ELZO: jogador de melhor preparo físico de todo mundial de 1986

                Elzo Aloísio Coelho nasceu dia 22 de janeiro de 1961, na cidade de Serrania – MG. Lá nasceu também o jornalista Ney Gonçalves Dias. A cidade fica próxima de Machado e Alfenas, e ele se chama Elzo porque tem uma irmã gêmea chamada Elza. Foi um jogador que defendeu vários clubes no Brasil e no exterior e também a nossa seleção brasileira, inclusive disputando uma Copa do Mundo, a de 1986 que foi realizada no México, onde a Argentina sagrou-se campeã e o Brasil ficou em 5º lugar. Elzo foi considerado no México o melhor preparo físico da Copa, ousou deixar Falcão na reserva, disputou todos os jogos e foi apontado por Telê Santana como o melhor jogador do Brasil na competição. Fomos desclassificados nas cobranças de pênaltis, onde Sócrates e Júlio César não converteram. Elzo estava escalado para bater o pênalti, mas Telê Santana mudou em cima da hora e mandou Júlio Cesar cobrar. Elzo encerrou a carreira precocemente, no começo dos anos 90, quando tinha somente 30 anos de idade. Depois passou a trabalhar como treinador.

INÍCIO DE CARREIRA

                 Seu primeiro contato com o futebol foi no Asas, da Cidade de Machado (MG) ainda criança. Pouca gente sabe, mas Elzo também defendeu uma equipe da Segunda Divisão de São Paulo no começo de carreira. Ele jogou seis meses pelo Amparo Atlético Clube, da cidade de Amparo (SP). Depois foi jogar no Ginásio Pinhalense, no final dos anos 70.

INTER DE LIMEIRA

               Profissionalmente, Elzo começou na Internacional de Limeira, onde se destacou e chamou a atenção de olheiros de grandes clubes do futebol brasileiro. Era o ano de 1980 quando Elzo chegou a Limeira e junto com Bolivar, Suemar, Toinzinho, Lela, Eloi dentre outros bons jogadores, formou um grande time e obtiveram excelentes resultados, como aquele empate diante do Corinthians no dia 29 de outubro de 1983, principalmente porque o alvinegro de Parque São Jorge tinha um grande time, tanto é que foi o campeão paulista daquele ano. Este jogo foi 1 a 1, gols de Baia para a Inter e Ataliba para o Timão. Neste dia o técnico da Inter, Sérgio Clérice mandou a campo os seguintes jogadores; Marcos, Nonoca, Beto Lima, Bolivar e Batata; Cacau, Elzo e Eudes (Salomão); Adilson, Baia e Walllace. No final de 1983 o Atlético Mineiro veio buscá-lo.

ATLÉTICO MINEIRO              

                  No Galo Mineiro Elzo conquistou os Campeonatos Mineiros de 1985 e 1986.  Por lá ele brilhou mostrando garra, vontade e lealdade. Na partida da final do Campeonato Mineiro de 1985, ficou marcada para sempre na memória dos atleticanos quando Elzo jogou boa parte do jogo com a cabeça enfaixada depois de cortar o supercílio em um lance com o goleiro do Cruzeiro. Elzo conta como foi aquele jogo “numa bola na área do Cruzeiro, tive um choque com o goleiro do Cruzeiro e com Douglas.  Cortei o supercílio. Sangramento forte.  Paulo Isidoro pediu minha substituição.  Dr. Neilor Lasmar colocou uma faixa, mas pediu que eu não continuasse.  Joguei os 90 minutos, prorrogação e vencemos. Depois fui direto para o Hospital”. Na época o Atlético tinha um grande time; João Leite, Nelinho, Oliveira, Luizinho e Nena; Elzo, Paulo Isidoro e Everton; Sérgio Araujo, Alyson e Edivaldo. Pelo Atlético disputou 140 partidas, marcou 10 gols e conquistou dois títulos estaduais (85/86).

                 Elzo ficou no Atlético até 1987, quando foi vendido ao Benfica de Portugal, onde ficou bicampeão. Na temporada de 1987-88, ele disputou a final da Liga dos Campeões, perdida para o PSV Eindhoven nos pênaltis. No ano seguinte, voltou ao Brasil para defender o Palmeiras, onde ficou até 1990, que na época tinha o seguinte time; Veloso, Marques, Toninho, Aguirregaray e Dida; Elzo, Ranielli e Betinho; Jorginho, Mirandinha e Careca. O técnico era Telê Santana. Em 1991, foi contratado pelo Catanduvense, onde encerrou a carreira aos 30 aos de idade. Aposentou-se sem nunca ter sido expulso.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Telê estava no mundo Árabe e quando retornou ao Brasil e reassumiu a Seleção, fez uma convocação com jogadores antigos e novos,  visando a preparação para a Copa. Elzo foi convocado de maneira surpreendente pelo técnico Telê Santana da Silva em março de 1986, para o lugar do Toninho Cerezo que devido a problemas fiscos não pôde ir a Copa. Quando Telê decidiu colocar Elzo como titular, a bairrista crônica esportiva veio abaixo. Foi muito criticado pela imprensa paulista e carioca, pois em sua posição tinha Falcão, Alemão, Junior e exigiam ainda o Andrade do Flamengo e o Jandir do Fluminense. Havia portanto, muita concorrência, mas Elzo pegou as críticas como um incentivo e seguiu em frente.  

               Na Seleção recebeu o reconhecimento da imprensa mundial sendo eleito um dos melhores jogadores da Copa do Mundo de 1986, na qual ele deu um chute que atingiu 108 km de velocidade, no jogo contra a França, sendo considerado o chute mais potente da Copa de 86. Depois do Mundial, quando foi considerado um dos melhores jogadores do Brasil no torneio, tudo mudou. Alguns jornalistas chegaram até a pedir desculpas a ele. No total, Elzo jogou onze partidas pela seleção brasileira, entre março e junho de 1986.

             Quando chegou o dia do corte, muitos achavam que seu nome era um dos que estavam na lista. No entanto, só apareceu os nomes de Mozer, Leandro, Renato Gaúcho, Marinho, Sidnei, Cerezo e Dirceu. Mas teve um dia que tudo parecia ter acabado e Elzo conta com detalhe o que aconteceu “Eu nunca havia conversado com Telê.  Um dia saí do treino após dar as voltas complementares que sempre dava e ao chegar no vestiário vazio, chegou o Telê e disse: “Elzo, você está enganando a quem? Pensa que vai me enganar?  Prá mim você está cortado, está morto. Vai ser o primeiro a sair.  Craque aqui é o Zico, Sócrates, Junior, etc”.  Fiquei transtornado. 

              Fui para meu quarto e chorei demais.  Arrumei minha mala e botei na minha cabeça que pela manhã iria embora. Aí pensei.  O Telê me convocou, me colocou no time titular, me dá essa bronca.  Não vou embora não.  Vou ficar e provar a ele meu valor.  Chega  o Branco que era meu companheiro de quarto e  fala: – Está chorando Elzo, algum problema?.  Respondi: Nada não, estou apenas arrumando a mala. Tomei um banho e fui jantar. No dia seguinte, acordei mais cedo e fui treinar e ele não falou mais nada”.

COPA DE 1986

               Durante o torneio, o técnico Telê conseguiu equilibrar o time. A defesa era muito forte, com qualidade no meio campo e um ataque que tinha Müller e Careca. O Brasil saiu da Copa invicto e com apenas um gol sofrido. O Brasil fez uma boa Copa. No meio, Elzo, Alemão, Sócrates e Junior um meio de campo muito consistente e brigador. Na defesa a experiência de Edinho com Júlio César.  Josimar e Branco foram muito bem.  Carlos só tomou o gol contra a França.  Quando os jogadores chegaram ao Brasil foram aplaudidos.  

               Perdemos nos pênaltis para uma grande seleção, a francesa.  Naquele jogo fizemos 1 a 0 e poderíamos ter feito outros.  Sofremos o empate através de Platini e Zico perdeu um pênalti no tempo normal.  Era ele quem teria de bater.  Era o batedor principal.  Quando se tem um jogador como Zico, líder de excelente caráter, quem vai bater no lugar dele?  Bateu e perdeu.  Uma fatalidade.  Depois na prorrogação tivemos chances de ganhar.  Fomos para os pênaltis e o último seria batido por Elzo.  Telê trocou e colocou o Júlio César que estava treinando bem.  Perdemos.  Na última cobrança da França o Carlos foi na bola, a bola bateu na trave e voltou nele e entrou. 

               Aquela Copa não era nossa. Neste jogo contra a França realizado dia 21 de junho de 1986, o Brasil jogou com; Carlos, Josimar, Júlio César, Edinho e Branco; Elzo, Alemão, Júnior (Silas) e Sócrates; Muller (Zico) e Careca. Neste mundial o Brasil ficou em 5º lugar, realizou 5 jogos com 4 vitórias e um empate. Marcou 10 gols e sofreu apenas 1. Os jogos do Brasil foram os seguintes: Brasil 1x0 Espanha  –   Brasil 1×0 Argélia  –   Brasil 3×0 Irlanda do Norte  –   Brasil 4x0 Polônia  e  Brasil 1x1 França (Nos pênaltis, 4×3 pra França).

FORA DAS QUATRO LINHAS

               Após ter parado de jogar, Elzo não perdeu aquela disposição, mas a direcionou para os vários negócios que toca paralelamente. Ele administra três empresas, faz bico como comentarista e encontra tempo para matar a saudade da bola disputando jogos de veteranos.  Longe dos campos ele continuou correndo tanto como nos tempos de volante. Primeiro, passou a cuidar de uma revenda da Brahma em Minas, empresa que possui até hoje. Depois, montou um escritório de marketing e consultoria esportiva, o Futelzo, que promove torneios e faz transações de jogadores. O último ramo em que se meteu foi o farmacêutico. Decidiu se associar a um pesquisador da Universidade de Alfenas (MG) para criar uma pomada específica para recuperação de atletas.

               Paralelamente aos três negócios, ainda trabalha como comentarista na EPTV, sucursal da Globo no Sul de Minas. O ex-jogador só deixa a região (mora em Machado-MG) para bater uma bolinha com a camisa de uma seleção brasileira de veteranos. Vale lembrar que em 1989, Elzo recebeu o troféu Bola de Prata da revista Placar. O ex-volante é casado com Regina e perdeu o mais velho de seus dois filhos em um acidente de carro na cidade de Machado (MG), no dia 21 de março de 2009. Elzo Túlio Bressane tinha apenas 15 anos, pegou o carro escondido da família e capotou o veículo no trevo que dava acesso ao cemitério da Saudade.

1989 – Em pé: Biro, Ivan, Elzo, Marco Antonio, Toninho Cecílio e Edson     –    Agachados: Betinho, Dorival Júnior, Róger, Bandeira e Paulinho Carioca
Copa de 1986   –   Em pé: Sócrates, Josimar, Júlio César, Edinho, Branco e Carlos   –    Agachados: o massagista Nocaute Jack, Muller, Júnior, Careca, Alemão, Elzo e o roupeiro Ximbica
Em pé: João Leite, Batista, Nelinho, Elzo, João Pedro e João Luis    –    Agachados: Sérgio Araújo, Paulo Isidoro, Tita, Marcos Vinícius e Edivaldo
Em pé: Marques, Elzo, Toninho Cecílio, Dida, Velloso e Aguirregaray    –   Agachados: Jorginho, Ranielli, Betinho, Roger e Careca

 

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