JOAQUINZINHO: quase foi trocado por Pelé

               Joaquim Gilberto da Silva nasceu dia 31 de dezembro de 1934, na cidade de Pelotas – RS. Assim como o goleiro Suly que defendeu o São Paulo na década de 60, Joaquinzinho também nasceu em Pelotas, Rio Grande do Sul e também começou jogando no Brasil de Pelotas. Depois jogou no Internacional de Porto Alegre, mas pegou o time numa fase muito ruim, onde seu maior rival, o Grêmio ganhava tudo. Deixou o sul do país e veio para São Paulo, onde defendeu o Corinthians de 1959 até 1961. Nesse período também não ganhou nenhum título, pois também pegou o clube numa fase ruim, tanto é, que nos dois anos que ficou no clube, trabalhou com oito treinadores. Depois foi para o Rio de Janeiro, onde foi mais feliz e marcou época no Fluminense, sagrando-se campeão do Torneio Rio-São Paulo em 1963 e campeão carioca em 1964. Depois voltou à São Paulo, onde jogou em vários clubes do interior paulista, como a Ponte Preta e o XV de Piracicaba. Já no final de carreira, retornou a terra natal e encerrou no mesmo clube que a iniciou, ou seja, o Brasil de Pelotas.

INÍCIO DE CARREIRA

               Aos 16 anos de idade, Joaquinzinho, como era carinhosamente chamado, já atuava nas divisões inferiores do Brasil de Pelotas, destacando-se como uma grande promessa. Em 1954 já era uma radiosa realidade, tornando-se titular absoluto no time treinado por Galego. Em 1957, foi negociado com o Internacional. Teve o azar de pegar o Colorado em crise. O Grêmio acumulava títulos, enquanto o Inter formava um time por temporada. Os atletas vitoriosos do Pan-Americano, ou haviam sido negociados, ou decaiam de produção, dando mostras que os anos haviam chegado. Do Inter, Joaquinzinho foi para São Paulo, onde jogou por dois anos no Corinthians.

CORINTHIANS

               Sua estréia no alvinegro de Parque São Jorge aconteceu dia 19 de setembro de 1959, quando o Corinthians enfrentou a Portuguesa de Desportos num jogo amistoso realizado no Estádio Independência (Canindé). Neste dia o Corinthians goleou a Lusa por 4 a 1, gols de Joaquinzinho (2), Tite e Rafael, enquanto que para a Portuguesa, Zé Carlos marcou o único tento. Neste dia o técnico corintiano Sylvio Pirilo mandou a campo os seguintes jogadores; Cabeção, Benedito, Waldir, Goiano e Ari Clemente; Roberto Belangero e Rafael; Miranda, Joaquinzinho, Zague e Tite. Ou seja, sua estréia não poderia ter sido melhor, marcando dois gols e caindo logo nas graças da torcida corintiana.

              Mas infelizmente naquele ano de 1959, o Corinthians não conseguiu fazer um bom campeonato, pois Santos e Palmeiras possuíam equipes simplesmente fantásticas, tanto é que precisaram de três partidas para decidirem o título daquele ano. Mesmo o Peixe tendo um time fabuloso, esbarrou no alviverde, que naquele ano montou um grande esquadrão e venceu a partida decisiva por 2 a 1, gols de Julinho e Romeiro para o Verdão e Pelé para o Peixe. Este jogo aconteceu dia 10 de janeiro de 1960.

               A despedida de Joaquinzinho do Corinthians aconteceu dia 26 de agosto de 1961, quando o alvinegro de Parque São Jorge enfrentou o Comercial de Ribeirão Preto. Neste dia o Corinthians perdeu por 3 a 2, gols de Manoelzinho e Beirute para o Timão, enquanto que Almeida (2) e Pádua marcaram para o Comercial. Neste dia o técnico Corintiano Martim Francisco mandou a campo a seguinte equipe; Aldo, Almeida, Walmir, Ari Clemente e Oreco; Da Silva e Rafael; Manoelzinho, Joaquinzinho, Beirute e Neves. Pelo Corinthians Joaquinzinho disputou 109 jogos. Venceu 59, empatou 18 e perdeu 32. Marcou 49 gols e não conquistou nenhum título.

              Este ano de 1961, foi um ano terrível para o Corinthians, pois era chamado de “Faz me rir”, pois dos onze primeiros jogos do Campeonato Paulista, o alvinegro perdeu sete, empatou duas e venceu apenas duas partidas. Saiu o técnico Alfredo Ramos, entrando em seu lugar Manoel Francisco, trocaram-se vários jogadores, inclusive Joaquinzinho que foi jogar no Juventus da Mooca, mas as coisas só melhoraram no segundo turno, apesar da goleada para a Portuguesa de Desportos por 7 a 0 no dia 15 de novembro, já nas últimas rodadas do campeonato.

              Depois de deixar o Corinthians, Joaquinzinho foi jogar no Juventus e no primeiro encontro com seu ex-clube, marcou o gol de empate. Este jogo aconteceu dia 5 de agosto de 1962 pelo primeiro turno do Campeonato Paulista. O jogo terminou empatado em 1 a 1, o gol corintiano foi anotado pelo ponta esquerda Lima. Neste dia o técnico juventino Sylvio Pirilo mandou a campo os seguintes jogadores; Morais, Diógenes, Milton Buzetto, Clovis e Jairzinho; Paulo e João Francisco; Gilberto, Luizinho, Joaquinzinho e Pinta.

FLUMINENSE

               No tricolor carioca, Joaquinzinho finalmente encontrou as condições de voltar a apresentar o seu grande futebol, permanecendo no clube carioca de 1962 a 1966. Em 1963 sagrou-se campeão do Torneio Rio-São Paulo. O Campeonato Carioca de 1964 foi disputado por 13 equipes, em 2 turnos, jogando todos contra todos. O titulo foi decidido em melhor de 3 partidas entre o Fluminense e o Bangu, tendo o último confronto ocorrido no dia 20 de dezembro, com o placar de 3 x 1 favorável ao tricolor. Em dezembro, quando se decidia o campeonato, visitava o Rio de Janeiro a maravilhosa Brigitte Bardot, símbolo sexual da época e que ficou hospedada no Hotel Copacabana Palace.

              Os jornais dividiam suas manchetes entre a decisão do torneio e os passos da estrela. Ainda neste ano, o Canto do Rio foi afastado definitivamente das competições cariocas, após promover grande conflito no dia 12 de outubro, no jogo contra o Fluminense, em Caio Martins. O gramado foi invadido, obrigando a arbitragem a suspender o jogo aos 40 minutos do primeiro tempo. Foi reiniciado e concluído no dia 14 de outubro em São Januário.

               O novamente chamado, “timinho” tricolor montado por Tim, que marcou sua passagem como técnico no Fluminense como grande estrategista, jogava na base de contra-ataques, sempre puxados por Joaquinzinho, que com grandes lançamentos, deixava Amoroso na cara do gol, tendo por este motivo o atacante se sagrado artilheiro do campeonato com 19 gols. A equipe de Laranjeiras era jovem, com média de idade de 23 anos. A superioridade do Fluminense sobre o Bangu era flagrante. Nos 2 primeiros jogos o time das Laranjeiras venceu por 1 a 0 e por 3 a 1, não sendo necessário o terceiro confronto.

               Na segunda partida que decidiu o título carioca de 1964, o Fluminense jogou com; Castilho, Carlos Alberto Torres, Procópio, Valdez e Altair; Denílson e Oldair; Jorginho, Amoroso, Joaquinzinho e Gílson Nunes. Já o Bangu que na época tinha um grande time jogou com; Aldo, Fidélis, Mário Tito, Paulo e Nílton Santos; Ocimar e Roberto Pinto; Paulo Borges, Parada, Bianchini e Cabralzinho.  Os gols do Flu foram marcados por Bianchini aos 28 minutos do primeiro tempo, Joaquinzinho aos 5 e Gilson Nunes aos 22 da segunda etapa, enquanto que o único gol do Bangu foi anotado por Jorginho aos 8 minutos do segundo tempo. Foi uma grande campanha do Tricolor carioca, onde Joaquinzinho foi titular absoluto.

               Depois disso, Joaquinzinho ainda jogou na Ponte Preta de Campinas e no XV de Piracicaba e já no final de carreira retornou a sua cidade natal e encerrou no mesmo clube em que iniciou, ou seja, no Brasil de Pelotas, assim como fez o goleiro Suly, que também iniciou e encerrou a carreira no Brasil de Pelotas, Rio Grande do Sul.

A FAMOSA TROCA DE JOAQUINZINHO POR PELÉ

               Quando o Santos excursionava pelo interior gaúcho, o garoto Pelé, então com 16 anos, e que aos poucos ia se firmando na equipe titular do Peixe, foi sondado, sem saber, por dirigentes do Brasil de Pelotas, os quais ficaram impressionados com o talento mostrado pelo jovem de canelas finas e corpo franzino, na partida disputada no dia 22 de março de 1957, no empate do Santos diante da equipe Brasil de Pelotas. Essa sondagem deu-se no saguão do Grande Hotel de Pelotas, quando o presidente do Brasil, Carlos Russomano, ouviu do técnico Lula o pedido de liberação do atacante Joaquinzinho, o grande destaque daquele time.

               O presidente Russomano respondeu que só liberaria o atleta caso o Santos pagasse CR$ 400 mil e cedesse também aquele “negrinho rápido” que Lula havia colocado em campo no segundo tempo. Lula então disse que não haveria negócio, pois aquele menino era uma joia a ser lapidada, e que o clube santista não tinha interesse em se desfazer do jovem craque, pondo fim à conversa. Esse relato é a verdadeira história da tão decantada troca de Pelé por Joaquinzinho, a qual até hoje se comenta no sul do país. Fora desse contexto o que há é puro folclore gaúcho.

               Joaquinzinho considerava que os melhores técnicos que o orientaram foram Tim, Sylvio Pirillo, Martim Francisco e Fleitas Solich. Foi um atleta polivalente, atuando nas cinco posições mais ofensivas das equipes pelas quais passou. Preferia atuar como meia-esquerda. Dono de um chute forte e certeiro, marcou inúmeros gols. Declarava que todos foram importantes, não dando destaque especial para nenhum. Desde garoto, nunca foi de ir a campo de futebol para assistir os outros atuarem. Sempre gostou mais de jogar. Joaquinzinho faleceu dia 20 de julho de 2007, em Pelotas (RS), após sofrer uma isquemia. Seu corpo foi velado no salão nobre do estádio Bento de Freitas e enterrado no Cemitério São Francisco de Paula. Ele era supervisor técnico das categorias de base do G.E. Brasil de Pelotas.

Em pé: Oreco, Valmir, Jaime, Sidnei, Ari Clemente e Gilmar    –     Agachados: Miranda, Abib, Joaquinzinho, Da Silva e Neves
Em pé: massagista Elias Pássaro, Diógenes, Poças, Milton Buzzeto, Clóvis, Claudinei e Jorge     –    Agachados: Nondas, Jair Francisco, Luizinho, Joaquinzinho e Lucindo
Em pé: Melo Ayres, Protti, Neves, Claudinei, Zé Carlos, Hidalgo, Pilotto e Donah    –     Agachados: o massagista Índio, Amauri, Luís, Varner, Joaquinzinho, Piau
Em pé: Carlos Alberto, Procópio, Altair, Castilho, Oldair e Nonô    –    Agachados: massagista Pai Santana, Amoroso, Ubiraci, Evaldo, Joaquinzinho e Edinho
Em pé: Ismael, Edson, Valdez, Altair, Luiz Henrique e Bauer   –    Agachados: Massagista Pai Santana, Amoroso, Samarone, Antunes, Joaquinzinho e Gilson Nunes
Em pé: Carlos Alberto, Valdez, Tito, Altair, Castilho e Procópio    –     Agachados: massagista Pai Santana, Amoroso, Denílson, Ubiraci, Joaquinzinho e Gilson Nunes
Em pé: Oreco, Ari Clemente, Olavo, Egidio, Cabeção e Roberto Belangero    –     Agachados: Lanzoninho, Luizinho, Joaquinzinho, Rafael e Guimarães
Internacional em 1958. Em pé: Ezequiel, Brito, Paulinho, Mossoró, Zangão e Joel    –    Agachados: Joaquinzinho, Bodinho, Larry, Chinesinho e Canhotinho

 

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