EDUARDO: campeão como jogador e como técnico

                    Eduardo Fernandes Amorim nasceu dia 30 de novembro de 1950, na cidade de Montes Claros – MG. Era conhecido por ter inventado o “drible da vaca”. Foi campeão várias vezes jogando pelo Cruzeiro, com destaque o título da Libertadores de 1977. Após quase 12 anos defendendo a Raposa de Belo Horizonte, foi contratado pelo Corinthians. No alvinegro continuou ganhando títulos, entre eles o bicampeão paulista de 82 e 83. Foi numa época que todos só falavam de Sócrates, Casagrande, Zenon, Leão, mas não podemos deixar de citar Eduardo, que também foi responsável por aquelas conquistas. Encerrou a carreira jogando pelo Santo André em 1988. Depois passou a viver fortes emoções fora das quatro linhas, passou a trabalhar como treinador, inclusive no Corinthians, onde trabalhou em 1995 e 1996.

                   Ao todo foram 110 partidas sob seu comando. Venceu 52, empatou 29 e perdeu 20 vezes.  Seu melhor ano como técnico da equipe alvinegra de Parque São Jorge foi sem dúvida em 1995, quando sagrou-se Campeão Paulista e Campeão da Copa do Brasil. Neste ano o Corinthians tinha a seguinte formação; Ronaldo, André Santos, Célio Silva, Henrique e Silvinho; Zé Elias, Bernardo e Souza; Marcelinho Carioca, Viola e Marques. Este foi o time que Eduardo mandou a campo no dia 21 de junho de 1995, quando o Corinthians venceu o Grêmio por 1 a 0, gol de Marcelinho em pleno Estádio Olímpico. Com esta vitória o Corinthians conquistou seu primeiro titulo pela Copa do Brasil.

CRUZEIRO

                  Começou a jogar no Cruzeiro de Belo Horizonte em 1970, quando o time mineiro fez uma excursão. Era uma mescla de duas gerações, onde tinha Tostão, Piazza, Zé Carlos, Dirceu Lopes e também alguns jovens como Roberto Batata, Joãozinho e o próprio Eduardo. O técnico era Orlando Fantoni, mas assim que retornaram da excursão, houve uma mudança de treinador, então veio o polêmico Yustrich que era muito disciplinador e com isto Eduardo se deu muito bem, pois ele também era uma pessoa muito disciplinada e responsável. E foi com Yustrich que Eduardo passou a ser titular da equipe, onde só tinha feras. Eduardo participou de duas finais de brasileiro seguidas. Em 1974 contra o Vasco, quando tivemos aquela grande confusão, primeiro pela mudança de mando de campo, pois era para ser no Mineirão e de repente foi transferido para o Maracanã.

                  E também por um gol do Cruzeiro marcado por Zé Carlos que foi anulado de forma inexplicável. E a outra final foi em 1975 contra o Internacional. Ficou vice nas duas oportunidades. Mas, no ano seguinte veio a Libertadores e o maior jogo da história do Mineirão com o Cruzeiro dando o troco no Internacional, vencendo por 5 a 4. Neste dia Eduardo jogou no meio de campo ao lado de Zé Carlos, uma vez que Piazza estava contundido. Na frente jogou Roberto Batata, Jairzinho, Palhinha e Joãozinho. O jogo estava 4 a 4, quando teve um pênalti a favor do Cruzeiro, que Nelinho cobrou e marcou aos 40 do segundo tempo.

                Uma grande tristeza na vida de Eduardo, foi a morte de seu grande amigo e companheiro de clube, Roberto Batata. Durante uma viagem de automóvel de Belo Horizonte à Três Corações, sofreu um acidente e veio a falecer. Foi uma perda irreparável para todos que conviviam com ele, pois era uma pessoa que transmitia alegria por onde passava. Então os jogadores fizeram um pacto de vencer aquela Libertadores em homenagem ao grande amigo que perderam. A final foi contra o River Plate, que era a base da seleção Argentina, que seria campeã mundial dois anos depois. No primeiro jogo o Cruzeiro jogando no Mineirão venceu por 4 a 1.

                 O segundo jogo em Buenos Aires e nesta partida vimos bem o que é uma decisão contra argentino. Foi um jogo de muita pegada, cotovelada, porrada de qualquer jeito, o juiz deixando correr, mas o Cruzeiro venceu por 1 a 0. Depois do jogo houve muita briga e então digo que naquela época ganhar uma Libertadores era muito difícil, tinha de passar por cima de tudo. Hoje sem duvida mudou muita coisa, principalmente com a TV transmitindo os jogos ao vivo e também pelas punições que os clubes tem quando o gramado é invadido.

               Em 1977 foi convocado para um amistoso da seleção brasileira contra o Milan. O Brasil venceu por 3 a 0. O time tinha Leão, Amaral, Edinho, Cerezo, Rivelino, Zico, Reinaldo entre outros craques. Naquela época havia um bairrismo muito grande em se levar jogadores mineiros para a seleção e Eduardo sentiu isto quando chegou lá. Logo percebeu que seria difícil continuar na seleção. Não por parte dos jogadores, mas pela imprensa carioca e paulista que exerciam muita pressão pelos seus jogadores.

CORINTHIANS

               Depois de 10 anos no Cruzeiro, foi contratado pelo Corinthians em 1981. Veio jogar ao lado de Sócrates, Wladimir, Biro Biro, Zenon e Casagrande. Nessa época Eduardo já estava com 31 anos e sabia muito bem que a torcida corintiana sempre exigiu raça de seus jogadores, sendo assim, procurou sempre corresponder a expectativa do torcedor. Sua estréia aconteceu no dia 27 de setembro de 1981, quando o Corinthians empatou com o Santos em 2 a 2 pelo Campeonato Paulista. Os gols corintianos foram marcados por Wladimr e Sócrates, enquanto que para o Peixe marcaram Osni e João Paulo. Neste dia o Corinthians jogou com;  Rafael, Luiz Cláudio, Gomes, Wagner e Wladimir; Caçapava, Zenon e Biro Biro; Eduardo, Sócrates e Joãozinho.

               No ano seguinte surgiu a Democracia Corintiana, onde os jogadores se reunião e discutiam como iriam jogar, mas nunca tirando a autoridade do treinador. A concentração foi abolida e liberada para quem quisesse ir e a grande maioria dos jogadores iam para a concentração. Somente Sócrates e Wladimir não se concentravam, mas sempre chegavam para o almoço. E com isto o Corinthians foi Bicampeão Paulista em 1982 / 83. As duas finais foram contra o São Paulo. Em 82 houve dois jogos. No primeiro o Corinthians venceu por 1 a 0, gol de Sócrates e no segundo venceu por 3 a 1, gols de Biro Biro (2) e Casagrande. Em 83 também houve dois jogos. No primeiro o Corinthians venceu por 1 a 0, gol de Sócrates e no segundo houve um empate de 1 a 1. Depois vieram as pressões e o time acabou perdendo o título de 1984, mas a democracia foi importante para o clube. Sócrates sempre dizia que se o jogador é quem decide dentro de campo, a sua opinião deveria ser importante fora dele também.

                 Sempre que perguntam à Eduardo, qual foi o melhor time que jogou em toda sua carreira, ele responde que é muito difícil responder, pois se no Cruzeiro tinha Raul, Nelinho, Piazza, Zé Carlos, Palhinha e Joãozinho, no Corinthians tinha Leão, Wladimir, Sócrates, Zenon, Casagrande, Biro Biro e Caçapava. Como jogador a última partida pelo Corinthians aconteceu no dia 21 de fevereiro de 1988. Assim como sua estréia foi contra o Santos, sua despedida também foi contra o Peixe. E neste dia o Corinthians venceu por 1 a 0, gol de Everton. Neste dia o alvinegro de Parque São Jorge jogou com; Ronaldo, Edson, Marcelo, Dama e Ailton; Biro Biro, Wilson Mano e Everton; Marcos Roberto (Eduardo), Edmar e Paulinho Carioca.  O técnico foi Jair Pereira. Pelo Corinthians, Eduardo disputou 336 jogos. Venceu 154, empatou 117 e perdeu 65. Marcou 10 gols.

TREINADOR

                  Eduardo começou na verdade em 1993 no juvenil do Cruzeiro. Depois foi para o Corinthians para ser auxiliar técnico. Aí surgiu a oportunidade de ser o técnico do time principal em 1995 e de cara ele pegou São Paulo e Palmeiras e logo pensou, se eu quiser continuar terei de vencer estes dois. Foi a época que utilizou o Elivelton pelo lado esquerdo como um ala, e assim acabou conquistando o paulista e a Copa do Brasil. Passou depois pelo Atlético e alguns outros clubes até quando se transferiu para a Grécia. Lá ficou oito anos. Se propôs a ir para a Grécia e fazer uma carreira lá e não para ficar apenas uma temporada e ganhar dinheiro. Pegou primeiro um time da segunda divisão e o levou a primeira. Depois adaptado ao futebol grego treinou por um bom tempo um time da primeira.


Depois muita gente pensou que ele havia abandonado a carreira de técnico, mas na verdade não parou de ser treinador. É que quando um técnico fica tanto tempo fora do país, acaba ficando meio esquecido. Em 2009, César Sampaio, Luís Fernando Abichabki e Eduardo Amorim abriram uma empresa que revela e negocia jogadores. Sem dúvida alguma sua melhor fase como treinador foi em 1995, quando conquistou dois títulos importantes pelo Corinthians. Primeiro foi no dia 21 de junho, quando sagrou-se campeão da Copa do Brasil ao vencer o Grêmio por 1 a 0, gol de Marcelinho Carioca. Dois meses depois Campeão Paulista, numa final contra o Palmeiras. No primeiro jogo houve empate de 1 a 1, gols de Marcelinho Carioca e Nilson. No segundo jogo vitória corintiana por 2 a 1, gols de Marcelinho Carioca e Elivelton para o Corinthians e Nilson para o Palmeiras. Depois disso, Eduardo passou a ser um nome respeitado entre os treinadores do Brasil.   

Em pé: Cacau, Carlos, Edson, Edivaldo, Wilson Mano, Marco Antonio e Dida     –     Agachados: Biro-Biro, Edmar, Márcio Bittencourt e Eduardo Amorim
Em pé: Casagrande, Solito, Sócrates, Eduardo, Zenon, Ataliba e o massagista Rocco   –     Agachados: Mauro, Juninho, Paulinho, Ronaldo e Wladimir
Em pé: Darci Meneses, Mariano, Moraes, Raul, Wilson Piazza e Vanderlei    –     Agachados: Eduardo Amorim, Zé Carlos, Ronaldo, Dirceu Lopes e Joãozinho
Em pé: Pedro Paulo, Lauro, Darci Menezes, Piazza, Misael, Raul, Perfumo, Vanderlei, Hélio e Escorio     –     Agachados: Guido, Eduardo, Zé Carlos, Roberto Batata, Dirceu Lopes, Lima, Joãozinho e Aldair Pinto
Em pé: Nelinho, Piazza, Darci Menezes, Raul, Perfumo e Vanderlei    –     Agachados: Eduardo, Zé Carlos, Palhinha, Dirceu Lopes e Joãozinho
Em pé: Sócrates, Carlos, Casagrande, Zenon, Eduardo e Biro-Biro    –     Agachados: Juninho, Paulinho, Ronaldo, Paulo e Wladimir
Em pé: Leão, Sócrates, Casagrande, Eduardo, Biro-Biro e Zenon     –    Agachados: Mauro, Alfinete, Paulinho, Juninho e Wladimir
Em pé: Zé Carlos, Nelinho, Procópio, Vitor, Perfumo e Vanderlei     –    Agachados: Eduardo, Palhinha, Evaldo, Dirceu Lopes e Lima

 

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