GIBA: campeão brasileiro pelo Corinthians em 1990

                 Antonio Gilberto de Souza Maniaes nasceu dia 7 de março de 1962, na cidade de Cordeirópolis – SP. Jogou em vários clubes do Brasil, mas ganhou destaque nacional, ao sagrar-se Campeão Brasileiro em 1990 pelo Corinthians, quando o alvinegro de Parque São Jorge conquistou seu primeiro título nacional. Depois que encerrou a carreira passou a trabalhar como treinador e também passou por inúmeros clubes, muitos deles considerados grandes.

INÍCIO DE CARREIRA

                Começou nas categorias de base do Juventus de Cordeirópolis, jogando como médio volante. Foi convidado pelo técnico e olheiro Ismael Pereira, o Maé, para jogar no dente-de-leite da Internacional de Limeira, onde disputou campeonatos daquela categoria. Depois passou pelo infantil e juvenil do Independente, também da cidade de Limeira. Alguns anos depois num torneio realizado  na  cidade  de  Rio Claro,  Giba  chamou  muito a atenção do então técnico do Guarani, Adailton Ladeira, que anos depois conquistou vários títulos da Copa São Paulo de Juniores pelo Corinthians. E assim, Giba foi parar no Guarani de Campinas, onde chegou a ser convocado para a seleção paulista de juniores.

                 Em 1980, voltou ao Independente de Limeira para se profissionalizar, ainda como volante, mas o técnico Galdino Machado transformou-o em lateral direito. Em seguida foi contratado pela Internacional de Limeira, em uma transação polêmica, quebrando um tabu que existia devido a grande rivalidade entre os dois clubes. Daí foi jogar na Usina São João de Araras, hoje União São João, onde se destacou e, mesmo jogando na lateral, foi um dos artilheiros da equipe.

                 Depois de algum tempo voltou a jogar no Guarani na condição de profissional e, por sugestão do jornalista Brasil de Oliveira, adotou o apelido de Giba. Em 1986, fazia parte do elenco que bugrino que ficou vice campeão brasileiro ao perder para o São Paulo naquela dramática decisão por pênaltis. Nessa mesma época, formou-se em Educação Física pela PUCCAMP e também fez o curso de treinador de futebol, pela faculdade de Santo André. Em fevereiro de 1989, para alegria de seus pais e irmãos, todos corintianos, foi contratado pelo Corinthians. Lá ele ficou por cinco anos, ajudando na conquista do primeiro título brasileiro do clube, em 1990. Na época de Corinthians, foi convocado para as seleções paulista e brasileira. No Guarani foi duas vezes vice Campeão Brasileiro (1986 e 1987) e uma vez vice-campeão Paulista (1988)

CORINTHIANS

                 Giba chegou ao Parque São Jorge em março de 89 e já no dia 23 daquele mês, fez sua primeira partida como titular da equipe corintiana. O jogo foi válido pelo Campeonato Paulista e neste dia o Corinthians empatou com o Mogi Mirim em 2 a 2, gols de Cláudio Adão e Mauro para o Timão e Elder e Soares para o time do interior. Neste dia o Corinthians jogou com; Ronaldo, Giba, Marcelo, Dama e Dida; Wilson Mano, Gilberto Costa e Barbieri; Marcos Roberto, Cláudio Adão e Mauro. O técnico foi Ênio Andrade. Foi um ano regular para o Corinthians que havia conquistado o título estadual no ano anterior.

CAMPEÃO BRASILEIRO

                O sonho de todo torcedor corintiano era o cobiçado titulo brasileiro, por isso, mesmo sem gastar muito dinheiro, o então presidente Vicente Matheus montou um time de jogadores que ao longo do campeonato demonstrou muita garra e determinação, principalmente nos jogos finais. O técnico era Nelsinho Batista e a principal estrela era o Neto, também veio do Guarani e fazia muitos gols de falta e esta foi uma grande arma corintiana nos jogos finais do campeonato. Nas quartas-de-final, venceu o Atlético Mineiro por 2 a 1 com dois gols de Neto nos últimos dez minutos de jogo. Na semi-final enfrentou o Bahia. O primeiro jogo foi no Pacaembu num noite de muita chuva. Quarenta mil torcedores dentro do estádio e outro tanto do lado fora. Mais uma vitória corintiana por 2 a 1. Assim como fez com o Atlético no Mineirão, o Corinthians fez com o Bahia em Salvador, ou seja, um empate de 0 a 0, que já era suficiente para passar para a outra fase.

                Veio então a grande final e o adversário era o São Paulo F.C. No primeiro jogo da decisão, outra vez o talento de Neto decidiu. Logo aos 4 minutos de jogo, ele cobrou uma falta na medida para Wilson Mano fazer 1×0. Chegava então aquele domingo de 16 de dezembro de 1990.  O Morumbi estava lotado, recebendo um público de 100.858 pessoas.  O juiz da partida foi Edmundo Lima Filho, que durante a partida expulsou Bernardo e Wilson Mano. Aos oito minutos do segundo tempo, Fabinho invade a área e cruza para traz, a bola cai nos pés de Tupãzinho, que chuta para os fundos da rede de Zetti,  Corinthians 1×0.

               O São Paulo foi todo ao ataque, mas a defesa se comportou muito bem e conseguiu segurar aquele placar. Corinthians Campeão Brasileiro. Neste dia o Corinthians jogou com; Ronaldo, Giba, Marcelo, Guinei e Jacenir; Márcio, Neto e Wilson Mano; Fabinho, Tupãzinho e Mauro.  Em 1991, chegou a ser convocado pelo técnico Falcão para a seleção brasileira. Mas uma contusão no joelho direito abreviou a carreira do jogador. Aos 30 anos, em 1992, teve de operar o joelho. Cirurgia simples para os dias de hoje (e, talvez, para a época também).

               Mas a operação, segundo ele, foi mal sucedida.Tentou voltar a jogar. Em vão. Chegou a sofrer novas intervenções no joelho, mas não adiantou. Giba encerrou a carreira no primeiro semestre de 1993, após quatro temporadas no Corinthians. Depois de um bom tempo parado, fez sua última apresentação com a camisa alvinegra no dia 29 de abril de 1993, quando o Timão venceu o XV de Piracicaba por 3 a 1 pelo Campeonato Paulista daquele ano. Os gols corintianos foram marcados por; Adil, Moacir e Dicão. 

               Dispensado do clube paulista, o ex-jogador processou o médico Joaquim Grava (ainda hoje chefe do Departamento Médico do clube), a quem acusou de ter encerrado a sua carreira. Com a camisa corintiana, Giba disputou 210 partidas. Venceu 100, empatou 76 e perdeu 34. Marcou 17 gols. Um dos gols de Giba foi marcado de pênalti contra o Boca Juniors, em La Bombonera, pela Libertadores da América de 91. Giba bateu a penalidade porque Neto, o cobrador oficial, estava servindo a Seleção Brasileira.

TREINADOR

               Em 1995 iniciou carreira de técnico no Lousano/Valinhos. Em 1996 conquistou a Copa São Paulo de Juniores pelo Lousano/Paulista, de Jundiaí, justamente contra o Corinthians, e foi aplaudido pela torcida adversária. Depois atuou em equipes como Lousano Paulista Jundiai, Paulista Jundiai, Santos, Kuait Sporting Club, Sport, Santa Cruz, Portuguesa, São Caetano, Remo e CSA, entre outros. Com apenas 38 anos de idade, um dos seus principais feitos como técnico foi a conquista do vice-campeonato paulista de 2000, no comando do Santos. A final foi contra o São Paulo no dia 18 de junho de 2000. O jogo terminou empatado em 2 a 2, gols de Dodô e Rincon para o Peixe e Rogério Ceni cobrando falta e Marcelino Paraíba para o Tricolor. Como o empate bastava para o São Paulo, esse resultado deu à ele o 19º título estadual.

               Mais tarde, trabalhou em diversos clubes de tradição, como Guarani (SP), Portuguesa (SP), Santa Cruz (PE), Sport (PE), Fortaleza (CE), entre outros. Em 2003, foi convidado a treinar o Kuwait Sport Club, no Oriente Médio, que para ele foi uma experiência sensacional pelo aspecto cultural. Trabalhou também no Guarani, na Portuguesa, no Remo e no Sport Recife, onde assumiu o time pernambucano em maio de 2007. Em 2008 dirigiu o Paulista de Jundiaí no Campeonato Paulista e, na sequência, transferiu-se para o Ipatinga.

               Giba deixou a equipe do Vale do Aço no dia 13 de junho de 2008, depois da derrota por 4 a 2 para o Atlético no Mineirão. Em fevereiro de 2009, ele voltou a assumir o Paulista de Jundiaí. Recentemente, Giba defendeu o Remo (PA) na tentativa de retomar os dias de glórias, mas acabou traído pelo regulamento de saldo de gols do Brasileiro da Série D, antes da fase final. No fim de janeiro de 2011, assumiu o Joinville EC (SC), pelo qual já faz boa campanha no Campeonato Catarinense.

               Ele foi um dos heróis corintianos na conquista do Brasileirão de 1990. Dono de um sotaque interiorano marcante, jeitão simples e chutes precisos, ótimo na marcação e dono de um chute potente. Giba, o Antônio Gilberto de Souza Maniaes, foi um bom lateral-direito que deixou sua marca no alvinegro de Parque São Jorge. Por várias vezes foi homenageado em sua terra natal, tendo sido em 19 de dezembro de 2002 o primeiro a receber a Medalha João Pacífico, que é outorgada pela Câmara Municipal de Cordeirópolis a pessoas que elevam o nome da cidade. Afastado de clubes desde fevereiro de 2014, quando comandou o Paulista de Jundiaí, Giba estava internado no hospital Sirio-Libanes em São Paulo desde maio, mas não resistiu a uma grave doença renal, a amiloidose, que uma doença que faz com que as células da medula óssea produzam amiloide. No caso de Giba, o problema atingiu os rins e veio a faleceu dia 24 de junho de 2014, aos 52 anos de idade.

Guarani de 1985   –   Em pé: Waldir Peres, Vinícius, Wilson Gottardo, Mauro, Giba e Júlio César   –    Agachados: Neto, Barbieri, Edmar, Evair e Gerson Sodré
Em pé: Giba, Jacenir, Marcelo, Guinei, Márcio e Ronaldo    –   Agachados: Fabinho, Wilson Mano, Tupãzinho, Neto e Mauro
Em pé: Wilson Mano, Dama, Marcelo, Dida, Giba e Ronaldo    –   Agachados: Marcos Roberto, Barbieri, Gilberto Costa, Cláudio Adão e João Paulo

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