VANTUIR: um dos melhores zagueiros da história do Atlético Mineiro

                Vantuir Galdino Ramos nasceu dia 16 de novembro de 1949, na cidade de Belo Horizonte – MG. Foi um dos melhores zagueiros do futebol brasileiro. Destacou-se no Atlético Mineiro nos anos 70, onde começou sua carreira, depois teve uma breve passagem pelo Flamengo. Em 1978 foi para o Grêmio de Porto Alegre e no final de carreira passou pelo América de São José do Rio Preto e Rio Branco do Espírito Santo. Teve a honra de vestir a camisa da nossa seleção em nove oportunidades, sendo oito vitórias e um empate. Com a camisa canarinho conquistou o título da Taça Independência em 1972.

                Depois que encerrou a carreira e jogador, passou a trabalhar como treinador. Seu primeiro clube nesta nova profissão foi o extinto Juventus de Divinópolis, em 1984. Em 1988, foi auxiliar técnico de Telê Santana no Galo mineiro. Trabalhou também no América Mineiro, Atlético Mineiro, Mogi Mirim, Volta Redonda, Democrata de Governador Valadares, Caldense e no Al-Hali da Arábia Saudita, onde conquistou o título da Liga dos Campeões Árabes em 1994. Em 2007, dirigiu o América Mineiro.

INÍCIO DE CARREIRA

                Começou jogando de centroavante. Um amigo o levou para disputar uma partida no time do Brasil Palace (Hotel em BH). Ele era garçom lá. Perguntou a Vantuir de que ele jogava e respondeu que de centroavante. Jogou uma vez e na segunda que foi jogar faltou o lateral esquerdo. Este amigo perguntou se ele não quebraria o galho jogando na lateral, que todos sabiam que não era sua posição mas só para ajudar. Ele jogou, se saiu muito bem e continuou jogando nesta posição. Em 1967 foi levado para o Acesita, um pequeno clube de Belo Horizonte e logo foi cobiçado por Atlético e Cruzeiro. Um amigo o levou para fazer teste no Atlético. Fez quatro testes e não foi aprovado.

                Este mesmo amigo o levou então para fazer um teste no Cruzeiro. Porem o Cruzeiro tinha muita gente para a posição. Na saída do treino um senhor chegou perto dele e disse: “moço você joga no Cruzeiro?” Ele disse que não, que foi fazer um teste. Então aquele senhor perguntou de que ele jogava. Disse que de lateral esquerdo. Ele então perguntou se queria fazer uma experiência lá em Acesita, e Vantuir disse que sim. Ficou lá por 10 meses. Foi quando novamente este seu amigo me perguntou se ele não queria fazer outro treino no juvenil do Atlético. Vantuir ainda tinha idade e disse que não porque já tinha ido lá quatro vezes e não foi aprovado.

                Então este amigo falou que o treinador mudou e que agora era o Dequinha, ex jogador do Flamengo quem cuidava dos juvenis. Vanatuir faltou um treino numa terça feira e foi escondido a Belo Horizonte fazer o treino. Jogou por 20 minutos e o Dequinha já avisou: este aqui não vai embora não. Pode ir lá em cima conversar com a diretoria e nem precisa voltar em Acesita pra buscar suas coisas porque nós mandamos buscar. Vantuir ficou então jogando nos juvenis do Atlético. Zagueiro vigoroso e de ótima antecipação, decidiu, ainda juvenil, ingressar no alvinegro em 1968 e no ano seguinte assinava o seu primeiro contrato como profissional, tendo sua grande chance dada por Yustrich.

ATLÉTICO MINEIRO

                Depois que o técnico Barbatana assumiu os juvenis do Atlético, Vantuir teve um desentendimento com ele. O afastou do time por 15 dias. Foi então que o Yustrich que era técnico dos profissionais chegou e comentou que tinha um menino que jogava bem nos juvenis e que ele queria o ver. Ele já sabia o que tinha acontecido. O chamou e ficou frente a frente com aquele homão. Yustrich lhe perguntou o que ele havia aprontado para ser afastado e Vantuir disse que tinha dado uma porrada no auxiliar técnico. Yustrich então botou o dedo no seu nariz e saiu pressionando sua cara e dizendo “olha esta boca”. Vantuir meio assustado nem sabia o que fazer.

                Foi quando Yustrich disse: “você vai treinar comigo e quero ver você fazer o que fazia lá”. E assim ele comecei. Yustrich mandava ele fazer uma coisa e ele fazia duas. Ele mandou aumentar o seu salário e foi aí que ele viu o que era ser um jogador profissional. Quem o tirou do buraco e o lançou nos profissionais foi o Yustrich. Só que ele quase não jogava porque tinha o Cincunegui e depois ainda chegou o Oldair. Foi quando Tele Santana chegou ao clube. Ele o deixou fora um tempo. Chegou o campeonato mineiro de 70 e o Tele lhe falou “Vantuir você vai jogar de zagueiro. Vantuir respondeu: “não vou não Telê”. Então os dois começaram a andar no campo de um gol até o outro. Tele foi falando que precisava de um quarto zagueiro, que Vantuir era alto, rápido, sabia jogar pelo lado esquerdo.

                E Vantuior dizia que não queria jogar. Foram até o outro gol. Fizeram a volta e foram caminhando em direção ao outro gol novamente. E Tele falando, argumentando. Quando chegaram no meio campo Vantuir já não tinha mais tanta certeza do que queria. Foi quando Vantuir falou que jogaria uma partida mas se não gostasse voltaria para a lateral esquerda. Tele Santana falou que a responsabilidade era toda dele. Vantuir fez um jogo então contra o Villa Nova e ao final da partida ganhou um troféu como o melhor em campo. No jogo seguinte de novo outro premio. No final do ano foi eleito na seleção do Troféu Guará (eleição da Radio Itatiaia). Não saiu mais da posição.

                Atuou em todas as partidas do Galo na conquista do mineiro de 1970. Também foi campeão brasileiro com o Galo em 1971. Jogando com Grapete, Oldair e Vanderlei, Vantuir fez parte de uma das melhores defesas do Atlético. Perseguido pelas contusões, Vantuir ignorava a todas elas para que nada atrapalhasse seu futebol. Dos campeões de 71, Vantuir foi o último a sair do Atlético. Não foi, porém, uma resistência fácil. Foi uma fase repleta de acidentes. Em 1972, um processo e uma perna quebrada que o obrigou a ficar parado por mais de cinco meses. Em junho de 74, quando estava recuperando a forma, sofreu mais uma contusão. Ao ser liberado pelo departamento médico, foi trocado por Dario, indo então jogar no Flamengo por empréstimo. De volta ao Atlético em 1975, atuou por mais três temporadas até ser trocado em 1978, pelo atacante Everaldo, do Grêmio.

                Saiu do Atlético com 3 meses de salários atrasados. Chegou no Flamengo e ficou 4 meses sem receber. Foi uma grande decepção. Foi campeão carioca e quando completou seis meses resolveu ir embora. O time do Flamengo na época era assim formado; Renato, Vanderlei Luxemburgo, Jaime, Vantuir e Rodrigues Neto; Pedro Omar e Geraldo; Paulinho, Doval, Zico e Arilson. Em 1976 estava de volta ao Atlético, onde viu surgir um time praticamente todo feito nas bases com João Leite, Getulio, Danival, Cerezo, Marcelo, Paulo Isidoro, Heleno, Marinho e Reinaldo. Ainda naquele ano de 76 sagrou-se campeão mineiro, fato que se repetiu em 1978. Com a camisa do Galo Mineiro, Vantuir disputou 507 partidas e sagrou-se campeão mineiro em 1970, 76 e 78 e campeão brasileiro em 1971.

GRÊMIO

                Quando Vantuir chegou no Grêmio, o time era muito forte; Leão, Nelinho, Vicente, Vantuir e Dirceu; Vitor Hugo e Wilson Tadei; Tarciso, Paulo Isidoro, Baltazar e Renato Sá. Com este time o tricolor gaúcho sagrou-se bicampeão gaúcho. Depois ainda vieram, Ancheta, Manga, De Leon, Eder e outros craques. O Grêmio sagrou-se bicampeão estadual em 1979 e 1980. O Campeonato Gaúcho de Futebol de 1980, foi a 60ª edição da competição no Estado do Rio Grande do Sul. A disputa teve início em 26 de junho e o término em 23 de novembro de 1980. Os 16 clubes jogaram em turno e returno, foram rebaixados seis para a segunda divisão. O campeonato foi decidido em um hexagonal.

               O campeão deste ano foi o Grêmio e o vice foi o Internacional. Este foi o 22º título estadual do Grêmio e o artilheiro da competição foi Baltazar com 28 gols. Em 1981 o Grêmio conquistou o título mundial em Tóquio ao derrotar o Hamburgo da Alemanha por 2 a 1, dois gols de Renato Gaúcho. Vantuir teve uma séria contusão na panturrilha em 1981 e fez poucos jogos pelo Grêmio, mas também foi campeão brasileiro pelo tricolor gaúcho. A final foi contra o São Paulo em pleno Morumbi e com um gol de Baltazar de fora da área, o Grêmio venceu por 1 a 0 e conquistou mais um título brasileiro.

FINAL DE CARREIRA

               Depois que saiu do Grêmio, foi jogar no América de São José do Rio Preto. Lá ele se desentendeu como o treinador João Avelino, rescindiu seu contrato e decidiu que estava encerrada sua carreira. Foi aí que o presidente do Rio Branco do Espírito Santo o procurou e pediu para ele fizesse sua proposta. Como estava a fim de parar com o futebol, pediu bem alto, no entanto o clube aceitou e assinou o contrato. Mas ficou por lá somente três meses, ai sim encerrou em definitivo sua carreira. Mas neste curto espaço de tempo, conquistou uma vitória que ficou marcado para ele e também para a torcida do clube, foi contra o Cruzeiro em pleno Mineirão por 3 a 1.

MOMENTOS TRISTES

               Depois de conquistar a Taça Independência com a nossa seleção em 1972, infelizmente quando voltou ao Atlético teve uma fratura da tíbia em um jogo em Belém contra o Remo que o afastou dos gramados por três meses. Ficou um mês com a perna engessada e depois mais dois meses de fisioterapia. O médico do Atlético então viu seus exames e falou que ele podia voltar que estava tudo ótimo. Pois bem, na primeira bola no treino que entrou com vontade, abriu a fratura. Aí complicou e teve de ficar mais 4 meses sem jogar. Isto o atrapalhou demais a voltar a seleção. Certamente ele seria chamado para a seleção mais vezes. Poderia até não ser titular porque tinham grandes jogadores na sua posição, mas tinha plenas condições de estar no grupo e na Copa de 74, pois sem dúvida alguma, foi um dos melhores zagueiros do futebol brasileiro.

Seleção do Atlético Mineiro de todos os tempos:    Em pé: Nelinho, João Leite, Luizinho, Vantuir, Cincunegui e Toninho Cerezo    –     Agachados: Oldair, Paulo Isidoro, Reinaldo, Dario e Éder
Em pé: Márcio, Ortiz, Getúlio, Dionísio, Toninho Cerezo e Vantuir    –     Agachados: Marinho, Danival, Paulo Isidoro, Reinaldo e Marcelo
Em pé: Careca, Humberto Monteiro, Vanderlei, Grapete, Vantuir e Cincunegui    –    Agachados: Vaguinho, Oldair, Dario, Lacy e Tião
Seleção Brasileira em 1972     –      Em pé: Mário Américo, Leão, Rodrigues Neto, Vantuir, Brito, Gérson, Tostão, Leivinha, Sérgio Valentim e Nocaute Jack     –     Na fila do meio: Eurico, Dirceu Lopes, Clodoaldo, Jairzinho, Rivelino, Rogério, Marco Antônio e Piazza    –     Sentados: Zé Maria, Luis Carlos, Dadá Maravilha, Marinho Peres, Paulo Cesar Caju e Lula
Em pé: Nelinho, Vítor Hugo, Leão, Vantuir, Vicente e Dirceu     –    Agachados: Tarciso, Paulo Isidoro, Baltazar, Vilson Tadei e Renato Sá
Em pé: Renato, Vanderlei Luxemburgo, Jaime, Vantuir, Pedro Omar e Rodrigues Neto    –     Agachados: Mineiro (massagista), Paulinho, Geraldo, Doval, Zico e Arilson
Em pé: Renato, Humberto Monteiro, Grapete, Vanderlei, Vantuir e Oldair    –     Agachados: Ronaldo, Humberto Ramos, Dario, Beto e Romeu
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