ZETTI: um colecionador de títulos

                 Armelino Donizetti Quagliato nasceu dia 10 de janeiro de 1965, na cidade de Porto Feliz (SP). Em quase 20 anos de carreira, o goleiro Zetti conquistou os títulos mais importantes que um jogador sonha. Venceu do campeonato paulista à Copa do Mundo, com direito a duas Libertadores da América e dois Mundiais Interclubes. Zetti, no entanto, ganhou mais do que as glórias em campo. Ao abandonar os gramados em 2001, tinha o respeito e a admiração de torcedores e companheiros. Mas, para chegar a esse estágio Zetti teve que superar momentos difíceis, que quase o afastaram dos gramados precocemente. Dia 17 de novembro de  1988 por exemplo, quando jogava no Palmeiras quebrou a perna numa dividida com o atacante Bebeto, do Flamengo. Foram oito meses parado. 

                Depois em 1993, outro drama. Na volta do jogo contra a Bolívia, pela eliminatórias  da  Copa  dos  Estados Unidos, seu teste anti-doping deu positivo para o uso de cocaína. Durante quatro dias, Zetti ficou suspenso pela Fifa até a CBF provar que ele havia ingerido chá de coca, uma bebida comum na Bolívia, e que não teve a intenção de aumentar seu desempenho técnico. Zetti superou esses dois momentos com o apoio da família e dos amigos. E construiu seu nome na história do futebol brasileiro e, principalmente do São Paulo.

PALMEIRAS

                A história de Zetti começou bem longe do Morumbi. Em 1983, ele chegou ao Guarani, em Campinas, com 17 anos. Longe da família, morando no alojamento do clube, Zetti teve dificuldades. De Campinas foi para o Palmeiras, mas acabou emprestado ao Toledo, do Paraná, onde ficou por três anos. Ao voltar para o Parque Antarctica, Zetti ainda ficou mais um ano e meio na reserva. Nessa época, Leão e Martorelli ocupavam a camisa nº 1 do Palmeiras. Até que em 1987 Zetti teve sua chance. E começou fazendo a diferença. No Campeonato Paulista, o goleiro estabeleceu o recorde de 1.238 minutos sem tomar gol.

                Foram 14 partidas invicto até Luís Pereira fazer, aos 36 minutos do segundo tempo, o gol do Santo André no empate por 1 a 1 com o Palmeiras. Nessa partida, no entanto, o Verdão conquistou o título do turno do Paulistão. Mas, na final, a equipe foi derrotada pelo São Paulo e Zetti teve uma participação direta. Aos 37 minutos da etapa final, ele tomou um gol entre as pernas numa falta cobrada por Neto. O São Paulo venceu por 3 a 0 e ergueu a taça, enquanto Zetti se levantava e pedia desculpas à torcida do Verdão.

              Em 88, o goleiro viveu sua fase mais conturbada. Ficou oito meses parado devido uma fratura na perna num jogo contra o Flamengo no Maracanã. Para garantir o sustento familiar, Zetti transformou um hobby, a pintura, em profissão enquanto não se recuperava. Com isto, Zetti teve que praticamente recomeçar a carreira. Só em 1989 voltou a treinar com o elenco palmeirense. Mas como era o terceiro goleiro, atrás de Veloso e Ivan, não tinha chances. A gota d’água de sua história no Verdão foi uma excursão para Espanha e Itália. O técnico Emerson Leão não o relacionou para a viagem. Zetti, então, manifestou sua vontade de deixar o clube. No final do ano comprou seu passe e o alugou ao São Paulo.

SÃO PAULO

              A chegada ao Tricolor foi marcada por um duelo com Gilmar. Então ídolo do clube e titular absoluto, Gilmar praticamente não dava chances a Zetti. Mas bastaram duas falhas consecutivas do experiente goleiro para tudo mudar. O técnico Pablo Forlan sacou Gilmar e colocou Zetti, que não saiu mais do time. Em 1990, Gilmar deixou o São Paulo e foi para o Flamengo deixando o caminho livre para o novo titular. A partir de 1991 Zetti começou a fazer parte da história do Tricolor. Sob o comando do mestre Telê Santana e tendo ao lado Raí, Muller, Palhinha, Ronaldão, Leonardo e Toninho Cerezzo, Zetti conquistou os títulos mais importantes da história do Tricolor, tendo participações diretas, como por exemplo, no jogo final da Libertadores de 1992, no Morumbi, quando a decisão foi para os pênaltis.

             Orientado por Muller e pelo preparador de goleiros Valdir de Moraes, defendeu a cobrança de Gamboa.  E o tricolor conquistou o título mais importante da sua história até aquela data. Zetti era um dos líderes da equipe, que encantou com seu futebol-arte. Os títulos e a boa fase renderam convocações para a seleção brasileira até a disputa da Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 1994. Zetti foi o reserva de Taffarel na competição e não teve chance de entrar em campo. Mas voltou ao Brasil com o prestígio de ter participado do elenco que deu o título mundial ao país depois de 24 anos. Pelo Tricolor, Zetti disputou 426 partidas e sofreu 509 gols em 6 anos de clube (90 à 96). Nesse período conquistou os seguintes títulos: Campeonato Paulista – 1991 e 1992, Campeonato Brasileiro – 1991, Mundial Interclubes – 1.992 e 1993, Libertadores – 1992 e 1993, Recopa Sul-Americana – 1993 e 1994 e Supercopa Libertadores – 1993.

 VÁRIOS CLUBES

              Após a Copa, Zetti ainda ficou mais dois anos no São Paulo até assinar contrato com o Santos. Em 1997, o goleiro chegava à Vila Belmiro para trabalhar com o técnico Wanderley Luxemburgo. Logo no primeiro mês, o goleiro conquistou aquele que seria seu último título como goleiro: o Torneio Rio-São Paulo. Na decisão, o Peixe venceu o Flamengo, em pleno Maracanã. Mas no resto do ano, o time não repetiu a boa campanha. Zetti, então, aceitou o desafio de defender o Fluminense na segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Em 1998, o prestigiado goleiro chegou às Laranjeiras, mas não pôde impedir o fiasco da equipe na competição.

              O Flu acabou rebaixado para a terceira divisão. Após isso amargou um período afastado dos campos. Em 2001, Zetti foi contratado para atuar pelo União Barbarense, no Campeonato Paulista. Fez algumas partidas pelo clube até receber o convite do técnico Levir Culpi para defender o Sport, no Campeonato Brasileiro. Zetti foi titular até Levir ser demitido. Com o substituto Hugo Benjamin, o goleiro foi para a reserva. A situação irritou o goleiro, que pediu a rescisão do contrato e anunciou o final de sua carreira em 5 de junho.

COMO TREINADOR

              Após encerrar a carreira de dezoito anos como jogador, Zetti ficou afastado do futebol por dois anos, quando fez um curso de treinador e começou a treinar os juniores do São Paulo. O treinador levou o time ao vice-campeonato e perdeu a Copa São Paulo de Juniores, nas quartas-de-final, para o Cruzeiro. Com a troca da diretoria, o ex-goleiro foi demitido. Zetti não desistiu da profissão e resolveu dar seqüência ao seu trabalho vencedor. Depois de um surpreendente vice-campeonato estadual com o pequeno Paulista de Jundiaí, ele tentou a sorte no Guarani e não teve êxito.  A recuperação veio no comando do Fortaleza, devolvendo a equipe à elite do futebol nacional.

              O sucesso no nordeste trouxe Zetti de volta para o eixo RJ-SP. Ele acertou com o São Caetano e comandou a equipe no primeiro semestre de 2005. A passagem de Zetti pelo ABC paulista foi discreta. Depois de uma trajetória irregular no Estadual, o Azulão tropeçou no modesto Treze-PB na Copa do Brasil e o treinador perdeu o emprego. Cotado para dirigir grandes clubes como Santos e São Paulo, ele escolheu o Bahia e retornou à Série B do Campeonato Brasileiro. Porém, ao contrário do bom desempenho que teve à frente do Fortaleza, o ex-goleiro não conseguiu montar uma equipe competitiva no Bahia. Resultado: demissão.  

              Logo depois de deixar Salvador, Zetti foi contratado para o lugar de Osvaldo Alvarez na Ponte Preta, então líder do Campeonato Brasileiro. A intenção era manter o bom nível da Macaca na competição, porém, Zetti acabou demitido novamente. No Moisés Lucarelli, o retrospecto foi péssimo: quatro jogos, quatro derrotas e a Ponte sofreu uma significativa queda na tabela de classificação, indo parar na oitava posição. Depois teve curtas passagens por outros clubes até assumir o Atlético Mineiro em 2007. Porém, após 11 jogos no comando da equipe, foi dispensado. Somando três vitórias, cinco empates e três derrotas, Zetti deixou o clube mineiro na 15ª posição do Campeonato Brasileiro. Em fevereiro de 2008, Zetti foi contratado para comandar o Ituano no lugar de Pintado, que foi para o São Caetano, e um mês depois aceitou convite para dirigir o Juventude até o final da temporada.

              No seu terceiro jogo no comando, o time de Caxias do Sul eliminou o Grêmio do Campeonato Gaúcho, quebrando uma escrita de quatro anos sem vitórias sobre o clube da capital gaúcha. Em 5 de maio de 2009 foi anunciado como novo treinador do Paraná Clube. Como jogador, Zetti sempre foi um goleiro completo, tivesse ele um perfil mais marqueteiro e seria uma lenda do futebol, pois, reflexo, liderança, frieza e elasticidade ele sempre teve, o que fez dele um dos maiores goleiros do futebol brasileiro.

Em pé: Edmílson, Bordon, Serginho, Axel, Zetti e Rojas (treinador de goleiros)   –    Agachados: Válber, Müller, Denilson, Adriano, Belletti, Valdir e o ex-governador de São Paulo – Laudo Natel
Em pé: Zetti, Ronaldão, Leonardo, Ricardo Rocha, Zé Teodoro e Antônio Carlos   –    Agachados: Müller, Raí, Macedo, Bernardo e Cafu
Em pé: Adilson, Zetti, Ronaldão, Vitor, Pintado, Ronaldo Luís e Cerezo    –    Agachados: Hélio Santos (massagista), Muller, Palhinha, Cafu, Raí e Moracy Sant´Anna (preparador físico).
Em pé: Zetti, Gérson Caçapa, Nenê, Marcio, Zanata e Denys     –    Agachados: Tato, Sílvio, Gaúcho, Edu Manga e Mauro

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