlético e do próprio torcedor mineiro. Sempre foi um exemplo de dedicação e amor ao clube que defendeu durante tanto anos. Anos mais tarde passou a trabalhar como comentarista esportivo de rádio, jornal e TV em Belo Horizonte. Dono de uma grande popularidade, não teve dificuldade para se eleger vereador por quatro mandatos e depois deputado estadual. Inteligente e mordaz soube criar muitas expressões que entraram para o vocabulário futebolístico nacional. Muita gente pensa que o termo “cabeça-de-bagre”, usado no futebol para definir um jogador ruim, sem a menor técnica, tenha sido criado pelo folclórico misto de jornalista e técnico João Saldanha. Mas não foi. A invenção foi de Olavo Leite Kafunga Bastos, considerado até hoje o melhor goleiro que vestiu a camisa do Clube Atlético Mineiro, em todos os tempos, apesar de seu 1,75m. De acordo com o “Aurélio”, “cabeça-de-bagre”, uma gíria antiga, quer dizer indivíduo estúpido, idiota, imbecil. Faz o maior sentido, pois o bagre tem a cabeça oca e não serve para nada.

                 Além do “cabeça-de-bagre” achou inspiração para muitas outras frases que são repetidas até hoje; “No Brasil o errado é que está certo”, para criticar algumas coisas do esporte ou fora dele; “Não tem corê-corê”; “gol barra limpa” ou “barra suja”, quando o lance era legal ou não; “Isso é lá dos tempos de mil e novecentos e Kafunga”, quando queria dizer que uma coisa era muito velha; “vap-vupt”, para o que era feito de qualquer jeito; “despingolar”, sair correndo, evadir-se, desvencilhar-se; “tá no filó”, gol, bola na rede; “lesco-lesco”, destramelar, abrir, liberar. Sentindo o gostinho pelo rádio, Kafunga não se limitou apenas a falar sobre futebol. Aos domingos apresentava na Rádio Itatiaia um programa de música brasileira do passado, o “Kafunga de todos os tempos”, onde se divertia contando histórias de quando jogava futebol.

                 E com estas palavras inventadas por ele, a audiência da emissora estava sempre em alta, pois o povão sempre gostou deste tipo de narrador ou comentarista. Um bom exemplo disto foi o locutor esportivo Osmar Santos, que quando surgiu no rádio (Jovem Pan) encantou os ouvintes com seus bordões, os quais ainda hoje o torcedor lembra muito bem, como por exemplo; “ripa na chulipa e pimpa na gorduchinha”; “parou porque, porque parou”; “no caroço do abacate” “e que goooooooool”, enfim são bordões que marcam o nome do narrador e com isto cai na graça de todos os ouvintes e é justamente isso que a emissora mais quer. Kafunga faleceu em Belo Horizonte no dia 17 de novembro de 1991, aos 77 anos de idade, mas até hoje é lembrado com muito carinho pela torcida atleticana.

ATLÉTICO MINEIRO DE 1943

 

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