JULIO CÉSAR: titular da nossa seleção na Copa de 1986

                 Júlio César Silva nasceu dia 8 de março de 1963, na cidade de Bauru – SP. Foi um dos melhores zagueiros do futebol brasileiro nos anos 80 e também nos anos 90. Infelizmente sua carreira ficou marcada por ter desperdiçado um pênalti (mandou a bola na trave) contra a França, na Copa de 1986, disputada no México. Mesmo assim, foi eleito pela Fifa, como melhor zagueiro daquele mundial. Júlio César fez muito sucesso jogando na Europa, onde jogou no Montpellier da França, onde sagrou-se campeão da Copa da França, jogou na Juventus da Itália, onde foi campeão da Taça UEFA em 1993, e também jogou no Borussia Dortmund da Alemanha, onde foi campeão alemão da Liga dos Campeões da UEFA e do Mundial Interclubes em 1997. Depois que encerrou a carreira passou a trabalhar como consultor de jogadores brasileiros para seu ex-clube alemão, o Borussia Dortmund. Chegou a ser anunciado como treinador do Rio Branco de Americana para dar sequência do Campeonato Paulista da Série A-2.   

GUARANI F.C.

                 Iniciou sua carreira profissional em 1979, nas categorias de base do Guarani de Campinas, onde jogou ao lado de Gilson Jáder e Wilson Gottardo. Logo se destacou e não demorou muito tempo para ganhar chance na seleção. Em 1981 a equipe bugrina era formada por Wendell, Mauro, Jaime, Edson e Almeida; Júlio César, Ângelo e Jorge Mendonça; Lúcio, Careca e Hernani Banana. O técnico era Zé Duarte. Esta foi a equipe que empatou com o Corinthians em 1 a 1 no dia 5 de novembro de 1981. Os gols desta partida foram anotados por Sócrates cobrando pênalti e Careca. Júlio César jogou sua última partida como jogador do Guarani em 20 de julho de 1986, pelo Bugre jogou 247 jogos e marcou 11 gols.

SELEÇÃO BRASILEIRA

                Defendia o Guarani, quando foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira. Em 1981 chegou a titularidade, só que como volante, em 1982 voltou para a zaga, em 1986 chegou a Seleção Brasileira estreando no amistoso contra a Alemanha Oriental na vitória do Brasil por 3 a 0. Graças à sua regularidade na zaga central, foi convocado por Telê Santana para a Copa do Mundo de 1986, tendo sido titular absoluto do time que disputou a competição no México. O Brasil estreou diante da Espanha e venceu por 1 a 0, gol de Sócrates.

                Depois enfrentou a Argélia e também venceu por 1 a 0, gol de Careca. Fechando o seu grupo venceu a Irlanda do Norte por 3 a 0, gols de Careca (2) e Josimar. Veio as oitavas-de-final e mais uma vitória, desta vez sobre a Polônia por 4 a 0, gols de Sócrates, Josimar, Careca e Edinho. Até que chegou o dia 21 de junho de 1986, quando o Brasil iria enfrentar a França pelas quartas-de-finais. O jogo foi no estádio Jalisco, em Guadalajara, um estádio onde tivemos grandes alegrias na Copa de 70.

                Neste dia o Brasil jogou com; Carlos, Josimar, Júlio César, Edinho e Branco; Elzo, Alemão, Júnior (Silas) e Sócrates; Muller (Zico), Careca. O Brasil abriu o placar aos 16 minutos de partida através de Careca. Mas, aos 41 ainda da primeira etapa a França empatou através de Platini. E assim terminou a partida empatada em 1 a 1. Veio a prorrogação e o placar não foi alterado, mesmo o Brasil tendo uma oportunidade através de Zico que desperdiçou um pênalti.

               Como precisava haver um vencedor, vieram as cobranças de pênaltis. Sócrates cobrou e Bats defendeu. Stopyra bateu e marcou para os franceses. Alemão empatou. Amoroso desempatou para a França. Zico voltou a empatar. Bellone voltou a colocar a França na frente. Branco voltou a empatar para o Brasil. Platini desperdiçou e com isto estava tudo empatado, tanto no placar 3 a 3 como no número de cobranças. Veio então o zagueiro Júlio César e não converteu para o Brasil, chutando a bola na trave. Era a última cobrança dos franceses, se marcasse estariam classificados, caso contrário, começaria uma nova etapa de cobranças.

               Foi ai que aconteceu algo inusitado, Fernandez chutou no canto esquerdo de Carlos. A bola explodiu na trave e voltou nas costas do goleiro que, caído, nada pôde fazer para evitar a eliminação do time comandado por Telê Santana. A bola atravessou a linha lentamente em direção às redes, decretando o fim da campanha brasileira em território mexicano. Júlio César jogou 14 jogos com a camisa verde e amarela, obtendo 10 vitórias, com 2 vitórias e 2 derrotas. Marcou somente um gol.

OUTRAS EQUIPES

               Após a Copa Júlio César foi vendido para o futebol francês, onde ficou por tres anos. Depois foi jogar no futebol italiano onde também ficou por tres anos. Depois foi para o futebol alemão, onde ficou até 1998, ano em que voltou ao Brasil para defender as cores do Botafogo do Rio de Janeiro, que na época tinha o seguinte time; Wagner, Wilson Goiano, Grotto, Júlio César e Hamilton (Zé Carlos); Bruno Quadros, Pingo, Fábio Augusto e Sérgio Manoel; Felipe (Leo) e Túlio. O técnico era Paulo Autuori. Esta foi a equipe que perdeu para o Corinthians no dia 15 de agosto de 1998 por 1 a 0, gol de Marcelinho Carioca. Este jogo foi válido pelo Campeonato Brasileiro daquele ano.

               Em 1999 Júlio César foi jogar no Panathinaikos, da Grécia, onde ficou um ano. Depois voltou para a Alemanha para defender o Werder Bremen e finalmente retornou ao Brasil para defender o Rio Branco de Americana, onde teve uma rápida passagem e encerrou sua brilhante carreira. Júlio César era tão respeitado no futebol alemão que em 2005 teve um jogo de despedida realizado pelo Borussia Dortmund. Vários craques de diversas partes do mundo participaram da partida em sua homenagem.

               Apesar de preterido na Copa seguinte, a de 1990, Júlio César tinha enormes chances de disputar a de 1994, quando, atuando pela Juventus, era tido como um dos melhores defensores do mundo. No entanto, na disputa da US Cup, no ano anterior ao Mundial, o jogador teve, na concentração antes de um dos jogos da Seleção, seus pertences roubados no hotel. Chateado com a CBF, que não se responsabilizou pelo acontecimento, Júlio César acabou deixando a Amarelinha e viu, com isso, naufragarem as suas possibilidades de se tornar tetracampeão. Numa entrevista Júlio César disse: “Não joguei mais por causa disso mesmo. Tive um prejuízo muito grande com aquilo e não fui reparado. Vi que não tinha mais porque permanecer depois daquilo. Mas eu queria ter participado mais da seleção brasileira. Só que me roubaram, foi um valor significativo. Já se passaram muitos anos e não gosto de ficar lembrando”.

Copa de 1986 – Em pé: Sócrates, Josimar, Júlio César, Edinho, Branco e Carlos. Agachados: o massagista Nocaute Jack, Muller, Júnior, Careca, Alemão, Elzo e o roupeiro Ximbica
Guarani em 1983    –     Em pé: Sidmar, Júlio César, Wilson Gottardo, Chiquinho, Toninho, Almeida, um dirigente e José Carlos Queiroz (preparador físico)    –   Agachados: Lúcio, Vilson Taddei, Luís Muller, Everton e Hernani Banana
Guarani em 1982   –   Em pé: Wendell, Jaime, Julio César, Ariovaldo, Edson e Almeida   –    Agachados: Lúcio, Hernani Banana, Careca, Jorge Mendonça e Capitão
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