NETO: ídolo da Fiel Torcida Corintiana

                  José Ferreira Neto nasceu dia 9 de setembro de 1966, na cidade de Santo Antonio da Posse (SP).  É um dos maiores ídolos da história do Corinthians, tendo recebido o apelido de xodó da fiel, sendo o principal condutor do clube ao seu primeiro título brasileiro, em 1990. Ficou conhecido por seu grande espírito de liderança e por ser um exímio cobrador de faltas, chegando a ser considerado o melhor do Brasil em sua época.  Começou a carreira no infantil da Ponte Preta, na cidade de Campinas, mas ainda amador se transferiu para as categorias de base do Guarani, outro clube campineiro.  Talentoso, o meia-esquerda despertou a atenção da opinião pública tão logo estreou como profissional, aos dezessete anos.  Com gols espetaculares, despertou interesse de grandes equipes do Brasil. Apesar disso, passou o segundo semestre de 1986 no ótimo time que o Bangu, do Rio de Janeiro, tinha na época.

                Foi contratado pelo São Paulo em 1987, mas teve participação discreta. Foram 33 partidas, sendo 12 vitórias, 13 empates e 8 derrotas. Marcou 5 gols com a camisa tricolor e fez parte do grupo que conquistou o titulo estadual daquele ano.  Voltou para o Guarani e foi vice-campeão paulista de 1988, quando disputou o titulo com o Corinthians. No primeiro jogo da grande final, Neto marcou um gol de bicicleta no goleiro Ronaldo, num dos grandes lances de sua carreira aos 45 minutos do primeiro tempo. Este golaço rendeu a capa da revista Placar com a seguinte manchete: “Golpe de Mestre”. O Corinthians empatou logo aos 6 minutos do segundo tempo com o lateral direito Edson, fechando assim o placar. No segundo jogo disputado dia 31 de julho de 1988, no estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas, quem surgia como novo ídolo da torcida corintiana, era o garoto Viola, que marcou o único gol da partida, dando assim a vitória e o título estadual ao alvinegro de Parque São Jorge.

                Pelo bom desempenho em 1988, foi contratado pelo Palmeiras no ano seguinte. De novo não foi bem. Escalado sucessivamente na ponta esquerda pelo técnico Emerson Leão, Neto brilhou pouco na equipe alviverde. O time fez uma bela campanha no Paulista daquele ano, perdendo apenas um jogo, nas semifinais, para o Bragantino, sendo eliminado. No mesmo ano de 1979, Neto transferiu-se para o Corinthians, junto com o lateral esquerdo Denys. O time alvinegro mandou para o Parque Antarctica o lateral-esquerdo Dida e o meia Ribamar.

               Ao chegar ao Parque São Jorge, porem, a carreira de Neto finalmente deslanchou.  O técnico era Nelsinho Baptista, que deixou Neto jogar a vontade, fazendo com que ele rendesse tudo que podia. Foi o principal jogador do Corinthians na conquista do primeiro título brasileiro do clube. O time do Corinthians era tecnicamente limitado. Os destaques, além de Neto, eram o goleiro Ronaldo e o zagueiro Marcelo, dois pratas da casa. A equipe contava com a determinação de jogadores como Márcio Bittencourt, Wilson Mano, Fabinho e Tupãzinho, além de atletas oriundos da categoria de base, como Dinei.

              Depois de uma campanha irregular na primeira fase, o time ficou com a última vaga para as oitavas de final. Iria enfrentar o melhor time do campeonato até então, o Atlético Mineiro. Foi quando Neto fez valer sua condição de líder e craque do time. Na partida de ida, numa noite de sábado, 24 de novembro, no Pacaembu. O time mineiro saiu na frente no placar. Aos 30 minutos da fase final, Neto empatou e aos 40 minutos, ele, de novo, marcou e sacramentou a tradicional virada corintiana por 2 a 1.  O segundo jogo no Mineirão, o placar foi zero a zero e o Timão estava classificado para a semi-final.

              O adversário era o poderoso Bahia, que estava numa fase esplendorosa. No dia 6 de dezembro, uma quarta feira de muita chuva, o Pacaembu estava completamente lotado com 40 mil pessoas dentro e mais outro tanto do lado de fora que não conseguiram entrar.  E a história se repetiu. O Bahia saiu na frente do placar logo aos dois minutos de jogo. Depois, com um gol contra, o Corinthians empatou a partida.  Mas aos 25 minutos do segundo tempo, Neto, de falta, fez o gol da virada. No jogo de volta, três dias depois, na Fonte Nova, o Corinthians mais uma vez segurou o empate de zero a zero e estava classificado para a grande final, que seria contra o eterno rival São Paulo F.C. 

               A primeira partida aconteceu no dia 13 de dezembro de 1990 no estádio do Morumbi, debaixo de muita chuva. Logo aos 4 minutos de jogo, Wilson Mano marcou aquele que seria o único gol da partida.  Veio então a segunda partida, dia 16 de dezembro, um domingo de muito sol na capital paulista. O Morumbi recebeu neste dia um público superior a 100.000 pessoas, sendo que 85% era de corintianos. O Corinthians entrou em campo com; Ronaldo, Giba, Marcelo, Guinei e Jacenir; Márcio, Wilson Mano e Neto; Fabinho, Tupãzinho e Mauro. O único gol da partida e que deu o título de Campeão Brasileiro ao clube de Parque São Jorge, foi marcado por Tupãzinho aos 9 minutos do segundo tempo, fazendo a festa de Neto, do Corinthians e de toda gigantesca e fervorosa torcida corintiana. 

               No ano seguinte, em 1991, Neto conquistou com o Corinthians, o título da Supercopa do Brasil (competição que reunia o campeão brasileiro e o campeão da Copa do Brasil do ano anterior). O título foi conquistado em um confronto contra o Flamengo, com o time corintiano vencendo a partida por 1 a 0, gol de Neto, que defendeu o Corinthians em dois períodos: entre 1989 e 1993 e entre 1996 e 97. Em um total de 227 partidas (104 vitórias, 74 empates, 49 derrotas), Neto anotou 84 gols com a camisa do alvinegro de Parque São Jorge.

              Pela Seleção Brasileira, sua primeira passagem foi em 1988, conquistando a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Seul, ao lado de jogadores importantes como Romário e Taffarel. Em 1990, depois da brilhante participação no campeonato brasileiro, sendo considerado o principal jogador em atividade no país, pela imprensa de São Paulo, Neto foi convocado para a seleção pelo técnico Paulo Roberto Falcão. Com a camisa 10, Neto deu um passeio na Espanha, vencendo por 3 a 0. Depois, num jogo comemorativo dos 50 anos do Rei Pelé, em 1991, Neto substituiu o Rei no intervalo e marcou, de falta, em pleno estádio San Siro, em Milão, o gol da nossa seleção, na derrota por 2 a 1 contra a Seleção do Mundo.

               Durante os amistosos, Neto se destacava como artilheiro do time, já que aquele time era muito franco. Neto também marcou um gol contra o Paraguai, dois contra a Bulgária e mais um gol contra a Argentina.  Veio então a Copa América de 1991, contra o  Chile, vitória brasileira, com um gol de Neto.  Mas este seria o fim do ciclo de Neto com a camisa “Amarelinha”.  No total, Neto atuou pela Seleção Brasileira em 26 partidas, marcando 7 gols. A partir deste momento, a atenção dada pela imprensa paulista começou a diminuir.

              Neto deixou o Corinthians em 1993, após a perda do Campeonato Paulista daquele ano para o Palmeiras. Se transferindo para o Milionários, da Colômbia. Ficou pouco. Em 1994, voltou ao Brasil, contratado pelo Santos, tornando-se assim, um dos poucos jogadores a atuar pelos quatro maiores clubes do estado de São Paulo. No entanto, nunca mais Neto conseguiu repetir o sucesso que alcançou no Parque São Jorge. Começou a trocar de clube constantemente e, mesmo marcando alguns gols, sua carreira continuava em rápida decadência.

              O próprio Neto, porém, reconhece que não era um atleta com grandes condições físicas. “Eu era boleiro, não atleta”, costuma dizer. Sempre teve problemas para controlar o peso e sofria com freqüentes problemas no tornozelo, o que o levou a encerrar a carreira relativamente jovem, com 33 anos, em 1999. Foi um jogador muito polêmico e com isto teve diversos problemas na carreira. O maior deles foi a não-convocação, dada como certa, para a Copa do Mundo da Itália, em 1990. O fato é ironizado pelo ex-atleta até hoje.

             Antes disso, ainda no Palmeiras, Neto entrou em atrito com o então técnico do clube, Emerson Leão, que não aceitava a falta de forma física do meia e o colocou para treinar em separado, ao lado de outros “gordinhos”. A atitude revoltou Neto.  Mas o fato que mais marcou negativamente sua carreira foi a cusparada que deu na cara do árbitro José Aparecido de Oliveira, numa partida entre Corinthians e Palmeiras, no Morumbi, em 13 de outubro de 1991, pelo Campeonato Paulista. Pelo ato, Neto foi suspenso por quatro meses.

             Atualmente, graças ao fato de ser ainda ídolo no Corinthians, Neto é comentarista de futebol da Band e da Transamérica SP, além de assinar uma coluna no caderno de Esportes do jornal O Estado de São Paulo.  Neto confessa ser corintiano desde criança. “Quando eu comecei a jogar futebol, nunca imaginei que um dia chegaria a atuar por um grande clube e que ainda seria ídolo do Corinthians. Quando cheguei ao Parque São Jorge confesso que me emocionei, pois corintiano é aquele cara apaixonado, que ama, que venera e que acompanha o clube quando ele está bem ou mesmo na pior.

              O Corinthians é como nossa casa, você ama sempre. Fica triste quando ele perde, mas continua lá, sempre torcendo por ele. Hoje apesar de não ter mais nenhum vínculo com o clube, continuo o amando e torcendo para que o time ganhe sempre, pois a Fiel torcida é simplesmente maravilhosa e merece toda a felicidade do mundo”.

Em pé: Giba, Jacenir, Marcelo, Guinei, Márcio e Ronaldo   –   Agachados: Fabinho, Wilson Mano, Tupãzinho, Neto e Mauro
Em pé: Dario Pereira, Toninho Cecílio, Dorival Jr. Edson, Velloso e Abelardo    –   Agachados: Mauricinho, Gerson Caçapa, Gaúcho, Edu Manga e Neto
GUARANI F.C.  –  Em pé: Nei, Júlio César, Wilson Gotardo, Cocada, Sidmar e Zé Mário    –   Agachados: Joãozinho, Neto, Norberto, Serginho e Rômulo
Em pé: Dema, Índio, Copertino, Gallo, Gilberto e Junior Agachados: Carlinhos, Dinho, Guga, Neto e Macedo

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