OTTO GLÓRIA: campeão paulista pela Portuguesa em 1973

                  Otaviano Martins Glória, ou simplesmente Otto Glória, nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 9 de janeiro de 1917. Neto de portugueses é reconhecidamente um dos maiores estrategistas da história do futebol. Constantemente lembrado pela colônia portuguesa, Otto Glória fez sucesso no futebol brasileiro atuando principalmente no Vasco da Gama e na Portuguesa de Desportos. Ao longo de sua carreira, enfrentou o “Rei Pelé” em partidas decisivas e obtendo triunfos históricos, como aconteceu na Copa do Mundo de 1966, quando dirigiu o selecionado de Portugal e depois, na final do campeonato paulista contra o Santos em 1973.

                 Otto Glória começou como jogador de futebol e passou pelos times do Vasco da Gama, do Botafogo e do Olaria. Precocemente, com 25 anos de idade encerrou sua carreira como jogador. Partiu para o basquetebol onde atuou como jogador e depois como treinador. No esporte da “cestinha” adquiriu conhecimentos mais aprofundados sobre estratégias e táticas de jogo. A convite do técnico Flávio Costa (técnico da seleção brasileira de 1950), seu amigo pessoal, Otto voltou para o futebol. No Vasco da Gama assumiu o juvenil e com o passar do tempo, exerceu atribuições de técnico adjunto ao lado do próprio Flávio. Anteriormente, havia trabalhado como assistente técnico de Zezé Moreira no Botafogo em 1948, conquistando seu primeiro título carioca. Estudioso, adaptou muitos fundamentos do basquetebol dentro do futebol, como posse de bola, triangulações, marcação por zona, aproveitamento dos rebotes defensivos e ofensivos e, principalmente, o sentido coletivo da cobertura.

                Voltou ao Vasco da Gama no ano de 1951 e também teve uma passagem pelo América (RJ), antes de se transferir para o Benfica no ano de 1954. No clube português, viveria um dos seus períodos mais vitoriosos. Além do Vasco da Gama e do Botafogo, trabalhou nas equipes do Grêmio, América, Santos e Portuguesa de Desportos. Nos anos 50 foi para Portugal onde se transformou em um verdadeiro mito. Otto Glória foi responsável por uma transformação no Benfica. De 1954 até 1959, conquistou três Taças de Portugal e dois títulos nacionais. Depois de cinco anos no comando do Benfica, Otto Glória assumiu o Belenenses e conquistou a Taça de Portugal na temporada de 1959/1960. Foi o primeiro treinador a dirigir os quatro gigantes do futebol lusitano (Benfica, Sporting, Porto e Belenenses).

                Em 1966 comandou o selecionado de Portugal na Copa do Mundo da Inglaterra e realizou uma campanha com resultados surpreendentes, como o triunfo sobre o Brasil por 3×1, quando eliminou o time canarinho ainda pela fase de grupos. Mostrou sangue frio ao conduzir seus comandados naquela virada inesquecível contra a Coréia do Norte pelo placar de 5×3, quando perdia o jogo por 3×1 na primeira etapa. Eusébio, assinalou quatro tentos naquele encontro. Na semifinal da copa, contra os ingleses, Portugal acabou derrotado por 2×1.

               A conquista do terceiro lugar naquele mundial foi um resultado espetacular para os lusitanos. Em 1968, retornou ao Benfica para mais dois anos de conquistas. Com dois títulos nacionais, duas Taças de Portugal e o vice-campeonato da Liga dos Campeões de 1968, sendo derrotado na final pelo Manchester United. Além dos inúmeros títulos conquistados na “terrinha”, trabalhou ainda nas equipes do Olimpique de Marseille da França e no Atlético de Madrid da Espanha.

              De volta ao futebol brasileiro em 1970, passou novamente pelo América (RJ) e pelo Grêmio Porto-Alegrense, antes de chegar ao futebol paulista. Um de seus trabalhos mais lembrados é a conquista do campeonato paulista de 1973, pela Portuguesa de Desportos. Naquela final do Campeonato Paulista entre Santos e Portuguesa em 1973, o empate sem abertura de contagem permaneceu no tempo normal e também na prorrogação, obrigando uma cobrança de penalidades para decidir quem ficaria com o título.

              Foi então que aconteceu o erro histórico do árbitro Armando Marques na contagem dos pênaltis. Ele declarou o Santos campeão sem perceber que o quadro “Rubro-Verde” ainda tinha chances matemáticas de empatar aquela série de penalidades e provocar uma sequência de cobranças alternadas.  Então, o astuto treinador da Portuguesa recomendou que todos os seus jogadores fossem para o vestiário e imediatamente trocassem de roupa para sair rapidamente do estádio do Morumbi.

              Tal manobra evitou o prosseguimento nas cobranças de pênaltis. Como não havia data para um novo jogo, as duas equipes foram declaradas campeãs. O resultado foi uma decisão inédita de um título estadual. Em 1977 Glória teve uma passagem pelo Santos antes de retornar ao Vasco da Gama em 1979, quando foi vice campeão Brasileiro contra o forte Internacional em Porto Alegre. Além da seleção Portuguesa, Otto Glória também treinou o selecionado da Nigéria. Otto voltou ao Vasco em 1983, realizando seu último trabalho como treinador. Faleceu no Rio de Janeiro em 4 de setembro de 1986. Otto também é lembrado pela frase: Treinador quando vence é bestial e quando perde é uma besta.

Da esquerda para a direita: João Zanforlin, Otto Glória, Tomazzini (o “Alfaiate dos Craques”), Éder Jofre e José Carlos Cicarelli
Seleção de Portugal de 1966 = Em pé: Alexandre Batista, Jaime Graça, Hilário, Vicente, Moraes e José Pereira     –    Agachados: José Augusto, Torres, Eusébio, Coluna e Simões – Técnico: Otto Glória
Portuguesa Campeã Paulista de 1973 – Em pé: Pescuma, Zecão, Badeco, Isidoro, Galegari e Cardoso – Agachados: Xaxá, Eneas, Cabinho, Basilio e Wilsinho   –   Técnico Otto Glória
Postado em O

Deixe uma resposta