CRUZEIRO ESPORTE CLUBE – Fundado em 2 de Janeiro de 1921

                                          O Cruzeiro Esporte Clube surgiu de um antigo sonho da colônia italiana de Belo Horizonte de fundar uma associação esportiva que a representasse. Varias tentativas foram feitas como a fundação do Americano Football Club, em 1907, que também contava em seu meio com jogadores brasileiros e de outras colônias. Em 1916, a colônia organizou um selecionado de jogadores que estavam espalhados em vários clubes da capital e que levou o nome de Scratch Italiano. Em 1918, chegaram a noticiar a fundação do Palestra Brasil. Os dois primeiros não duraram muitos jogos e o ultimo acabou ficando apenas na publicidade.

                                         No entanto, em dezembro de 1920 aproveitando a presença do cônsul da Itália em Belo Horizonte, vários desportistas da colônia resolveram levar a ideia da criação de um clube nos mesmos moldes do Palestra Itália, de São Paulo, o atual Palmeiras. A ideia foi apoiada pelas famílias Savassi, Mancini, Lode e Noce, que prometeram mobilizar toda a colônia para viabilizarem o projeto.

                                         A primeira reunião ocorreu em 20 de dezembro de 1920 e foi presidida pelo próprio cônsul, na Casa D’Itália, um prédio da rua Tamoios que era uma espécie de embaixada italiana na capital e que acabou se tornando a primeira sede do clube. Uma nova reunião foi marcada para o dia 2 de janeiro de 1921 e com a presença de 72 pessoas foi fundado oficialmente a Societa Sportiva Palestra Itália.

                                        As cores adotadas, como não poderia deixar de ser, foram as mesmas da bandeira italiana: verde, vermelho e branco. O primeiro uniforme do clube foi camisa verde clara, calção branco e meias vermelhas com detalhes em branco e verde. O escudo do time era em forma de losango, divido em duas partes: a superior em verde e a inferior vermelho. Ao centro do escudo viria um circulo branco com a inscrição SSPI em forma de monograma, em letras douradas.

                                       Ao se constituir os estatutos do clube surgiu a primeira controvérsia entre os fundadores, pois uma das clausulas exigia que apenas descendentes italianos poderiam participar do Palestra. A medida não agradou uma parte dos sócios-fundadores que consideravam que a clausula pudesse se tornar pouco simpática aos meios esportivos da capital, mas acabou prevalecendo, mesmo a contra-gosto de um grande parte dos palestrinos.

                                       Alem de se caracterizar como uma equipe de descendentes de italianos, o Palestra também se destacava por possuir elementos da classe trabalhadora de Belo Horizonte, ao contrário do Atlético e do América, que tinham o seu plantel constituído de estudantes universitários procedentes das famílias influentes e ricas da cidade.   No elenco do Palestra figuravam atletas que exerciam a profissão de pedreiros, pintores, caminhoneiros, comerciários e marceneiros, que eram os filhos dos imigrantes que vieram construir a nova capital e que herdaram de seus pais a mesma profissão. Outra característica marcante era o fato do time ser todo nascido em Belo Horizonte.

                                       O primeiro jogo do Palestra foi disputado no dia 3 de abril de 1921, no Estádio do Prado Mineiro. O Palestra saiu-se vencedor pelo placar de 2×0 sobre um combinado formado por jogadores do Vila Nova, que era o clube dos ingleses, e Palmeiras, que era um outro clube de Nova Lima. Nani (Joao Lazarotti), foi quem marcou os primeiros gols oficiais da historia do Cruzeiro. Na preliminar da partida o quadro de aspirantes do Palestra empatou em 1×1 com os aspirantes do Atlético, com ambos os gols sendo marcados em cobranças de pênaltis.

 A ficha técnica do primeiro jogo da historia do Cruzeiro:

Palestra  2 x 0  Combinado Vila Nova / Palmeiras

Data: 03/04/1921

Local: Estádio do Prado Mineiro (Belo Horizonte)

Juiz: Hermeto Junior, do América

Gols: Nani (16, do 1º tempo e aos  7, do 2º tempo)

Palestra: Nullo, Polenta, Ciccio, Cecchino, Americo, Bassi, Lino, Spartaco, Nani, Henriqueto, Armandinho.

                                        Finalmente, em 1925, prevaleceu a vontade da maioria dos associados do clube que gostariam de ver o Palestra como um grande clube, com a extinção da clausula dos estatutos que impedia a participação de atletas de outras nacionalidades. Outra modificação feita foi o aportuguesamento do nome do clube que passou a se chamar Sociedade Sportiva Palestra Itália. O primeiro jogador de outra nacionalidade que o clube recebeu foi Nereu, que era da colônia sírio-libanesa e jogava no Sírio Horizontino. Em 1928, o Palestra contratava o zagueiro Bento e se tornou o primeiro grande clube da cidade a integrar em seu elenco um atleta negro.

                                       Ainda neste ano, o Palestra formou uma verdadeira academia de futebol, ficando em 1.928, 29 e 30  Tri – Campeão mineiro e de forma invicta, com jogadores sensacionais como: Geraldo, Nininho, Ninão, Niginho, Pires, Bengala e o extraordinário Carazza, entre outros que davam verdadeiras aulas de como jogar bem e entusiasmar um público. Em 1936, alguns dirigentes e ex-atletas lideraram um movimento de nacionalização do Palestra que levou o nome de Ala Renovadora. A intenção do grupo era mudar o nome do clube que já havia deixado de ser uma associação exclusiva da colônia italiana e por isso não havia mais sentido em se usar o nome Itália.

                                       No ano de 1941, o Palestra conquistou seu último título com este nome, pois devido a guerra, os dirigentes já estavam vendo que teriam que trocar o nome do clube. A ideia sofreu resistências mas acabou ganhando aliados. Em 30 de janeiro de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, o governo brasileiro que já havia declarado guerra aos países do eixo, através de um decreto lei, determinou a proibição do uso de termos e denominações referentes as nações inimigas.

                                       Neste dia então o Palestra Itália passou a se chamar Palestra Mineiro.  A ideia de se transformar o clube numa entidade totalmente brasileira só foi concretizada em 29 de setembro de 1942, quando numa reunião da diretoria foi aprovada uma nova mudança no nome do clube que passou a se chamar Ypiranga. No entanto, o novo nome só durou uma semana e o time atuou com este nome em apenas uma partida.   Finalmente, no dia 7 de outubro de 1942, numa nova reunião dos sócios e dirigentes que acabou com a renúncia do presidente Ennes Cyro Poni, foi aprovado o novo nome do clube: Cruzeiro Esporte Clube. Uma homenagem ao símbolo maior da pátria, a constelação do Cruzeiro do Sul, e que foi sugerida pelo ex-presidente do clube, Oswaldo Pinto Coelho.

Ficha técnica do 1º Jogo do clube com nome Cruzeiro:

CRUZEIRO 1 x 0 AMÉRICA

Motivo: 5a rodada do Returno do Campeonato da Cidade.
Data: 11/10/1942

Local: Estádio do Cruzeiro.

Arbitro: João Narciso.

Gol: Ismael (38, do 1º  tempo)

Cruzeiro: Geraldo II, Gerson, Azevedo, Rizzo I, Juca, Caieirinha, Nogueirinha, Orlando, Niginho, Ismael, Zezé Papatela.

Técnico: Bengala.

                                       E com o novo nome, o clube começou muito bem o campeonato mineiro, pois nos anos de 1.943, 44 e 45, ficou novamente Tri Campeão. A equipe  já era conhecida pelo nome que a consagrou. Deixara de ser Palestra, fora Ipiranga por dez dias, mas Cruzeiro era o nome definitivo. O futebol viera de crises sucessivas. Ficara desde 1.930 sem ganhar títulos, até 1.940, quando um bom quadro foi montado.

                                       Mas montado e desmontado. Caieira, Geninho, Bibi e Geraldino, titulares absolutos, foram para o Botafogo.  Eram figuras de realce da equipe, quase sua estrutura básica, e durante dois anos o trabalho maior foi arranjar os substitutos ideais e armar novamente o quadro. Mas eles foram aparecendo. Do grande campeão de 1.940 restavam apenas dois jogadores. Em compensação, apareciam jogadores que iriam brilhar não só no futebol mineiro, mas no próprio futebol brasileiro.  Gérson dos Santos, Juvenal, Braguinha, entre outros, eram nomes de destaque na nova equipe.

                                       No gol o nome de Geraldo ainda era a grande garantia.  Gérson e Bituca na zaga. Uma dupla jovem cuja segurança os atacantes contrários conheciam melhor do que ninguém. Na intermediária, de Pedro Leopoldo veio Adelino, do Atlético, onde fora bicampeão, transferindo-se Hemetério, sendo o setor completado por Juvenal, vindo da corporação militar, que já dera Geninho, Juvenal foi a maior revelação do ano e por isso ficou pouco no clube, seguindo para o Botafogo. No ataque vindo de Calafato, aparecia Braguinha, que atuava na direita ou na esquerda, substituindo Nogueirinha ou Alcides.

                                       Mas na direita foi onde ele apareceu mais, embora depois do Botafogo fosse efetivado como ponteiro esquerdo.  Para a vaga de Geninho, o Cruzeiro  foi buscar na Vila Nova um driblador emérito. Apelidado inclusive de bailarino: Ismael, outro que faria enorme sucesso, indo depois para o Vasco. Com essa base de jogadores, o Cruzeiro deu o seu grande salto para a história do futebol de Minas Gerais.  Sua equipe de futebol possibilitava novas conquistas e foi ai que Mário Grosso, seu grande presidente encontrou o incentivo e estímulo necessário para as grandes reformas no estádio.

                                       Era o segundo Tricampeonato do Cruzeiro, 43 – 44 – 45, anos de glórias e muitas alegrias para uma torcida já certa e convicta da pujança de seu grande clube. Depois o Cruzeiro ficou  14 anos sem ganhar título, mas em 1959, Antonio Pontes assumiu o clube e tratou de modificar a filosofia de seu futebol. Gente nova, contratações de todos os lados e a presença de um novo diretor de futebol, Felício Brandi, que mais tarde seria o presidente da fase de ouro da agremiação.

                                      O título máximo da temporada foi o primeiro fruto de um trabalho correto.  A equipe base de 1959 formou com Genivaldo, Procópio e Massinha;  Nilsinho, Amauri de Castro e Clever;  Raimundinho, Emerson, Dirceu Pantera, Mirim e Hilton Oliveira. As temporadas seguintes foram feitas com a base de 1959. Titular entrou somente Rossi, extraordinário jogador. 

                                       Outras contratações foram feitas, para um revezamento com os titulares, mas a formação dos três anos não saiu da de 59. Em 1961, somente uma novidade, Felício Brandi deixava a direção de futebol para assumir a presidência do clube, iniciando sua carreira como mais alto mandatário cruzeirense. Outros jogadores  como Elmo, Horst, Benito, Josué e Paulo, davam a sua contribuição. Carmine Furiatti despontava e o Cruzeiro no seu segundo tricampeonato; 59 – 60 – 61.

                                       Iniciava verdadeiramente a sua grande arrancada em busca do prestígio internacional que hoje ostenta. Se o Cruzeiro já era uma grande força do futebol mineiro antes do Mineirão, a partir da inauguração do estádio na Pampulha, em 1965, o clube se transformou em potencia nacional e ficou conhecido em todo o mundo. Organizado em todos os seus setores o time azul das cinco estrelas revelou para o Brasil e para o mundo uma constelação de craques como Tostão, Piazza, Natal, Dirceu Lopes, dentre outros, mostrando ao pais uma nova realidade futebolística até então restrita ao eixo Rio-São Paulo.

                                       Com a conquista da Taça Brasil em 1966 e do Penta-Campeonato Mineiro de 65 a 69, o clube passou a ter a maior torcida do estado. Era tão visível o aumento progressivo da torcida cruzeirense, que o escritor Roberto Drummond, que e atleticano, o comparou ao aumento do índice demográfico anual da China, que e o pais mais populoso do mundo. A partir dai, o reconhecimento do cronista fez com que a crônica desportiva mineira passasse a se referir a massa cruzeirense como a China Azul.

                                       O Cruzeiro sempre teve um grande time, porem foi na década de 60 que ele deslumbrou o mundo, pois formou naquela ocasião, um esquadrão que o torcedor cruzeirense jamais irá esquecer, que era o seguinte: Raul, Pedro Paulo, Procópio, Darci Menezes e Neco;  Zé Carlos, Tostão e Dirceu Lopes;  Natal, Evaldo e Rodrigues. Com a conquista da Libertadores em 1976, a paixão pelo Cruzeiro ultrapassou as fronteiras mineiras e o time, com nomes como Raul, Palhinha, Joãozinho, Zé Carlos e Nelinho, passou a ser um dos clubes mais respeitados do futebol mundial.

                                      A sequência de 16 títulos que o Cruzeiro conquistou nos anos 90 confirmam a sua condição de time da década. Para se ter uma ideia, o Cruzeiro não deixou de conquistar se quer um titulo nos últimos dez anos e vem mantendo na garganta de cada cruzeirense a frase que a massa não cansa de cantar: ” Um, dois, três !    Campeão mais uma vez !”

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