AUGUSTO: um lateral de um futebol aguerrido

                  José Augusto Rodrigues nasceu dia 25 de julho de 1940, na cidade de Barra Mansa (RJ). Fim de tarde. Na janela entreaberta, uma motoneta Vespa quebra o sossego. Augusto liga sua Vitrola Eltron enquanto se prepara para ouvir Dalva de Oliveira cantar “Copacabana Beach”. Então, percebe o amigo Evanil no portão. Mais uma vez, era preciso manter o jeito de interessado diante da mesma cantilena:

            – Já falei com todo mundo lá em São Januário. Vou te levar para o Vasco! Tenho certeza que você vai dar certo…. O autor do insistente, e quase inquisitivo convite, era Antônio Evanil Silva, o conhecido lateral esquerdo Coronel que marcou época jogando pelo Vasco da Gama.

               Os dois eram grandes amigos antes mesmo que Coronel deixasse Quatis, então distrito de Barra Mansa, para iniciar sua trajetória no time da “Colina” em 1952. Augusto que era esperto e com boa desenvoltura com o couro nos pés, acabou aceitando o convite do insistente do amigo Coronel.

              Depois de alguns treinos em São Januário, o serviço militar interrompeu o sonho “Cruzmaltino” de Augusto e também de seu amigo Coronel. No final de 1959, olheiros do Esporte Clube Taubaté encaminharam Augusto para realizar um teste. Aprovado, iniciou sua carreira profissional enquanto que Coronel, ainda mais uma vez, tentou levá-lo para o Vasco. Augusto agradeceu e explicou que já tinha empenhado sua palavra junto aos diretores do simpático “Burro da Central” (O apelido de “Burro da Central” foi adotado pelo Taubaté durante o campeonato paulista da segunda divisão de 1954).

CORINTHIANS

              Depois de pouco mais de uma temporada, o esforçado e bom marcador Augusto foi surpreendido por uma proposta do Corinthians. Um pouco temeroso, aceitou colaborar nas negociações, já que o Taubaté precisava reforçar seu caixa. Assim, em 1961, o promissor lateral direito recebeu 300.000 cruzeiros de luvas e acertou salários mensais de 30.000 cruzeiros. Além disso, recebeu como prêmio de cooperação uma vultosa quantia dos dirigentes do clube interiorano.

             Tão logo o amigo Coronel tomou conhecimento dos fatos, telefonou imediatamente para Augusto, que preparava sua mala para deixar Taubaté:  –  Que beleza hein? Boa sorte em São Paulo. Quem sabe em pouco tempo você não acerta de vez com o Vasco… Durante quatro temporadas e 144 compromissos disputados, Augusto viveu uma montanha russa de emoções dentro do Parque São Jorge. Inicialmente, Augusto também sofreu em razão dos péssimos números no primeiro turno do Paulistão de 1961, quando o time recebeu o apelido de “Faz Me Rir”.

              Sua estreia no time corintiano aconteceu no dia 1 de outubro de 1961, quando o alvinegro de Parque São Jorge derrotou o Jabaquara por 2×1, gols de Espanhol e Rafael para o Timão e Saul para o Jabuca. Este jogo foi válido pelo segundo turno do Campeonato Paulista e foi disputado no Pacaembu. Para este jogo o técnico Martim Francisco mandou a campo os seguintes jogadores; Aldo, Augusto, Ari Clemente e Walmir; Gonçalves e Oreco; Espanhol, Adilson, Beirute, Rafael e Neves. O árbitro da partida foi Anacleto Pietrobon. Em 1962 o Corinthians fez uma bela campanha e chegou ao vice estadual sob comandado do técnico Fleitas Solich.

              A última partida de Augusto com a camisa corintiana, aconteceu dia 29 de junho de 1965, num jogo amistoso diante do Atlético de Paranavaí (PR). O jogo terminou com a vitória corintiana por 2×0, gols de Nei e Rivelino. Para este jogo o técnico Oswaldo Brandão escalou a seguinte equipe; Heitor, Galhardo (Augusto), Eduardo, Cláudio (Pedro) e Maciel; Edson e Rivelino; Marcos, Nei (Felício), Airton (Mendes) e Geraldo José.

             Jogando pelo Corinthians, Augusto disputou 144 partidas. Venceu 78, empatou 37 e perdeu 29. Não marcou nenhum gol a favor, no entanto, marcou um gol contra que foi no dia 22 de novembro de 1962, dia em que o Corinthians empatou em 3×3 com o Guarani de Campinas. Os gols corintianos foram anotados por Manoelzinho (2) e Nei, enquanto que para o Bugre Campineiro marcaram Dorival, Hilton e Augusto contra.

             Para este jogo o técnico Fleitas Solich mandou a campo os seguintes jogadores; Aldo, Augusto, Eduardo e Ari Clemente; Amaro e Oreco; Manoelzinho, Silva, Nei, Cássio e Ferreirinha. O jogo foi no Parque São Jorge numa quarta feira a noite e o árbitro da partida foi Stephan Walter Gtanz.

PORTUGUESA DE DESPORTOS

              Em 1965, o técnico da Lusa Aymoré Moreira buscava um bom substituto para o carioca Jair Marinho, que tinha acertado sua transferência para o Corinthians. Dessa forma, os dirigentes do alvinegro aceitaram os termos financeiros oferecidos pelos dirigentes da Portuguesa e liberaram o passe de Augusto. Na transação, a Lusa recebeu também o volante Amaro, ex-América-RJ.

             Augusto permaneceu no time do Canindé até 1969. Em seguida, teve passagens pelo Clube do Remo e pelo Paysandu, onde encerrou sua carreira profissional em 1975. Algumas fontes registram também uma rápida permanência defendendo o Coritiba Foot Ball Club em 1969.

            Desde que deixou os gramados, Augusto fixou residência em Belém do Pará. Atualmente está aposentado, continuando sua ligação com o futebol na revelação de novos jogadores. 

*Nota: Apesar do esforço do amigo Coronel, Augusto não jogou pelo Vasco.

Em pé: Augusto, Vilela, Ditão, Felix, Amaro e Edílson   –    Agachados: Mário Américo (massagista), Almir, Nair, Aloísio Mulato, Ademar e Ivair.

1962 –  Em pé: Aldo, Ferreirinha, Oreco, Augusto, Eduardo e Ari Clemente    –   Agachados: Espanhol, Manoelzinho, Nei, Rafael e Gelson
Em Pé: Augusto, Oreco, Cabeção, Cássio, Eduardo e Ari Clemente    –   Agachados: Bataglia, Silva, Nei, Rafael e Ferreirinha
Em Pé: Orlando, Luizão, Marinho Peres, Zé Maria, Lorico e Augusto    –   Agachados: Ratinho, Ivair, Leivinha, Paes e Rodrigues
Em pé: Oreco, Augusto, Amaro, Clóvis, Eduardo e Heitor    –   Agachados: Nei, Luizinho, Silva, Flávio e Marcos
Em pé: Augusto, Oreco, Amaro, Eduardo, Ari Clemente e Heitor    –   Agachados: Davi, Nei, Silva, Ferreirinha e Lima
Em pé: Augusto, Vilela, Ditão, Felix, Amaro e Edilson Agachados: Almir, Nair, Aloisio, Ademar e Ivair
Em pé: Augusto, Oreco, Cabeção, Cássio, Eduardo e Ari Clemente    –   Agachados: Bataglia, Silva, Nei, Ferreirinha e Neves
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