ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA INTERNACIONAL Fundado em 5 de Outubro de 1913

INTERNACIONAL DE LIMEIRA

O futebol foi trazido em 1904 por limeirenses que estavam em São Paulo. Os primeiros chutes foram dados pelos irmãos Soares Leitão e outros rapazes no Largo de Santa Cruz. Logo se fundou o Limeira Foot-Ball Club, presidido pelo Dr. José Botelho Velloso, com campo nos fundos da chácara de José Pinto Tessier. Depois começaram aparecer alguns clubes como; Aymorés F.C. –  Victória F.C.  –  Oriental F.C. (só rapazes de cor) –  S.C. Internacional  –  Brasil F.C.   Em  1912  existiam  em  Limeira, dois  times  de  futebol:  o  dos 

 “Almofadinhas”, que reunia a elite e mandava seus jogos num campo de terra localizado nos altos da cidade, e o “Barroquinha”, que treinava em um campo onde hoje passa a principal rua do comércio da cidade (Dr.Trajano). Este segundo, era o time do povão, cujo nome relacionava-se com o declive existente naquele terreno. A relação entre os dois times, era extremamente amigável, não havendo nenhuma violência por parte dos jogadores e muito menos dos torcedores, coisa que nos dias de hoje, os desportistas em geral já não podem dizer o mesmo.  O Barroquinha foi o time que deu origem à “Associação Atlética Internacional Foot-Ball”, que nasceu no dia 2 de outubro de 1913, em uma reunião que aconteceu no Teatro da Paz, onde admiradores e torcedores, se propuseram a pagar 1$000 (hum mil reis) mensais cada um, para tocar o time. Três dias depois, ou seja, dia 5 de outubro de 1913, foi oficializada sua fundação. O nome foi sugerido como homenagem à todos os imigrantes (japoneses, italianos, alemães, portugueses, etc…) aqui radicados. 

               Se hoje a Internacional é um clube conhecido e respeitado no território nacional, tudo se deve ao seu passado, pois o alicerce quando é bem feito a casa com certeza estará forte e segura para aqueles que irão usufruí-la no futuro. Portanto, vamos voltar um pouco ao passado. Quando a Internacional de Limeira foi fundada, naquela época, jogava num campo de chão duro em declive, sem nenhum palmo de grama e além da pequena arquibancada nada mais existia.  Os torcedores ficavam em volta do campo, quando nem ainda se falava em alambrado. O primeiro jogo da Associação Atlética Internacional, foi realizado no dia 12 de Outubro de 1913, em Vila Americana contra o Sport Clube Arrouba.  Na ocasião os sócios que participaram da excursão da torcida, pagaram 1$700 (hum mil e setecentos réis). O time que jogou neste dia, e consequentemente a primeira formação da história do clube, não se sabe exatamente, mas os jogadores que viajaram até Americana naquele dia, foram os seguintes: Quinze, Lau, Fenga, Tião Munhoz, Zeca Carabina, Zequinha, Emídio Bianchi, Tinho Munhoz, Guilherme, Bepe Bertolotto, Petrelli, Canhoto, Orlando, Garcia, Augusto Américo, Serelepe, Natalino Pelegrini, Paulino Rocha e Tonico Esteves.

Destes jogadores, destacamos o Zeca Carabina, um excelente médio volante, e que jogava de goleiro no time aspirantes (segundo quadro).   Como ele era um cabeceador espetacular, quando as bolas vinham pelo alto, ele nunca se utilizava das mãos, mas sim cortava todas de cabeça. Aquela era uma época romântica do futebol, que entusiasmava o torcedor, e que a cada gol de sua equipe, a torcida manifestava-se numa chuva de bengalas e palhetas lançadas para o alto, numa comemoração inesquecível. Um fato interessante ocorreu em 1919. Numa reunião realizada em primeiro de agosto daquele ano, a diretoria acatando uma ordem do prefeito municipal, paralisou as atividades da A.A. Internacional, com o intuito de proteger seus torcedores da moléstia grave que devastava a cidade de Limeira.  Somente em 22 de agosto de 1920, o time retomava suas atividades. No dia 26 de setembro de 1926, a Internacional recebeu a visita do Clube Atlético Paulistano, hoje São Paulo F.C. que vinha de uma excursão onde enfrentou o Manchester United, da Inglaterra e o Atlético de Madrid. Na época jogava pelo clube da capital, o extraordinário Friedenreich, considerado o melhor jogador do mundo. No entanto, a Inter não se intimidou e partiu pra cima do adversário, derrotando-o por 2×1. Ainda em 1926 a Inter conquistou o título de campeã do Interior.

               A Internacional é carinhosamente chamada de “Leão da Paulista” e isto se deve porque sua equipe costumava utilizar muito da “Companhia Paulista de Estradas de Ferro”, e como seus jogadores, lutavam como leões em campo, seus adversários começaram a chamar o time de “Leão da Paulista”. Em 1946, a Internacional se profissionalizou. Em 1947 foi criado o hino do clube. Letra de Renato P. Guimarães e música do maestro Mário Tintori. E também foi no ano de 1947, que a Internacional conquistou o título de campeã do interior paulista. A partir desse ano, treze equipes disputaram a chamada “Série Preta”, considerada na época a Segunda Divisão de Profissionais, que não dava direito ao acesso, que foi legalizado somente a partir de 1948 com a implantação da lei. A Primeira Divisão era constituída pelos times da Capital. Para participar do campeonato de 1947, o Leão da Paulista montou o melhor esquadrão do interior e não conquistou a taça de campeão, por acreditar apenas na força de seu fino futebol, deixando de lado fatores extra-campo.  A Internacional foi para Taubaté necessitando apenas de um empate, no entanto, foi vítima de um verdadeiro assalto, basta dizer que um dos gols do Taubaté aconteceu da seguinte forma: a bola bateu na trave, voltou para o meio de campo e o juiz apitou gol.

               Em 1961 conquistou o título da Série Algodoeira, ao vencer a Internacional de Bebedouro por 5 a 0. Em 1962, sagrou-se Campeã Paulista Série B – 2ª Divisão de Profissionais. Ainda em 1962, a Inter construiu seu estádio e no dia 15 de Setembro daquele ano inaugurou a iluminação do Estádio Levy. A equipe convidada para esta festa, foi a Portuguesa de Desportos. Em 1966, sagrou-se Campeã Paulista da Segunda Divisão de Profissionais e assim dessa maneira, conquistou o direito de disputar a Primeira Divisão de Profissionais, competição que antecedia a Divisão Especial. Mas, não pode participar, pois não tinha um estádio com capacidade para disputar uma Primeira Divisão do Futebol Paulista. A partir de então, começou o drama do presidente Benecdito Iaquinta. Para não perder o direito de permanecer na Primeira Divisão, fora solicitado licença a FPF até quando pudesse arrumar um campo adequado. Para tal, era preciso disputar todos os torneios amadores, além de cumprir com as obrigações financeiras como taxas de inscrições do time a Federação Paulista de Futebol. De 1967 até 1974, a Inter disputou jogos pelo campeonato amador e venceu cinco deles.

Benecdito Iaquinta encerrou a sua “Era” sem nenhuma dívida, logo após o lançamento da pedra fundamental do novo estádio em 1974. Major José Levy Sobrinho foi o doador do terreno, uma área de 42 mil metros quadrados, na antiga chácara Baianinha, para que nela fosse edificado um estádio. Em sua homenagem, o estádio passou a ter o seu nome, mas ficou conhecido popularmente como Limeirão. Enquanto o estádio não ficava pronto, a diretoria conseguiu um aval da FPF para disputar o seu mando de jogos na cidade vizinha de Araras, no Estádio da Usina São João. A primeira partida, na volta ao profissionalismo em 1975, foi contra o Piracicabano. Em 1976, a Internacional já tinha o seu mando de jogos em Limeira, utilizando-se do Estádio Municipal “Major José Levy Sobrinho” (Limeirão). 

               Em 30 de Janeiro de 1977 aconteceu o primeiro jogo no Limeirão. Jogando contra a equipe do Corinthians, a Inter perdeu por 3 a 2.  Foi neste jogo também que o Limeirão recebeu um público com mais de trinta mil pessoas, que estiveram acompanhando esta partida. Neste dia a Internacional jogou com; Carlinhos, Silvio (Carlinhos), Belini, Klein e Bauer; Jorge Cruz, Sérgio Moraes (Roberto) e Sérgio Luis (Varley); Assis, Tião Marino e Marquinho. À época de sua inauguração, foi o segundo maior estádio paulista, atrás somente do Morumbi, na capital. Em 1978 a Internacional subiu para a Divisão Especial do futebol paulista, que na época tinha a seguinte equipe: Carlinhos, Lopes, Pimenta, Klein e Pedro Paulo; Tornado, Ademir Melo e Pitico; Juarez, Tião Marino e Caldeira. No ano de 1979, mais precisamente no dia 21 de fevereiro, deu-se a inauguração da iluminação do Limeirão, onde a Inter recebeu a visita do Atlético Mineiro, que venceu por 1×0, gol de Paulo Isidoro.

              A glória da Internacional viria em 1986, quando fez uma campanha maravilhosa, chegando ao final do turno e returno em primeiro lugar isolado com 49 pontos ganhos. No quadrangular final enfrentou o Santos F.C., vencendo lá na Vila Belmiro por 2×0 e aqui em Limeira por 2×1. Depois veio a grande final, onde o adversário era o Palmeiras que já estava há dez anos na fila.  Os dois jogos foram realizados no Morumbi. O primeiro jogo terminou empatado em 0x0, e o segundo que foi realizado no dia 3 de setembro de 1986, a Inter venceu por 2×1, com gols de Kita e Tato. A Internacional formou neste dia com: Silas, João Luiz, Juarez, Bolivar e Pecos; Gilberto Costa, Manguinha e João Batista; Tato, Kita e Lê (Carlos Silva).  O técnico era o “Seo Macia” o popular Pepe.

               Foi um acontecimento que jamais será esquecido não só pelo torcedor da Veterana, como também de todo povo limeirense, pois a Internacional de Limeira, foi o primeiro clube do interior a sagrar-se Campeão Paulista de Futebol. A campanha foi indiscutível. Em 42 jogos, foram 21 vitórias, 14 empates e 7 derrotas. Foram anotados 59 gols e sofridos 33. A Associação Atlética Internacional recebeu do jornal “A Gazeta Esportiva” a Taça dos Invictos, por ter ficado 17 partidas consecutivas sem perder. Na seleção da imprensa, sete jogadores da Inter fizeram parte: Silas, Juarez, João Luis, Gilberto Costa, João Batista, Tato e Kita. Pois bem, a façanha de ser o primeiro time do interior paulista a conquistar o Paulistão foi e, sempre será, o fato mais marcante de toda a História do Campeonato Paulista desde seus primórdios.

               Após a conquista do título mais comemorado da história de Limeira, a Internacional não repetiu mais o feito histórico paulista, porém conquistou o título da Taça de Prata em 1986 e do Campeonato Brasileiro da Série Amarela, em 1988, sendo, portanto, bicampeão brasileiro da Série “B”. Nos anos seguintes, a Internacional viveu momentos conturbados, caindo e subindo à Primeira Divisão do Futebol Paulista, mas em momento algum, o torcedor leonino deixou de amar sua equipe, pois haja o que houver, ele estará sempre do lado do seu querido e amado “Leão da Paulista”.            

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

              Muitos fatos marcantes ocorreram nesse período, entre eles, muitas vitórias, muitas derrotas, títulos, descensos, enfim, uma linda história para um clube do interior que começou de uma forma bem simples e humilde, mas que aos poucos foi crescendo e chegando a um título estadual, o primeiro conquistado por um clube do interior. A sua torcida sempre fiel, nunca deixou de prestigiar a equipe, mesmo quando o jogo era em cidades bem distantes, pois o amor e o carinho que ela tem pela sua agremiação, é algo que somente um clube como a Internacional merece ter. Muitos jogadores já tiveram a honra de vestir a gloriosa camisa da Associação Atlética Internacional. Seria impossível descrevermos todos eles, mesmo porque, poderíamos nos esquecer de alguém e isto seria lamentável. Todos foram importantes para o clube, desde  aquele  que jogou  e  não  conquistou  nenhum  título, como aquele que  sagrou-se campeão. Tanto aquele que não saiu do anonimato, como aquele que chegou a seleção brasileira, disputando inclusive uma Copa do Mundo.

               Infelizmente muitos destes jogadores já não estão mais entre nós, mas são homens que jamais serão esquecidos, por tudo que fizeram pela grandeza da Internacional. Assim como diretores e presidentes que tanto lutaram com amor e dedicação, enfrentando situações muitas vezes difíceis e desagradáveis, mas não deixaram de levar o nome da Inter onde quer que fosse, sempre com a maior dignidade. Neste centenário que a Internacional está completando, não poderíamos deixar de cumprimentá-la, pois se trata de um clube que já deu muitas alegrias, não só aos seus torcedores, como também ao povo limeirense, pois a Internacional sempre levou com muita dignidade o nome de Limeira em todos os recantos deste país.

               Associação Atlética Internacional, um clube que nasceu humilde, como seu povo, mas com o tempo, foi mostrando sua força, suas glórias e conquistas e com isto, formou uma verdadeira legião de torcedores apaixonados, que jamais o abandonou e jamais o abandonará. Uma torcida que é formada por pessoas simples e humilde, que carregam em seus corações, a alegria de torcer pelo “Leão da Paulista” e de estar comemorando o centenário do seu clube. Portanto, fica aqui nossos sinceros cumprimentos e também um agradecimento por tudo que a nossa querida “Veterana” já fez pelo nosso futebol e pelas imensas alegrias que já proporcionou aos seus torcedores. 

José Carlos de Oliveira

 

 

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