HEITOR: maior artilheiro da história do Palmeiras

                   Etore Marcelino Domingues nasceu dia 20 de dezembro de 1898, no bairro do Brás, em São Paulo. Foi um dos maiores jogadores da história do Palestra Itália. Encarnou como poucos o amor por um clube, tanto que permaneceu no Palestra entre 1916 até 1931, tendo disputado 330 jogos com a camisa alviverde. Venceu 225, empatou 54 e perdeu 51. Marcou 284 gols. Foi campeão paulista em 1926 e 27, uma época em que o Palestra tinha um time sensacional; Augusto, Bianco e Loschiavo; Pepe, Serafini e Tedesco; Armandinho, Carrone, Heitor, Lara e Miguelzinho. Este foi o time que venceu o Corinthians por 1 a 0 no dia 25 de março de 1928, no estádio Palestra Itália.

                  O único gol da partida foi anotado por Serafini cobrando pênalti. Este jogo foi um amistoso chamado Taça da Caridade, pois toda a renda daquele espetáculo foi revertida em benefício das vítimas de um desabamento que houve no Monte Serrat, na cidade de Santos. Duas semanas antes deste  jogo,  Corinthians  e  Palestra  haviam  se enfrentado pela última rodada do Campeonato Paulista de 1927. O jogo era só para cumprir tabela, pois o Palestra já era o campeão, mas o alvinegro de Parque São Jorge fez questão de carimbar a faixa e venceu por 3 a 1, com dois gols de Aparício e um de Neco, enquanto que para o Palestra Itália marcou Armandinho.

INÍCIO DE CARREIRA

Filho de espanhóis, Heitor começou a jogar no quadro infantil do Colégio Santo Alberto e depois no Colégio do Carmo, onde estudava. Em 1915 começou a disputar os torneios oficiais pelo segundo quadro do Sport Clube Americano, e no ano seguinte, 1916, passou para o primeiro quadro. Ainda em 1916 passou a atuar pelo Palestra Itália onde se tornou titular absoluto e destacou-se pela força física e pela capacidade de finalização, levando-o em poucos meses à Seleção Brasileira de Futebol onde estreou marcando gol, em 13 de maio de 1917.

PALESTRA ITÁLIA

                Incluído no campeonato da APEA no lugar do Wanderers, da colônia inglesa, o Palestra começou a disputa de seu primeiro campeonato empatando com o time do Mackenzie por 1×1.  O empate foi considerado uma vitória, porque a equipe adversária havia obtido no ano anterior o título de vice-campeã paulista. E os outros resultados também não foram essas coisas.  Resultado: penúltimo lugar, só a frente do Ypiranga. Valeu a experiência da disputa, entretanto, buscaram reforços para o campeonato de 1917, como Ministro, Martinelli, Flosi, Bertolini e Picagli que juntavam-se a um jovem que ficaria famoso, Heitor, que havia chegado no ano anterior. E foi ainda em 1916 que o Palestra Itália conseguiu ser admitido na Associação Paulista de Esportes Atléticos, ficando ao final do campeonato, na quinta colocação. Boas exibições e resultados positivos se sucediam. A torcida comparecia dando boas rendas. E o teste definitivo aconteceu dia 6 de maio de 1917, quando pela primeira vez, o Palestra enfrentou aquele que se tornaria seu eterno rival, o Corinthians.

                O jogo, segundo os cronistas da época, foi um acontecimento.  No placar final, 3×0 para o Palestra, já reconhecido como um dos grandes do estado de São Paulo, além de sério aspirante ao título. Para este jogo o alviverde jogou com; Fiosi, Grimaldi e Bianco; Bertolini, Picagli e Fabbi; Ministro, Caetano, Heitor, Orlando e Martinelli. Os três gols da partida foram marcados por Caetano, todos na etapa complementar.  E, mesmo reclamando das arbitragens e de perseguições da APEA, o Palestra conseguiu chegar à final contra o Paulistano. Perdeu o jogo, mas conseguiu o segundo lugar. O Palestra crescia de dar susto nos adversários, a cada jogo mostrava-se um forte adversário e com isto, nem todos, claro, gostavam do novo e forte Palestra.  O campeonato de 1918 arrastou-se para o Palestra, até o dia 30 de junho. Nesse dia, associados e dirigentes depois de se sentirem roubados em um jogo contra o Paulistano, resolveram marcar uma reunião para reagir.

               Dia 3 de julho, 280 associados e a diretoria, sob o comando do presidente Valentim Soma, decidiram abandonar o campeonato e sair da APEA. O futebol paulista sentiu tanto a falta do Palestra, que os demais clubes redigiram um documento em que pediam à APEA para que não aceitasse o pedido feito de abandonar o campeonato, e este documento foi assinado por todos os presidentes dos outros clubes. Em outubro, o clube voltava a se filiar à APEA. Com muita honra, mas tarde demais para disputar o campeonato. Chegava o ano de 1919 e a ambição agora não era apenas participar.  O Palestra queria o título. Quando começou o campeonato, todos descobriram que, apesar da paralisação forçada, o time não só mantinha os melhores jogadores, como estava reforçado.

               Em 1920 Heitor comandou o Palestra ao seu primeiro título estadual, derrotando na final justamente o rival Paulistano de Friedenreich. Ao longo do torneio chegou a marcar 6 gols em uma mesma partida, contra o Internacional da capital. No biênio 1926-1927, Heitor tornou-se artilheiro e comandou o Palestra ao bicampeonato paulista, além de outras conquistas como a Taça dos Campeões entre Rio de Janeiro e São Paulo, a Taça Ballor e Torneio Início. Em 1928 conseguiu um feito notável: Artilheiro do Campeonato Paulista daquele ano, no intervalo entre os jogos treinava e atuava na equipe de basquete do clube, levando-a à conquista do campeonato estadual de 1928. Durante os quinze anos em que Heitor vestiu a camisa do Palestra Itália, marcou 284 gols, com isto, é o maior artilheiro da história do alviverde de Parque Antarctica. Em segundo lugar vem César Maluco com 180 gols, uma diferença de 104 gols, portanto, dificilmente alguém baterá este recorde.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Em São Paulo, Heitor tornou-se o rival de Arthur Friedenreich, mas juntos, formaram grande dupla de ataque da Seleção Brasileira, notadamente no campeonato sul-americano de 1919. Estrearam contra a Argentina em 18 de maio de 1919, com gol de Heitor. A final do torneio também teve participação decisiva de Heitor, com o gol brasileiro marcado saindo após rebote do goleiro, de uma magnífica cabeçada sua. Em 1929 outro feito notável em sua carreira: convocado novamente para defender a Seleção Brasileira, em um dos jogos amistosos, contra uma equipe argentina, o goleiro da Seleção, Amado do Flamengo, se contundiu entrando Jaguaré do Vasco, que no final do jogo também se contundiu. Heitor, que apesar da estatura mediana também possuía grande elasticidade, foi para o gol da Seleção e garantiu os últimos minutos de jogo sem sofrer nenhum gol da equipe argentina. Pela seleção brasileira, Heitor conquistou o título sul-americano em 1919 e 1922. Fez 11 jogos pela seleção com oito vitórias, três empates e quatro gols marcados.

ÁRBITRO DE FUTEBOL

               Heitor jogou pelo Palestra até o final de 1931 quando fez sua despedida e retornou ao Americano onde jogou mais alguns amistosos. Sua versatilidade, que o levou da artilharia ao gol da Seleção Brasileira, e campeão de basquete pelo clube ao mesmo tempo em que se sagrava artilheiro no futebol, continuou após o fim da carreira como jogador, tornando-se árbitro muito bem sucedido. Entre outros momentos importantes, em 1935 apitou a decisão do Campeonato Paulista daquele ano entre Santos e Corinthians. Este jogo aconteceu dia 17 de novembro e foi disputado no estádio Alfredo Schiring, mais conhecido por Parque São Jorge. O Corinthians jogou com; José I, Jaú e Carlos; Brito, Brandão e Munhoz; Teixeira, Carlito, Teleco, Alberto e De Maria. A equipe praiana jogou com; Cyro, Neves e Agostinho; Ferreira, Martelete e Jango; Sacy, Mário, Pereira, Raul, Araken e Junqueira. O Santos venceu por 2 a 0, gols de Raul e Araken. Com esta vitória o Santos conquistou o primeiro título estadual da sua história.

               Em 1940 arbitrou também a partida inaugural do Estádio do Pacaembu entre Palestra Itália x Coritiba. O jogo terminou com a vitória esmeraldina por 6 a 2, sendo que o primeiro gol da partida, por conseguinte, o primeiro gol do Estádio do Pacaembu, foi marcado por Zequinha, jogador do time paranaense. Ainda neste dia fizeram a partida de fundo, Corinthians x Atlético Mineiro, com vitória corintiana por 4 a 2.  O primeiro clássico entre Corinthians e Palmeiras realizado no Pacaembu, também foi Heitor o árbitro da partida. O Palestra Itália venceu por 2 a 1, gols de Echevarrieta e Begliomini contra. Para o Corinthians, Luizinho marcou o único tento. No domingo seguinte, lá estava Heitor novamente no velho Pacaembu, para apitar a final da Taça Cidade de São Paulo.

               Heitor, o maior artilheiro da história do alviverde, faleceu dia 21 de setembro de 1972, aos 73 anos de idade. Em nome de toda coletividade esmeraldina, deixo aqui meus sinceros agradecimentos por tudo que ele fez pelo nosso futebol, em especial ao Palestra Itália. Descanse em paz, Heitor Marcelino Domingues.

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