WALDIR PEREZ: o terror dos atacantes

                    Waldir Perez Arruda nasceu dia 2 de janeiro de 1951, na cidade de Garça (SP).  Muito antes de Taffarel, Dida e Marcos se consagrarem como grandes defensores de pênaltis, um goleiro, lá na década de 70, já era o grande pesadelo dos atacantes quando a bola era colocada na marca da cal.  Catimbeiro, mas acima de tudo muito competente, Waldir Perez escreveu seu nome na história do futebol brasileiro como um dos grandes jogadores de sua posição ao se tornar quase que imbatível nas penalidades máximas.  Não foi nem uma, nem duas vezes que o carequinha jogador, nascido no interior paulista, fez a alegria de muitos torcedores. Só pelo São Paulo, clube que defendeu por 11 anos, Waldir Perez foi o responsável direto por dois títulos: o Campeonato Paulista de 1975 e o Campeonato Brasileiro de 1977.  A  fama  de  pegador de  pênaltis  também foi fundamental para ele se firmar como goleiro titular da seleção brasileira.   

INÍCIO DE CARREIRA

                   Começou sua carreira de goleiro jogando pelo Garça Futebol Clube com 16 anos. Em 1969 a Ponte Preta conquistou o acesso para a primeira divisão de forma invicta. Em seu elenco a “macaca” já contava com os ótimos goleiros Piveti e Wilson Quiqueto. Mesmo assim, um amistoso disputado em Araraquara mudou o curso da história. O Garça vencia a Ferroviária de Araraquara no Estádio da Fonte Luminosa pela contagem mínima. Apesar dos esforços da ótima linha de ataque do time grená, a bola sempre parava nas mãos do goleiro Waldir Peres, que fechava o gol com defesas incríveis. O olheiro “ponte pretano” Ilzo Nery, que assistia à partida, ficou impressionado com o que viu e não teve mais dúvidas.

                  Pouco tempo depois, em junho de 1970, o jovem goleiro já estava à disposição no Moisés Lucarelli. O gosto pela posição de goleiro foi natural, cresceu com isso e sequer aceitava brincar em outras posições. Certo de que queria ser desde criança. Jogou na Ponte Preta de 1971 a 1973, honrou a camisa da Macaca e entrou para a história do clube. É reconhecido, até hoje, como o melhor goleiro de todos os tempos do lado alvinegro de Campinas. As boas atuações logo lhe renderam uma transferência para o São Paulo F.C. 

SÃO PAULO F.C.

                  No Tricolor virou símbolo do clube. Até hoje, ninguém sequer o ameaça na posição de jogador que é o segundo que mais vezes vestiu a camisa são-paulina, só perdendo para Rogério Ceni.  Waldir Perez disputou pelo São Paulo, 611 jogos. Venceu 296, empatou 193 e perdeu 122. Quando completou 10 anos de Tricolor, recebeu até uma placa por seus serviços prestados ao clube do Morumbi.  Foi campeão paulista pelo São Paulo em 1975, 1980 e 1981. E campeão brasileiro em 1977, quando o Tricolor disputou a final contra o Atlético Mineiro em pleno Mineirão.  Dia 5 de março de 1978, dia da decisão, tempo quente em Belo Horizonte, apesar da chuva que caía desde as primeiras horas do dia. Na cidade de Belo Horizonte, só se ouvia, Galo! Galo!, Galo Campeão!.

                  Noventa minutos de jogo e o placar continuava em branco. Veio então a prorrogação, mas nada mudou no placar. Então chega o último recurso, a decisão nos pênaltis.  Waldir Perez como sempre começa a irritar os batedores do Atlético. E sua catimba dá certo, pois Toninho Cerezo, Joãozinho Paulista e Márcio desperdiçam suas cobranças e o Tricolor sagra-se Campeão Brasileiro de 1977. Neste dia o São Paulo jogou com; Waldir Perez, Getúlio, Tecão, Antenor e Bezerra; Chicão, Theodoro e Dario Pereira; Viana, Mirandinha e Zé Sérgio.

OUTROS CLUBES

                  Em 1983, Waldir Perez começou a rodar o Brasil. No mesmo ano, foi jogar no América do Rio de Janeiro. Em seguida, foi para o Guarani, onde ficou em 1985 e 1986. Ainda em 1986, foi jogar no Corinthians, mas ficou na reserva de Carlos, outro goleiro que fez história na Ponte Preta.  Waldir Perez só ganhou a vaga de titular na meta corintiana no ano seguinte, quando o Corinthians fez boa campanha no Paulistão e ficou com o vice-campeonato. Com a camisa do Alvinegro de Parque São Jorge, Waldir Perez disputou 75 partidas. Venceu 29, empatou 28 e perdeu 18 vezes. Sofreu 65 gols.  Em 1988, foi jogar na Portuguesa de Desportos, e acabou abrindo as portas para o surgimento de Ronaldo, que ficou como titular do gol corintiano por aproximadamente 10 anos.  Da Lusa foi para o Santa Cruz, do Recife. Pendurou as luvas em 1989, na Ponte Preta, seu clube de origem.                  

SELEÇÃO BRASILEIRA

                 Depois de amargar a reserva nas Copas do Mundo de 1974 disputada na Alemanha e 1978, disputada na Argentina, a vida de Waldir com a camisa da nossa seleção começou a mudar numa excursão da equipe de Telê Santana à Europa, em 1981. Após boas apresentações nas vitórias sobre a Inglaterra (1×0), em Wembley e sobre a França (3×1), em Paris, o então goleiro do São Paulo fechou o gol na partida diante da Alemanha Ocidental e assim, se firmou como o dono da camisa nº 1 da nossa seleção.

                 Mas como acontece na vida de todo grande goleiro, Waldir Perez carrega uma mancha em seu currículo. Ficou marcado por aquele gol que sofreu na Copa de 82, que acabou tendo uma influência negativa em sua carreira. “Todo mundo se esquece das defesas que fiz naquela Copa. Só se lembram daquele lance infeliz. Acho que isso é um pouco da sina de todo goleiro”. Comenta Waldir. Um despretensioso chute de Baal, da intermediária, enganou Waldir Perez, que levou um clássico frango. Por sorte, o time de Telê virou o jogo, fez 2 a 1 e depois fez grande campanha naquela Copa.

                Neste mundial, o Brasil tinha um grande esquadrão; Waldir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho e Junior; Falcão, Sócrates e Paulo Isidoro; Serginho Chulapa, Zico e Eder. Mas o dia 5 de julho de 1982, não foi o dia da nossa seleção, que enfrentou a Itália de Paolo Rossi.  O final da história, todos já sabem. Na meta da seleção brasileira, o ex-goleiro atuou em 30 partidas (25 vitórias, 4 empates, 1 derrota), sofreu 20 gols e conquistou os títulos da Copa Rio Branco, da Copa Roca e da Taça do Atlântico.

PEGADOR DE PÊNALTIS

              A carreira de Waldir Perez ficou marcada pela “malandragem” na hora dos pênaltis. E ela foi essencial para o Tricolor em várias conquistas de títulos. Assim foi no dia 17 de agosto de 1975. Final do Campeonato Paulista contra a Portuguesa de Desportos. Depois da vitória da Lusa por 1 a 0 no tempo normal, a partida foi para decisão por pênaltis. Entra em ação a tradicional catimba de Waldir Perez. E ele começa a gritar para os batedores adversários; “Pode chutar em qualquer canto que vou pegar”. Isso ele disse à Dicá. Resultado, defesa do goleiro são-paulino.  Depois é a vez de Wilsinho cobrar, e Waldir continua gritando; “A casa está cheia, é claro que você vai errar”. Wilsinho chutou por cima do travessão. O próximo a bater o pênalti pela Lusa é Tatá, e novamente se ouve os gritos de Waldir; “Dicá e Wilsinho já erraram, agora é a sua vez”. O atacante da Lusa perdeu o pênalti e o Tricolor sagrou-se campeão paulista de 1975.

               Este título era só o prenúncio da consagração, que viria dois anos mais tarde, quando o São Paulo decidiu mais um título em cobranças de pênaltis, desta vez contra o Atlético Mineiro, válido pelo Campeonato Brasileiro de 1977. Neste dia Waldir repetiu seu ritual, ou seja, mexeu com todos os cobradores do Galo Mineiro. Irritou-os, tirou a bola de lugar. Enfim, catimbou como poucos e acabou deixando todos os cobradores muito nervosos, a tal ponto de chutarem para fora. Waldir não defendeu nenhum pênalti, mas sua catimba foi o suficiente para que o Tricolor Paulista conquistasse pela primeira vez o título de Campeão Brasileiro. Ainda hoje, Waldir Perez diz; “O que define e marca minha carreira no São Paulo F.C. são os pênaltis que defendi e isto muito me orgulha”.

               No dia 19 de maio de 1981, Brasil e Alemanha se enfrentavam em Stuttgart. Os brasileiros estavam vencendo por 2 a 1, até que Luizinho cortou um cruzamento de Rummeniegge com a mão. O árbitro inglês Clive Withe marcou pênalti. O lateral esquerdo Paul Breitner, que nunca havia perdido uma penalidade na carreira, foi para cobrança e Waldir Peres defendeu. Porém o árbitro mandou voltar, alegando que o goleiro se adiantou. Na segunda tentativa, o alemão trocou de lado e Waldir pegou mais uma vez. O estádio  silenciou ao ver a cara atônita de Breitner, que acabara de perder a primeira penalidade na carreira.

TREINADOR

                   Após parar com o futebol, Waldir se tornou treinador e trabalhou em muitas equipes do interior paulista, entre elas a Internacional de Limeira em 2008. Sua estréia nesta nova profissão iria acontecer em 2005, quando iria assumir o comando do Império, clube que disputa a primeira divisão do futebol paranaense. Mas Waldir, que além de treinador seria também o diretor técnico da equipe, se desligou do clube antes mesmo de comandar um único jogo. Acontece que Waldir antes de assumir o cargo, foi assistir das arquibancadas um jogo do seu novo clube contra o Atlético Paranaense. E durante a partida, vendo algumas falhas na equipe, gritou para que um jogador fosse substituído. O homem que estava no banco de reservas comandando a equipe naquele dia, não gostou da interferência de Waldir e foi tirar satisfação. A coisa esquentou e os dois quase partiram para a briga, não fossem os próprios jogadores do time para apartar.

                  Após o ocorrido, alegando falta de organização e de estrutura do clube, Waldir Perez desligou-se oficialmente do Império. Em 2008 Waldir assumiu o comando técnico da Internacional de Limeira, que disputava a Série B do futebol paulista. Mas não foi feliz nesta sua passagem pelo Leão da Paulista, pois a equipe teve uma participação ridícula e acabou sendo rebaixada para a Série C.  Waldir Perez é casado, tem três filhos, sendo dois homens e uma mulher, excelente atriz, formada em Nova York. Ostenta com orgulho o segundo lugar entre os jogadores que mais vestiram a camisa do Tricolor Paulista, onde jogou por 11 anos e conquistou três títulos paulista e um brasileiro.

                 Waldir Perez faleceu dia 23 de julho de 2017, aos 66 anos de idade.

Em pé: Waldir Perez, Leandro, Oscar, Falcão, Luizinho e Junior      –     Agachados: Sócrates, Toninho Cerezo, Serginho Chulapa, Zico e Eder
Em pé: Antenor, Waldir Perez, Getúlio, Estevão, Chicão e Bezerra      –     Agachados: Mirandinha, Neca, Serginho Chulapa, Teodoro e Zé Sérgio
Em pé: Waldir Perez, Gilberto, Paranhos, Nelsinho Batista, Arlindo e Chicão      –     Agachados: Terto, Muricy Ramalho, Serginho Chulapa, Pedro Rocha e Zé Carlos
Em pé: Gilberto, Waldir Perez, Chicão, Paranhos, Arlindo e Forlan     –     Agachados: Jesum, Zé Carlos, Mirandinha, Pedro Rocha e Piau
Em pé: Waldir Perez, Gilberto, Amaral, Paranhos, Nelsinho Batista e Chicão      –     Agachados: Terto, Leivinha, Geraldão, Pedro Rocha e Nei
Em pe: Waldir Peres, Mauro, Biro Biro, Dida, Edson e Edvaldo      –    Agachados: Jorginho, Eduardo, Edmar, Heriberto e João Paulo

       

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3 comentários em “WALDIR PEREZ: o terror dos atacantes

    1. Olá Leonardo, tudo bem?

      Muito obrigado por prestigiar meu site. Faça disto uma rotina. Fique com Deus e até a próxima.
      José Carlos de Oliveira

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