RIVELINO: o Reizinho do Parque

                  Roberto Rivelino nasceu dia 01 de Janeiro de 1946 na capital paulista. Foi um verdadeiro craque de bola, que encantou o mundo com seu chute forte, seus lançamentos precisos e uma habilidade com a bola que enchia os olhos dos amantes do futebol. Até hoje é um dos maiores ídolos da torcida corintiana, mesmo não tendo conquistado nenhum título de expressão durante o período que vestiu a camisa alvinegra. Também é muito querido pela torcida do Fluminense, onde sagrou-se bicampeão carioca em 1975/76.

                  Depois jogou na Arábia Saudita e retornou ao Brasil e logo encerrou sua brilhante carreira. Com a camisa canarinho teve uma participação especial na conquista do mundial do México, em 1970, onde fez parte de uma das melhores seleções do mundo. Até hoje quando lhe perguntam, qual a sua maior alegria que o futebol lhe proporcionou? Ele responde: O tricampeonato do México.  Mas quando lhe perguntam, e qual a sua maior tristeza? Imediatamente responde: Não ter sido campeão pelo Corinthians.

INÍCIO DE CARREIRA

                  Começou jogando futebol de salão no Esporte Clube Banespa, até que um certo dia, um diretor do Palmeiras o viu jogar e deu-lhe um cartão para comparecer ao Parque Antarctica e falar com Mario Travaglini, que era na época quem fazia a chamada peneira da garotada. Era um dia frio e garoava forte, e Rivelino lá no banco de reserva sem camisa, esperando a vez para entrar. Quando faltavam 5 minutos para terminar o treino, ele entrou, pegou na bola duas ou três vezes e fim de treino. Seu pai, o velho Nicolino não gostando daquilo que fizeram com o garoto, não o levou mais para treinar. Foi aí então que resolveu ir ao Parque São Jorge tentar mais uma vez.

CORINTHIANS

                 Em pouco tempo, já era titular absoluto no aspirantes da equipe alvinegra, onde sagrou-se campeão paulista em 1964. Rivelino arrastava grande parte da torcida, mais cedo aos estádios só para vê-lo jogar. Não demorou muito para ser efetivado como titular no time principal. Em pouco tempo, já era ídolo da fiel torcida corintiana, torcida esta que o aclamou carinhosamente como “Reizinho do Parque”.  Era uma época muito difícil para o Corinthians, pois não era campeão desde 1954. Sua estreia no time principal aconteceu dia 13 de janeiro de 1965, quando o Corinthians participou de um Torneio Pentagonal, no Recife e o técnico Osvaldo Brandão resolveu lança-lo na equipe principal. Este jogo foi contra o Santa Cruz no estádio da Ilha do Retiro, e neste dia o Corinthians jogou com: Cabeção, Amaro, Cláudio, Clóvis e Oreco;  Dino Sani (Edson)  e  Rivelino;  Ferreirinha (Sérgio), Nei, Flávio (Silva) e Bazani (Lima). Com gols de Bazani aos 3 minutos e Flávio aos 39 do primeiro tempo, e Rivelino aos 19 minutos do segundo tempo, o Corinthians venceu por 3 a 0 e começava ali a trajetória de um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos.

                  No ano seguinte sagrou-se campeão do Torneio Rio-São Paulo, mas o título teve que ser dividido com mais três clubes (Santos, Botafogo e Vasco), pois devido a preparação da seleção brasileira para o mundial da Inglaterra, não havia datas para um quadrangular, sendo assim, a CBD confirmou os quatro clubes campeões.

                  Em 1968 Rivelino teve um momento de glória com a camisa corintiana, pois o Timão não conseguia vencer o Santos há 11 anos em Campeonatos Paulista, mas naquele dia 6 de março de 1968, com a ajuda de Rivelino e os gols de Paulo Borges e Flávio, a equipe do Parque São Jorge ganhou do time de Pelé por 2 a 0. Quebrada esta escrita, bastava ainda um título com o clube. O ano de 1974 era perfeito, já que o adversário era o Palmeiras, em um Morumbi lotado pela Fiel. O que se viu, no entanto, foi um Corinthians apático e a vitória alviverde por 1 a 0, gol de Ronaldo. A torcida tinha que achar um culpado por tudo aquilo e decidiu crucificar Rivelino, que acabou se transferindo para o Fluminense.  Após ter sido praticamente expulso do Corinthians, Rivelino sabia que poderia mostrar um grande futebol no Fluminense e finalmente ser campeão por um clube.

                   Com a camisa corintiana, Roberto Rivelino disputou 474 jogos (238 vitórias, 136 empates e 100 derrotas) e marcou 144 gols.  Pelo Corinthians, Rivelino foi campeão do Rio-São Paulo de 1966, campeão do Torneio do Povo em 1971, campeão do Torneio Laudo Natel em 1973 e campeão Copa Cidade de São Paulo em 1975.

CURIOSIDADES:

No dia 6 de janeiro de 1972, Rivelino jogou 40 minutos pela Portuguesa, num amistoso contra o Zeljeznicar, da Iugoslávia. A Lusa venceu por 2 a 0 e, por incrível que pareça, Rivelino fez um dos gols com o pé direito, fato raro em sua carreira. No dia 4 de setembro de 1978 jogou pelo New York Cosmos como convidado, contra o Atlético de Madrid. O Cosmos perdeu de 3 a 1, mas o único gol foi marcado por Rivelino. No dia 22 de setembro de 1981, Rivelino fez um jogo pelo São Paulo contra a seleção da Arábia Saudita. O jogo terminou em 5 a 1 para o Tricolor, só que desta vez Rivelino não marcou nenhum gol.

FLUMINENSE

                   O bom desempenho dentro de campo foi apresentado logo na primeira partida com a camisa do Tricolor Carioca, em um amistoso justamente contra o seu ex-clube, em pleno sábado de carnaval. O Flu ganhou por 4 a 1 e Rivelino marcou três gols, mostrando ao time do Parque São Jorge que ele não era jogador para ser escorraçado.  O título também não demorou a vir. Logo no seu primeiro ano no Rio de Janeiro, em 1975, Rivelino conquistou o Campeonato Carioca, fato que se repetiria no ano seguinte. Em 1976 o Flu ainda ficou perto de conquistar o Campeonato Brasileiro. Desta vez, porém, quem se vingou foi o Corinthians, que eliminou o Tricolor na semifinal após uma invasão de 70 mil corintianos ao Maracanã. O Fluminense na época foi chamado de “Máquina Tricolor“, sendo considerada uma das melhores equipes da época.

ARÁBIA SAUDITA

                   Na época em que Rivelino jogou, o futebol ainda não dava grandes rendimentos aos seus praticantes no Brasil. O jogador teve de ir para o Al Hilal, da Arábia Saudita, em 1978, para garantir a sua independência financeira. Longe de sua terra natal, mais títulos, como o bicampeonato da Copa da Arábia em 1980 e 81 e a Copa do Rei em 1979.  Porem, devido algumas desavenças com o príncipe Kaled fizeram com que Rivelino encerrasse sua carreira mais cedo, em 1981, aos 35 anos, sendo que pretendia jogar até os 42 anos. Rivelino tentou encerrar a carreira no São Paulo, mas uma cláusula no seu contrato com o Al Hilal impediu o retorno do meia aos gramados brasileiros.

SELEÇÃO BRASILEIRA

                   Aos dezenove anos Rivelino fez sua estreia com a camisa titular do Timão e no mesmo ano já foi convocado para a Seleção Brasileira, participando de um amistoso contra o Arsenal e de outro contra a Hungria. Se não conseguiu ser campeão com a camisa do Corinthians, Rivelino não pode reclamar de seu primeiro título. Foi a Copa do Mundo, em 1970, conquistada pela terceira vez pela seleção brasileira, garantindo a posse definitiva da Taça Jules Rimet. A equipe comandada por Zagallo contava com Pelé, Tostão, Gérson, Jairzinho, Carlos Alberto, Piazza e, mesmo com todos estes craques, Rivelino brilhou. Marcou três gols; contra Checoslováquia, Peru e Uruguai, além da participação em outros, como no cruzamento para Pelé no gol que abriu o caminho da vitória contra a Itália, na final. 

                   Outras duas Copas ainda foram disputadas por Rivelino, só que o sucesso da primeira não conseguiu ser repetido. Em 1974, ele era a principal estrela do time, mas o Brasil terminou em quarto, sendo eliminado pelo Carrossel Holandês de Cruyff na semifinal. A seleção não era tão boa quanto Zagallo imaginava, e a superioridade do adversário só não foi enxergada pelo técnico. Na Argentina, em 1978, Rivelino era capitão e, sob o comando de Cláudio Coutinho, ficou com o terceiro lugar, embora tenha jogado muito pouco.

                  Na Copa de 1970, foi titular da seleção brasileira que conquistou o tricampeonato para o futebol brasileiro. Os mexicanos o apelidaram de “Patada Atômica” devido ao chute forte que possuía na perna esquerda. Roberto Rivelino pode ser lembrado como um jogador temperamental, de personalidade forte, mas foi a habilidade na perna esquerda e o chute potente que o fizeram entrar para o seleto grupo de craques fora-de-série do futebol brasileiro. O “Reizinho do Parque” jogou muita bola e influenciou jogadores do mundo todo, a ponto de Maradona elevá-lo à condição de seu principal ídolo.

                  Pela Seleção Brasileira, Rivelino realizou 120 jogos (81 vitórias, 27 empates e 12 derrotas) e marcou 40 gols. É o terceiro jogador que mais atuou em partidas oficiais do Brasil, perdendo apenas para Djalma Santos e Gilmar. No entanto, é o atleta que mais jogou com a camisa da Seleção, contando também as partidas amistosas. Está entre os dez maiores artilheiros da história da Seleção Brasileira.

FORA DAS QUATRO LINHAS

                  O fim da carreira como jogador não afastaria Roberto Rivelino do mundo da bola. Depois de ter passagens por grandes emissoras do país exibindo seus dotes de comentarista esportivo e de muito mostrar sua habilidade em partidas de Masters ou amistosas, Rivelino voltaria ao Corinthians quase 30 anos depois de sua saída, agora como cartola, mas teve uma passagem muito rápida, pois logo percebeu que aquele não era o seu forte. Hoje ele faz participações em programas de televisão.

RIVELINO COM SEUS PAIS
Em pé: Neco, Cláudio, Barbosinha, Ari Ercílio, Jorge Correa e Mendes      –     Agachados: Sérgio, Manoelzinho, Osmar, Rivelino e Bazani
Em pé: Almeida, Diogo, Osvaldo Cunha, Luiz Carlos, Tião e Maciel Agachados: Buião, Tales, Paulo Borges, Rivelino e Eduardo
CORINTHIANS 4X3 PALMEIRAS dia 25/04/1971  –  Em pé: Luiz Carlos, Tião, Sadi, Ado, Zé Maria e Pedrinho     –      Agachados: Lindoia, Samarone, Rivelino, Mirandinha e Peri
Em pé: Neco, Cláudio, Mendes, Edson, Barbosinha e Gilberto      –     Agachados: Sérgio, Manoelzinho, Osmar, Rivelino e Lima
Em pé: Luiz Carlos, Suingue, Ditão, Mendes, Ado e Miranda      –     Agachados: Paulo Borges, Mirandinha, Rivelino, Lima e Ivair
Em pé: Jair Marinho, Marcial, Ditão, Edson, Clóvis e Maciel      –     Agachados: Marcos, Tales, Flávio, Rivelino e Nilson
Em pé: Jair Marinho, Dino Sani, Ditão, Marcial, Clóvis e Maciel      –     Agachados: Bataglia, Rivelino, Silvio, Flávio e Gilson Porto
Em pé: Osvaldo Cunha, Carlos, Luiz Américo, Luiz Carlos, Lidu e Diogo      –     Agachados: Paulo Borges, Adnan, Flávio, Rivelino e Eduardo
Em pé: Osvaldo Cunha, Ditão, Diogo, Edson, Luiz Carlos e Maciel Agachados: Marcos, Tales, Flávio, Rivelino e Eduardo
Em pé: Clóvis, Marcial, Edson, Galhardo, Eduardo e Maciel      –     Agachados: Marcos, Rivelino, Airton, Flávio e Gilson Porto
Em pé: Fogueira, Ado, Ditão, Dirceu Alves, Luiz Carlos e Miranda      –     Agachados: Paulo Borges, Ivair, Bene, Rivelino e Aladim
Em pé: Zé Maria, Leão, Marinho Peres, Alfredo, Carpegiani e Marinho Chagas      –     Agachados: Valdomiro, Ademir da Guia, Jairzinho, Rivelino e Dirceu
Em pé: Carlos Alberto, Brito, Piaza, Felix, Clodoaldo e Everaldo      –     Agachados: Jairzinho, Rivelino, Tostão, Pelé e Paulo César

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