PALMEIRAS 2×1 SANTOS – Dia 10 de Janeiro de 1960

                 Já se passaram meio século, mas o torcedor ainda se lembra muito bem daquele dia em que o futebol paulista viveu um dos maiores clássicos de toda a história. De um lado, o Santos F.C. com sua máquina de jogar futebol, inclusive tendo em sua equipe o maior jogador de todos os tempos na sua melhor forma, o Rei Pelé.  Do outro lado, a Sociedade Esportiva Palmeiras, que havia montado um super time para o campeonato paulista de 1959. Esta seria a segunda decisão do título paulista entre os dois clubes.

               A primeira aconteceu pelo campeonato de 1927, quando ainda era Palestra Itália.  A decisão foi no dia 4 de março de 1928 e o alviverde venceu por 3 a 2, com gols de Tedesco, Lara e Perillo, enquanto que para o Peixe marcaram; Evangelista e Camarão. O jogo foi na Vila Belmiro e devido a uma arbitragem desastrosa, o árbitro da partida quase foi linchado  pela  torcida  santista  no  final  do  jogo.  Seu  carro foi seguido até a estação de São Paulo, debaixo de muitas vaias dos torcedores do Peixe.

              Mas voltemos ao ano de 1959, quando tivemos a segunda decisão do Paulistão entre Santos e Palmeiras. O Santos era o atual campeão, pois em 1958 simplesmente atropelou seus adversários, sagrando-se campeão com uma rodada de antecedência, após golear o Corinthians por 6 a 1 e o Guarani por 7 a 1 em pleno estádio Brinco de Ouro, em Campinas. Neste ano, Pelé foi o artilheiro com 58 gols, uma marca que certamente jamais será quebrada. 

               Chegava então o ano de 1959, o Santos mantinha o mesmo time do ano anterior, mesmo porque, não tinha o que melhorar, mas os demais clubes, os considerados grandes do futebol paulista, correram atrás de reforços, pois sabiam que as dificuldades seriam enormes naquele ano.  Sendo assim, o Palmeiras foi às compras a fim de reforçar a temporada daquele ano. Trouxe dois valores de peso; o ponta direita Julinho Botelho, que havia saído da Fiorentina, da Itália, e o ponta esquerda Romeiro, do América do Rio de Janeiro.

              Com isto, formou um excelente time, mesmo porque já havia em seu elenco outros jogadores a nivel de seleção, como por exemplo; Djalma Santos, Aldemar, Valdemar Carabina, Chinesinho, Zéquinha e o goleiro Valdir.  Santos e Palmeiras sempre proporcionaram grandes jogos. Um bom exemplo disto, foi aquele do dia 6 de março de 1958, quando o Santos venceu por 7 a 6. Foi um jogo que entrou para a história do futebol. Realmente aquele ano de 1958, o Santos tinha um time imbatível, por isso que para o ano de 59, os grandes times da capital procuraram se reforçar bem, caso contrário o título continuaria na baixada santista.

O INESQUECÍVEL ANO  DE 1959

              O primeiro confronto do ano entre Santos e Palmeiras, aconteceu num amistoso em que empataram em 3 a 3, no dia 14 de março. Depois veio o Torneio Rio-São Paulo e o Verdão venceu por 2 a 1, isto no dia 6 de maio. Depois só voltaram a se enfrentar no dia 3 de outubro de 1959, quando fizeram o primeiro clássico do campeonato paulista daquele ano. Este jogo foi realizado num sábado devido a eleição que aconteceria no dia seguinte.

              E esta partida válida pelo primeiro turno daquele ano, foi realizada no estádio Urbano Caldeira, na Vila Belmiro, na cidade de Santos. O placar foi simplesmente de 7 a 3 para o Santos, com gols de Pépe (2), Pelé (3), Dorval e Dicão contra, enquanto que para o Palmeiras marcaram; Paulinho, Romeiro e Chinesinho. Aquela derrota ficou atravessada na garganta dos torcedores e também dos jogadores do Palmeiras, que esperaram ansiosamente pelo segundo turno. E ele chegou, era o dia 29 de novembro, um dia de muito sol na capital paulista.

               O jogo foi no Parque Antarctica e o árbitro da partida, foi Anacleto Pietrobon, um dos melhores árbitros daquela época. Começa o jogo e logo aos 13 minutos Américo abre o placar para o Palmeiras. Aos 22, Julinho ampliou. Pelé diminuiu aos 33, mas Romeiro aos 36 e Julinho aos 44 fecharam o placar do primeiro tempo.

               No segundo tempo, Américo ainda marcou mais um. Final de jogo, Palmeiras 5 a 1 contra o time mais temido da época, o Santos F.C.  Estava vingada aquela derrota do primeiro turno, agora só restava esperar as demais rodadas para se saber quem seria o grande campeão daquele ano de 1959. O Santos poderia ficar com o título daquele ano, mas tropeçou diante do Botafogo de Ribeirão Preto e assim, tanto Palmeiras como Santos terminaram o campeonato em primeiro lugar com 63 pontos, sendo assim, haveria necessidade de partidas extras para saber quem seria o grande campeão do ano de 1959. Como a última rodada aconteceu no dia 27 de dezembro, a decisão ficou para o ano de 1960, decisão esta que seria numa melhor de quatro pontos.

A GRANDE DECISÃO

              E foi já no dia 5 de janeiro, uma terça feira, que Santos e Palmeiras entraram no Estádio Municipal do Pacaembu para começarem a decidir mais um título paulista. O árbitro era o austríaco Stefan Walter Glanz. Foi um jogo de muita técnica, onde os dois técnicos prepararam suas equipes como se fosse um jogo de xadrez. De um lado, Lula e do outro Osvaldo Brandão, dois técnicos que já faleceram, mas deixaram muita saudade por tudo que fizeram pelo nosso futebol.

              Começa a partida e aos 22 minutos, Pelé abre o placar. Festa na torcida do Peixe. Mas, aos 34 minutos, Zequinha empata a partida ainda no primeiro tempo.  E este seria o placar final. Veio então a segunda partida e esta aconteceu dois dias depois, ou seja, dia 7 de janeiro, uma quinta feira.  O palco era o mesmo, o velho Pacaembu, que mais uma vez recebeu um grande público. O árbitro da partida foi Catão Montez Junior. Começou a partida e aos 25 minutos Pépe cobrando pênalti abriu o placar. Final do primeiro tempo. 

               Logo aos 3 minutos do segundo tempo, o zagueiro santista Getúlio, marcou contra. Dois minutos depois, Chinesinho virou o placar, mas aos 35 minutos, Pepe empatou novamente a partida. E assim terminava mais uma vez empatada aquela decisão, 2 a 2, num jogo em que os goleiros Laércio e Valdir tiveram muito trabalho. E a grande decisão ficava para o dia 10 de janeiro de 1960, um domingo de muito sol e calor na capital paulista.  Pela qualidade dos dois times e pela dificuldade em saber quem seria o campeão daquele ano, a imprensa passou a chamar de Super Campeonato.

O JOGO DO TÍTULO

              E finalmente chegou o grande dia, lá estavam mais uma vez frente a frente, Santos e Palmeiras para realizarem um jogo que entraria para a história. O Santos era o atual campeão, enquanto que o Palmeiras já estava há nove anos com o grito de campeão entalado na garganta, pois seu último título havia sido em 1950.  O palco daquele espetáculo era novamente o Estádio Municipal do Pacaembu, que neste dia recebeu um público de 37.023 pessoas, que proporcionou uma arrecadação de Cr$ 3.076.375,00, que para a época foi considerada extraordinária.

             O árbitro da partida foi Anacleto Pietrobon e neste dia o técnico Lula mandou a campo os seguintes jogadores; Laércio, Urubatão, Getúlio, Dalmo, Formiga, Zito, Dorval, Jair da Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe. Sem dúvida alguma, um time que impunha muito respeito a qualquer adversário. Já pelo Palmeiras, o técnico Osvaldo Brandão mandou a campo os seguintes jogadores; Valdir, Djalma Santos, Valdemar Carabina, Aldemar, Geraldo Scotto, Zequinha, Chinesinho, Julinho Botelho, Américo, Nardo e Romeiro. Realmente duas máquinas de jogar futebol.

            Dos 22 jogadores, 13 já haviam vestido a camisa da seleção brasileira. Quem teve a felicidade de ver estes monstros sagrados jogarem, pode dizer que é um privilegiado, pois eram jogadores de alto nível, coisa que nos dias de hoje não vemos mais. E o mais importante, jogavam por amor a camisa, pois o que ganhavam não chega nem perto de muitos jogadores de quinta categoria dos dias de hoje.  São estes jogadores de hoje, que nos fazem sermos saudosistas.

PRIMEIRO TEMPO

              O jogo decisivo foi no dia 10 de janeiro de 1960, o Santos fez voltar ao time, Jair Rosa Pinto e Pagão, que tinha se casado e estava em lua de mel na cidade de Poços de Caldas. Ele voltou correndo para jogar a decisão. E logo no inicio da partida, Pagão cabeceia a bola para Pelé que marca o primeiro gol, aos 14 minutos do primeiro tempo.

               Logo depois, Pagão era atingido por Aldemar e ficou em campo fazendo número. Jair também não fazia uma boa partida e o Santos perdia a agressividade no ataque e a harmonia do meio do campo. Enquanto isso, Chinesinho tomava conta do jogo e Aldemar, de Pelé. A única coisa que faltava ao Palmeiras era sorte. Romeiro chutou bolas na trave. Aos 42 minutos o futebol de Chinesinho supera a falta de sorte. No meio campo, ele desarma Pelé, e passa rápido para Romeiro, que experimenta para o gol da entrada da área. Formiga corta mal e a bola sobra para Julinho, que empata o jogo.

SEGUNDO TEMPO

               Quando menos a confiante torcida peixeira esperava, aos três minutos da etapa final, falta para o Palmeiras, de meia-distância. Romeiro batia forte e de três dedos, com um veneno incrível. E aquela batida de falta tornou-se imortal: por cima da barreira, a bola foi no ângulo do ex-palmeirense Laércio, que nem se mexeu. Golaço que garantiu a vitória por 2 a 1 e que rendeu inflamada invasão do gramado do Pacaembu pela torcida palmeirense ao término do jogo. Palmeiras era o grande campeão paulista de 1959.      

PALMEIRAS DE 1959  –   Em pé: Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Aldemar, Zéquinha e Geraldo Scotto     –     Agachados: Julinho, Nardo,Américo, Chinesinho e Romeiro
SANTOS F.C. DE 1959    –   Em pé: Dalmo, Zito, Urubatão, Formiga, Getúlio e Laércio    –    Agachados: Dorval, Jair da Rosa Pinto, Coutinho, Pelé e Pepe

       

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