SUINGUE: um curinga pelos times que passou

                  Álvaro Aparecido Pedro nasceu dia 13 de março de 1946, na cidade de Rancharia – SP. Foi um jogador polivalente e que estava sempre pronto a colaborar com a equipe. Há quem associe o apelido de seu nome à preferência musical pelo swing, sem que a versão tenha sido devidamente confirmada. O certo é que pela voluntariedade na marcação e bom domínio de bola, se adaptou quer à função de volante, quer na meia de armação. Além disso, foi improvisado em outras funções do meio-de-campo pra frente.

                 Por isso, foi tido, depois do santista Lima, como outro curinga do futebol brasileiro. Marcou época no futebol brasileiro nas décadas de 60 e 70, quando jogou em grandes clubes, como por exemplo, Corinthians, Palmeiras, Fluminense e Vasco da Gama. Por pouco não teve sua carreira interrompida, depois que sofreu um grave acidente automobilístico em 1966, quando viajava acompanhado do lateral direito do Palmeiras, Luiz Carlos Cunha que veio a falecer.

INÍCIO DE CARREIRA

                 Sua primeira equipe foi a extinta Prudentina, da cidade de Presidente Prudente, um clube que teve acesso a Primeira Divisão do Futebol Paulista em 1961, quando a equipe conquistou o direito de disputar o Campeonato Paulista. Esta grande conquista para aquele pequeno clube aconteceu no dia 5 de novembro de 1961, quando a Prudentina jogou com a Ponte Preta em pleno Pacaembu. Era uma época dourada do futebol, principalmente para os times do interior. Todas as finais para decidir quem subiria para a divisão de elite do futebol paulista, eram disputadas no Pacaembu, que ficava lotado, pois recebia inúmeras caravanas que vinham de longe para torcer por sua equipe.

                 E não foi diferente com as torcidas de Prudentina e Ponte Preta. No tempo normal a Ponte Preta venceu por 3 a 2, no entanto, como a equipe de Presidente Prudente já havia ganho o primeiro jogo, houve necessidade de uma prorrogação de 15 por 15. O árbitro da partida foi Olten Ayres de Abreu, que deu início àquela prorrogação, da qual sairia o novo integrante da primeira divisão do futebol paulista. E não deu outra, a Prudentina fez 2 a 0 com gols de Reginaldo e Ademar Pantera e conquistou a tão sonhada vaga.

                Foi uma grande festa na cidade, pois estava realizando um sonho de muitos anos. Na Prudentina Suingue atuou ao lado de jogadores igualmente de projeção, casos do goleiro Glauco, lateral-direito Lidu, que jogou no Corinthians por algum tempo e depois veio a falecer juntamente com o ponta esquerda Eduardo num grave acidente automobilístico na Marginal do Tiete dia 28 de abril de 1969. Jogou também ao lado do meia Luís Carlos Feijão, do ponteiro-direito Reginaldo e do centroavante Cláudio Garcia.

PALMEIRAS

                Em 1966, Suingue se transferiu para o Palmeiras em tempo de comemorar o título paulista. No ano seguinte festejou as conquistas da Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa, enquanto a sua amada Prudentina caiu para a divisão inferior do Campeonato Paulista, sucumbindo anos depois. Acabava, portanto, uma história de um clube em que jogaram, ainda, o atacante Ademar Pantera (já falecido), zagueiro Thomaz e o volante Capitão, para alívio dos clubes da capital paulista, que sempre se queixaram dos 520 quilômetros de distância entre as duas cidades, na época, percorridos de ônibus. Consequentemente, o Estádio Félix Ribeiro Marcondez foi demolido.

               De fato, o desfecho da história da Prudentina provocou cicatrizes na alma de Suingue. Já as cicatrizes no rosto foram provocadas por um acidente automobilístico dia 28 de maio de 1966, quando estava na companhia do lateral-direito Luís Carlos Cunha, que morreu. A vida continuou e, já recuperado, Suingue foi reintegrado ao elenco do Palmeiras, adaptando-se em outras funções no gramado. Foi improvisado na ponta-esquerda, assim como atuou de ponta-de-lança. Isso porque os titulares de suas reais posições eram Dudu e Ademir da Guia.

               Ele defendeu o Palmeiras de 1966 a 1968. Foram 75 jogos com a camisa alviverde (32 vitórias, 18 empates, 25 derrotas), 7 gols marcados e três títulos (Robertão e Taça Brasil de 1967 e Paulistão de 1966). Na época o time do alviverde de Parque Antarctica era assim formado; Valdir, Djalma Santos, Djalma Dias, Procópio e Geraldo Scotto (Ferrari); Dudu e Ademir da Guia; Suingue, Servilio, Tupãzinho e Rinaldo. Este foi o time que venceu o Corinthians dia 21 de março de 1966 por 2 a 1 pelo Torneio Rio-São Paulo. O jogo foi no Pacaembu e os gols do Verdão foram marcados por Rinaldo cobrando pênalti e Servilio, enquanto que para o alvinegro de Parque São Jorge, Flávio marcou o único tento.

                Neste jogo teve um acontecimento que vale a pena lembrar. Era a quinta partida de Garrincha com a camisa do Corinthians. Aos 43 minutos do segundo tempo, teve um pênalti a favor do alvinegro. Como Garrincha era a sensação do time, pediram para ele cobrar. Resultado, o goleiro palmeirense Valdir defendeu, impedindo assim o empate daquela partida. Mas para alegria da Fiel, o Corinthians conquistou aquele Torneio, juntamente com Santos, Vasco e Botafogo, pois estávamos bem próximos da Copa de 66 que foi disputada na Inglaterra e por falta de datas, os quatro clubes foram declarados campeões. Esta foi a maior conquista oficial do Corinthians entre os anos de 1954 e 1977.

               Com o passar dos anos, Suingue percebeu que não havia espaço na equipe titular, ou seja, com Dudu e Ademir da Guia jogando o que jogavam dificilmente ele teria uma vaga naquele time, por isso só entrava na equipe em posições que não eram a sua verdadeira. Sendo assim, resolveu deixar o Parque Antarctica, assim como também fez o ponta esquerda Rinaldo e foram jogar no Fluminense do Rio de Janeiro por empréstimo, vindo em troca para o Palmeiras o ponta esquerda Lula.  Quando Suingue chegou nas Laranjeiras, encontrou um bom time que era assim formado; Felix, Oliveira, Galhardo, Altair e Assis; Denilson e Wilton; Cláudio, Samarone, Ademar Pantera e Serginho.

CORINTHIANS

               Em 1969 foi jogar no Corinthians, uma época em que o time de Parque São Jorge não ganhava nenhum título importante e com isto a cobrança era muito grande. Sua estréia com a camisa corintiana aconteceu dia 9 de julho de 1969, quando o alvinegro enfrentou a Francana num jogo amistoso no Estádio José Lancha Filho (Lanchão) na cidade de Franca. O Corinthians venceu por 2 a 0, gols de Luiz Carlos Feijão e Suingue cobrando pênalti. Neste dia o técnico Dino Sani mandou a campo os seguintes jogadores; Lula, Polaco, Mendes, Luiz Carlos e Pedro Rodrigues; Dirceu Alves e Suingue; Marcos, Tales (Luiz Carlos Feijão), Benê (Servilio) e Carlinhos.

               Pelo Corinthians, Suingue fez várias excursões pela Europa e uma que marcou muito foi em Agosto de 1969, quando conquistou a IV Copa del Sol,  quando a equipe enfrentou o Málaga da Espanha e venceu por 1 a 0 gol de Benê. Depois fez a final contra o Barcelona no dia 17 de agosto e venceu por 2 a 1, gols de Adnan e Benê. Outros dois títulos que Suingue ajudou o alvinegro a conquistar, foi o Torneio do Povo em 1971, quando os quatro clubes de maior torcida do país se enfrentaram, ou seja, Corinthians pelo estado de São Paulo, Flamengo pelo Rio de Janeiro, Internacional pelo Rio Grande do Sul e Atlético Mineiro por Minas Gerais. A final foi contra o Internacional dia 19 de fevereiro no Mineirão e o Corinthians venceu por 1 a 0, gol de Rivelino cobrando falta. O outro título foi em 1973, quando o Corinthians conquistou o Torneio Laudo Natel. A final foi contra o Palmeiras no dia 3 de março e o Timão venceu por 2 a 1, gols de Rivelino e Lance. 

               A última partida de Suingue pelo Corinthians aconteceu dia 10 de junho de 1973, quando empatou com o São Paulo em 1 a 1 pela Taça São Paulo. O gol corintiano foi anotado por Vaguinho, enquanto que o gol tricolor foi de Serginho. Neste dia o técnico Yustrich mandou a campo os seguintes jogadores; Ado, Ademir, Baldochi, Luiz Carlos e Eberval; Tião e Nelson Lopes; Vaguinho, Mirandinha (Suingue), Lance e Marco Antonio. Com a camisa corintiana Suingue disputou 137 partidas. Venceu 53, empatou 50 e perdeu 34. Marcou 22 gols.

FINAL DE CARREIRA        

               Depois que deixou o Corinthians, voltou ao Rio de Janeiro, desta vez para jogar no Vasco da Gama, onde a equipe era assim formada; Andrada, Haroldo, Moisés, Miguel e Eberval; Alcir, Suingue e Buglê; Luiz Carlos, Silva e Marco Antonio. Não teve uma boa passagem pelo time de São Januário, pois na maioria dos jogos ficou na reserva do meia Buglê e do volante Alcir Portela (já falecido). Depois jogou ainda no Clube do Remo, de Belém do Pará, onde encerrou sua brilhante carreira. Depois que encerrou a carreira de jogador de futebol, trabalhou algum tempo como árbitro de futebol no Espírito Santo. Depois retornou a sua cidade natal de Rancharia, com seus quase 30 mil habitantes, onde ensina a garotada em escolinhas de futebol. No tempo restante trabalha como segurança de um hospital.

               Swing é um gênero musical derivado do jazz, nascido nos Estados Unidos por volta dos anos 20. É tocado por instrumentos de metais como saxofones, trombones, trompetes, assim como baterias, baixos e guitarras. Suingue, com grafia aportuguesada, foi um meio-campista revelado pela extinta Prudentina nos anos 60, e o sucesso se estendeu no Palmeiras, Corinthians, Fluminense e Vasco da Gama. Foi um verdadeiro “curinga” pelas equipes que passou. Suingue faleceu dia 15 de dezembro de 2013.

1972    –   Em pé: Vágner, Baldochi, Sidnei, Suingue, Luiz Carlos e Eberval   –    Agachados: Vaguinho, Lance, Mirandinha, Nelson Lopes e Rodrigues
1969   –   Em pé: Almeida, Osvaldo Cunha, Pedro Rodrigues, Polaco, Suingue e Alexandre   –    Agachados: Lindóia, Servílio, Joel, Tião e Buião
1969   –   Em pé: Alexandre, Polaco, Luiz Carlos, Ditão, Dirceu Alves e Pedro Rodrigues   –    Agachados: Suingue, Tales, Servílio, Tião e Carlinhos.
1969    –    Em pé: Lula, Dirceu Alves, Ditão, Luiz Carlos, Polaco e Miranda   –    Agachados: Toninho (massagista), Paulo Borges, Ivair, Benê, Suingue e Lima
1969   –   Em pé: Polaco, Dirceu Alves, Ditão, Luiz Carlos, Pedro Rodrigues e Alexandre   –    Agachados: Paulo Borges, Ivair, Benê, Rivelino e Suingue
Em pé: Luis Carlos, Pedrinho, Ado, Ditão, Zé Maria e Suingue   –    Agachados: Paulo Borges, Célio, Rivelino, Mirandinha e Aladim

Em pé: Nélio, Félix, Cláudio, Altair, Galhardo e Assis    –   Agachados: Wilton, Suingue, Salvador, Samarone e Serginho
1969   –   Em pé: Ado, Pedro Rodrigues, Miranda, Luis Carlos, Ditão e Tião   –  Agachados: Ivair, Suingue, Lima, Benê e Rivelino
Em pé: Assis, Osmar, Denílson, Galhardo, Félix e Oliveira  –   Agachados: massagista Santana, Wilton, Suingue, Ademar Pantera, Samarone e Lula

Em pé: Leão, Ramos Delgado, Carlos Alberto Torres, Roberto Dias, Dudu e Rildo   –    Agachados: o saudoso Mário Américo, Suingue, Ademir da Guia, Ivair, Pelé, Edu e mordomo Romeu
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