OLAVO: ídolo no Corinthians e no Santos

                 Olavo Martins de Oliveira nasceu dia 9 de novembro de 1927, na cidade de Santos – SP. Talvez no mundo inteiro ninguém o tenha superado pela constância. Chegou a atingir 155 partidas disputadas seguidamente. Jogou 507 partidas pelo Corinthians e marcou, mesmo sendo zagueiro, 17 gols. Quando Cláudio deixou de jogar, Olavo passou a responder pela equipe no gramado. E transformou-se, também num autêntico “capitão”. Atuando pelas laterais ou no centro, representava sempre a mesma segurança. Inicialmente, formou com Murilo uma grande zaga. Depois, passou a jogar com Homero. Finalmente, foi deslocado para o miolo da defensiva, ali permanecendo até sua saída do Corinthians com passe livre, indo jogar no Santos F.C., onde continuou fazendo sucesso, pois era um exemplo de correção profissional.

INÍCIO DE CARREIRA

               Olavo iniciou sua carreira no juvenil do Cunha Moreira. Daí ele partiu para o XV de Novembro e Senador Feijó, clubes de várzea do bairro da Encruzilhada da cidade de Santos e em 1948 chegou na Portuguesa Santista, até que no dia 30 de dezembro de 1951, a Lusa Santista enfrentou o Corinthians pelo segundo turno do campeonato paulista e o jogo terminou empatado em 1 a 1 e neste jogo Olavo chamou a atenção dos dirigentes corintianos pela sua bravura e determinação, pois era este o perfil do clube, sendo assim, imediatamente o contrataram para disputar a Copa Rio de 1952.

CORINTHIANS

               Ao chegar no Parque São Jorge, já naquele ano sagrou-se campeão paulista com uma rodada de antecedência e isto aconteceu dia 25 de janeiro de 1953. Mesmo perdendo para o XV de Jaú por 3 a 1 a torcida corintiana comemorou seu 14º título estadual, pois no mesmo dia, o São Paulo também perdeu para a Portuguesa por 1 a 0. Neste ano o Corinthians tinha a seguinte equipe; Gilmar, Idário, Homero, Goiano e Olavo; Roberto Belangero e Luizinho; Cláudio, Baltazar, Carbone e Souzinha. No ano seguinte conquistou o Torneio Rio-São Paulo e em 1954, sagrou-se campeão paulista novamente, conquistando o Título do IV Centenário, um título que o torcedor corintiano jamais esquecerá. Ainda em 1954 conquistou novamente o Torneio Rio-São Paulo.

               Foi um dos melhores zagueiros da história do Timão. Símbolo de bravura e determinação, tornou-se capitão da equipe a partir da despedida de Claudio em 1958. Era também o cobrador oficial de pênaltis da equipe, maneira que marcou todos os seus 17 gols . Estabeleceu o primeiro recorde de partidas de campeonato seguidas pelo Timão (155), perdendo depois para Wladimir. Sua última partida pelo Corinthians aconteceu dia 23 de julho de 1961, quando o alvinegro perdeu para o Jabaquara por 2 a 1. Este jogo foi no Estádio Urbano Caldeira, que pertence ao Santos e neste dia o Corinthians jogou com; Gilmar, Jaime, Olavo, Egídio e Oreco, Benedito e Rafael; Martinho, Da Silva, Delgado e Neves. Com a camisa do alvinegro de Parque São Jorge Olavo disputou 506 jogos em 9 anos (1952-1961). Venceu 306, empatou 99 e perdeu 101. Marcou 17 gols a favor e 3 contra.

SANTOS F.C.

               No final de 1961, ganhou passe livre e foi contratado pelo Santos, por indicação do técnico santista e da Seleção Paulista, o Lula. A primeira vez que enfrentou seu ex-clube foi no dia 16 de junho de 1962 pelo Torneio Nacional. O jogo foi no Parque São Jorge e o Corinthians venceu por 3 a 1, gols de Manoelzinho, Cássio e Calvet contra, enquanto que para o Peixe, Nenê marcou o único tento. Olavo  ficou na Vila Belmiro de 1961 até março de 1966, conquistando cinco títulos paulistas, quatro Torneios Rio-São Paulo, quatro Brasileiros, duas Copas Libertadores e dois Títulos Mundiais. Todos estes títulos foram importantes na carreira de Olavo, mas o mundial de 1962, ficou marcado em sua vida.

              A decisão foi contra o Benfica, de Portugal, e a primeira partida foi no Maracanã, onde o Peixe com gols de Pelé (2) e Coutinho venceram por 3 a 2, sendo que para os portugueses Santana fez os dois gols. Com esta vitória o Santos foi à Lisboa com a vantagem do empate. O segundo e decisivo jogo foi no dia 11 de outubro de 1962, dia em que o Santos Futebol Clube conquistou o título máximo que um clube de futebol pode alcançar. Nesta data, o Peixe sagrou-se Campeão Mundial Interclubes, em Lisboa. A partida que rendeu o título ao Santos foi um verdadeiro show de bola. O placar final foi de 5 para o Peixe e 2 para o Benfica. Este jogo é tido por muitos dos jogadores daquela época como a melhor apresentação do Santos em toda a sua história.

              Pelo bonito futebol, a equipe campeã deu sua volta olímpica sendo aplaudida de pé pela torcida adversária. No dia seguinte, os jornais lusitanos estampavam: “O Santos proporcionou à Lisboa um espetáculo inesquecível”. Na grande final, o técnico Lula fez uma alteração surpresa, colocando Olavo no lugar de Mengálvio e mudando a posição de Lima. “Só ficamos sabendo disso na hora da preleção”, disse Olavo. O time escalado para a decisão foi: Gilmar, Olavo, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Lima; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Em março de 1966 transferiu-se para o Náutico de Recife, onde foi campeão pernambucano e onde encerrou sua carreira profissional.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Olavo jogou pela Seleção Brasileira de 1955 à 1957, disputando quatro partidas, sem marcar nenhum gol. Sua primeira partida pela seleção canarinho foi contra o Paraguai, em 1955, quando vencemos por 3 a 0, gols de Zizinho (2) e Sabará. Na final da Copa Oswaldo Cruz, o jogo foi novamente  contra o Paraguai, jogo que acabou empatado em 3 a 3, dando o título ao Brasil, que venceu a primeira partida por 3 a 0, mas para este jogo Olavo não foi convocado. Suas outras três partidas pelo Brasil foram válidas pela Copa América de 1957, competição em que o Brasil acabou sendo vice-campeão, já que perdeu a final para a Argentina por 3 a 0. Este jogo aconteceu dia 3 de abril de 1957 e foi disputado em Lima, Peru.

FORA DAS QUATRO LINHAS

               Depois que encerrou sua brilhante carreira de jogador de futebol, trabalhou como técnico nos amadores e profissionais do Santos e da Portuguesa Santista. Se aposentou pela prefeitura, como monitor esportivo na escolinha da Semes, após revelar jogadores profissionais que atuam até hoje. Olavo era um homem simples, humilde e calmo. Estes tres adjetivos serviriam para qualificar com perfeição a sua personalidade. Na mesma proporção vinha o conhecimento do futebol. “Era um zagueiro viril, mas leal”, relembra Formiga, que o enfrentou muitas vezes, pelo Santos contra o Corinthians na década de 50.  Os dois também estavam juntos na estréia de Olavo na Seleção Brasileira em 1955 no Pacaembu, pela Taça Oswaldo Cruz. Na equipe de Parque São Jorge, Olavo viveu seus melhores anos.

              Foi Campeão Paulista em 1952 e 1954, além do título da Pequena Copa do Mundo, na Venezuela, em 1953. Chegou a fazer 155 partidas consecutivas pelo Corinthians. Na Vila Belmiro ele curtiu seus mais importantes troféus; o Bi da Libertadores e do Mundial Interclubes. Ele participou da goleada por 5 a 2 diante do Benfica, um time que não perdia no Estádio da Luz, mas que naquele dia 11 de outubro de 1962, conheceu o sabor da derrota. Antes de encerrar a carreira, ainda conquistou mais um título, foi pelo Náutico de Recife.              

               Depois de ser corretor de café por dois anos, os destinos de Olavo e Formiga voltaram a se encontrar. De 1971 à 1977 foi treinador das equipes de base do Santos. Chegou até a comandar o time principal por três meses, em 1976. Depois, aposentou-se como monitor-técnico da escolinha de futebol da Prefeitura Municipal de Santos. Nessa época começou a comandar o juvenil do Peixe, uma geração que daria trabalho aos adversários dali a poucos anos nas mãos de Formiga no profissional. Era os chamados “Meninos da Vila”. Foi Olavo que foi buscar lá em Cubatão, o menino Pita para o Santos. Até hoje Pita lembra de Olavo e diz que foi como um pai para ele. Pita foi um dos talentos que despontou no Santos, assim como Juary, Gilberto Costa e Rubens Feijão, todos descobertos por Olavo. Era um verdadeiro pai para os garotos, tanto é, que Pita nunca esquece que Olavo muitas vezes lhe deu dinheiro para o ônibus para ir ao treino. Assim como os meninos da Vila de 1978, também estão mais órfãos os que admiram a história do futebol.

               Como fazia todas as manhãs, foi caminhar na praia e comprar o jornal. Durante o caminho de volta, já perto de casa, começou a sentir dores no peito e acabou levando um tombo. Era um enfarto fulminante. Uma vizinha ainda chamou a viatura do Resgate e avisou a esposa Hermelinda, com quem era casado há 51 anos. Foi levado para a Santa Casa de Misericórdia, mas não resistiu. Olavo faleceu dia 12 de março de 2004, aos 76 anos de idade, na cidade de Santos. Foi casado com Hermelinda Bello de Oliveira e deixou os filhos Olavo Martins de Oliveira Junior, Denise Oliveira Meirelles da Silva e duas netas, Renata e Paula.

               Pelo seu jeito de ser, era por todos tratado com muito carinho e respeito, era uma figura como atleta maravilhoso, um grande jogador, um grande zagueiro, muito leal nas suas jogadas, nunca dava pontapés, nunca foi expulso de campo, teve grandes títulos pelo Corinthians e pelo Santos. Podemos dizer também que foi um grande homem, muito dedicado à família e aos amigos. Infelizmente, foi uma grande perda para o futebol e para o mundo. Mas vamos ter sempre na lembrança a imagem daquele homem de sorriso largo e sempre atencioso para com todos que à ele se dirigiam. Por tudo isso, só nos resta dizer, descanse em paz, querido Olavo.

Em pé: Oreco, Gilmar, Olavo, Cássio, Goiano e Roberto Belangero      –     Agachados: Zezé, Índio, Rafael, Zague e Boquita
Em pé: Oreco, Alfredo Ramos, Walmir, Olavo, Idário e Gilmar     –    Agachados: Cláudio, Luizinho, Rafael, Índio e Boquita
Em pé: Olavo, Oreco, Goiano, Walmir, Gilmar e Roberto Belangero     –    Agachados: Bataglia, Rafael, Indio, Luizinho e Tite
Da direita para a esquerda: Gilmar, Zague, Benedito, Rafael, Olavo, Idário, Índio, Walmir, Oreco, Luizinho e Cláudio
Em pé: Cabeção, Hélvio, Djalma Santos, Brandãozinho, Bauer e Olavo     –    Agachados: Julinho, Antoninho, Baltazar, Pinga e Rodrigues
Em pé: Idário, Julião, Alan, Olavo, Roberto Belangero e Gilmar     –    Agachados: Cláudio, Luizinho, Paulo, Baltazar e Jansen
Em pé: Zito, Olavo, Formiga, Getúlio, Zé Carlos e Gilmar     –    Agachados: Julinho, Pelé, Servilio, Chinesinho e Pepe
Em pé: Joel, Zito, Olavo, Geraldino, Mauro e Laércio      –    Agachados: Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe
Em pé: Lima, Zito, Rodrigues, Calvet, Olavo e Laércio      –    Agachados: Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe
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