SÁVIO: maior ídolo da história da Anapolina de Goiás

                    Domingos Sávio da Silva nasceu dia 20 de agosto de 1957, na cidade de Xanxerê, estado de Santa Catarina. Foi o maior artilheiro da Anapolina no Campeonato Brasileiro de 1982 com 14 gols. Sávio Guerreiro, como era chamado dentro do futebol, foi um atacante rápido, com muita movimentação e grande capacidade de finalização. Começou no Juventus de Rio do Sul, na década de 70. Formou no ataque do ‘moleque travesso’ do Alto Vale do Itajaí, ao lado do centroavante Bráulio e do ponta Valadares. “Bons tempos aqueles. Perdemos o título estadual para o Joinville mas, nosso time era muito bom.”. sempre comenta Sávio. Jogou também em outros clubes, como o São Paulo em 1982, onde marcou um gol com a camisa tricolor.

INFÂNCIA VIOLENTA 

                  A infância do catarinense Domingos Sávio da Silva foi sempre marcada por uma incrível violência, em Xanxerê, no oeste do Estado, onde a brutalidade era sinônimo de lei. Esse homem, casado com Nilva Aparecida, optou pelo futebol para não se tornar um marginal. Depois de quase seis anos de luta, sem oportunidade, aparece para o Brasil como um dos artilheiros da taça de Prata. Sávio diz “Durante toda minha infância fui conduzido para ser um assassino. Meu padrasto Joel me estimulava a andar com uma faca na cintura ou um pedaço de pau.

                  Enfim, alguma coisa certamente mais cedo ou mais tarde faria de mim um assassino. Resisti, não ouvia os seus conselhos e procurei uma fuga no futebol. Posso ser tudo na vida, mas me orgulho de não haver me tornado um marginal. Na pequena Xanxerê, onde morava com mais quatro irmãos, a mãe, Dona Terezinha e o padrasto, Joel, um homem muito violento apesar dos seus 23 anos. Sávio passou todo tipo de dificuldade. A comida, do café ao feijão, era contada e ninguém tinha o direito de repeti-la, porque não dava para todos. Dormiam os três irmãos na mesma esteira e o trabalho da casa ficava sob sua responsabilidade, já que sua mãe era professora primária.

                  Além disso, ainda tomava conta do filho menor do padrasto, um garotinho de dois anos. Submetia-se a uma rotina brutal. Obrigado a deitar-se já de madrugada, depois que terminava o carteado, levantava-se antes das 5 da manhã para vestir seus irmãos, fazer café e manda-lo para o Grupo Escolar.

                  Aos sete anos já tinha o senso de responsabilidade de adulto Foi também nessa época, quando começou a conhecer a dureza da vida, que Sávio soube como ficou órfão de pai, com apenas um ano de vida. O velho Genésio da Silva era caminhoneiro e havia chegado de viagem. E foi logo sentando numa mesa de pôquer.

                 Nesse dia, estava na mesa o Sr. Martin, com quem a família de Sávio tinha uma antiga rixa. Quando o seu Genésio sentiu que estava sendo roubado, deu uma cadeirada em Martin. Tonto e sangrando, Martin saiu do bar em busca de seu pai, o terrível e muito conhecido por todos pela sua valentia. Todos insistiram para que Genésio fugisse e ele teimou em ficar. Não demorou muito e o pai de Martin chegou mostrando o rosto do seu filho ao pai de Sávio e lhe deu dois tiros à queima-roupa. Foi assim que Sávio ficou órfão.

                   Quando o padrasto abandonou a família e foi trabalhar no Mato Grosso, Sávio foi morar com o avô no Rio Grande do Sul. Era a oportunidade que tinha de começar uma vida nova. E ele foi trabalhar como entregador de um mini mercado. Ganhava 120 cruzeiros o que dava para pagar o colégio, passagem do ônibus e ainda mandar algum dinheiro para a mãe. Entre uma pelada e outra foi melhorando de situação e passou a ser auxiliar de escritório.

                   Mas a grande paixão, agora mais do que nunca, era a bola. Já tinha vaga garantida no time de futsal da cidade. Em pouco tempo já estava disputado o campeonato regional do Rio Grande do Sul e tornando-se o artilheiro da competição com 24 gols e chamando a atenção do Juventus que o profissionalizou. Passou a receber 700 cruzeiros mensais. A família não queria e apenas seu avô lhe dava apoio.

                   Depois de servir ao Exército, em 1976, recebeu passe livre do Juventus e foi contratado pelo Joinville por indicação do técnico Velha. Depois passou pelo Avaí, novamente Joinville e surgiu a chance de jogar no futebol paulista atuando pelo Juventus. Estava num bom clube, mas não jogava. Contrataram o Geraldão que havia sido campeão paulista pelo Corinthians e Sávio ficou na reserva.

ANAPOLINA

                   Em 1981 apareceu a Anapolina na sua vida. Disputou o Campeonato Goiano e marcou 34 gols. Foi a grande revelação da Taça de Prata e esperava jogar num grande clube do Brasil. Sávio sabia que sua grande habilidade era a presença na área que poderia lhe garantir uma carreira de sucesso. Sávio venceu seu próprio destino. Deixou de ser um marginal e transformou-se num temido e competente artilheiro. E até hoje, Sávio Guerreiro, como ficou conhecido, ainda é idolatrado pelos torcedores da Anapolina.

                  Em 1981, Sávio ajudou a Anapolina a conquistar o Vice-Campeonato Goiano (foi campeã dentro de campo e perdeu o título no tapetão) e também o vice-campeonato da Taça de Prata, que correspondia à Série B do Campeonato Brasileiro. Em 1982, na Taça de Ouro (primeira divisão do brasileiro), marcou 16 gols e o Anapolina terminou em 11º lugar. Jogou ainda no São Paulo, Joinville e Goiás. As seguidas lesões o obrigaram a parar de jogar.

                 Sávio foi o maior ídolo dos mais de setenta anos de existência da Associação Atlética Anapolina onde jogou apenas dez meses no clube. Foi nos anos de 1981/1982. Em 48 jogos marcou 50 gols, alguns deles em jogos memoráveis diante de grandes clubes como São Paulo, Fluminense, Cruzeiro, entre outros. Depois disso, voltou ao clube como jogador, em curta passagem. Também como treinador, em período breve. Recebeu título de cidadão anapolino em 2010, iniciativa do vereador Sírio Miguel, torcedor colorado.

                  O melhor momento da carreira do Sávio foi na Anapolina. O time foi bem no Campeonato Brasileiro de 1982. Foram até a 3ª Fase e ficaram na 11ª posição ao final da competição. Sávio marcou 16 gols. Várias lesões fizeram com que ele parasse de jogar. Tentou a carreira de Treinador. Começou no Clube Atlético Alto Vale de Rio do Sul. Seu último clube foi o Blumenau Sport Club em 2006, na Divisão de Acesso. 

                  Sávio Guerreiro, recebeu no dia 13 de fevereiro de 2010, às 15h30, no Estádio Jonas Duarte, durante o jogo da Anapolina e Vila Nova, o título de Cidadão Anapolino. A iniciativa partiu do vereador Sírio Miguel do PSB e a homenagem contou com a presença do prefeito de Anápolis Antônio Gomide, vereadores da câmara municipal e torcedores do clube da Anapolina.  O catarinense Domingos Sávio da Silva foi um dos maiores ídolos da Anapolina de todos os tempos. Sávio reside atualmente em Blumenau e é representante comercial.

SÃO PAULO F.C.

                   Mas Sávio não vestiu somente a camisa da Anapolina, pois em 1976/1977 defendeu o Juventus de Santa Catarina. Em 1978 jogou no Avaí, também de Santa Catarina. Em 1984 vestiu a camisa do Goiás e não parou por aí, pois jogou também no Joinville e no São Paulo F.C.

                   O Tricolor Paulista ele defendeu em 1982. Foram poucos jogos mas deixou sua marca ao marcar um gol no dia 21 de setembro de 1982, quando o São Paulo derrotou o Defensor do Uruguai por 2×1 pela Taça Libertadores da América ainda na primeira fase daquele ano. O outro gol são-paulino foi anotado por Éverton. O jogo foi no Estádio do Morumbi.

Em pé: Brasília, Sidney, Paulo Sérgio, Vinícius, Ribas e Nilton    –    Agachados: Jorge Cruz, Mateus, Sávio, Osmar Lima e Rodrigues

 

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3 comentários em “SÁVIO: maior ídolo da história da Anapolina de Goiás

  1. Muito bom, histórico completo.
    Não vi tb, na minha pesquisa, q ele tenha jogado no Guarani,
    como disse e repetiu na 6ª feira no programa de esportes,
    nosso amigo Cesinha.
    Parabéns pela busca.

    1. Obrigado pelo comentário e continue acessando meu site, pois ele é feito para pessoas como vc ou seja, apaixonados por futebol assim como eu.
      José Carlos de Oliveira

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