PROCÓPIO: ídolo no Cruzeiro e no Atlético

                 Procópio Cardoso Neto nasceu dia 21 de março de 1939, na cidade de Salinas – MG. Como jogador ou técnico de futebol, conquistou o respeito de adversários históricos, e graças a sua determinação de não abrir mão da honra, do caráter e da ética, é que teve a honra de alcançar conquistas memoráveis, tanto no Cruzeiro como no Atlético, tanto no São Paulo como no Palmeiras, tanto no Internacional como no Grêmio. Não foi somente no Brasil que isso aconteceu. No Catar, treinou os dois maiores times rivais e depois a seleção nacional daquele país.

                Não são as taças e os troféus suas maiores conquistas, são os incontáveis jogadores, torcedores e demais pessoas de quem colecionou o respeito e o carinho. Em todas as equipes onde jogou teve a confiança dos colegas para ser seu capitão em campo. Apesar de ser um zagueiro, tinha que incentivar o time a jogar no ataque, sempre. Como capitão dizia para o time aquilo que a sabedoria popular já sabia: o ataque é a melhor defesa.

INÍCIO DE CARREIRA

               Logo nos primeiros anos de vida, mudou para Belo Horizonte por decisão do avô, já que perdera o pai com 9 anos de idade, e passou a estudar em regime interno no Colégio Batista. Aos 13 anos de idade, passou a defender a categoria infantil do Atlético Mineiro. Três anos mais tarde, mudou-se para a equipe júnior do Renascença, clube que o revelou para o futebol. Em 1959, chegou ao Cruzeiro e conquistou seu primeiro título como atleta profissional: o Campeonato Mineiro. Após três temporadas no Cruzeiro, foi vendido ao São Paulo, mas não ficou por muito tempo na equipe paulistana.

              No Tricolor do Morumbi jogou com jogadores de altíssimo nível, como por exemplo; Poy, De Sordi, Benê, Roberto Dias, Canhoteiro e tantos outros. Infelizmente era uma época que o São Paulo estava mais preocupado com a construção do estádio do Morumbi e assim, não investia tanto no time de futebol, apesar de ter grandes jogadores em seu elenco. Com a camisa do Tricolor, Procópio disputou 36 partidas. Venceu 22, empatou 6 e perdeu 8 vezes.

               Voltou a Belo Horizonte em 1962 para vestir a camisa alvinegra por empréstimo. Faturou o Estadual daquele ano e permaneceu até meados de 1963 no Atlético, até o Fluminense comprar seu passe junto ao Tricolor Paulista. No time das Laranjeiras, jogou ao lado de grandes craques, como, Carlos Alberto Torres, Oldair, Altair, Joaquinzinho, Escurinho e tantos outros. Sagrou-se campeão carioca de 1964, atuou em 111 partidas pelo Fluminense e marcou 2 gols.

PALMEIRAS

               Já em 1965, atuou em uma das principais formações da história do Palmeiras, carinhosamente chamada de Academia. No alviverde, ficou por menos de um ano, mas faturou o Torneio Rio-São Paulo. Naquele ano o Palmeiras tinha uma verdadeira máquina de jogar futebol;  Este ano de 1965, o Palmeiras era tão forte, que na inauguração do Estádio Magalhães Pinto, o Mineirão, tivemos uma partida entre Brasil e Uruguai.

              No entanto, quem representou o Brasil naquele jogo, foi o Palmeiras, cujos jogadores vestiram a camisa da Seleção Brasileira no dia 7 de setembro de 1965. Foi um verdadeiro show de bola e assim, derrotaram a seleção uruguaia por 3 a 0, gols de Tupãzinho, Rinaldo e Germano. Neste dia o técnico Filpo Nuñes mandou a campo os seguintes jogadores; Valdir de Moraes (Picasso); Djalma Santos, Djalma Dias, Valdemar Carabina (Procópio) e Ferrari; Dudu (Zequinha) e Ademir da Guia; Julinho (Germano), Servílio, Tupãzinho (Ademar Pantera) e Rinaldo (Dario).

              O jogo foi visto por 96.669 pessoas, que aplaudiram com muito entusiasmo aqueles jogadores que honraram a camisa da seleção canarinho. Com a camisa do Palmeiras, Procópio disputou entre 1965 e 1966, 38 partidas. Venceu 22, empatou 8 e perdeu 8 vezes.

 CRUZEIRO

               Após sua ida e vinda em grandes clubes brasileiros, voltou ao Cruzeiro, equipe que defendeu por mais 9 temporadas. Lá, conquistou 5 estaduais e a Taça Brasil de 1966. E foi a partir desta vitória do Cruzeiro sobre o Santos em 1966, que o time de Belo Horizonte passou a ser conhecido por todo o Brasil. E tudo começou no dia 30 de novembro de 1966, quando o Cruzeiro enfrentou o Santos, pentacampeão brasileiro, no Mineirão, pela decisão da Taça Brasil. A missão da equipe mineira não era somente interromper a seqüência de títulos dos santistas, mas acima de tudo, enfrentar o time de Pelé e Cia. Procópio foi um dos destaques daquele jogo na goleada de 6 x 2.  

               Na segunda partida que aconteceu em São Paulo, outra bela atuação de Procópio no jogo de volta no estádio do Pacaembu, quando o Cruzeiro voltou a vencer e desta vez por  3 a 2.  Neste dia o Cruzeiro jogou com; Raul, Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Wilson Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Edvaldo e Hilton Oliveira.  O técnico era Airton Moreira, irmão dos também treinadores Zezé Moreira e Aymoré Moreira, todos já falecidos.

              Dois anos depois, num jogo contra o Santos, pela Taça de Prata de 1968, foi atingido por Pelé e rompeu o tendão do joelho e fraturou a perna. A contusão aconteceu na melhor fase da carreira, quando aguardava a convocação para a Seleção que iria disputar o mundial do México em 1970. Depois, afastou-se dos campos por cinco anos, período em que foi supervisor e técnico do juvenil do clube. Teve que vender sua casa para sobreviver, mas com o apoio da família e de amigos soube dar a volta por cima. Aprendeu que a solução de muitos problemas passa pelo apoio decisivo que recebemos de outras pessoas.

              Muitos davam como certo o seu afastamento do futebol, mas em 1973 Procópio retornou ao futebol e contribuiu para levar o Cruzeiro às finais dos Brasileiros de 1973 e 1974. Como jogador, Procópio foi bicampeão mineiro em 1962 e 1963 pelo Atlético Mineiro,  e pelo Cruzeiro foi campeão da Taça Brasil em 1966, campeão mineiro em 1959, 60, 67, 68 e 73 e vice campeão brasileiro em 1973 e 1974, sendo que no ano de 74, o título foi muito questionado pelos cruzeirenses. No Campeonato Brasileiro daquele ano, Cruzeiro e Vasco fizeram a mesma campanha no turno final e a CBD marcou uma decisão extra entre as duas equipes para decidir o título, que seria numa partida única no Mineirão, já que o Cruzeiro havia feito melhor campanha em todas as outras fases da competição.

              Mas o clube foi vítima da maior armação já vista em nosso futebol. A partida foi transferida para o Maracanã. O time jogava por um empate para sagrar-se campeão. Quando o Vasco vencia a partida por 2 x 1, o ponta direita Baiano cruzou uma bola da lateral e Zé Carlos marcou, de cabeça, o gol de empate que daria o título ao Cruzeiro.  Inexplicavelmente, o árbitro Armando Marques anulou o gol, que poderia ser o mais importante na carreira de Zé Carlos e que daria o título ao Cruzeiro. Com a camisa celeste do Cruzeiro, Procópio atuou em 212 jogos somando-se as duas passagens que teve pelo clube (1959 e 1961 e entre 1966 e 1974). Pela Seleção Brasileira, jogou 10 vezes entre 1963 e 1968 com cinco  vitórias, dois empates e três derrotas.

TREINADOR

               Depois que encerrou sua brilhante carreira de jogador, passou a viver fortes emoções fora das quatro linhas. No entanto, assim como jogador, Procópio passou a colecionar títulos como treinador. É o segundo treinador que mais dirigiu o Atlético Mineiro, só perdendo para Telê Santana (com 434 jogos). Em 6 passagens como treinador do Atlético Mineiro comandou o time 328 jogos com 199 vitórias, 71 empates e 58 derrotas. Levou o Atlético à final do Brasileiro de 1980, às semi-finais da Taça Libertadores de 1981, e ao título da Copa Conmebol de 1992. Além de ter treinado algumas das equipes que conquistaram o inédito Hexacampeonato Mineiro do Galo de 1978 a 1983. Trabalhou também em diversos clubes brasileiros, como; Fluminense, Grêmio, Internacional, Goiás, Atlético Paranaense, Bahia, América Mineiro e também no exterior, como; Catar, Estados Unidos e na Arabia Saudita por inúmeras vezes, inclusive a seleção nacional daquele país.

               Procópio é o mais novo integrante da Calçada da Fama do Mineirão. Ele entrou para o seleto grupo antes de um clássico entre o Galo e a Raposa que aconteceu dia 20 de fevereiro de 2010, quando imortalizou seus pés em uma placa que é exibida no local. A cerimônia aconteceu no gramado, mas Procópio posou em frente ao espaço no hall principal do estádio. Ele se junta a Pelé, Dadá Maravilha, Éder, Piazza, Raul, Nelinho, Alex e outros craques. Homenagem mais que justa, uma vez que esteve presente na Seleção Mineira que conquistou o título de 1963 e motivou o então governador Magalhães Pinto, diante de 150 mil pessoas, a construir um estádio para a cidade em 24 meses.

             Durante a solenidade, sua família e nomes importantes do futebol mineiro estiveram presentes. Emanuel Carneiro, diretor-presidente da Rede Itatiaia, disse que se trata de um símbolo, uma lenda do futebol de Minas Gerais, apesar de ter jogado em outras equipes do país durante sua carreira tão bonita e que completava 50 anos. “É merecido. Foi jogador de raça e temperamento explosivo, que também passou por momentos difíceis (como a contusão oriunda do lance com Pelé). Ao mesmo tempo, é exemplo de superação e de um grande atleta”.

Em pé: Zé Carlos, Neco, Darci, Pedro Paulo, Procópio e Raul   –    Agachados: Natal, Evaldo, Tostão, Dirceu Lopes e Rodrigues
1961   –   Em pé: De Sordi, Procópio, Deleu, Riberto, Suli e Benê   –    Agachados: Faustino, Prado, Baiano, Jair Rosa Pinto e Canhoteiro
Em pé: Grapete, Hélio, Wander, Procópio, Airton e Décio Teixeira   –    Agachados: Buião, Santana, Roberto Mauro, Buglê e Tião
Em pé: De Sordi, Poy, Deleu, Riberto, Procópio, Benê e o mordomo Serrone   –    Agachados: Célio, Gonçalo, Gino, Baiano e Agenor
Em pé: De Sordi, Poy, Rubens Caetano, Roberto Dias, Luís Valente e Procópio   –    Agachados: Célio, Benê, Gino Orlando, Baiano e Canhoteiro
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Procópio, Djalma Dias, Zequinha e Ferrari   –    Agachados: Jairzinho, Ademar Pantera, Servílio, Dudu, Rinaldo e o massagista Reis
Em pé: Zé Carlos, Nelinho, Procópio, Vitor, Perfumo e Vanderlei     –       Agachados: Eduardo, Palhinha, Evaldo, Dirceu Lopes e Lima
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Santo, Procópio, Dudu e Ferrari     –    Agachados: Julinho Botelho, Servílio, Tupãzinho, Ademir da Guia e Germano

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