WLADIMIR: jogador que mais vezes vestiu a camisa corintiana

                    Wladimir Rodrigues dos Santos nasceu dia 29 de agosto de 1954, na capital paulista. Ainda menino e muito franzino, Wladimir chegou no Corinthians em 1970, nas categorias inferiores. Dois anos depois ele faria sua estréia no time profissional, aos 18 anos. Promovido pelo técnico Duque, teve sua oportunidade no dia 1 de junho de 1972, contra o Besiktas, em Istambul, na Turquia, em uma excursão que o Corinthians fez pela Europa. Neste dia o time de Parque São Jorge venceu por 3 a 0 e jogou com; Sidney, Miranda, Luiz Carlos, Guaraci e Pedrinho (Wladimir); Tião e Nelson Lopes (Dirceu Alves); Vaguinho (Paulo Borges), Mirandinha (Lance), Adãozinho e Aladim. Desde o início, comentava-se sobre o garoto que, num curto espaço de tempo, poderia surpreender na lateral esquerda do time principal.  Aos 20 anos, assumiu a condição de titular de onde não saiu por mais de uma década.

                   Assim que passou a treinar com os profissionais, o jovem Wladimir ganhou um amigo ilustre, o meia Rivelino, uma das estrelas do tricampeonato na Copa do México, em 1970. O ídolo do Timão e da seleção brasileira passou a ajudar o lateral esquerdo promissor, que anos depois também se consolidaria como um dos maiores craques da história do Corinthians. Antes dos treinamentos, o Reizinho do Parque passava com seu carro no Alto de Pinheiros para dar uma carona a Wladimir, aliviando assim a difícil rotina de ir de ônibus para o clube e para a escola. 

                  Wladimir conta que Rivelino morava na zona sul e desviava um pouco o caminho para lhe pegar ali próximo à Praça Panamericana. Sempre com muita simpatia e atenção, dando-lhe muitas dicas sobre futebol. Com o tempo, a carona para a zona leste mostrou ter destino certo, pois Wladimir foi se firmando no time titular e com isto, em pouco tempo pôde comprar um Fusca que o acompanhava até o Parque São Jorge. Em 1974, já havia se mudado para um apartamento em Perdizes, colhendo assim os primeiros frutos de seu futebol.

                 Wladimir teve muitos momentos de alegria vestindo a camisa do Corinthians, e um que ele jamais esquecerá, foi no dia 5 de dezembro de 1976, quando a Fiel Torcida Corintiana invadiu o Maracanã, quando o Timão enfrentou o Fluminense pela semifinal do Campeonato Brasileiro. Naquele dia, a Fiel foi em peso para o Rio de Janeiro, onde assistiu a um confronto emocionante. O Tricolor das Laranjeiras e o Timão empataram em 1 a 1 no tempo normal e o Corinthians venceu nos pênaltis por 4 a 1. Foi um dia inesquecível na vida de Wladimir e de todos os corintianos que estiveram no maior do mundo naquela tarde de muita chuva, mas também de muita festa por parte dos torcedores corintianos de todo o país.

                Ainda hoje Wladimir comenta que foi um dos maiores jogos de toda sua carreira, pois além de sair de campo vitorioso, também teve aquele aspecto da torcida corintiana ter invadido o Rio de Janeiro e praticamente dividido o Maracanã com os cariocas. Mas alegria maior, ainda estava por vir.  Chegava o ano de 1977. O Corinthians classificou-se para as finais do Campeonato Paulista da maneira como seu torcedor mais gosta, ou seja, suada e sofrida. Mesmo vencendo o Palmeiras por 2 a 0 na fase de classificação, a campanha irregular do Timão teve um divisor de água; a derrota para o Guarani no dia 21 de setembro.

                  O revés de 1 a 0 no Pacaembu lotado por 40 mil pessoas obrigou o time a vencer todos os jogos restantes; contra o Botafogo, em Ribeirão Preto (1×0) e dois clássicos, diante de Portuguesa (1×0) e São Paulo (2×1).  Já nas finais, o adversário seria a temida Ponte Preta, que contava com o melhor time de sua história, com jogadores selecionáveis, como o goleiro Carlos, o zagueiro Oscar e o meio campista Dicá. Tecnicamente era muito superior ao Corinthians, que encarnava a velha mística da raça para superar seus adversários.  No primeiro jogo das finais, uma quarta-feira à noite, deu Timão 1 a 0, gol de rosto de Palhinha. 

                 No segundo jogo, um domingo a tarde, o Corinthians precisava somente de um empate, e a Fiel invadiu o Morumbi, cerca de 138 mil torcedores espremeram-se nos concretos do estádio. Depois de estar vencendo a partida, a Ponte Preta virou o placar e venceu por 2 a 1.  O terceiro jogo para decidir finalmente o campeão paulista de 1977, aconteceu no dia 13 de outubro, uma quinta-feira à noite no Morumbi. Neste dia o Corinthians entrou em campo com a seguinte formação; Tobias, Zé Maria, Moisés, Ademir e Wladimir; Ruço, Basílio e Luciano; Vaguinho, Geraldão e Romeu.

                 Faltavam dez minutos para terminar a partida, quando uma falta na ponta direita deu um novo alento à multidão. Zé Maria cruzou na área, Wladimir raspou a cabeça e a bola sobrou para Vaguinho, que, de canhota, mandou uma bomba no travessão. No rebote, Wladimir cabeceou mais uma vez, no corpo de Oscar, que impediu o gol. No segundo rebote chega Basílio chutando de uma maneira que parecia haver milhões de pés chutando ao mesmo tempo e a bola foi estufar as redes do goleiro Carlos, que nada pode fazer. A partir daí, começaram as comemorações pela cidade.

                Foi só o juiz terminar o jogo para que os torcedores invadissem o campo, enquanto milhões festejavam por todo o país. Com esse título, o Corinthians acabou com o jejum de títulos, que durava desde 1954, ano em que Wladimir nasceu.  Ao lado do lateral-direito Zé Maria, do meia Basílio, dos pontas Romeu e Vaguinho, do meia Palhinha, do volante Ruço, entre outros, conquistaram a Fiel torcida aliando raça e técnica na equipe comandada por Oswaldo Brandão.

                Wladimir também fez parte do time corintiano campeão paulista de 1979 e bicampeão estadual em 1982 e 1983. E foi justamente nesta época vitoriosa que Wladimir mostrou também ser um líder. Ele foi um dos idealizadores da “Democracia Corintiana”, movimento criado pelos atletas corintianos durante os anos de 82 e 83 e que tinha como um de seus principais líderes o meia Sócrates.

                Em 1985, logo após o fracasso da equipe no Campeonato Brasileiro, Wladimir deixou o Parque São Jorge. Seguiu por empréstimo para a Ponte Preta e para o Santo André e retornou ao alvinegro dois anos depois. No segundo semestre de 1987, Wladimir chegou a ser adaptado como quarto-zagueiro, já que Dida era o lateral-esquerdo titular. A improvisação acabou não dando certo. Com a camisa do Corinthians, Wladimir disputou 805 partidas. Venceu 372, empatou 256 e perdeu 177. Marcou 32 gols, sendo que dois são inesquecíveis para o lateral. Um é aquele de bicicleta contra o Tiradentes, no Canindé, na goleada do Corinthians por 10 a 1. O outro foi contra o Atlético Mineiro, no Morumbi, em que driblou vários jogadores e até o goleiro João Leite. 

                   É disparado o jogador que mais vezes vestiu a camisa do Timão (805 vezes), pois em segundo lugar vem Luizinho, o “Pequeno Polegar” que jogou 606 vezes. Ele sempre diz que isto é um grande orgulho, pois foram muitas partidas que entrou em campo com tornozelo machucado, com febre e outros tipos de problemas.  Antes de encerrar a carreira, o lateral chegou a atuar por duas grandes equipes do futebol brasileiro: o Cruzeiro e o Santos, time de infância do jogador.

                  Apesar de ser considerado um dos melhores laterais esquerdos de sua época, Wladimir nunca se firmou na seleção brasileira. Fez um jogo pelas eliminatórias da Copa de 78, disputada na Argentina e jogou a Copa América de 1983, onde o Brasil perdeu para o Uruguai na final. Ainda disputou três amistosos em 1984, sob o comando de Edu, irmão de Zico. Apesar de ter a imprensa paulista ao seu lado, Wladimir não teve muitas chances. Deu o azar de chegar ao auge na época em que o flamenguista Junior era o lateral titular incontestável. Com muita calma, ele acha que poderia ter sido um pouco melhor aproveitado, mas como sempre existiu o regionalismo e interesse extra-futebol e principalmente na seleção, ele acha melhor não ficar triste e sim agradecer a Deus por todas as alegrias que o futebol lhe proporcionou.

                 Em 1984, virou presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo e, em 1989, quando defendia o Santos, também acumulava o cargo de administrador do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu. O talento natural para a liderança rendeu a Wladimir a proeza de ser capitão em um time com grandes líderes como Sócrates, Casagrande e o contestado Leão. Politizado, ele sempre lutou pelos interesses de seus companheiros. Wladimir vive em São Paulo.

                É pai do lateral direito Gabriel, que começou no São Paulo e depois foi para o Fluminense. Cuida dos interesses do filho e costuma bater uma bolinha no time de veteranos do Timão. Também é pai de Ludmila e de Júlia. Em 2008, ele se candidatou a vereador pelo PC do B, de São Paulo, mas não conseguiu se eleger. Recebeu aproximadamente seis mil votos.  Se existe um exemplo de amor à camisa no Timão, este é Wladimir.

                O lateral tem o maior número de jogos disputados pelo Corinthians em todos os tempos.  Wladimir sabe que, hoje em dia, poucos atletas ficam tanto tempo num mesmo clube. Os que conseguem passar várias temporadas em um mesmo lugar, nem sempre mostram a mesma vontade de jogar. Por isso, dificilmente algum jogador baterá esta marca dos 805 jogos com a camisa do glorioso S. C. Corinthians Paulista.

Em pé: Zé Maria, Tobias, Moises, Ruço, Ademir e Wladimir      –     Agachados: Vaguinho, Basílio, Geraldão, Luciano e Romeu
Em pé: Zé Maria, Mauro, Solitino, Djalma, Caçapava e Wladimir      –     Agachados: Vaguinho, Sócrates, Geraldão, Piter e Wilsinho
Em pé: Zé Maria, Buticce, Tião, Brito, Ademir e Wladimir      –     Agachados: Vaguinho, Lance, Zé Roberto, Rivelino e Adãozinho
Em pé: Carlos, Casagrande, Serginho Chulapa, Zenon, Dunga e João Paulo      –     Agachados: De Leon, Juninho, Edson, Biro Biro e Wladimir
SELEÇÃO CORINTIANA DE TODOS OS TEMPOS:   Em pé: Gilmar, Zé Maria, Domingos Da Guia, Gamarra, Rincon, Wladimir e Osvaldo Brandão      –     Agachados: Marcelinho Carioca, Sócrates, Ronaldo, Neto e Tevez
Em pé: Rondinelli, Gomes, Zé Maria, Rafael, Caçapava e Wladimir      –     Agachados: Biro Biro, Sócrates, Mário, Zenon e Paulo César Caju
Em pé: Zé Maria, Buttice, Brito, Tião, Baldochi e Wladimir     –     Agachados: Vaguinho, Lance, Zé Roberto, Pitta e Peri
Em pé: Zé Maria, Nilton, Brito, Ado, Baldochi e Wladimir     –      Agachados: Vaguinho, ZéRoberto, Rivelino e Adãozinho
Em pé: Zé Maria, Tobias, Luciano, Moisés, Zé Eduardo e Wladimir      –     Agachados: Vaguinho, Palhinha, Geraldão, Adãozinho e Romeu
Em pé: Zé Maria, Tobias, Moisés, Zé Eduardo, Givanildo e Wladimir      –     Agachados: Vaguinho, Geraldão, Ruço e Romeu
Em pé: Zé Maria, Tião, Laércio, Luís Carlos, Ado e Wladimir     –     Agachados: Mirandinha, Vaguinho, Adãozinho, Rivelino e Marco Antônio
Em pé: Solito, Sócrates, Ataliba, Casagrande, Zenon e Biro Biro      –     Agachados: Mauro, Daniel Gonzales, Alfinete, Paulinho e Wladimir
Em pé: Jairo, Zé Maria, Taborda, Amaral, Zé Eduardo e Romeu      –     Agachados: Piter, Palhinha, Sócrates, Biro Biro e Wladimir
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