ESPORTE CLUBE BAHIA – Fundado em 1 de Janeiro de 1931

                 No dia 8 de dezembro de 1930, dia de Nossa Senhora da Conceição, Eugênio Walter, Fernando Tude, Júlio Almeida e   Waldemar de Azevedo, atletas de dois clubes, a Associação Atlética da Bahia e o Clube Bahiano de Tênis, num encontro casual no Cabaré do Jokey, em Salvador resolveram fundar o Esporte Clube Bahia, que poucos anos depois tornou-se o mais popular do estado e do Norte e Nordeste do Brasil. Como a Associação Atlética e o Clube Bahiano desistiram da prática do futebol, os jogadores queriam continuar disputando torneios estaduais.

                No dia 12 de dezembro, mais de 70 pessoas, a maioria ex-atletas da AAB e do Bahiano, reúnem-se num casarão na Avenida Princesa para definir os rumos do novo clube. A assembléia é presidida por Otávio Carvalho e secretariada por Fernando Tude e Aroldo Maia. Naquela reunião, são definidas as cores da Bahia para o novo clube – uniforme com a camisa branca e o calção azul com uma faixa vermelha na cintura. Otávio Carvalho, um conhecido médico de Salvador é nomeado presidente provisoriamente.

               Discutiram também o local para treinamento e problemas financeiros. Outra preocupação era também cativar o povo para torcer para o novo filiado da Liga Baiana de Futebol. Em 1931, os rapazes voltaram a se reunir em plena madrugada para fundar o Bahia, que no mesmo ano conquistou o Torneio Início e o Campeonato Baiano de Futebol.

               A princípio, Antunes Dantas, do Clube Bahiano de Tênis, palpitou em colocar o nome de Atlético Baianinho, mas decidiram que teria o nome estadual. E assim, no dia 1 de janeiro de 1931 era fundado o Esporte Clube Bahia, que ao longo dos anos, formou uma das maiores torcidas de todo norte-nordeste. Eram profissionais liberais, funcionários públicos, jornalistas, micro-empresários e estudantes. O que confirma a tese de que o Bahia, desde o princípio, não era um time de grã-finos e tinha sim mais afinidade com as camadas populares.

               Em 16 de janeiro de 1931 são publicados no Diário Oficial da Bahia os estatutos do Tricolor, que passa a existir legalmente. Em 20 de fevereiro, o Bahia é filiado à Liga Bahiana de Desportos Terrestres, atual Federação Bahiana de Futebol. Em 22 de fevereiro, um domingo, Bahia realiza seu primeiro treino, no Campo da AAB, na Quinta da Barra, em Salvador.

PRIMEIRO  JOGO   E  PRIMEIRO  TÍTULO

               Em 01 de março de 1931, Bahia entra em campo pela primeira vez e confirma slogan “nascido para vencer”. A vítima foi o Ypiranga, por 2 a 0, com gols de Bayma e Guarany. O goleiro Teixeira Gomes ainda defende um pênalti cobrado pelo ypiranguense Hipólito. Válida pelo Torneio Início do Estadual, a partida tem apenas 20 minutos de duração. Coube a Bayma, aos dois minutos da etapa inicial, a honra de marcar o primeiro gol com a camisa do Bahia. Fato interessante é que o jogador é sobrinho de Zuza Ferreira, que trouxe o futebol para o Estado.

               No primeiro jogo, o Bahia joga com a seguinte formação – Teixeira, Gomes; Leônidas e Gueguê; Milton, Canoa e Gia; Bayma, Guarany, Gambarrota e Pega-Pinto. O técnico é João Barbosa e o árbitro, Francelino de Castro. No mesmo dia 01 de março, o Bahia conquista o primeiro título de sua história, o Torneio Início do Baianão de 1931. A taça vem com uma goleada no segundo jogo do dia, contra o Royal, por 3 a 0. Gols de Guarany (2) e Pega-Pinto.

               Em 22 de março, Bahia estreia no Estadual. Com gols de Bayma, Guarani e Rubem. Em abril, Tricolor faz seu primeiro jogo internacional, mas perde para o Sud América, do Uruguai.
Em 11 de outubro, o Bahia faz seu primeiro jogo intermunicipal, contra o Vitória de Ilhéus e vence por 5 a 4.

               Em 24 de outubro, no primeiro jogo fora do estado, o Tricolor bate o Sergipe por 2 a 0. Um dia depois, 5 a 0 no Guarany/SE. Os dois jogos são em Aracaju. Em 25 de outubro, mesmo longe de Salvador e sem precisar entrar em campo, o Bahia conquista o primeiro título de Campeão Baiano. A taça vem com a derrota do Botafogo para o Ypiranga, por 2 a 0, que impossibilita o “fogão” de ultrapassar o Tricolor.

               O clube comemora o título com duas rodadas de antecedência para o fim do Estadual. Delegação faz a festa em Aracaju mesmo e é acompanhada pela população da cidade, que varou a madrugada contagiada pela alegria tricolor. Em 15 de novembro, Bahia entra em campo contra o Ypiranga. Com o título garantido, a motivação é não perder no Campo da Graça para sagrar-se Campeão Invicto. Tricolor consegue empate em 2 a 2 aos 33 minutos, com o gol de Milton Bahia e mantém invencibilidade.

O ano de 1932

               O Bahia enfrenta a primeira crise de sua história. Racha na direção e provoca saídas dos fundadores Júlio Almeida e Fernando Tude da diretoria. Apesar dos pesares, Bahia é Bicampeão do Torneio Início do Estadual. Problemas internos refletem no campo e clube perde o Estadual para o Ypiranga.


Em 21 de janeiro, Bahia enfrenta pela primeira vez o Santa Cruz e
vence por 3 a 2. O ano é marcado ainda pelos primeiros confrontos com outros que viriam a ser rivais históricos – Vitória, Sport e Flamengo, além do Santa. Em 18 de setembro, o Bahia vence o primeiro Bavi da história, por 3 a 0, gols de Gambarrota e Raul Coringa (2). Partida válida pelo Torneio Início do Estadual, tem apenas 20 minutos.

O ano de 1933

               Dissidentes se recompõe com a diretoria e a paz volta à cúpula tricolor. Bahia leva 3 a 1 do Energia FC e é eliminado do Torneio Início. Após transferência conturbada, o ex-atacante do Ypiranga, Pelágio, estréia pelo Bahia e faz quatro gols no “massacre” de 9 a 0 sobre o Guarany.


Bahia se recupera, vence nove dos 11 jogos, perdendo apenas um, e leva pra casa seu segundo título Estadual. Marca 45 e sofre apenas 13 gols. Coincidentemente, única derrota é para o Energia, por 3 a 2. Em 19 de outubro, goleada por 5 a 0 sobre o São Cristóvão sacramenta o segundo Estadual.

O ano de 1934

               Bahia agora está instalado em nova sede, no bairro de Brotas. Em 11 de março, Seleção Baiana de Futebol é Campeã Brasileira com sete jogadores do Bahia: Nova, Bisa, Milton, Gia, Pelágio, Bayma e Betinho.

              Em 13 de maio, Bahia é Campeão do Torneio Início. Após um ano parado, o atacante Raul Coringa, ídolo tricolor, se transfere para o Vitória. Tricolor perde o Bavi pela primeira vez, por 4 a 3.

               Em 3 de julho, o jogador do Bahia, Bitonho – José Fernandes Costa -, se suicida. O motivo foi ter saído de campo preso na véspera após agredir o árbitro na primeira derrota tricolor em Bavis. Clube joga de luto por 30 dias devido à morte. Apesar da instabilidade da equipe, que entra com formações diferentes em todos os jogos, o Bahia conquista o primeiro de seus 10 bicampeonatos estaduais.

               Em 01 de dezembro, Tricolor garante a taça ao vencer o Botafogo por 2 a 1. Meia-esquerda Armandinho é o primeiro jogador do Bahia convocado para a Seleção Brasileira.

O ano de 1935

               O médico Fernando Tude volta ao Bahia, agora para ser presidente.
Ano é ruim para o Tricolor. É eliminado do Torneio Início. Perde sete das 14 partidas do Estadual e vê o Botafogo ser Campeão. Nota positiva da temporada é a chegada do atacante Serafim Carvalho, o Tintas, que faria sucesso pelos próximos sete anos com a camisa tricolor.

O ano de 1936

               Bahia começa mal o ano e é eliminado do Torneio Início. Redenção vem no Estadual. Bahia marca 46 gols em 12 jogos, passa por todos os adversários e levanta o quarto título Baiano em cinco anos de vida. Só não é Campeão Invicto porque perde a última partida para o Galícia. Baiano, Tarzan, Sandoval e Armandinho são os grandes destaques do time comandado por Nicanor Souza na conquista do Estadual.

O ano de 1937

               Tricolor passa por uma grave crise na escala diretiva. Tudo por causa da existência de uma “diretoria paralela”, que se reunia às escondidas no Café Portugal e tomava decisões ignorando a direção de fato. Crise vem a tona com a demissão da “diretoria paralela”. Apesar dos problemas, time começa bem e conquista seu quarto Torneio Início.

               Reflexo da crise vem no Estadual. Bahia faz uma das piores campanhas de sua história e perde sete dos onze jogos. Vê aquele que seria um de seus maiores rivais na esfera regional conquistar seu primeiro título – o Galícia. Perde uma invencibilidade de sete anos no “Clássico do Pote”, disputado contra o Botafogo.

O ano de 1938

               Temporada tem dois Estaduais. O primeiro, por desinteresse do público, é cancelado. O Botafogo, que liderava o certame quando da suspensão, em agosto, foi declarado o Campeão. Segundo Baianão de 1938 começa em outubro. Bahia leva o quinto estadual, após golear o Galícia por 5 a 2, em 8 de fevereiro de 1939.

              Em 13 de novembro, acontece um fato curioso, no jogo Bahia x Galícia, pelo segundo Baiano de 1938. O atacante Pedro Amorim se recusa a entrar em campo, alegando doença e manda um bilhete avisando à diretoria. Inconformado, o dirigente Nelson Chaves vai à casa do atleta e o obriga a jogar. Amorim joga e faz três dos quatro gols do triunfo. Bahia aplica duas das maiores goleadas de todos os tempos sobre o Vitória – 9×4  e 10×2.

O ano de 1939

               Bahia volta a sofrer com problemas na cartolagem.Tentativa de colocar ordem na casa é a formação de uma Junta Diretiva que passa a gerenciar o Bahia. Mas os resultados em campo não aparecem. Um dos maiores ídolos da torcida, o artilheiro Pedro Amorim vai para o Fluminense/RJ.


Rivalidade com o Galícia se acirra após duas derrotas no Estadual, ambas por 3 a 2. Tricolor perde o título para o Ypiranga. A única nota positiva do ano é a maior goleada de todos os tempos sobre o Vitória – 10 a 1, no dia 8 de dezembro.

O ano de 1940

               Destaque do clube é a linha média formada pelos estrangeiros Papetti, Bianchi (argentinos) e Avalle (italiano). Trio é considerado o melhor de todos os tempos na posição. Tricolor é Campeão Baiano Invicto pela segunda vez. Galícia é vice.

Os anos de 1941 a 1943

              Bahia assiste passivamente um clube ser Tri-Campeão Baiano pela primeira vez na história, o Galícia. O ostracismo em campo é resultado de uma das crises financeiras mais agudas de sua história. O Bahia estava atolado em dívidas, não conseguia pagar funcionários e jogadores.

              Em 1941, quase vai à falência e é despejado de sua sede, na AV. Princesa Isabel, por falta de pagamento dos aluguéis. No período, disputa seis jogos contra o maior rival da época, o Galícia, perde quatro, empata um e ganha somente uma vez.

O ano de 1944

               O comerciante Zelito Bahia Ramos assume a presidência e arruma a casa, estabilizando a situação financeira. Clube se instala em nova sede, no bairro do Canela, em Salvador.

               Adroaldo Ribeiro Costa compõe o hino do Bahia. Anos mais tarde, a composição seria considerada pelo historiador Cid Teixeira a mais popular da história do estado, ao lado do hino do Senhor do Bonfim. Bahia ameaça não disputar o Baianão por divergências com a Federação Bahiana de Desportos Terrestres (FBDT), mas não leva ideia adiante.

               Nicanor de Carvalho assume o comando técnico do time – só deixaria o cargo em fevereiro de 1946. Dois dos maiores ídolos do Tricolor em todos os tempos estreiam no time principal – os atacantes Gereco e Zé Hugo. Gereco é prata-da-casa, tinha sido Bicampeão Baiano Juvenil em 1939/40. Zé Hugo vem de Ilhéus, em 25 de abril.

              Estadual é disputado por pontos corridos. Em 14 de maio, na estreia, Bahia goleia o Botafogo, por 3 a 1. Apesar de não conseguir vencer o Tri-Campeão Galícia – empata duas vezes em 4 a 4, faz 3 a 1 no jogo final contra o Ypiranga e volta a subir no lugar mais alto do pódium do Estadual.

O ano de 1945

               O duelo com o Vitória é marcado por uma confusão generalizada no Bavi do dia 2 de setembro. Após as expulsões do tricolor Ciri e do rubro-negro Baiano, é deflagrada a briga. Jogo termina em 0 a 0. Tricolor vence 2º e 3º turnos do Estadual e precisa de apenas um empate nos dois jogos da decisão com o Galícia para ficar com a taça.

              Baianão só é decidido em 1946. Em 01 de janeiro daquele ano, Galícia vence a primeira decisiva por 2 a 1 e adia a festa. Tricolor enfrenta o argentino Rosário Central antes do segundo jogo da final com o Galícia. Perde por 5 a 4.

              Em 17 de janeiro, num jogo antológico, empata por 4 a 4 com o Galícia e conquista o segundo Bi de sua história, 11 anos após o primeiro, em 1933/34. O técnico é Armando Simões.

O ano de 1946

               Ex-jogador, fundador e primeiro orador do Esporte Clube Bahia, o jornalista Aristóteles Góes usa pela primeira vez a expressão “Esquadrão de Aço”, em manchete no jornal A Tarde. Expressão cairia logo nas graças da torcida e eternizada como uma das alcunhas prediletas da Nação Tricolor.


Tricolor faz campanha ruim no Baianão. Vence apenas cinco dos 12 jogos – perde outros seis e empata um. Vê o Guarany conquistar o primeiro e único Estadual de sua existência. O destaque do time, apesar da campanha ruim, é o atacante Serafim Carvalho, o Tintas, ídolo do clube.

O ano de 1947

               Com a aposentadoria de Yoyô, titular absoluto de 1942 a 1946, Tricolor sofre atrás de um novo goleiro. Benício e Elba são testados, mas não aprovam. Dúvidas cessam quando Lessa veste a camisa 1, que só deixaria sete anos depois, em 1955. O arqueiro marcou época no clube. Tanto que foi celebrado em versos de Gilberto Gil como “um goleiro, uma garantia”.

              Ano é marcado ainda pela estreia de um dos melhores pontas-esquerdas de todos os tempos – Izaltino, que seria titular do Esquadrão, ininterruptamente, por 13 temporadas. Em 13 de abril, estreia no Estadual e, de cara, vence o clássico com o Galícia, por 2 a 1. Vence o primeiro e o terceiro turnos e encara na decisão o Vitória, ganhador do segundo. Precisa de apenas um empate no jogo final.


Em 04 de janeiro de 1948, faz 3 a 1 no arqui-rival e é Campeão Baiano pela nona vez em 17 torneios disputados – aproveitamento superior a 50%. Triunfo sobre rubro-negro coroa belíssima campanha, de 14 vitórias em 19 partidas, três empates e somente duas derrotas.

O ano de 1948

               Ano é turbulento, marcado por desentendimentos internos na esfera diretiva, e brigas com a Federação. O dirigente Amado Bahia Monteiro assume o comando técnico da equipe. Polêmico, faz alterações radicais e contestáveis, como a saída de Lessa do gol, e a troca de Geréco por Moreninho no ataque.

              Apesar dos pesares, com a base do ano anterior, Bahia supera os rivais e é Bicampeão Baiano. Título vem após disputa no quadrangular final contra Galícia (1 a 1), Vitória (5 a 0) e Ypiranga (4 a 1). Na finalíssima, em 03 de maio, bate o Galícia por 3 a 0.

O ano de 1949

               Volta a ter sede no tradicional bairro da Barra, em Salvador, o mesmo onde foi fundado. Clube completa a “maioridade” ao fazer 18 anos. Após vencer primeiro turno, enfrenta o Ypiranga, ganhador do segundo, numa melhor de três. Perde a primeira por 3 a 1; vence a segunda, por 2 a 0; e empata a terceira, em 2 a 2. No jogo-desempate, em 18 de dezembro, Bahia faz 2 a 0 com gols de Carlito e Ivon e torna-se Tricampeão do Campeonato Baiano de Futebol. Amado Monteiro continua como técnico.

               Em 07 de julho, vem ao mundo Edvaldo dos Santos. Sob a alcunha de “Baiaco”, tornaria-se Hepta-Campeão pelo Tricolor, na década de 1970 e um dos jogadores de maior identificação com a torcida.

              Em 9 de setembro, nasce Douglas da Silva Franklin, o Douglas, que, anos mais tarde, viria a se tornar, para muitos, o maior jogador a envergar o manto sagrado azul, vermelho e branco.

O ano de 1950

               Crises internas continuam mas, diferente de outras épocas, não prejudicam desempenho em campo. Na fase classificatória do Estadual, perde apenas dois de 12 jogos e termina em primeiro lugar. No primeiro jogo da final com o rubro-negro, faz 2 a 1. Leva virada no segundo, espetacular, e cai por 4 a 3.

               Em 12 de novembro, no Bavi decisivo, vence o rival por 3 a 1. Conta com a estrela de Zé Hugo, que, cinco anos depois, volta a marcar dois gols na decisão contra o Vitória. Bahia é o primeiro Tetracampeão da história do Campeonato Baiano de Futebol.

O ano de 1951

               Em 28 de janeiro, com apenas campo de futebol e um lance das arquibancadas, é inaugurado o Estádio do Bahia, que depois seria rebatizado com o nome de Otávio Mangabeira e entraria para a história do futebol brasileiro como Fonte Nova.

              No dia da inauguração, Bahia, Ypiranga, Guarany, São Cristóvão, Vitória e Galícia disputam um torneio. O Tricolor despacha o Botafogo na semifinal e pega o rubro-negro na decisão. Vence o leão por 3 a 2, de virada, com gols de Teco e Alfredo, e torna-se o primeiro Campeão da história da Fonte Nova. Não vai tão bem no Estadual e fica fora da decisão após a sequência de quatro títulos. Ypiranga vence o Vitória e leva o troféu do ano.

O ano de 1952

               No estadual, Bahia vence o primeiro turno, Vitória ganha o segundo, e o Ypiranga o terceiro. Nas finais, já em 1953, depois de vencer o Vitória duas vezes, por 3 a 1 em ambas, o Bahia encara o Ypiranga na luta pelo título.


Em 08 de março de 1953, encara o auvinegro na finalíssima. Jogo é marcado por embate entre policiais e torcedores, depois que os guardas tentam pacificar com violência uma briga entre espectadores. Devido às vaias do público, o governador Régis Pacheco, no estádio, manda os policiais se recolherem ao quartel.

               Com a bola rolando, a decisão é equilibradíssima. Jogo só é definido em lance fortuito. No segundo tempo, Carlito chuta fraco, sem pretensão, e o goleiro Rui engole um frangaço. Com o placar de 1 a 0, Bahia é Campeão Baiano pela 13ª vez.

               Frango de Rui motiva nota oficial do presidente do Ypiranga, Vivaldo Tavares, publicada nos jornais, dias depois. Segue um trecho “Tudo foi destruído pelo nosso goleiro Rui… não fosse aquele horroroso frango, o jogo terminaria 0 a 0”.

O ano de 1954

             O Campeonato Baiano de 1954 foi a quinquagésima edição da história e teve como grande campeão o Bahia. Foram realizados três turnos e os campeões de cada turno formaram um turno extra para decidir o título do certame. A grande decisão aconteceu somente no ano seguinte, ou melhor, quase no meio do ano seguinte, pois foi no dia 30 de maio de 1955.

               O jogo foi entre Bahia e Botafogo. Neste dia o Bahia jogou com; Osvaldo, Chagas e Juvenal; Rui, Job e Raimundo; Marito, Naninho, Carlito, Ruivo e Isaltino. O jogo terminou com a vitória do Bahia por 2 a 0, gols de Naninho e Carlito. E assim, o Bahia sagrava-se campeão baiano de 1954. O Botafogo ficou vice, o Vitória em terceiro, o Ypiranga em quarto, o Galícia em quinto e o Fluminense de Feira de Santana em sexto lugar.

O ano de 1956

               O Campeonato Baiano de 1956, foi a segunda competição desse esporte mais antigo do Brasil, ficando atrás apenas do Campeonato Paulista. É realizada ininterruptamente desde 1905. E mais uma vez o Bahia estava numa final e desta vez contra o Fluminense de Feira de Santana.

              Foram necessários três partidas para se conhecer o campeão. A primeira aconteceu dia 20 de outubro e o Bahia venceu por 1 a 0, gol de Carlito. Na segunda partida do dia 4 de novembro, houve empate em 2 a 2, gols de Hamilton e Carlito para o Bahia e Eduardo e Vieira para o Fluminense. A terceira partida aconteceu dia 11 de novembro de 1956 e o Bahia venceu novamente por 2 a 0, gols de Hamilton e Meruca. 

              Neste dia o Bahia jogou com; Jair, Leone e Juvenal; Jota Alves, Vicente e Florisvaldo; Marito, Hamilton, Carlito, Otoney e Meruca. O técnico foi Ivon Oliveira. O jogo foi na Fonte Nova. O artilheiro da competição foi Zague, do Botafogo com 11 gols. O Bahia sagrou-se campeão com 20 pontos ganhos, o Fluminense ficou em segundo com 17, o Vitória em terceiro com 15, o Ypiranga em quarto com 14, o Botafogo em quinto com 12, o Galícia em sexto com 8 e o Guarani em sétimo com apenas 3 pontos ganhos.

O ano de 1958

               Assim como aconteceu no campeonato de 1954, o campeonato de 1958 também terminou no meio do ano seguinte, pois a partida final aconteceu dia 17 de maio de 1959. O jogo foi Bahia x Vitória.  O jogo terminou com a vitória do Bahia por 2 a 0.

CAMPEÃO DA TAÇA BRASIL – 1959

               Durante anos a história do futebol foi narrada de maneira equivocada, fazendo com que o Atlético-MG, Campeão Brasileiro de 1971, fosse considerado o primeiro campeão nacional. Pois a unificação dos títulos conquistados antes de 1971 faz justiça à era de ouro do nosso futebol, dando o justo reconhecimento ao Bahia como primeiro Campeão Brasileiro, com um título da Taça Brasil de 1959, conquistado sobre o esquadrão do Santos de Pelé & Cia.

               Contra a falsa malandragem de Athiê Jorge Cury e a vivacidade de Osório Vilas Boas. Contra o poderio do time do Santos e a fé no Senhor do Bonfim, a proteção do milagreiro São Judas Tadeu, as velas acesas em 365 igrejas, o rufo de atabaques de mil Candomblés, a Bahia em peso se levantou contra o Santos para ganhar a Taça Brasil de 1959. Era uma questão de honra.

               No primeiro ano da Taça Brasil, houveram 16 participantes, e o Bahia havia sido indicado como representante do Estado da Bahia, já que foi o campeão baiano de 1958. Com isso, foi habilitado a participar do certame. O tricolor não era o favorito, até porque tinha concorrentes de peso, como o Vasco de Bellini e o Santos de Pelé, Pepe e Coutinho.

               No Grupo Nordeste, o Bahia estreou contra o CSA goleando por 5×0. No segundo jogo, venceu novamente, dessa vez por 2×0, e avançou sem a necessidade de um terceiro jogo. O Ceará, que havia vencido o ABC, foi o rival no Grupo Nordeste. Após empatar em 0x0 e 2×2, venceu por 2×1 o terceiro jogo, e passou para a próxima fase.

               No Grupo Norte, o Sport se sagrou campeão, e se habilitou a disputar o título da Zona Norte contra o Bahia. (no Grupo Sul foi o Grêmio, e Grupo Leste o Atlético Mineiro). O campeão da Zona Norte enfrentaria o Campeão Carioca, e o da Zona Sul enfrentaria o Campeão Paulista. Sabendo disso, Bahia e Sport duelaram numa melhor de três. Na primeira, deu Bahia (3×2). Na segunda, deu Sport (6×0). Na terceira, o Bahia venceu por 2×0 e passou para as semifinais do torneio, para enfrentar o Vasco da Gama, campeão carioca de 1958.

               Para um time desacreditado, o Bahia até que estava indo longe no torneio. Com isso, adquiriu fôlego para enfrentar as duas pedreiras que se sucederiam. Após um triunfo para cada lado (1 a 0 para o Bahia, e 2 a 1 para o Vasco), o Bahia venceu o jogo decisivo por 1 a 0, com gol de Léo Briglia. O adversário do Bahia na final saiu do confronto entre o Grêmio (vencedor da Zona Sul) e o Santos (campeão paulista de 1958). O time de Pelé passou fácil pelo time gaúcho, o que aumentou seu favoritismo em detrimento do favoritismo do time baiano. Sendo assim, a decisão da Taça Brasil de 1959 seria entre Santos Futebol Clube e Esporte Clube Bahia.

                 O vencedor da decisão seria o primeiro participante brasileiro na Libertadores da América (a Taça Brasil foi criada para indicar um Campeão Brasileiro que iria representar o País na competição continental).

                O Santos achando que o titulo seria decidido em duas partida, programou uma temporada pelo exterior para logo após a decisão da Taça Brasil. O clube paulista era poderoso, tinha Pelé, ganhador de muitos títulos e o grande favorito da competição. Entretanto, já no primeiro jogo realizado na Vila Belmiro, dia 10 de dezembro de 1959, o Bahia mostrou que pensava seriamente no titulo.

              O Santos marcou logo 2×0, gols de Pelé e Pepe. Foi quando veio a reação que ninguém esperava. O Bahia venceu por 3×2 com um gol de Alencar assinalado em cima da hora. O Bahia jogou desfalcado de seu goleiro, o Nadinho, que não pode entrar em campo na primeira partida, realizada na Vila Belmiro. Nadinho era estudante de Direito e no dia do jogo teve uma prova importante.

               Depois daquela belíssima vitória, o favoritismo mudou de lado, e a festa estava preparada em Salvador. Estava certo de que aquele ano novo na Bahia seria especial. Porém, a euforia transpôs a calma, e no dia 30 de dezembro o Santos, na Fonte Nova, o Santos jogou muita bola, mesmo com o time baiano jogando muito bem.

               Acontece que neste jogo, Pelé estava num dia de genialidade comum e esmagou a defesa do Bahia. O Santos venceu por 2×0, gols de Pelé e Pepe. Naquele tempo não havia saldo de gols, prorrogação ou disputa por pênaltis. A diretoria do Santos não quis jogar o terceiro jogo em Salvador e exigiu um campo neutro. A CBD atendeu.

               A segunda partida deveria ter jogada no dia 30 de dezembro. O Santos argumentou que não tinha datas disponíveis. A CBD manteve o jogo para a data programada. Foi então que o presidente do Bahia, Osório Vilas Boas entrou na jogada.

               Psicologicamente, seu time não estava nada bem depois da derrota em Salvador. A temporada do Santos no exterior iria desgastar a equipe paulista. O Bahia teria tempo para se refazer. Por isso, concordou com o Santos e fez a CBD aceitar uma outra data: 29 de março, no maracanã.

               O Santos voltou de uma excursão arrebentado, pois o time vinha atuando de dois em dois dias. Pelé voltou com as amígdalas inflamadas e teve de fazer uma operação, o que o impediu de disputar o jogo final. Pelo Bahia, o técnico Gêninho era policial e apenas podia comandar o time quando estava de licença. Por ser chamado de volta ao quartel, foi substituído por um argentino chamado Carlos Volante.

               Na noite de 29 de março de 1960, o maracanã recebe um bom publico, quase todos torcendo pelo Bahia que entrou em campo com Nadinho. Beto. Henrique. Vicente e Nezinho. Flavio e Mario. Marito. Alencar. Léo e Biriba. O Santos jogou a final com Lalá. Getulio. Mauro. Formiga e Zé Carlos. Zito e Mario. Dorval. Pagão. Coutinho e Pepe. O carioca Frederico Lopes foi o juiz.

               O início do jogo era igual, mas foi o Santos quem abriu a contagem através de Coutinho aos 27 minutos de jogo. Dez minutos depois, o Bahia empatou com Vicente cobrando uma falta da intermediária. Nessas alturas, os baianos dominavam o jogo e os santistas demonstravam um cansaço com pouca disposição para disputar as bolas divididas.

               No primeiro minuto do segundo tempo, Léo marcou o segundo gol do Bahia. O Santos se desesperou. Coutinho tentava romper a defensiva dos baianos, mas tinha a marcação de Vicente em todas as partes do campo. O treinador Lula ainda tentou Tite no lugar de Pagão, mas não deu certo. Aos 24 minutos o juiz expulsou Getulio. Formiga reclamou exageradamente e também expulso. Aí o Santos começou a apelar.

               Aos 32 minutos, Coutinho agrediu Nezinho e foi colocado para fora. Vicente deu um soco em Coutinho e também foi obrigado a sair. Perdido por dois, perdido por mil, os santistas resolveram parar os baianos no pau. A policia entrou em campo e esfriou os ânimos. O juiz Frederico Lopes expulsou outro santista. Dorval deu um tapa em Henrique e também saiu mais cedo.

               Aos 37 minutos, Alencar sacramentou a vitória, driblando o goleiro e marcando o terceiro do time Baiano. A festa já tinha começado na Bahia de todos os santos. Era também a vitória da malícia de Osório Vilas Boas que se impunha contra à pretensão de Atiê Jorge Cury. O dirigente do Santos, antes da decisão, havia enviado um telegrama ao San Lorenzo de Almagro, da Argentina, propondo datas e locais para os dois jogos pela Taça libertadora. Só que o San Lorenzo jogou mesmo foi contra o Esporte Clube Bahia, o campeão da primeira Taça Brasil. Para ser campeão, o Bahia jogou quatorze vezes. Venceu nove, empatou duas e perdeu três. O Bahia teve também o artilheiro da competição, que foi o atacante Leo Briglia.

               Em 29 de março de 1549 Tomé de Souza fundava Salvador, 411 anos depois, em 29 de março de 1960, o Esporte Clube Bahia se sagrava o 1° Campeão Brasileiro de Futebol, confirmando a vocação de terra primaz que a Bahia possui, como já cantou Gilberto Gil em Toda Menina Baiana. O Bahia ganhou a 1° Taça Brasil, referente ao ano anterior, 1959, pela qual o time campeão seria o único clube brasileiro a representar o país na Taça Libertadores da América, que também teria sua primeira edição.

Década de 60

               A Taça Libertadores de 1960 não foi muito boa para o Tricolor, mas serviu para apresentar ao clube um de seus maiores ídolos nos próximos anos. O tricolor perdeu o primeiro jogo por 3 a 0 para o San Lorenzo, da Argentina, com uma exibição impecável de José Sanfilippo. No jogo de volta, o Bahia venceu por 3 a 2, mas foi eliminado. Sanfilippo chegaria somente em 1968 no clube, mas faria história.

               Em 1960, o Bahia iniciou uma série de conquistas sucessivas no estadual. Logo após sua saída da Taça Libertadores, iniciou-se o Campeonato Baiano daquele ano. E o tricolor foi arrasador no primeiro turno, perdendo apenas 1 jogo para o Ypiranga por 4 a 3. Como empatou em pontos com o próprio alvinegro, houve um jogo-desempate para definir o campeão do primeiro turno. E o Bahia acabou perdendo por 2 a 0.

               Recuperando-se da perda, o Tricolor venceu o segundo turno de forma invicta, vencendo os 8 jogos, incluindo os clássicos (Clássico das Cores, Clássico das Multidões, Clássico do Pote, Ba-Vi). Na decisão, o Bahia venceu os 2 jogos contra o Ypiranga e sagrou-se campeão baiano de 1960.

               A perda do Torneio Início em 1961 para o Vitória não abalou o clube, que deu o troco no estadual, faturando o bicampeonato. O momento era tão bom que o Tri veio logo no ano seguinte: apesar da perda do Torneio Início para o Botafogo, o Bahia venceu com sobras o Baiano de 1962, novamente em cima do rubro-negro.

               A sequencia de títulos do Tricolor de Aço, contudo, foi interrompida em 1963. O Ypiranga venceu o Torneio Início, e no estadual o Fluminense de Feira surpreendeu e, com um bom time, venceu o campeonato baiano. O estadual só foi retomado pelo Bahia na edição de 1967, vencendo o Galícia.

               Na Taça Brasil, o Bahia acabou chegando as finais de 1961 e 1963, perdendo ambas para o Santos. Ficou de fora das edições de 64, 65, 66 e 67, por conta da perda dos estaduais nos anos anteriores. A reconquista do estadual em 1967 fez o Bahia retornar ao torneio nacional em 1968.

Década de 70

               Os anos 1970 foram de pura glória para o Bahia. O tricolor iniciou a montar elencos cada vez mais competitivos, e começou a peitar não somente os clubes da Bahia, como também os demais clubes do Brasil. O início do novo Campeonato Brasileiro (reformulação da antiga Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa) aliado ao grandioso momento do clube levou a sua forte expressão no cenário nacional.

               Em 1970, o Bahia venceu o primeiro turno, e o Itabuna o segundo. Nas finais, o Tricolor superou o Itabuna por duas vezes (3×0 e 6×0), e sagrou-se campeão. Neste ano, o então ídolo Sanfilippo e uma então promessa, o jovem Baiaco foram os destaques. Além deles, o goleiro Picasso também entraria pra galeria de ídolos do clube. Para muitos, ele, embora tenha permanecido apenas um ano no clube, é um dos grandes goleiros que atuaram no clube.

               O bicampeonato viria no ano seguinte, com o surgimento para a torcida de mais dois ídolos do clube, como Sapatão e Roberto Rebouças. Aos poucos o Bahia ia montando um time que encantaria os amantes de futebol. Ainda este ano, Eliseu Godoy chegaria pela terceira vez ao Bahia, dessa vez para se eternizar como ídolo do clube.

               Em 1972, embora o Bahia tenha vencido o primeiro turno, o Vitória venceu o segundo turno e levou a disputa a um jogo final, que após empate em 0 a 0, o rubro-negro venceu nos pênaltis. O que parecia ser o fim da sequencia de títulos no Tricolor, na verdade, foi o estopim para a sequência histórica e inédita no futebol baiano.

              Em 1973, o tricolor se classificou para um quadrangular final com o Vitória, Leônico e Atlético de Alagoinhas. Neste, o clube de Alagoinhas se sagrou vencedor, faturando o primeiro turno e chegando a decisão. Na segunda fase, o quadrangular foi composto, além do Bahia, por Vitória, Botafogo e Atlético de Alagoinhas.

              Quando se imaginou que o clube do interior faturaria o primeiro turno, eis que o Bahia vence de modo invicto o quadrangular, e vence segundo turno, se classificando a final. De modo brilhante, o tricolor foi soberano e venceu o Atlético de Alagoinhas por 2 a 0, vencendo o Baianão de 1973. Neste ano, o Esquadrão de Aço revelou para o futebol um de seus ídolos: Alberto Leguelé.

               No triênio 197419751976, o tricolor se reforçou com jogadores até então pouco conhecidos, mas que se tornariam alguns dos maiores ídolos do clube, como Beijoca (1975), por exemplo, e viu outros jogadores como Douglas, e Fito Neves se destacarem cada vez mais. A campanha do Bahia no Campeonato Baiano de 1975 mostrou exatamente a supremacia do tricolor: o Bahia venceu os dois turnos, e de modo invicto.

               Nesse mesmo período, Beijoca marcou a maioria dos seus 106 gols feitos pelo clube. Nesse triênio, para variar, o Bahia foi campeão baiano em todas as edições, e nas três venceu o Vitória na decisão. Em 1977 e 1978, o Bahia foi campeão baiano em cima do Botafogo e Leônico, respectivamente.

               Aos poucos, o penta e o consequente hexacampeonato foram aumentando a força do Bahia, comprovando a tradição e fazendo jus ao apelido lendário do clube de “Esquadrão de Aço”. O título de 1979, por sua vez, foi histórico pelo modo que o Bahia o conquistou. O Vitória montou um time destinado a quebrar a sequência triunfante do Bahia, trazendo atletas como Gelson Fogazzi Rocha, Xaxa, Sena e Jorge Campos.

               Já o Bahia havia perdido Jésum e Beijoca, mas se reforçou com Gilson Gênio. Como o rubro-negro obteve a melhor campanha, chegou nas finais com vantagem. O tricolor venceu o primeiro jogo, e empatou o segundo. A vantagem deu ao rival um jogo extra, onde o empate lhe favorecia.

               Ao Bahia restava vencer, e eis que, no segundo tempo, com a torcida rubro-negra eufórica, o meia Fito Neves arrisca um chute de longe, e o goleiro Gélson comete um erro histórico, até hoje lembrado pelos torcedores presentes na época. O Bahia venceu por 1 a 0, calou a torcida rival, e fez a festa: Bahia Heptacampeão.

CAMPEÃO  BRASILEIRO  DE  1988

               Um resumo dos dias de glória. Ser campeão de todas as categorias na Bahia já não tinha graça. O Bahia precisava do título nacional, o segundo da sua história repleta de glórias e vitórias impossíveis.

               A mística do gol salvador em cima da hora, do resultado difícil fora de casa, da virada inacreditável, do amor à camisa acima de tudo, prevaleceu e encantou todo o Brasil. Foi o mais inesquecível de todos os títulos e vai ficar para sempre na lembrança da nação tricolor. Uma homenagem aos torcedores que nunca deixaram de acreditar nesse sonho.

               A campanha do tricampeão estadual começou dia 2 de setembro de 1988, numa Sexta-feira à noite, com um enjoado empate de 1×1 com um pequeno Bangu na Fonte Nova. Renato fez um lindo gol aos 30 minutos, depois de amortecer a bola com categoria e chutar forte, sem chance para o goleiro Palmieri. O Bahia recuou e cedeu o empate através de André Luis, aos 20 minutos do segundo tempo, levando a partida para os pênaltis. Ganhou de 6×5 e marcou os primeiros dois pontos da longa estrada rumo a classificação.

               Neste dia o técnico Evaristo de Macedo mandou a campo os seguintes jogadores; Ronaldo, Tarantini, João Marcelo, Pereira, e Paulo Robson; Gil, Zé Carlos e Bobô; Osmar, Renato e Sandro.

               No dia da Independência, 7 de setembro, o Bahia enfrentou seu freguês de meia centena de partidas, o Vitória, tradicional adversário. Uma falha do zagueiro Estevam, que jogou no próprio Bahia, provocou a entrada livre de Bobô, que tocou na saída de Borges, apara fazer o único gol da partida, o primeiro triunfo do campeão brasileiro no tempo normal.

              Evaristo de Macedo colocou no time o ex-junior Dico para atuar avançado, pedindo a Renato que caísse pela direita do ataque. Osmar jogou no meio campo junto com Bobô e o Bahia não agradou tanto a torcida, vencendo muito mais pela incompetência do adversário que por seus próprios méritos.

               Dia 10 de setembro o Bahia faz sua estreia fora de casa, a qual revelou-se um grande e frustrante fracasso, gerando reações na crônica esportiva e na torcida. Numa tarde de Sábado, o time foi goleado pelo Fluminense pôr 3×0 no Maracanã e voltou a Salvador de cabeça baixa, questionado pôr todos, que passaram a cobrar principalmente do atacante Osmar, esquecido do caminho das redes no campeonato. Edinho aos 27 minutos do primeiro tempo, Washinton aos 17 e Rangel aos 29 do segundo tempo, encheram a mala do goleiro Ronaldo com três gols, pouco para a superioridade do Flu.

          Preocupado com o poderio do adversário, Evaristo exagerou no esquema defensivo. Colocou Sales, que tem facilidade no desarme, e Gil, outro volante, armando o meio campo com Bobô e Zé Carlos. Osmar, isolado na frente, e Sandro, sumiram do jogo, levando a culpa pelo fracasso.

               Durante a semana seguinte ao fiasco do Flu, Evaristo consertou os erros para enfrentar outra equipe do Rio, o poderoso Flamengo no dia 18 de setembro, na Fonte Nova. E nada como uma vitória sobre o Flamengo, nem que pôr apenas 1×0, para a torcida sorrir de novo.

             Desta vez, Evaristo de Macedo preferiu o mais simples e resolveu não inventar. Colocou apenas Gil de volante e deu outra chance a Renato no comando do ataque. Depois do gol de cabeça de Bobô, o Bahia teve outras oportunidades de marcar, mas o placar permaneceu inalterado.

              A vitória sobre o Goiás, dia 25 de setembro, parecia garantida. Zé Carlos e Sandro abriram vantagem de 2×0 ainda no primeiro tempo. O retrospecto prova que dificilmente o Bahia deixa escapar um triunfo quando começa a vencer uma partida. Só que ninguém nos avisou que o Goiás poderia receber um imenso apoio da torcida no Serra Dourada e empatar a partida em 2×2, o que levou o jogo aos pênaltis e deu a vitória ao Goiás por 4 a 2.

              Dia 2 de outubro, o Bahia começou o jogo com um empate de 1 a 1 em pleno Mineirão, diante da imensa torcida do Atlético Mineiro. A partida acabou indo para os pênaltis e, dessa vez, o Galo não deixou por menos e marcou 4×1. O tricolor voltou para Salvador com a confiança da torcida abalada, mas satisfeito com o ponto conquistado. O único gol do Bahia marcado no tempo regulamentar foi de Zé Carlos aos 30 minutos do segundo tempo.

               No dia 9 de outubro o Bahia recebeu o Sport, adversário da 2ª fase, em casa, com toda a sua torcida, mas não fez um bom espetáculo. O time jogava devagar e os torcedores, insatisfeitos, começaram um imenso coro de vaias ao técnico. A partida terminou empatada em 1×1 no tempo regulamentar e a decisão foi para os pênaltis. O gol do Bahia foi anotado por Sandro, aos 22 minutos do primeiro tempo. Nos pênaltis o Bahia venceu por 5 a 4.

               Pressionado pela torcida, chateada com um péssimo futebol, o Bahia caminhava para um empate sem graça, de 0x0 com o atlético Paranaense, na Fonte Nova, quando Renato abriu o placar, aos 29 minutos do 2º tempo. Logo depois, Zé Carlos tranqüilizou a torcida com o 2º gol. E assim terminava o jogo com a vitória do Bahia por 2 a 0. Evaristo foi quem ganhou o jogo: colocou Renato, autor do 1º gol, no lugar do lento Osmar. Este jogo aconteceu dia 16 de outubro.

              O Bahia teve uma tarde feliz naquele dia 22 de outubro, um sábado, no Morumbi. Bobô deu o primeiro passo para uma importante vitória sobre o São Paulo, fazendo 1×0 logo aos 11 minutos. Zé Carlos garantiu a vitória fazendo 2×0, que deixou o tricolor baiano na 2ª colocação do grupo B, atrás apenas do Vasco.

              Um chute violento de Pereira, em cobrança de falta aos 27 minutos do segundo tempo, transformou o zagueiro em herói da vitória de 1×0 sobre o Palmeiras do lateral-direito Zanata, ex-ídolo do tricampeão baiano. Mais uma vez o Bahia se mostrou eficiente na defesa, bem protegido pelo sólido meio campo. O Palmeiras trouxe a Salvador uma boa equipe, com destaque para o baiano Lino. Este jogo aconteceu dia 30 de outubro.

               No dia 6 de novembro, veio uma ducha de água fria nas pretensões do Bahia, a qual foi provocada pôr um centroavante desconhecido que, de um momento para o outro, transformou-se em artilheiro e principal revelação da Copa União. Nilson fez três gols, todos no 2º tempo, e aplicou a goleada do Internacional em cima do tricolor no estádio Beira Rio. Quem iria imaginar que, alguns meses depois, o mesmo Bahia voltaria ao beira Rio para enfrentar o Inter em circunstâncias bem diferentes?

               Dia 9 de novembro, uma quarta feira à noite, todo torcedor do Bahia virou Goiás desde criancinha, já que o tricolor dependia, além de seu próprio mérito no jogo contra a Portuguesa, de uma derrota do Grêmio diante do Goiás. A classificação teve que ser adiada. O Grêmio venceu de 2×0 e o Bahia não passou de um morno 0x0 contra a Lusa.

               O Bahia largou bem no 2º turno, ao derrotar o Cruzeiro pôr 2×1 na Fonte Nova no dia 13 de novembro. A Camisa Nove continua sendo o grande grilo do Bahia. Renato começou a partida, Osmar entrou depois e nenhum dos dois foi capaz de marcar. Zé Carlos abriu o placar aos 23 minutos do primeiro tempo. A torcida levou o maior susto quando o cruzeiro conseguiu empatar quinze minutos depois.  Mas, aos 3 minutos da etapa complementar, Sandro desencantou e fez o gol da vitória baiana por 2 a 1.

               Dia 16 de novembro, uma quarta feira à noite, um empate sem gols com o vasco, bicampeão do Rio e já garantido na 2ª fase. Bobô perde um pênalti decisivo, depois do tempo normal e o Bahia teve que se contentar com apenas 1 ponto. Se bem que empatar com o Vasco, que tinha uma grande equipe, e ainda pôr cima na casa do adversário, não é considerado um mau resultado. No pênaltis, o Vasco venceu por 5 a 3.

               Continuando o giro pelo sul do país, o Bahia foi a Campinas, dia 20 de novembro, um domingo e terminou empatando a partida em 0x0 e foi feliz nos pênaltis, ganhando de 4×3. A partida não teve predomínio de nenhuma das equipes. Os goleiros Sérgio Néri e Sidmar estiveram maravilhosos, enquanto os atacantes não acertavam a direção do gol.

              O Bahia voltou a Salvador com a responsabilidade de marcar pontos para candidatar-se a uma vaga. Dia 24 de novembro, pressionou o Botafogo durante toda a partida e, no final, comprovou o velho ditado “quem não faz, leva”. Perder para o Botafogo em plena Fonte Nova, quando a obrigação do Bahia era fazer três pontos foi a gota d’água para a torcida tricolor, que invadiu os vestiários para expor a sua revolta. O centroavante Renato levou a pior: Humilhado, pediu para deixar o clube. A derrota acabou sendo um mal que veio para o bem: na partida seguinte, o garoto Charles entrava no time para dar outro dinamismo ao ataque do Bahia. O único gol da partida foi anotado por Carlos Magno aos 42 minutos do segundo tempo.

               A torcida tirou Renato na marra e o Bahia cresceu de produção. Encarou o Corinthians, que vinha bem no 2º turno e foi superior. O veloz Marquinhos substituiu Bobô e Charles entrou no lugar de Sandro nos últimos 15 minutos de jogo. O anjo fez uma belíssima jogada e marcou um dos gols mais bonitos da rodada. Os gols foram anotados por Pereira aos 29 e Charles aos 45, ambos no segundo tempo. Bahia 2×0 Corinthians. Este jogo foi realizado na Fonte Nova dia 27 de novembro.

              O esquecido Charles, baiano de Itapetinga, estava disposto a ganhar a posição. Em Criciúma o Bahia teve muitos problemas em levar para casa os três pontos. O time da casa caminhava para o rebaixamento e não podia perder de jeito nenhum. Porém, graças a uma esquisita jogada de Charles, a vitória tricolor foi definida aos 23 minutos do 2º tempo. Este jogo aconteceu no estádio Heriberto Hulse, em Criciúma no dia 1 de dezembro de 1988.

              O Bahia estava de novo firme no páreo e foi à Curitiba enfrentar um concorrente direto. Precisando de mais uma vitória para continuar na luta, o Bahia se deu mal ao perder do Coritiba. Disputando palmo a palmo uma vaga para as quartas-de-final, o tricolor voltou para Salvador com apenas uma alternativa: vencer, para passar para a próxima fase. Este jogo foi dia 4 de dezembro no estádio Couto Pereira, em Curitiba e o Coxa venceu por 2 a 0, gols de Chicão aos 47 minutos do primeiro tempo e aos 12 da segunda etapa.

               A volta de Sócrates, jogando no Santos, motivou o público a comparecer à Fonte Nova para ver o Bahia enfrentar o mesmo adversário da decisão da Taça Brasil de 1959. E o Bahia voltou a vencer, com uma gloriosa goleada de 5×1. O jogo foi dia 7 de dezembro e os gols do Bahia foram anotados por Zé Carlos (2), Charles, Marquinhos e Cássio contra. Para o Santos marcou Sócrates.

               Ninguém poderia segurar o Bahia. Nem mesmo o Grêmio, tetra campeão gaúcho, garantido nas quartas-de-final. O Bahia confirmou a condição de um dos candidatos a uma vaga para a próxima fase. O time jogou um grande futebol, com um toque de bola rápido e envolvente. O ataque voltou a funcionar com Charles de centroavante e Marquinhos, na ponta esquerda. O tricampeão baiano venceu fácil e mostrou que tinha time para chegar às finais. O jogo foi dia 11 de dezembro e o Bahia venceu por 3 a 1.

               Depois o Bahia perdeu para o Santa Cruz por 2 a 1 no dia 14 de dezembro e venceu o América carioca por 2 a 1 no dia 18 de dezembro. Com estes resultados o Bahia estava classificado para as quartas-de-final. E o Bahia fez sua estreia no dia 29 de janeiro diante do Sport de Recife dia 29 de janeiro e empatou em 1 a 1. No segundo jogo que aconteceu três dias depois tivemos novo empate, desta vez em 0 a 0. Com isto, o Bahia estava na semi-final.

               Na semi-final o adversário era o Fluminense carioca. O primeiro jogo foi no dia 9 de fevereiro e terminou empatado em 0 a 0. O segundo jogo foi dia 12 na Fonte Nova, que recebeu um público extraordinário naquele dia, 110.438 espectadores e o Bahia venceu por 2 a 1, gols de Bobô e Gil, enquanto que Washington marcou para o Flu. Com estes resultados, o Bahia estava na grande final, que seria contra a fortíssima equipe do Internacional, que já havia vencido o Bahia na fase anterior por 3 a 0.

               Para chegar a esta final, o Internacional enfrentou seu maior rival na semi-final. O primeiro jogo que foi realizado no estádio Olímpico, terminou empatado em 0 a 0. O segundo jogo foi no dia 12 de fevereiro no estádio Beira Rio e Inter venceu por 2 a 1, com dois gols de Nilson, enquanto que Marcos Vinícios marcou para o Grêmio.

A Grande Final:  Bahia x Internacional

               O primeiro jogo foi dia 15 de fevereiro de 1989, na Fonte Nova, que neste dia recebeu um público de 90.508 espectadores. O árbitro da partida foi Romualdo Arppi Filho. O Internacional abriu o placar através de Leomir aos 19 minutos da etapa inicial. Ainda no primeiro tempo o Bahia empatou através de Bobô. Aos 5 minutos do segundo tempo, Bobô marcou o segundo gol do Bahia e assim terminou o jogo, Bahia 2×1 Internacional. Neste jogo o jogador Nenê do Inter foi expulso aos 38 minutos da etapa final.

                O jogo de volta aconteceu dia 19 de fevereiro de 1989 no estádio Beira Rio, que recebeu um público de 79.598 espectadores. O árbitro da partida foi Dulcídio Vanderlei Boschilia. Para esta partida o técnico Evaristo de Macedo mandou a campo os seguintes jogadores; Ronaldo, Tarantini, João Marcelo, Claudir (Newmar) e Paulo Robson; Paulo Rodrigues, Zé Carlos e Bobô (Osmar); Gil, Charles e Marquinhos. Do outro lado, o técnico Abel Braga do Inter escalou a seguinte equipe; Taffarel, Luiz Carlos Winck, Aguirregaray, Norton e Casemiro; Norberto, Luiz Carlos Martins e Luiz Fernando Flores; Maurício (Heider), Nilson e Edu Lima (Diego Aguirre).

               O Bahia montou um forte esquema defensivo e segurou o placar até o final do jogo, pois sabia que o empate já lhe bastava para sagrar-se campeão brasileiro de 1988. E foi isto que aconteceu. Bahia 0x0 Internacional.

               Para chegar ao tão cobiçado título, o Bahia jogou 29 vezes, venceu 13, empatou 4 e perdeu 5. O regulamento da competição previa cobrança de pênaltis nos jogos das fases classificatórias que terminassem empatados. Destes, o Bahia venceu quatro e perdeu três. O time fez 33 gols e sofreu 23. O triunfo no tempo normal valia três pontos. Nos pênaltis, dois. O Esquadrão de Aço fez 52 pontos.

               O Bahia teve a maior renda da competição e ficou com a segunda melhor media de público, atrás apenas do Flamengo – 26.529 pessoas. O jogo do Bahia que atraiu mais torcedores foi a semifinal contra o Fluminense, na Fonte Nova, assistida por mais de 110 mil pessoas – a maior plateia do estádio em todos os tempos.

               A partir da conquista inédita, o Bahia passou a utilizar duas estrelas douradas acima do seu distintivo – alusivas aos títulos da Taça Brasil, em 1959, e do Brasileirão de 1988. O título credenciou o Bahia a disputar sua terceira Taça Libertadores da América.

               Foram campeões – os goleiros Ronaldo, Sidmar e Rogério; os laterais Tarantini, Maílson e Edinho; os zagueiros João Marcelo, Claudir, Pereira e Newmar; os meias Paulo Rodrigues, Gil, Bobô, Sales e Zé Carlos; e os atacantes Renato, Osmar, Charles, Marquinhos, Dico e Sandro; além do técnico Evaristo de Macedo. O clube era presidido à época por Paulo Maracajá.
Zé Carlos, com nove gols, foi o artilheiro do Bahia no Campeonato. Bobô foi o vice, com sete. Três jogadores do Bahia fizeram parte da Seleção do
Brasileiro elaborada pela revista Placar, e ganharam a Bola de Prata – Pereira, Paulo Rodrigues e Bobô. A média do goleiro Ronaldo (7,38) foi maior que a do Bola de Ouro Taffarel (7,37). O arqueiro tricolor só não levou o prêmio máximo porque disputou 11 partidas – uma a menos do que o mínimo exigido pelo regulamento da revista para concorrer ao troféu.

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