SAMARONE: ídolo do Tricolor Carioca

                  Wilson Gomes nasceu dia 13 de março de 1946, na cidade de Santos-SP. Foi um meio-campista que jogou nas décadas de 60 e 70 em grandes clubes, como Fluminense, Corinthians, Flamengo e tantos outros. Tinha um chute potente, que ficou famoso como “os canhões de Samarone”, em referência ao filme de sucesso na época “os canhões de Navarone”. Também era conhecido como “Diabo Louro”. Foi campeão carioca pelo Fluminense em 1969 e 1971 e da Taça de Prata de 1970. Depois foi jogar no Corinthians onde ficou por pouco tempo.

                  Jogou somente 12 jogos com a camisa alvinegra. Venceu 6, empatou 4 e perdeu 2. Marcou 3 gols. Depois foi vestir a camisa 10 do Flamengo, onde Zico ainda vestia a camisa 9. Lá na Gávea também ficou pouco tempo, pois lá também chegou Zagallo, com quem já havia se desentendido na época que jogava no Fluminense. Foi então emprestado à Portuguesa de Desportos e ficou por lá quase um ano e finalmente foi jogar no Bonsucesso, onde encerrou sua carreira.

FLUMINENSE

                 Mesmo já tendo entrado na Faculdade de Engenheiro Industrial, começou a carreira de jogador profissional na Portuguesa Santista, onde foi Campeão Paulista da Série A-2 em 1964. O jogo final foi contra a Ponte Preta em Campinas e a Portuguesa venceu por 1 a 0, gol de Samarone. Depois daquele dia, vários clubes passaram a namorá-lo, mas o Fluminense foi mais rápido e o levou ao Rio de Janeiro. No ano seguinte já estava jogando no Fluminense, onde ficou por seis anos. O Tricolor iniciava a Taça Guanabara de 65 e tinha tomado uma goleada histórica do Vasco de 5×0.

                 Ele foi a pessoa contratada para consertar tudo, talvez por ser jovem , 18 para 19 anos naquela Taça Guanabara que acabou sendo vencida mesmo pelo Vasco. Naquela época muitos jogadores formados nas divisões de base do clube chegavam a Seleção Brasileira, casos de Marco Antônio e Denílson. Quando Samarone chegou nas Laranjeiras, o time era assim formado; Edson, Lauricio, Procópio, Luiz Henrique e Altair; Denilson e Samarone; Valdes, Amoroso, Evaldo e Gilson Nunes. Mas a melhor fase do Fluminense começou em 1969 e terminou em 1971, quando sagrou-se campeão nos três anos. Em 69 ficou campeão carioca em cima do Flamengo.

                 Esse jogo aconteceu dai 15 de junho de 1969 com o Maracanã recebendo um público extraordinário. O Flamengo jogava por um empate e tinha um grande time, mas deu Fluminense por 3 a 2. No ano seguinte conquistou o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Taça de Prata) com um time fabuloso; Felix, Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antonio; Denilson, Didi e Samarone; Cafuringa, Flávio e Jair. No ano seguinte o time era praticamente o mesmo e com isto conquistou mais um título.

                Em 1971 o Fluminense disputou a Taça Libertadores da América. Dispensou o técnico Tele Santana e contratou a comissão técnica que foi Tri-Campeã Mundial no México em 1970. Na primeira fase o Fluminense venceu o Deportivo Itália, da Venezuela por 6 a 0. Depois venceu o Deportivo Galícia, também da Venezuela por 4 a 1 e para fechar venceu o Palmeiras por 3 a 0 em pleno Morumbi, com três gols de Flavio, o mesmo que havia jogado no Corinthians. Neste jogo contra o alviverde de Parque Antarctica, Samarone foi eleito o melhor em campo, pois alem de fazer uma grande partida, deixou Flávio na cara do gol nas três oportunidades em que ele balançou a rede do Verdão.

                Depois disso, Samarone e Zagallo começaram a se desentender e isto fez com que Samarone deixasse as Laranjeiras. Com toda essa mudança, o Fluminense fez um péssimo segundo turno na Libertadores e acabou sendo eliminado pelo próprio Deportivo Itália dentro do Maracanã por 1 a 0, o mesmo time que o Flu havia goleado lá na Venezuela.

CORINTHIANS

                Samarone chegou ao Parque São Jorge em 1971 e sua estréia aconteceu dia 24 de março, quando o Corinthians foi derrotado pela Portuguesa de Desportos por 1 a 0, num jogo válido pelo primeiro turno do Campeonato Paulista.  O único gol da partida foi marcado pelo ponta direita Ratinho. Neste dia o técnico do Corinthians, Sr. Aymoré Moreira, mandou a campo a seguinte formação; Ado, Zé Maria, Ditão, Luiz Carlos e Pedrinho; Tião e Rivelino; Natal, Samarone, Mirandinha e Aladim. O Corinthians estava muito bem no campeonato, havia empatado com o São Paulo em 1 a 1 e derrotado o Santos por 4 a 2 em plena Vila Belmiro, com um gol de Samarone.

               Chegava o dia 25 de abril e a tabela marcava para este dia, Corinthians x Palmeiras. O alviverde tinha um grande time na época e era comandado por Rubens Mineli, um treinador que conquistou muitos títulos em sua carreira. Este foi um jogo que Samarone jamais esquece, pois foi sensacional, onde o Corinthians mais uma vez mostrou a sua tradicional virada no placar.

               Com 9 minutos de jogo o alviverde já vencia por 2 a 0, com dois gols de César Maluco. No segundo tempo o técnico Francisco Sarno fez duas substituições. Natal entrou no lugar de Lindóia e Adãozinho entrou no lugar de Samarone.  Logo aos 5 minutos o Corinthians empatou, através de Mirandinha e Adãozinho. Logo após o gol de empate, Leivinha marca o terceiro gol para o Verdão. O árbitro Armando Marques apita o reinício do jogo e Tião pega a bola e vai levando até chegar diante do arqueiro Leão que também é driblado e com o gol aberto, Tião faz o terceiro gol corintiano, empatando novamente a partida. Quando faltavam quatro minutos para terminar o jogo, Mirandinha faz o quarto gol do alvinegro de Parque São Jorge e a torcida corintiana vai a loucura, naquele domingo de muito frio na capital paulista.

               Samarone fez somente 12 jogos pelo Corinthians, sua despedida aconteceu dia  29 de julho de 1971, quando o alvinegro derrotou o San Lorenzo, da Argentina por 3 a 1, num amistoso internacional realizado no Parque Antarctica. Neste dia o Corinthians jogou com; Sidney, Miranda, Almeida, Vagner e Pedrinho; Tião (Suingue) e Adãozinho; Paulo Borges, Samarone, Mirandinha (Célio) e Aladim. O técnico era Baltazar, o cabecinha de ouro, que foi um dos maiores artilheiros do Corinthians com 266 gols, sendo que 71 foram de cabeça.

FLAMENGO

               Foi  outro clube que Samarone não ficou muito tempo. O principal motivo foi a chegada de Zagallo no comando técnico. Como já haviam se desentendido no Fluminense alguns anos atrás, no Flamengo não foi diferente. Mas a passagem de Samarone pela Gavea tem uma curiosidade, em várias partidas, Samarone jogou com a camisa 10 e Zico jogou com a 9. Sua estréia no Mengão foi dia 11 de agosto de 1971, quando o Flamengo empatou com o Bahia em 1 a 1. Durante o tempo que jogou no Flamengo, realizou 23 partidas, marcou 4 gols e conquistu o título da Taça Presidente Médici. Depois que se desentendeu com Zagallo e via que não teria chance na equipe principal, pediu para ser emprestado a Portuguesa de Desportos e foi o que aconteceu. Na época a Lusa tinha o seguinte time; Joel Mendes, Humberto Monteiro, Marinho Peres, Calegari e Fogueira; Lorico e Samarone; Ratinho, Eneas, Basílio e Wilsinho. O técnico era Cilinho.

FINAL DE CARREIRA

               Depois de passar pelo Bonsucesso, Samarone votou ao Flamengo, onde fez um contrato até dezembro de 1973, mas teve uma segunda hepatite no início de 1972 e por aconselhamento médico, resolveu encerrar a carreira. Durante o tempo que jogou, Samarone sofreu muito com problemas de saúde como ele próprio nos conta “Eu várias vezes fiquei à beira do gramado e o Santana, o Pai Santana, hoje no Vasco, vinha com toalhas quentes e as colocava na altura da minha canela …eu arreava as meias diversas vezes …você não tinha essas facilidades de compra, não tinha essas fábricas, não tinha esse desenvolvimento, as multinacionais …bem , inclusive na época também foram extraídas as minha amídalas pelo Dr. Ângelo Chaves (ex – presidente do clube), tive que extrair dente, coisa que hoje é muito mais fácil né, a medicina teve uma evolução muito grande … mas eu arreava as minhas meias, arreava, arreava (risos) …não tinha elástico, tínhamos que amarrar com barbante e se achava que realmente poderia estar me comprimindo. Mas realmente eu sofri muito e várias vezes prejudicaram as minhas atuações”.

                Hoje Samarone é um grande torcedor do Fluminense, clube que ele se apaixonou durante o tempo que jogou nas Laranjeiras. Foram anos dourados do Tricolor Carioca e também na vida do craque, que conquistou vários títulos importantes vestindo aquela camisa. Samarone nunca foi um artilheiro, tinha mais participações nas jogadas, influenciando no contexto do resultado. Pela nossa seleção foi convocado somente uma vez, pois naquela época a concorrência era muito grande, só tinha feras em cada posição, por isso mesmo, nunca se achou injustiçado. Hoje vive uma vida tranquila exercendo sua profissão de Engenheiro Civil.

1971   –   Em pé: Ubirajara, Aloísio, Fred, Reyes, Liminha e Paulo Henrique   –    Agachados: Pai Mineiro, Rogério, Samarone, Zé Eduardo, Zico e Rodrigues Neto

1970   –   Em pé: Oliveira, Félix, Galhardo, Denílson, Assis e Marco Antônio   –   Agachados: Cafuringa, Didi, Flávio, Samarone e Lula
1968   –   Em pé: Nélio, Félix, Cláudio, Altair, Galhardo e Assis    –  Agachados: Wilton, Suingue, Salvador, Samarone e Serginho

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