JUVENAL: titular da nossa seleção na Copa de 1950

                Juvenal Amarijo nasceu dia 27 de novembro de 1923, na cidade de Santa Vitória do Palmar – RS. Foi um zagueiro que jogou no Flamengo de 1949 a 1951, no Palmeiras de 1951 a 1954, no Bahia de 1954 a 1958 e encerrou a carreira no Ypiranga da Bahia em 1959. Também defendeu nossa seleção na Copa de 1950 e participou daquele jogo que entrou para história, quando perdemos o mundial para o Uruguai por 2 a 1 em pleno Maracanã. Começou jogando no Brasil de Pelotas – RS em 1945, onde ficou por quatro anos, em 1949 foi contratado pelo Flamengo, onde permaneceu por dois anos. Sua estréia aconteceu no dia 20 de fevereiro de 1949, quando o Flamengo derrotou o Olaria por 4 a 1. Pelo Rubro Negro carioca, disputou 82 partidas e marcou um gol. Em 1950 foi convocado para disputar a Copa do Mundo, onde foi titular da equipe e no ano seguinte foi contratado pelo Palmeiras.

PALMEIRAS

               Ainda triste pela perda do título mundial, Juvenal viu na Copa Rio uma forma de esquecer aquela catástrofe. Foi no ano de 1951 e o Palmeiras tinha um grande time e com muitas chances de conquistar aquele título, embora houvesse grandes clubes disputando, como por exemplo; Vasco da Gama, Áustria Viena (Áustria), Nacional (Uruguai), Sporting (Portugal), Olympique de Nice (França), Juventus (Itália) e Estrela Vermelha (Iugoslávia). Na primeira fase, o Palmeiras venceu duas partidas e sofreu uma goleada de 4 a 0 para a Juventus da Itália. Mesmo assim, classificou-se para a fase seguinte, onde enfrentou o Vasco em dois jogos. No primeiro, venceu por 2 a 1 e no segundo empatou em 0 a 0. Com isto, estava classificado para a grande final, que seria justamente com a Juventus, a mesma que já havia goleado na primeira fase.

                Juvenal conta que os jogadores do alviverde entraram em campo muito motivados, pois faziam questão de vencerem por dois motivos. Primeiro, para se vingarem daquela goleada sofrida alguns dias atrás e segundo para esquecer a Copa de 50, que havia acontecido há um ano atrás. E foi com este pensamento, que o Verdão entrou em campo e conquistou uma brilhante vitória por 1 a 0. Mas seria necessário uma segunda partida, pois rezava o regulamento.  No entanto, ao Palmeiras bastava um empate.

               O jogo foi no Maracanã, o mesmo palco da final contra o Uruguai na Copa de 50.  Juvenal ainda lembrava daquele fatídico dia, daquele silêncio da torcida após a derrota. “Quando fizeram a Copa Rio, eu queria vencer de qualquer maneira. Lógico que não era a mesma coisa, mas me daria um certo conforto”. Neste dia contra a Juventus, o Palmeiras entrou no gramado do Maracanã carregando a bandeira brasileira. A partida começou nervosa e a Juventus saiu na frente com um gol de Praest aos 18 minutos de jogo.  Ainda no primeiro tempo, Rodrigues empatou aos 32. Veio o segundo tempo e a Juve novamente estava na frente do marcador, com um gol de Bonepert aos 8 minutos.

              Mas, para alegria da torcida esmeraldina, Liminha empatou novamente aos 32 minutos entrando com bola e tudo dentro do gol italiano defendido por Viola.  Neste dia o Palmeiras jogou com; Fábio, Salvador e Juvenal; Túlio, Luiz Villa e Dema; Lima, Ponce de Leon (Canhotinho), Liminha, Jair da Rosa Pinto e Rodrigues. Este jogo aconteceu dia 22 de julho de 1951 e o público foi de 100.933 pagantes. Ainda pelo Palmeiras, Juvenal foi campeão do Torneio Rio-São Paulo em 1951 e campeão Paulista de 1950, mas que terminou dia 25 de janeiro de 1951.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Devido as suas grandes apresentações no Flamengo, o técnico Flávio Costa convocou Juvenal para a Copa Roca, Copa Oswaldo Cruz e a Copa do Mundo, todas elas no ano de 1950. A campanha do Brasil neste mundial foi a seguinte: Disputamos 6 partidas, vencemos 4, contra o México por 4 a 0, contra a Iugoslávia por 2 a 0, contra a Suécia por 7 a 1 e contra a Espanha por 6 a 1. Empatamos uma contra a Suíça por 2 a 2 e perdemos uma, justamente a final para o Uruguai por 2 a 1. Em 1950, o Brasil possuía 50% da população totalmente analfabeta, no entanto, o amor pela seleção canarinho era de 100%. As esperanças brasileiras eram grandes, pois possuía uma grande seleção de futebol.

              O Maracanã que até hoje é considerado o maior estádio do mundo, foi construído especialmente para esta Copa. Esta foi a primeira Copa que foi adotada a numeração na camisa. Foi também a última em que o Brasil usou seu uniforme branco com frisos azuis. E para este jogo contra o Uruguai, o técnico Flávio Costa mandou a campo os seguintes jogadores; Barbosa, Augusto, Juvenal, Bauer e Bigode; Danilo e Jair da Rosa Pinto; Friaça, Ademir de Menezes, Zizinho e Chico.  O Brasil abriu o marcador logo no início do segundo tempo através do ponta direita Friaça. O Maracanã enlouqueceu, mesmo porque o empate já bastava para o Brasil conquistar o título.

             No entanto, o que todos menos esperavam aconteceu, o Uruguai empatou através de Schaffino e no final da partida marcou o segundo gol através de Gigghia. Foi um silêncio ensurdecedor. Quando o árbitro inglês Georde Reader, apitou o final da partida, todos procuravam entender o que estava acontecendo, mas já era tarde demais, o Brasil havia perdido o título mundial dentro de sua própria casa.  Com a camisa da Seleção Brasileira, Juvenal disputou apenas 11 partidas, contabilizando oito vitórias, dois empates e uma derrota. Derrota que foi justamente a mais dolorosa de sua carreira, aquela do dia 16 de julho de 1950, aquela que é considerada a maior decepção da história do futebol brasileiro.

BAHIA

               Juvenal jogou de 1954 até 1958 no Bahia, onde sagrou-se Campeão Baiano em 1954 e 1956. Já no final de carreira ainda jogou no Ypiranga, também da Bahia e no ano de 1959 encerrou sua carreira. Uma carreira de alegrias e tristezas, mas que ele sempre soube honrar as camisas que vestiu, pois sempre foi um atleta responsável e cumpridor de seus deveres, por isso, por onde passou deixou grandes amigos e um respeito muito grande.

TRISTEZA

               Disputar uma final de Copa do Mundo é o ponto alto da carreira de um jogador profissional. Os pouquíssimos que conseguem este feito costumam ganhar fama, prestígio e muito dinheiro. Pelo menos é isso que a maioria das pessoas pensa, mas não foi o que aconteceu com Juvenal Amarijo. Já com uma idade avançada, vivia sozinho em uma casa e impossibilitado de andar por causa de uma artrose no joelho direito. Há 60 anos, ele foi titular de uma das maiores seleções que o Brasil já teve.

              No dia 16 de julho de 1950, a seleção entrava no campo do Maracanã para disputar, contra o Uruguai, a final da Copa do Mundo: a única realizada no Brasil. O zagueiro Juvenal imaginava sair do estádio como um dos heróis da conquista, mas a surpreendente derrota por dois a um mudou o rumo da vida de todos os jogadores brasileiros. A casa onde morava em Jauá, na orla de Camaçari, tinha menos de dez metros quadrados, e não era dele. Juvenal sobrevivia graças à ajuda de vizinhos e amigos.

             Diante de tantas dificuldades, Juvenal vivia fazendo um apelo por atendimento médico ou qualquer forma de ajuda, apelo este que raramente vinha. Quase sempre sozinho no quarto, vivendo solitariamente em estado de abandono, o ex-zagueiro só tinha o rádio como companhia, uma forma de diversão. O aparelho, que era a única maneira de os brasileiros acompanharem a Copa de 1950, era a única ligação de Juvenal com o mundo exterior.

             Após repercussão nacional, com matérias mostradas no Esporte Espetacular da Rede Globo, o “Juva da Copa” como ficou conhecido, começou a ser ajudado. Ganhou uma TV e uma cama nova dos amigos. Foi levado para receber atendimento médico em Salvador e ainda ganhou uma casa nova graças à ajuda da Prefeitura da Camaçari e do seu antigo clube, o Esporte Clube Bahia. E foi pelo rádio que ele ficou sabendo qual será o país-sede da Copa de 2014.

           Juvenal sonhava em estar novamente no Maracanã, mas dessa vez como torcedor. Infelizmente este sonho ele não pode realizar, pois no dia 30 de outubro de 2009, aos 86 anos de idade, Juvenal conheceu seu maior adversário, que foi a morte. Depois de estar internado durante vinte dias em um hospital de Camaçari, na Bahia, o grande zagueiro Juvenal Amarijo veio a falecer e a causa de sua morte não foi divulgada, o que se sabe é que nos últimos meses de vida, ele estava fumando muito e bebendo também, com certeza isso prejudicou ainda mais a sua saúde. Juvenal chegou a namorar a cantora Araci de Almeida quando era jovem, mas não acabaram se casando. De todos os jogadores brasileiros daquele time da final da Copa de 50, Juvenal foi o último a morrer.

            Os jogadores da Copa de 50 nunca deixaram de serem grandes por causa de uma derrota, precisava haver mais respeito com aqueles homens, tanto por parte dos dirigentes dos clubes que defenderam com tanto amor, como também por parte da CBF, que vive nadando em dinheiro. A morte é a única verdade que existe na nossa vida, pois vai chegar para todos um dia, mas que Juvenal fosse tratado com dignidade e tivesse um amparo e um conforto. Ele merecia de todos o respeito, o carinho e o amor por tudo que ele fez pelo nosso futebol brasileiro.

Em pé: Manoelito, Rubens, Juvenal, Rugila, Dema e Waldemar Fiúme    –    Agachados: Guanxuma, Odair, Liminha, Jair  Rosa Pinto e Lima
SELEÇÃO BRASILEIRA DE 1950     –    Em pé: Rui, Barbosa, Augusto, Bauer, Noronha e Juvenal     –    Agachados: Alfredo, Maneca, Baltazar, Ademir de Menezes e Friaça
Em pé: Salvador, Dema, Túlio, Juvenal, Fábio e Luiz Vila    –     Agachados: Liminha, Ponce De León, Richard, Jair Rosa Pinto e Rodrigues

 

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