CEJAS: goleiro argentino que brilhou no Santos FC.

                  Agustin Mário Cejas nasceu dia 22 de março de 1945, na cidade de Buenos Aires, Argentina. Se o torcedor santista se orgulha por ter tido em sua meta goleiros como; Manga, Gilmar, Laércio, Cláudio, Rodolfo Rodrigues e mais recentemente Rafael, não pode esquecer de Cejas, um goleiro argentino que jogou no Santos de 1970 a 1975. Foi um dos grandes destaques do Peixe na campanha do título paulista de 1973, ao defender dois pênaltis na final contra a Portuguesa de Desportos (último título de Pelé no clube). Cejas chegou na Vila Belmiro com a missão de substituir o lendário Gilmar dos Santos Neves, que estava se aposentando no final de 1969. 

                  Cejas foi contratado pela sua experiência, afinal já havia sido campeão argentino em 1966, campeão da Libertadores da América e campeão Mundial Interclubes em 1967, pelo Racing, da Argentina. E a diretoria do Santos acertou na sua contratação, pois foi um grande goleiro e que o torcedor santista ainda hoje guarda em sua memória, pelas grandes atuações que fez vestindo a camisa do Peixe.

RACING DA ARGENTINA

                 Cejas começou sua carreira no Racing da Argentina em 1962 e por lá ficou até 1970, nesse período conquistou a torcida do clube argentino e chegou a defender a seleção do seu país nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964. Chegou ao auge de sua carreira em 1967, quando foi campeão da Libertadores da América, ao derrotar o Nacional do Uruguai por 2 a 1 e posteriormente campeão Mundial Interclubes, quando o Racing derrotou o Celtic, da Escócia, que era o campeão europeu. O título foi decidido em três partidas. Na primeira, o jogo foi realizado em Glasgow, Escócia e o Celtic venceu por 1 a 0, a segunda partida foi disputada em Avellaneda, Argentina, no dia 1 de novembro de 1967 e o Racing venceu por 2 a 1.

                Sendo assim era necessário uma terceira partida para se saber quem seria o campeão mundial daquele ano e esta partida foi em campo neutro, ou seja, no estádio Centenário de Montevideo, Uruguai. Este jogo aconteceu dia 4 de novembro de 1967 e o Racing venceu por 1 a 0, gol de Cárdenas. Este foi o único título mundial do Racing, por isso, Cejas ainda hoje é lembrado com muito carinho pelo torcedor do clube argentino, pelo qual disputou 313 partidas.

SANTOS F.C.

                Cejas chegou ao Santos com um terrível missão, a de substituir o grande goleiro Gilmar, que tantos títulos importantes conquistou pelo Peixe. Mas devido a sua experiência e ótimo goleiro que era, não deixou a torcida santista preocupada, pois logo nos primeiros jogos que fez com a camisa santista, provou que era realmente um grande goleiro. A equipe do Santos em 1970 era assim formada; Cejas, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Lima; Nenê, Douglas, Pelé e Edu. Este foi o time que enfrentou o Corinthians no Pacaembu pelo Robertão de 1970 no dia 1 de novembro de 1970. O jogo terminou com a vitória corintiana por 2 a 0, gols de Aladim e Paulo Borges.

               Como todo goleiro argentino, Cejas era uma atração a parte. Dono de um estilo diferenciado, as vezes jogava utilizando um boné, lembrando os antigos goleiros dos anos 50. Costumava cruzar os braços quando alguém ia bater um pênalti, parecendo que estava crescendo frente ao batedor, e não raro o defendia. Assim aconteceu no dia 29 de setembro de 1974, quando defendeu um pênalti cobrado por Adãozinho do Corinthians. Este jogo entrou para a história, pois foi a última vez que Pelé enfrentou o Corinthians. Ao todo foram 50 jogos, de 1957 até 1974 e nestes 17 anos, Pelé venceu 25, empatou 16 e perdeu 9 vezes para o Corinthians. Marcou 50 gols. Mas neste último confronto com o alvinegro de Parque São Jorge, quem marcou o único gol da partida, foi Rivelino.

               Cejas preferia as cores sóbrias e na maioria das partidas, jogava de preto. Diferente dos goleiros atuais, Cejas não batia faltas e tão pouco vibrava após realizar suas grandes intervenções. Porém, conhecia sua posição como poucos. Era um goleiro difícil de ser batido. Tinha uma ótima colocação e reflexos apurados, além de uma leitura antecipada do desfecho das jogadas. Mas Cejas também tinha suas deficiências. Costumava ficar adiantado próximo a linha da meia lua com seus 1;88m e 83 kg. Isso lhe custou alguns sustos e logo foi abandonando essa prática depois de várias criticas da imprensa e dos torcedores.

               Cejas também apresentava dificuldades com chutes disparados de longa distância, pois segundo o próprio goleiro, no futebol argentino os jogadores não arriscavam tanto de fora da grande área. Porém, nas cobranças de pênaltis Cejas era um homem “gelado”. Tinha sua própria maneira de desestabilizar os cobradores ficando de braços cruzados e apenas olhando fixamente para o atacante. Mantinha essa postura estática até a autorização do árbitro para a cobrança.

               E foi assim que Cejas teve sucesso naquela polêmica decisão do Campeão Paulista de 1973, marcada pelo erro na contagem dos pênaltis pelo árbitro Armando Marques. Após 90 minutos no tempo normal, mais 30 de prorrogação, o placar continuava do mesmo jeito que havia começado, ou seja, zero a zero. Sendo assim vieram as cobranças de pênaltis e lá estava Cejas com sua tranquilidade para garantir mais um título paulista ao Santos Futebol Clube.

               O primeiro a bater foi o lateral-esquerdo do Santos, Zé Carlos. O ala chutou à meia altura, de pé direito, no canto esquerdo do goleiro Zecão, mas o arqueiro da Lusa defendeu. Para a primeira cobrança da Portuguesa foi o lateral-esquerdo Isidoro. O jogador bateu no ângulo direito de Cejas, que defendeu de mão trocada. Tudo igual, zero a zero. Carlos Alberto foi para a segunda cobrança do Santos. O lateral-direito bateu no canto esquerdo do goleiro, que se esticou para o lado oposto. Fazendo 1 a 0. A Portuguesa desperdiçou a chance de empatar com o zagueiro Calegari. O defensor chutou fraco no canto direito e Cejas defendeu sem maiores problemas. O placar permanecia 1 a 0 para o Peixe.

               O terceiro cobrador do Santos foi Edu. O atacante chutou no meio e alto. E Zecão caiu para o lado direito. Fazendo 2 a 0. Wilsinho foi para a terceira cobrança, ele chutou com o pé esquerdo, mas acabou acertando o travessão. Depois das três cobranças, ainda faltavam mais duas e a Portuguesa não tinha balançado as redes. O placar estava 2 a 0 para o Santos. Mesmo havendo a chance matemática da Lusa o então árbitro Armando Marques cometeu um erro grave e histórico. O juiz encerrou as cobranças de pênalti, depois da bola na trave de Wilsinho, e segundo as contas do árbitro, o Santos era o Campeão Paulista de 1973.

               Com o apito final e a decisão polêmica de Armando Marques, os santistas se abraçaram, os repórteres invadiram o gramado do Morumbi. Os então campeões santistas colocaram as faixas de campeão e ergueram a taça, e até deram a volta olímpica. Porém, a final ainda não tinha acabado. De acordo com o regulamento, para determinar o Campeão Paulista deveriam ser batidos cinco pênaltis para cada time, e só três haviam sido cobrados. Após a decisão, o árbitro Armando Marques reconheceu o seu equívoco ao ser questionado pelos dirigentes da Federação Paulista. Mas a esta altura os jogadores da Portuguesa vendo que seria muito difícil reverter a situação, rapidamente deixaram o estádio e com isto, por falta de datas, A Federação Paulista de Futebol, declarou Santos e Portuguesa como campeões paulista de 1973.

               Ainda neste ao de 73, Cejas recebeu o troféu Bola de Ouro, da Revista Placar, juntamente com o uruguaio Ancheta, que jogava no Grêmio de Porto Alegre. Cejas permaneceu na Vila Belmiro até o ano de 1975, quando voltou a Argentina para defender as cores do Huracan. Com a camisa do Santos, Cejas disputou 256 partidas e nesse período conquistou os seguintes títulos; Campeão Paulista (1973), Campeão do Torneio Hexagonal do Chile (1970), Campeão do Torneio Internacional de Kingston, na Jamaica (1971) e Detentor da Vice-Fita-Azul do Futebol Brasileiro (17 partidas invictas, no período de 26 de maio a 9 de julho), por partidas disputadas nos seguintes países: Japão, Hong Kong (China), Coréia do Sul, Tailândia, Austrália, Indonésia, Estados Unidos da América e Canadá. Por tudo isso, foi homenageado tendo seu nome no camarote de número 16 da Vila Belmiro.

GRÊMIO

               Em 1976, Cejas deixou o Huracan e novamente voltou para o futebol brasileiro graças a uma proposta financeira quase irrecusável oferecida pelo Grêmio, que naquele ano queria montar um grande time com o objetivo de quebrar a série de títulos do Internacional. Porém, naquele campeonato de 1976, o Internacional levou a melhor novamente. No Grêmio, Cejas foi de encontro aos hábitos conservadores do técnico Telê Santana, que não aprovava sua mania de jogar de boné e as saídas um tanto estabanadas do gol. O grande legado de Cejas em sua passagem pelo Grêmio, além das grandes atuações, foi uma frase que ficou marcada e ajudou muito na conquista do campeonato gaúcho do ano seguinte, em 1977, “jogadores ganham partidas, mas os homens conquistam os títulos!”

               Ainda em 1976, o grande goleiro voltou para a Argentina, onde defendeu novamente o Racing e também o River Plate, onde conquistou seu segundo título argentino antes de encerrar sua carreira em 1981. Depois passou a trabalhar com técnico de futebol, mas foi por pouco tempo. Hoje vive em Buenos Aires e sofre de Mal de Alzheimer, mas sempre será lembrado com muito carinho pela torcida santista, como um dos melhores goleiros que já vestiu a gloriosa camisa do Santos Futebol Clube. Cejas faleceu dia 14 de agosto de 2015.

Em pé: Cejas, Zé Carlos, Léo, Roberto, Hermes e Vicente   –   Agachados: Mazinho, Brecha, Cláudio Adão, Nenê e Edu
Em pé: Cejas, Orlando, Ramos Delgado, Oberdan, Clodoaldo e Rildo   –    Agachados: Davi, Lima, Mazinho, Pelé e Edu
Em pé: Cejas, Orlando, Oberdan, Paulo, Léo e Turcão   –    Agachados: Davi, Dicá, Lairton, Pelé e Edu
Em pé: Eurico, Cejas, Jerônimo, Beto Fuscão, Ancheta e Bolívar   –    Agachados: Zequinha, Neca, Alcino, Alexandre Bueno e Ortiz
Em pé: Cejas, Lima, Ramos Delgado, Léo, Orlando e Edu   –    Agachados: Arlen, Clodoaldo, Picolé, Pelé e Rildo
Em pé: Carlos Alberto, Cejas, Ramos Delgado, Djalma Dias, Clodoaldo e Rildo   –    Agachados: Davi, Lima, Nenê, Pelé e Edu
1973   –   Em pé: Cejas, Vicente, Carlos Alberto, Marinho Peres, Clodoaldo e Turcão   –    Agachados: Manoel Maria, Brecha, Eusébio, Pelé e Edu
Em pé: Cejas, Hermes, Turcão, Marinho Peres, Vicente e Clodoaldo   –    Agachados: Fernandinho, Brecha, Nenê, Pelé e Mazinho
Em pé: Cejas, Orlando, Oberdan, Paulo, Clodoaldo e Zé Carlos    –    Agachados: Edu, Afonsinho, Alcindo, Pelé e Ferreira

 

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