GERSON: o canhotinha de ouro

                 Gerson de Oliveira Nunes nasceu dia 11 de Janeiro de 1941 em Niterói (RJ).  Conhecido como “O Canhotinha de Ouro”, Gerson tinha um grande sentido de organização de jogo, além de ter sido o mais perfeito lançador do futebol brasileiro, capaz de colocar a bola no peito de um atacante a 40 metros de distância. Pode ser incluído entre os melhores talentos de bola de toda a história do futebol brasileiro. No Flamengo ganhou fama, mas foi no Botafogo que ganhou fortuna e grande posição na seleção brasileira, ao lado de craques como Tostão, Rivelino, Jairzinho e Pelé.  Gerson foi um pequeno gênio do futebol. E lembrem-se que pouco antes da Copa de 70, na faixa em que se discutia essa posição, ainda haviam jogadores como Ademir da Guia e Dirceu Lopes, mas Gerson não deixou escapar aquela oportunidade de mostra a todos, que era dele a camisa 8 daquela seleção que encantou o mundo ao sagrar-se Tri Campeão Mundial.

FLAMENGO

                Gerson começou jogando nos juvenis do Canto do Rio, em Niterói, de onde se transferiu em igual categoria para o Flamengo. Ele formou no rubro-negro uma ala que fez história no futebol brasileiro e estrangeiro. Seu ponta esquerda se chamava Germano, que fez história ao se tornar conde por força de um casamento com a princesa da Bélgica.  Gerson teria vida longa no Flamengo, não fosse a teimosia de Flávio Costa, o técnico da época. Em vez de escala-lo para fazer lançamentos geniais, o treinador decidiu fazer diferente. Pediu que Gerson marcasse Garrincha. Claro que Gerson levou um baile e foi escorraçado da Gávea. Saiu acusado de ser o responsável pelo título do Botafogo de 1962 e de indisciplina, por brigar com o técnico por lhe atribuir missão tão ingrata. Nos anos seguintes, castigou o Flamengo todas as vezes que uma camisa rubro-negra lhe passava pela frente.  Com a camisa do Flamengo, Gerson jogou de 1960 até 1963 e disputou 147 partidas.  Venceu 86, empatou 23 e perdeu 38 vezes.  Marcou 83 gols.

BOTAFOGO

              Em 1964 foi jogar no Botafogo, onde permaneceu até 1969. Nesse período, o Botafogo viveu uma de suas melhores fases e ganhou o bicampeonato carioca de 1967/68.  Nestes anos, o Fogão tinha uma grande equipe, que era assim formada; Cao, Moreira, Zé Carlos, Leônidas e Valtencir; Carlos Roberto e Gerson; Rogério, Roberto, Jairzinho e Paulo César Caju.  Em 1967, o Botafogo decidiu a Taça Guanabara com o Flamengo, mas antes teve que enfrentar o América, numa tarde que foi de Gérson, que comandou o time com seu futebol de craque, passes medidos, lançamentos perfeitos. E o gol da vitória para completar aquele dia inesquecível, também foi do nosso canhotinha de ouro.  Veio então a decisão da Taça Guanabara contra o Flamengo. Gerson, que não havia esquecido da forma como o colocaram para fora da Gávea, resolveu jogar tudo que sabia. E o placar foi de 4 a 1 para o Fogão.  Na decisão do campeonato carioca, a decisão foi contra o Vasco, mas o Botafogo não tomou conhecimento do adversário e simplesmente goleou por 4 a 0, em mais uma tarde de gala de Gerson.  Depois de conquistar o bicampeonato pelo Botafogo, Gerson resolveu jogar na capital paulista.

SÃO PAULO

              Em 1970 Gerson chegava ao Morumbi, já campeão pela seleção brasileira no mundial do México. O São Paulo não conquistava um campeonato há 13 anos. Depois que Gerson chegou, quando a equipe entrava no gramado, a tranqüilidade e a certeza da vitória era total. Mas nos bastidores, nem tanto. Gerson foi acusado de ter dificultado a vida de Pedro Rocha em seus primeiros meses de tricolor. Mas Gerson compensava pelos títulos de 1970 e 1971.  Em seu primeiro ano no Morumbi, Gerson sagrou-se campeão paulista. Isto aconteceu no dia 9 de setembro de 1970, quando o São Paulo venceu o Guarani dentro do estádio Brinco de Ouro, por 2 a 1.

              Esta partida Gerson não pode participar, no entanto, mesmo com a perna engessada e de bengala na mão, jogou tudo pra cima e saiu pulando numa perna só para abraçar seus companheiros. Neste dia o São Paulo jogou com; Sérgio, Forlan, Jurandir, Dias e Gilberto (Tenente); Edson e Nenê; Paulo, Terto (Benê), Toninho Guerreiro e Paraná. O técnico foi Zezé Moreira.  No ano seguinte, Gerson conquistaria mais um título com o São Paulo, e desta vez foi contra o Palmeiras, num jogo muito polêmico, onde o árbitro Armando Marques anulou um gol de Leivinha alegando que foi com a mão.  Este jogo aconteceu no Morumbi dia 27 de junho de 1971 e o São Paulo venceu por 1 a 0 gol de Toninho Guerreiro. 

              Depois deste título, Gerson voltou a desfilar nos gramados do Rio de Janeiro, mais precisamente jogando pelo Fluminense.  Gerson resolveu deixar a cidade de São Paulo, primeiro porque detestava o clima da capital paulista, inclusive uma de suas filhas começava a sofrer de alergia, mas o principal motivo foi o fato do tricolor carioca ter pago 2 milhões pelo seu passe, quando ele já tinha 32 anos de idade. Com a camisa do Tricolor do Morumbi, Gerson realizou 75 jogos. Venceu 40, empatou 15 e perdeu 20 vezes.  Marcou 11 gols.

              Seu único objetivo ao vestir a camisa do Fluminense, era poder defender seu time do coração antes de encerrar a carreira. Se não bastasse sentir orgulho por ser torcedor do Flu, ela ainda ganhou o titulo carioca de 1973, o último de sua carreira. No ano seguinte, encerrou sua carreira de jogador profissional, principalmente com a chegada de Rivelino ao clube das Laranjeiras.

SELEÇÃO BRASILEIRA

              Gerson estreou com a camisa da seleção brasileira em 1959, com apenas 18 anos, na partida Brasil 4 x 2 Costa Rica, numa seleção juvenil, que disputou os Jogos Pan-americanos daquele ano em Chicago, nos Estados Unidos. Em 1960, disputou as Olimpíadas, enfrentando alguns italianos que iria rever em 1970 no México. Sua primeira participação importante defendendo o Brasil numa Copa do Mundo aconteceu em 1966 na Inglaterra. Foi muito criticado pela crônica esportiva na época, sendo taxado de covarde. Paraná chegou a dizer que Gerson chegou a comer pasta de dente para sentir indisposição e não enfrentar Portugal.

               No entanto, num diagnóstico realizado posteriormente, ficou constatado que Gerson estava com pedras nos rins.  Mas a sua glória viria quatro anos depois no México, com uma magnífica atuação, não somente de Gerson, mas também de todo o time, que deu ao canhotinha, um espaço imortal na galeria de craques que já vestiram a camisa verde e amarela. Pelé afirmou que Gerson foi um dos jogadores que teve uma grande parcela de responsabilidade na conquista do tricampeonato.  Durante a competição, Gerson fez três lançamentos geniais, dos quais um deles contra a Checoslováquia foi o mais sensacional, proporcionando a Pelé apenas e tão somente matar a bola no peito e chutar a gol, para marcar um dos quatro gols da vitória brasileira por 4 a 1.

               O último jogo de Gerson pela seleção brasileira, aconteceu dia 9 de julho de 1972 no Maracanã pela Taça Independência, quando o Brasil venceu Portugal por 1 a 0.  Pela seleção, Gerson disputou 85 partidas. Venceu 62, empatou 13 e perdeu 10 vezes. Marcou 19 gols.  Foi campeão da Taça Bernardo O´Higgins em 1961, da Copa Roca em 1963 e 1971, da Copa Rio Branco em 1968, Taça Sesquicentenário da Independência do Brasil em 1972 e o título mais importante, a Copa do Mundo de 1970 no México.

              Fora de campo, em 1976, Gerson participou de uma propaganda de cigarros. A frase publicitária dita pelo ex-craque não pegou bem na época: “Você também gosta de levar vantagem em tudo, certo ?”  Gerson foi injustamente criticado, tentou se explicar, mas não tinha mais jeito. Estava criada a “Lei de Gerson”. Casado com Maria Helena tiveram duas filhas, uma infelizmente morreu em um trágico acidente de trânsito. Gerson que também é conhecido por “Papagaio”, tem duas características constantes: dentro de campo era um jogador corajoso, valente e um líder acima de tudo. Fora de campo, tem muito medo de viajar de avião e sempre que pode evita isso, e prefere viajar em seu carro. Na sua carta de despedida ao Fluminense ao se aposentar, Gerson disse; “Sou o que sou graças ao Deus Futebol, esporte que me proporcionou muitas alegrias e, tudo o que tenho devo a ele.”

1970  –  Em pé: Adailton, Sérgio, Gilberto, Edson, Jurandir e Forlan    –     Agachados: Paulo, Terto, Pedro Rocha, Gérson e Paraná
1962. Em pé: Joubert, Fernando, Décio Crespo, Vanderley, Carlinhos e Jordan   –     Agachados: Espanhol, Nelsinho, Henrique Frade, Dida e Gérson
1966  –  Em pé: Djalma Santos, Bellini, Manga, Orlando Peçanha, Dudu e Rildo    –     Agachados: Jairzinho, Gérson, Flávio, Pelé e Paraná
1971 – Em Pé: Jurandir, Sérgio, Gilberto, Arlindo, Edson e Forlan    –    Agachados: Terto, Pedro Rocha, Toninho Guerreiro, Gerson e Paraná
Em pé: Fidelis, Zito, Bellini, Gilmar, Orlando e Paulo Henrique    –    Agachados: Jairzinho, Gerson, Servilio, Pelé e Amarildo
Copa de 1970  –   Em pé: Carlos Alberto, Félix, Piazza, Brito, Clodoaldo e Everaldo    –    Agachados: Jairzinho, Gerson, Tostão, Pelé e Rivelino
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