SIMÃO: campeão paulista pelo Corinthians em 1954

                  Pedro Simão de Aquino nasceu dia 16 de março de 1924, na cidade de Recife – PE. Foi um ponta esquerda daqueles que ia até a linha de fundo e cruzava na área. Assim ele fez muitas vezes jogando pelo Corinthians em 1954, quando ajudou a equipe conquistar o título mais cobiçado na época, o título de Campeão do IV Centenário da cidade de São Paulo. Antes de jogar no time de Parque São Jorge, jogou na Portuguesa de Desportos, onde formou um dos ataques mais famosos da história da Lusa do Canindé; Julinho Botelho, Renato, Nininho, Pinga e Simão. Era extremamente veloz, envolvia seus adversários com inteligência, por isso foi convocado para a Seleção Brasileira, na qual foi campeão sul-americano de 1949. Tinha um chute forte, principalmente nas cobranças de falta e esta foi uma de suas armas para marcar os 18 gols pelo Corinthians, 22 pela Portuguesa e 7 pela Seleção Brasileira ao longo de sua carreira.

PORTUGUESA DE DESPORTOS

                  Antes de chegar no Canindé, Simão jogou Sport de Recife de 1943 até 1946. Menino simples e humilde, pensou muito em deixar sua terra natal, mas acabou aceitando a oferta da Portuguesa. Antes de deixar Recife, Simão deu a seguinte declaração ao jornal Diário de Pernambuco no dia 17 de janeiro de 1946; “Deixo Pernambuco saudosamente. Espero tirar do futebol um meio de subsistência para minha numerosa família. Tenho sete irmãos menores e meu pai ganha pouco. Aceitei o contrato da Portuguesa de Desportos mais por necessidade de angariar uma posição melhor do que mesmo por intenção de ser um profissional da pelota. Sigo satisfeito por ter conseguido uma posição tão boa e inesperada”. Simão tinha na época 17 anos, e com isto,  precisou de autorização do pai e ganhou 12 mil cruzeiros por dois anos, com ordenados mensais de 800 cruzeiros e as gratificações regulamentares.

                 A década de 50 para a Portuguesa foi maravilhosa. Formou um grande esquadrão e conquistou títulos importantes. Como por exemplo a “Fita Azul”, que era um titulo oferecido pelo jornal “Gazeta Esportiva” ao time que permanecesse invicto por mais de 10 jogos em excursões fora do país. A Portuguesa recebeu o prêmio três vezes por excursões que realizou durante a década de 50. A Portuguesa foi a primeira equipe brasileira a viajar para a Turquia. O Museu Histórico da Portuguesa possui a bola de capotão trazida da Suécia.  Outra conquista importante da Lusa do Canindé, foi a Copa San Isidro, santo este que é o padroeiro de Madrid e, em sua homenagem, há uma semana inteira de comemorações. Entre essas comemorações, o Clube Atlético de Madrid decidiu instituir a disputa da Copa San Isidro.

                No dia 16 de maio de 1951, 70 mil torcedores foram ao Estádio Metropolitano assistir à partida entre Portuguesa e Atlético de Madrid. A Portuguesa chegou a estar ganhando por 3×0, mas a arbitragem, para evitar uma humilhação maior da equipe local, passou a interferir no resultado da partida, até mesmo anulando o gol mais bonito da Portuguesa. No final, vitória da Portuguesa por 4×3. Neste dia a Portuguesa jogou com; Muca, Djalma Santos, Nena, Ceci e Noronha; Brandãozinho e Pinga; Julinho, Renato, Nininho e Simão.

                Em 1952, outra grande conquista da Lusa, Campeã do Torneio Rio-São Paulo. Naquele ano, a Portuguesa tinha seis jogadores que defendiam a Seleção Paulista; Julinho, Pinga, Djalma Santos, Muca, Brandãozinho e Noronha. Ao final do Torneio terminaram empatados os dois clubes da colônia portuguesa, ou seja, Portuguesa de Desportos e Vasco da Gama.  Foram necessárias duas partidas para decidir o título. A primeira aconteceu no dia 15 de junho de 1952, no velho Pacaembu. A Portuguesa venceu por 4 a 2, gols de Nininho (2), Julinho e Pinga. Enquanto que para o time carioca marcaram; Ademir de Menezes e Manéca.

                A segunda partida aconteceu no dia 19 de junho no Maracanã e a Lusa jogou com; Muca (Lindolfo) Nena, Hemínio e Noronha; Djalma Santos, Brandãozinho (Carlos) e Cecy (Manduco); Julinho, Renato (Leopoldo), Nininho (Bota), Pinga e Simão. Técnico: Jim Lopes. O jogo terminou empatado em 2 a 2. Os dois gols da Lusa foram marcados por Pinga, enquanto que para o Vasco, os marcadores foram os mesmo da primeira partida, ou seja, Ademir de Menezes e Manéca. Foi um jogo extremamente violento, principalmente por parte dos vascaínos, que precisavam reverter o placar da primeira partida. Após o trunfo, a Portuguesa contabilizava 4 jogadores contundidos (Muca, Julinho, Renato e Nininho) mas o presidente Mário Augusto Isaías anuncia “bicho” de Cr$ 5.000,00 pelo empate e mais Cr$ 20.000,00 pela conquista do torneio.

CORINTHIANS

                Em 1953, Simão deixou a Lusa e foi jogar no Corinthians, onde encontrou grandes craques e assim, formou um grande time. Sua estréia com a camisa do alvinegro, aconteceu dia 6 de setembro de 1953, quando o Corinthians derrotou o Santos por 2 a 1 pelo Campeonato Paulista. O jogo foi na Vila Belmiro e os gols corintianos foram marcados por Vermelho e Baltazar, enquanto que Vasconcelos marcou o único tendo praiano. Neste dia o Corinthians jogou com; Gilmar, Homero e Olavo; Idário, Goiano e Roberto Belangero; Cláudio, Vermelho, Baltazar, Carbone e Simão. O técnico era Rato.

                No ano seguinte, Simão ajudou o Corinthians a conquistar um dos títulos mais importantes da sua história. Se não é o mais importante, é o mais lembrado pelo torcedor corintiano, Campeão do IV Centenário, um título que todos os clubes de São Paulo cobiçavam em conquistá-lo, pois sabiam que iria entrar para a história do clube. Faltando ainda três rodadas para terminar o Campeonato Paulista, o Corinthians foi à Vila Belmiro jogar contra o Santos. Caso vencesse aquela partida, praticamente seria o campeão, mas foi derrotado por 4 a 1.

                Na próxima rodada, que seria a penúltima do campeonato, o adversário seria o arqui-rival Palmeiras. Como estava três pontos na frente do alviverde, um empate já bastava para conquistar o titulo. O jogo foi no dia 6 de fevereiro de 1955, no velho estádio do Pacaembu, que neste dia recebeu um grande público. E foi ainda aos 9 minutos do primeiro tempo que surgiu o gol do Corinthians. Cláudio cruzou a meia altura para a área do Palmeiras entre Waldemar Fiume e o goleiro Laércio. Rápido, o pequeno Luizinho entrou no meio dos dois e cabeceou para abrir a contagem.

                 No segundo tempo, logo aos cinco minutos, Homero cometeu uma falta em Liminha perto da linha de fundo. Jair chutou com violência. A bola desviou em Idário, tirou Gilmar da jogada, e Nei se aproveitou e fez o gol palmeirense. Até o final foi um jogo extremamente nervoso, mas ao final dos 90 minutos, o árbitro Esteban Marino apita o final da partida. Corinthians Campeão do IV Centenário.

                A última partida de Simão pelo Corinthians aconteceu no dia 22 de junho de 1955, quando o Corinthians derrotou o Palmeiras de virada por 2 a 1 pela Taça Charles Miller. O jogo foi no Estádio Municipal do Pacaembu e os gols corintianos foram marcados por Cláudio cobrando pênalti e Luizinho, enquanto que Ivan marcou o único tendo do alviverde. Este jogo teve como curiosidade a inauguração dos novos refletores do Estádio do Pacaembu. Com a camisa do alvinegro de Parque São Jorge, Simão disputou 86 partidas. Venceu 48, empatou 20 e perdeu 18. Marcou 18 gols e foi Campeão Paulista e do Torneiro Rio-São Paulo, ambos em 1954.

SELEÇÃO BRASILEIRA

                Pela Seleção Brasileira conquistou a Copa América de 1949, realizado no Brasil. Sua estréia com a camisa canarinho aconteceu dia 3 de abril daquele ano, quando o Brasil goleou o Equador por 9 a 1. Já em sua estréia, Simão marcou dois gols. Os demais foram marcados por: Jair da Rosa Pinto (2), Tesourinha (2), Otávio, Ademir de Menezes e Zizinho. Este jogo foi em São Januário, campo do Vasco da Gama. No jogo seguinte, contra a Bolívia, Simão voltou a marcar mais dois gols em outra goleada por 10 a 1. Os demais gols foram marcados por: Nininho (3), Cláudio (2), Zizinho (2) e Jair da Rosa Pinto. Este jogo foi no Pacaembu.

                Depois o Brasil derrotou o Chile por 2 a 1e a Colômbia por 5 a 0, os dois jogos também foram no Pacaembu. Simão voltou a marcar mais dois gols no jogo contra o Perú, lá no Rio de Janeiro. A última partida da nossa seleção foi contra o Paraguai e o Brasil aplicou outra goleada, desta vez, 7 a 0. E assim dessa maneira, o Brasil conquistou a Copa América de 1949. Com a camisa da seleção, Simão disputou 7 partidas. Venceu 6 e perdeu uma, contra o Paraguai na primeira partida da decisão da Copa América. Marcou 6 gols.

TRISTEZA

               Depois que deixou o Corinthians, não conseguiu se firmar em nenhum clube por onde passou. Jogou ainda no São Bento de Sorocaba em 1955. Depois voltou para a Portuguesa de Desportos, onde jogou por dois anos, 1956 e 1957. Depois encerrou a carreira no ano seguinte jogando pelo Vila Santista, um modesto clube da cidade Santos-SP. Segundo um morador da cidade de São Caetano do Sul, o ex-craque Simão viveu seus últimos dias de vida, trabalhando como lavador de carros junto à Praça da Matriz daquela cidade. Morreu pobre e indigente.

                Deixou uma filha chamada Elaine Simão, que trabalha como professora. Infelizmente este não é o único caso de ídolos que acabam morrendo no esquecimento, inclusive nem a data da morte é especificada em registros do Corinthians. É realmente muito triste vermos um homem que tantas alegrias deu ao povo, morrer dessa maneira. Só nos resta orarmos por ele e pedirmos à Deus para que tenha o descanso eterno junto ao Criador.

Em pé: Eli, Augusto, Wilson Francisco Alves, Barbosa, Danilo e Noronha     –     Agachados: Tesourinha, Zizinho, Octávio Moraes, Jair Rosa Pinto e Simão
1955   –   Em pé: Técnico Oswaldo Brandão, Cherry, Olavo, Alan, Idário, Valmir e Goiano    –   Agachados: Nonô, Cláudio, Paulo, Nardo e Simão
Em pé: Cabeção, Goiano, Homero, Olavo, Diogo e Roberto Belangero   –    Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Gatão e Simão
Lindolfo, Djalma Santos, Nena, Brandãozinho, Hermínio e Ceci   –    Agachados: Julinho Botelho, Ranulfo, Nininho, Pinga e Simão
Em pé: Juarez, Cabeção, Hermínio, Jorge, Vieira e Zinho   –    Agachados: Amaral, Ipojucan, Ferreira, Edmur e Simão
Em pé: Gilmar, Idário, Olavo, Goiano, Homero e Roberto Belangero   –   Agachados: Cláudio, Luizinho, Paulo, Carbone e Simão

Em pé: Goiano, Alan, Idário, Homero, Roberto Belangero e Gilmar   –    Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Rafael e Simão

Em pé: Idário Goiano, Gilmar, Homero, Olavo e Roberto Belangero     –    Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Simão
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