UBIRAJARA: maior goleiro da história do Bangu

                 Ubirajara Gonçalves Motta nasceu dia 4 de setembro de 1936, na cidade do Rio de Janeiro – RJ. Foi um goleiro que jogou no Bangu, Botafogo, Flamengo e esteve entre os 47 que foram convocados para disputar a Copa de 66 na Inglaterra. Ficou mais conhecido depois do titulo que conquistou jogando pelo Bangu em 1966, quando derrotou o Flamengo por 3 a 0 no Maracanã. O jogo entrou para história, não só pelo título que o time de Moça Bonita conquistou, mas pela briga que aconteceu durante o jogo.

                 Briga esta que fez o árbitro Airton Vieira de Moraes encerrar a partida, pois o Flamengo depois de cinco expulsões, não tinha o número necessário de jogadores em campo para continuar a partida. Dois anos depois estava jogando no Botafogo e logo em seguida transferiu-se para o Flamengo, onde ocorreu um fato curioso, pois o Mengão tinha dois goleiros e os dois chamavam-se Ubirajara. O outro chamava-se Ubirajara Alcantara, um negro que era considerado na época, o negro mais bonito do Brasil.

BANGU

                O primeiro clube que Ubirajara jogou foi o Deodoro Atlético Clube, no ano de 1950. Em 1952 já estava jogando nos juniores do Bangu, sendo que foi Bi-Campeão Carioca de Juniores nos anos de 1952 e 1953. Em 1955 já jogava nos aspirantes do Bangu, e em 1956, fez sua estreia no time titular profissional substituindo o goleiro Ernani, onde Ubirajara teve o privilégio de jogar junto com Zizinho, um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos. E Ubirajara lembra de um jogo neste ano contra o Vasco em que Zizinho foi expulso por reclamar com o árbitro de um gol do Vasco em que estava impedido, isto ocorreu após o final do primeiro tempo e o árbitro disse para Zizinho nem retornar no segundo tempo. Em 1957 Ubirajara voltou ao aspirante, e no ano seguinte voltou ao time titular com o técnico Gentil Cardoso ficando até 1969 como titular e como capitão do time.

                 O time do Bangu do ano de 1958 era muito forte e os times considerados grandes penavam para vencer. O time era assim formado; Ubirajara, Joel, Faria, Zózimo e Santos; Rubens e Walter; Correa, Vermelho, Décio e Beto.  O presidente do Bangu era o famoso Castor de Andrade, pessoa de inúmeros casos, que até viraram folclore dentro do futebol e que Ubirajara conta com riquezas de detalhes pois participou de vários deles, como por exemplo; uma delas foi em um jogo contra o América, em que o Bangu ganhava por 2 X 1, e o árbitro marcou um pênalti para o América e Castor entrou com a arma na mão, e Ubirajara pediu a Cabralzinho segurar o homem. Bateram o pênalti e fizeram o empate, minutos depois um jogador do Bangu caiu na área adversária e o árbitro de imediato marcou pênalti. Quando o juiz olhou para Castor na beira do gramado, ele estava guardando o revolver. E assim o Bangu ganhou por 3 a 2.

                 Em 1966, o Bangu montou um grande time; Ubirajara, Fidelis, Luiz Alberto, Mário Tito e Ari Clemente; Jaime e Ocimar; Paulo Borges, Cabralzinho, Ladeira e Aladim. E foi com este time que o Bangu sagrou-se campeão carioca daquele ano, ao vencer o Flamengo por 3 a 0.  Este jogo aconteceu no dia 18 de novembro de 1966, no Maracanã. Começou o jogo e o Flamengo tomou dois gols em três minutos, entre os 23 e 26 do primeiro tempo. O Bangu virou o primeiro tempo com a vantagem de 2×0, gols de Ocimar e Aladim. Naquele dia Paulo Borges fazia misérias, justificando seu apelido de Gazela – Vai ser um massacre, pensou Almir o Pernambuquinho, que tinha fama de brigão.

                 No vestiário do Flamengo durante o intervalo, o clima era muito pesado. Os jogadores tinham consciência de que não dava mesmo para vencer o Bangu. Começou o segundo tempo e logo aos três minutos, Paulo Borges marcou mais um. Com 3 a 0 era o fim. O Flamengo ia sofrer uma goleada humilhante. Além de golear o Bangu queriam ensaiar um baile. Mas Almir já havia decidido que eles não iriam dar a volta olímpica. Aos 25 minutos, começou uma briga envolvendo todos os jogadores.

                 A essa altura o campo era uma zorra. Como os banguenses queriam brigar, Almir topou a parada. Olhou o bolo de jogadores e pensou: – Tudo o que estiver com camisa de listras brancas e vermelhas é inimigo. Começou a distribuir socos e pontapés. Ficou cercado por jogadores do Bangu, mas foi enfrentando todos eles. E todo mundo entrou na briga. Veio a polícia e acabou com a festa. O juiz Airton Vieira de Moraes acabou cumprindo o seu papel: expulsou cinco jogadores do Flamengo e quatro do Bangu. Com isso, o Flamengo ficava com seis jogadores no campo e o jogo não podia prosseguir.

                O árbitro deu a partida por encerrada, e o Bangu campeão”. E assim, de forma lamentável terminou o campeonato carioca de 1966. Depois do jogo, quando Ubirajara voltava ao seu apartamento na Tijuca, teve que passar no meio da torcida do Flamengo e graças a Deus não aconteceu nada com ele, nenhuma revolta da torcida com ele, mas eram outros tempos nada que se imagine nos dias de hoje.

                Pelo Bangu, Ubirajara é o recordista de jogos pelo clube, com 533 aparições entre 1956 e 1969. Foi Campeão Carioca Infantil em 1951, Bi-Campeão Carioca juniores em 1952/53 e Campeão Carioca profissional em 1966.

SELEÇÃO BRASILEIRA

                Ainda neste ano de 66, Ubirajara fez parte dos 47 jogadores que foram convocados pelo técnico Vicente Feola para disputar a Copa da Inglaterra. Só de goleiros haviam cinco, que eram; Fábio (São Paulo), Gilmar (Santos), Manga (Botafogo), Ubirajara (Bangu) e Valdir (Palmeiras). Mas para Londres viajaram somente Gilmar e Manga, porque havia um pensamento na época, da Seleção levar o maior número de jogadores remanescentes do Bi-Campeonato de 1958/1962.

               Ubirajara na época era o melhor goleiro do Brasil, e quando foram cortar muitos jogadores, ele lembra que o amigo Pelé deu a ele um agasalho da Seleção e disse: “Não fique triste não, porque nós estamos entrando numa fria”. E a Seleção de 1966 foi aquele fracasso na Inglaterra, pelo menos Ubirajara não participou daquele vexame. E foi no ano de 1966 ainda, que Ubirajara defendeu a meta brasileira. Foi num jogo amistoso contra o Peru. Este jogo aconteceu dia 8 de junho no Maracanã, quando o Brasil venceu o Peru por 3 a 1.

BOTAFOGO

               Em 1969 Ubirajara foi jogar no Botafogo, e seu jogo de estreia foi contra o Olaria do Rio, e o Botafogo saiu vencedor do amistoso por 1 x 0. Na decisão de 1971 contra o Fluminense, aconteceu de os jogadores do Botafogo ficarem passeando de avião e não se concentraram para a decisão, então o Fluminense levou o título, com um gol de Lula em um lance em que Marco Antônio empurrou Ubirajara e o árbitro Marçal Filho não marcou a falta, e Lula marcou aos 43 minutos do segundo tempo para o Fluminense. Neste jogo o Botafogo jogava pelo empate e então o Botafogo ficou com o Vice-Campeonato de 71.

              Este jogo volta e meia ainda é comentado, pois Aproximadamente 130 mil torcedores lotavam o Maracanã e viram o lance irregular, menos o árbitro José Marçal Filho. O Fogão neste dia jogou com; Ubirajara, Mura, Brito, Osmar e Valtencir; Nei Conceição e Carlos Roberto; Zequinha, Roberto, Silva e Paulo César Caju. Pelo Botafogo, Ubirajara sagrou-se campeão brasileiro em 1968.

FLAMENGO

               Em 1972, Ubirajara trocou o Botafogo pelo Flamengo, onde ficou até 1977. Foi uma geração de craques, como Zico, Andrade, Adilio, Rondineli, Cantareli, Tita, o argentino Doval, Dadá Maravilha e tinha até Wanderlei Luxemburgo, que como jogador passou despercebido, mas como treinador ficou muito famoso pelos inúmeros títulos que ganhou. Um fato curioso é que o Flamengo chegou a ficar com dois goleiros de nome Ubirajara. Além de Ubirajara Motta, o rubro-negro contava com Ubirajara Alcântara, considerado o negro mais bonito do Brasil e que posteriormente defendeu também o Botafogo.

               Pelo time da Gávea, Ubirajara Motta sagrou-se campeão da Taça Guanabara em 1972 e 1973 e também campeão carioca em 1972 e 1974 e realizou 40 jogos (21 vitórias, 11 empates e 8 derrotas). Na época o time base do Flamengo era; Ubirajara, Fred, Moisés, Reyes e Rodrigues Neto; Liminha e Zé Mário; Rogério, Doval, Caio Cambalhota e Paulo César Caju. Em 1977 com 41 anos de idade, o Presidente do Flamengo, Márcio Braga, fez o convite para ser treinador de goleiros para a escolinha de goleiros do clube da Gávea, uma vez que estava encerrando a carreira de jogador.

               Ubirajara tomou somente 2 gols de falta em 21 anos de carreira, um do seu grande amigo Gérson e outro de Roberto Dinamite que desviou na barreira. O ex-arqueiro, que virou contador depois de encerrar a carreira, está aposentado e continua morando na cidade maravilhosa, onde já foi presidente da Fugap (Fundação de Garantia do Atleta Profissional).

Em pé: Moreira, Ubirajara, Nei Conceição, Moisés, Leônidas e Valtencir Agachados: Rogério, Paulo César Cajú, Ferreti, Nilson Dias e Torino
Em pé: Joel, Ubirajara, Faria, Rubens, Zózimo e Nilton      –     Agachados: Corrêa, Vermelho, Décio, Walter e Beto
Em pé: Mura, Ubirajara, Brito, Djalma Dias, Nei Conceição e Valtencir      –     Agachados: Zequinha, Paulo César Cajú, Nei, Roberto Miranda e Galdino
Em pé: Fidelis, Ubirajara, Denilson, Ditão, Altair e Edson      –     Agachados: Nado, Lima, Célio, Tostão e Edu
Em pé: Mário Tito, Ubirajara, Luiz Alberto, Ari Clemente, Jaime e Fidélis      –     Agachados: Paulo Borges, Cabralzinho, Norberto, Jair e Aladim
Ubirajara segurando Almir na briga histórica na decisão do Campeonato Carioca de 1966
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