LULA: melhor goleiro da história do Náutico do Recife

                Luiz dos Santos Costa nasceu dia 16 de janeiro de 1942, na cidade de Maceió – AL. Goleiro do Náutico no tempo do Hexa, um dos melhores que Pernambuco já teve. Alagoano de nascimento, foi relacionado por João Saldanha entre as feras que iriam disputar as eliminatórias da Copa de 70. Esteve no Corinthians, mas como naquele tempo só dava Pelé… Retornou a Pernambuco sem nenhum título paulista, indo jogar no Sport e depois no próprio Náutico, mas já sem o mesmo brilho de outrora. Participou de apenas um jogo oficial defendendo o arco da Seleção (Brasil 6 x 0 Venezuela, a 24 de agosto de 69, no Maracanã). No Náutico, marcou presença em todos os seis anos na jornada do Hexa. Lula foi um dos mais arrojados goleiros que o futebol pernambucano já teve. É outro que continua entre nós, reside em Olinda, há muito tendo assumido a cidadania pernambucana, com família nascida e criada na cidade irmã do Recife. Até hoje é ídolo da torcida do Náutico, pois sua melhor fase foi defendendo o clube pernambucano.

NÁUTICO

               É impossível falarmos do goleiro Lula sem falarmos do Clube Náutico Capibaribe de Pernambuco, pois foi lá que Lula teve sua melhor fase dentro do futebol. A década de 60 foi marcante para os torcedores do Náutico, pois conquistaram praticamente todos os títulos que disputaram, não tinha pra ninguém. Tudo começou em 1963, quando veio o primeiro título. O Bi veio no dia 25 de setembro de 1964, quando o Náutico venceu o Sport por 2 a 1 na Ilha do Retiro com gols de Geraldo e Bita. O título foi conquistado de forma invicta. O Tri aconteceu no dia 13 de dezembro de 1965, quando tivemos duas partidas para decidir quem seria o campeão pernambucano daquele ano. Mais uma vez o adversário foi o Sport. Na primeira partida o Náutico venceu por 2 a 0, gols de Nado e Bita e na segunda partida, precisando somente de um empate, não deu outra, zero a zero.

               Em 1966 veio o Tetra e isto aconteceu dia 21 de dezembro e esta conquista foi ainda mais relevante. O ano foi de grandes partidas para o Náutico pela Copa Brasil, e as três finais pelo estadual, não foram diferentes. Na primeira, 2 a 0, com gols de Bita e Miruca (que também jogou no São Paulo). Já na segunda, um empate em 1 a 1, com Ivan marcando para o Timbu, levando, assim, a final para os Aflitos. E o Náutico não decepcionou. Aplicou uma goleada em cima do Sport, 5 a 1. Gols de Nino, Zé Carlos, Bita, Miruca e Lala. Veio o ano de 1967, e com ele, mais glórias para o Náutico.

              Ninguém imaginava que além do penta, o Náutico se tornaria vice-campeão na Taça Brasil. No pernambucano, o Timbu (como é chamado o Náutico pela sua torcida) pela primeira vez nesta seqüência de títulos teve um adversário diferente na final, o Central. A decisão, nos Aflitos, e o resultado do jogo, realizado no dia 11 de dezembro de 1967, 4 a 1 para o Náutico. Gols de Nino e Miruca. E mais uma vez, o título aconteceu de forma invicta para os alvirrubros. Naquele momento, já se comemorava algo inédito e gigantesco, até então. 1968 seria o ano do Náutico? Sim, foi. Não só do Hexa, como também o ano que marcou a estréia do Timbu na competição internacional Libertadores da América – sendo o primeiro time do Nordeste a participar de uma competição internacional.

             O Náutico estava reconhecido mundialmente e vencer o estadual passou a ser obrigação, após a eliminação na primeira fase da Libertadores. O pernambucano chegou a sua decisão, com mais uma vez o Sport enfrentando o Náutico nas duas partidas da final. Antes delas, o Náutico venceu o Sport por 1 a 0, gol de Ramos, evitando assim a conquista do Sport no terceiro turno. No primeiro jogo da final, na Ilha, 3 a 2 para o Sport. Gols de Nino e Ivan. Então, sorteio para saber onde seria “a grande decisão” e deu Aflitos. Fato muito comemorado pelos alvirrubros, já que há cinco anos o Náutico estava invicto no seu reduto.

             Chegou o grande dia. 21 de julho de 1968. Mais de 30 mil pessoas no estádio. O jogo iniciou às 15:15 horas e, a partir daquele momento, cada minuto era de ansiedade para os alvirrubros. E no total foram 120 minutos. No tempo normal, 0 a 0, então veio a prorrogação. Mais 30 minutos de nervosismo, ansiedade e espera pelo Hexa. Porém, logo no início, veio o alívio com o gol de Ramos. E ficou nisso mesmo. Depois do apito do árbitro Armindo Tavares, o alvirrubro foi tomado pela emoção, pela alegria. O Hexa era do Náutico, que conseguia concretizar a maior seqüência de títulos no estado de Pernambuco.

             Neste dia o Náutico jogou com a seguinte escalação; Lula, Gena, Mauro, Limeira e Fraga (Clóvis); Salomão e Ivan; Miruca, Nino (Ramos), Bita e Lala. Vale lembrar que o goleiro Lula participou dos 6 títulos em que o Náutico conquistou. O torcedor do Náutico não se esquece do time hexacampeão pernambucano de 1963 a 1968 e guarda com carinho a escalação daquele timaço do Timbu, começando pelo goleiro Luís dos Santos Costa, o Lula, que está ainda na seleção de todos os tempos do alvi-rubro pernambucano.

             Nestes seis anos, 69 atletas participaram dos seis títulos. Destes, 56 estão vivos e fizeram parte da “semana do Hexa” – evento este em que foi homenageado os heróis que não só fizeram, como são parte da história mais gloriosa do Clube Náutico Capibaribe. O time dos sonhos do torcedor do Náutico é o seguinte; Goleiro: Lula; Zaga: Gena, Mauro Calixto, Fraga e Marinho Chagas; Meio-de-campo: Salomão, Ivan Brondi e Vasconcelos; Ataque: Nado, Bita e Lala. Técnico: Duque

TAÇA BRASIL DE 1967

               O Náutico somente disputou a fase norte contra o America CE e venceu o dois jogos ganhando o direito de entrar na edição nacional da Taça Brasil. Pegou então nas quartas de finais o Atlético Mineiro que já formava o time que viria a ser campeão brasileiro 4 anos depois, em 71. Neste time atuavam Humberto Monteiro, Grapete, Vanderlei Paiva, Tião, Lola e Buião. Pois o Alvi-rubro não tomou conhecimento e eliminou o Galo Carijó. No primeiro jogo, o Náutico venceu o Galo Mineiro por 3 a 0. No segundo jogo o Atlético venceu por 2 a 0. No terceiro jogo que foi disputado no Mineirão, ficou no empate em 2 a 2, veio a prorrogação e o placar não foi alterado, sendo assim, o Náutico estava na Semi-final, que seria contra outro clube mineiro, desta vez o poderoso Cruzeiro, que havia vencido o Santos de Pelé por 6 a 2.

               Na primeira partida que foi disputada no Mineirão, o Cruzeiro de Tostão, Piazza, Dirceu Lopes e Cia. venceu por 2 a 1. Na segunda partida lá na Ilha do Retiro, o Náutico não tomou conhecimento do seu adversário e venceu por 3 a 0, com dois gols de Miruca e um de Lala. Na terceira partida o jogo terminou em 0 a 0 e na prorrogação o placar foi o mesmo, com isto o Náutico estava na final da Taça Brasil de 1967 e o adversário seria o temível Palmeiras.

              A esta altura o Náutico já era Pentacampeão pernambucano e iria disputar sua primeira final nacional de sua história e seria contra a Academia, que já havia conquistado a outra competição nacional daquele ano, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Na primeira partida que aconteceu dia 20 de dezembro de 1967, o Palmeiras venceu por 3 a 1. O jogo foi na Ilha do Retiro e os gols do alviverde foram marcados por César, Zéquinha e Lula. Na segunda partida disputada no Pacaembu, o Náutico venceu por 2 a 1.

              A terceira e decisiva partida para saber quem seria o grande campeão da Taça Brasil de 1967, foi realizada no Maracanã e neste dia o Náutico não pode contar com o goleiro Lula, jogando em seu lugar Valter. O jogo aconteceu dia 29 de dezembro de 1967 o árbitro foi Armando Marques  e com gols de César Maluco aos 7 minutos de jogo e de Ademir da Guia aos 34 do segundo tempo, o Palmeiras sagrou-se campeão. Neste dia o alviverde jogou com;  Perez, Geraldo Scalera, Baldochi, Minuca e Ferrari; Dudu e Zequinha; César, Tupãzinho, Ademir da Guia e Lula. Técnico: Mário Travaglini.

CORINTHIANS

               Depois do Náutico, Lula defendeu o Corinthians. Ele chegou ao Parque São Jorge com status de um dos melhores goleiros do país. Sua estréia com a camisa corintiana aconteceu dia 27 de abril de 1968, quando o Corinthians empatou com o Guarani em 0 a 0. Neste dia o técnico Lula mandou a campo os seguintes jogadores; Lula, Osvaldo Cunha, Ditão, Clóvis (Almeida) e Maciel; Edson e Rivelino; Buião (Benê), Paulo Borges, Flávio e Eduardo. Foi uma época em que o torcedor corintiano ainda comemorava a quebra do tabu sobre o Santos ocorrida há um mês e meio. Mas no ano seguinte foi com grande tristeza que Lula perdia dois grandes companheiros, Lidu e Eduardo, que faleceram num trágico acidente automobilístico no dia 28 de abril de 1969.

               Com a chegada do goleiro Ado vindo do Londrina, Paraná, seis meses depois, Lula deixava o Parque São Jorge. Sua última partida com a camisa número 1 do Timão aconteceu dia 25 de outubro, quando o alvinegro venceu o Vasco da Gama por 2 a 1 pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. O jogo foi no Maracanã e os gols corintianos foram marcados por Ivair e Rivelino, enquanto que Fidélis marcou o único tento vascaíno. Com a camisa do Corinthians, Lula disputou 59 jogos. Venceu 31, empatou 11 e perdeu 17. Ao todo sofreu 60 gols. Ainda em 1969, Lula defendeu a meta da nossa seleção nas eliminatórias para a Copa de 1970. Ainda hoje o “Monstrinho” como Lula era chamado por seus companheiros, é idolatrado pela torcida do Náutico, como um dos melhores goleiros que já vestiu a camisa do querido Timbu. Lula faleceu dia 26 de dezembro de 2014.   

1969 –  Em pé: Lula, Dirceu Alves, Ditão, Luiz Carlos, Polaco e Miranda    –    Agachados: Toninho (massagista), Paulo Borges, Ivair, Benê, Suingue e Lima
1969 – Em pé: Luís Carlos, Dirceu Alves, Maciel, Ditão, Pedro Rodrigues e Lula   –    Agachados: Paulo Borges, Tales, Benê, Rivelino e Buião
Náutico de 1967 – Em pé: Gena, Mauro, Fraga, Clóvis, Lala e Lula    –     Agachados: Miruca, Paulo Choco, Bita, Ivan e Nino
1968   –  Em pé: Oswaldo Cunha, Lula, Luis Carlos, Dirceu Alves, Ditão e Vanderlei     –     Agachados: Buião, Tales, Paulo Borges, Rivelino e Eduardo. 
Em pé: German, Zequinha, Salomão, Lula, Clóvis e Coronel    –   Agachados: Nado, Bita, China, Ivan e Rinaldo
Em pé: Oswaldo Cunha, Dirceu Alves, Ditão, Luis Carlos, Edson Cegonha, Lula e o massagista Davidson    –     Agachados: Paulo Borges, Tales, Parada, Rivelino e Eduardo

 

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Em pé: Lula, Oswaldo Cunha, Ditão, Luís Carlos, Dirceu Alves e Lidu   –    Agachados: Paulo Borges, Adnan, Benê, Rivelino e Eduardo
Em pé: Lula, Oswaldo Cunha, Ditão, Luís Carlos, Dirceu Alves e Lidu    –     Agachados: Paulo Borges, Adnan, Benê, Rivelino e Eduardo

          

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