NILO: um autêntico ponta esquerda

                Nilo Alves da Cunha nasceu dia 23 de janeiro de 1932, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Foi um ponta esquerda habilidoso, daqueles que partia pra cima do marcador, corria até a linha de fundo e cruzava para o cabeceio de um atacante. Foi campeão carioca pelo América em 1960, um título que até hoje é comemorado pela torcida americana, pois de lá para cá o clube carioca nunca mais soube o que é ser campeão. Jogou também no Palmeiras em 1963, sagrando-se campeão paulista naquele ano, quando a equipe de Parque Antarctica tinha uma verdadeira seleção, tanto é que era a única equipe no país que conseguia enfrentar o Santos de Pelé e Cia. de igual para igual. Nilo foi realmente um grande jogador, muito querido pelos companheiros e torcedores, pois era um  homem simples e humilde. Sempre cumpriu rigorosamente as ordens de seus treinadores, por isso era sempre escalado como titular. Quando veio do América para o Palmeiras, veio também outro jogador que marcou época na equipe alviverde, o zagueiro Djalma Dias.

AMÉRICA

                 Nilo começou sua carreira no Barreirinha de Paquetá, Rio de Janeiro. Em 1951 ingressou no juvenil do Flamengo e posteriormente foi para o Bonsucesso. Lá começou a destacar-se em 1955, sob o comando do técnico Sylvio Pirilo. O clube embora pequeno e de poucos recursos, conseguiu a façanha de ficar na frente do Botafogo no campeonato daquele ano.

CAMPEÃO CARIOCA

                No final de 1959 Nilo foi vendido ao América, outro clube pequeno do Rio de Janeiro, no entanto, no ano seguinte o clube americano montou um grande esquadrão e enfrentou de igual para igual os chamados grandes da cidade maravilhosa. O time do América naquele ano era assim formado; Ari, Jorge, Djalma Dias, Wilson Santos e Ivan; Amaro e João Carlos; Calazans, Antoninho, Quarentinha e Nilo. O técnico era Jorge Vieira, que na época tinha apenas 24 anos e depois se tornaria um grande treinador, trabalhando nos maiores clubes do país.

                O Campeonato Carioca de 1960 foi o 27º depois da implantação do profissionalismo no futebol do Rio de Janeiro em 1933. Foi disputado por 12 equipes, em turno e returno, todos contra todos. Os clubes eram; (na ordem da classificação final); América, Fluminense, Botafogo, Flamengo, Vasco da Gama, Bangu, Olaria, Canto do Rio, Bonsucesso, Portuguesa, Madureira e São Cristóvão. O América fez sua estreia dia 31 de julho contra o Vasco e venceu por 1 a 0, gol de Quarentinha, que não era aquele famoso Quarentinha que tanto brilhou no Botafogo carioca na década de 60. Neste campeonato tivemos poucas goleadas e as que aconteceram, foi o Botafogo que aplicou, pois tinha realmente um grande time, mesmo assim, não conseguiu passar pelo América.

               Eles se enfrentaram no dia 11 de dezembro no Maracanã e o jogo terminou empatado em 3 a 3, com dois gols de Nilo e um de Calazans para o América e Garricha, Didi e China para o Botafogo. A equipe do Fogão daquele dia foi a seguinte; Manga, Cacá, Zé Maria, Chicão e Nilton Santos; Pampolini e Didi; Garrincha, Quarentinha, Amarildo e China. O técnico era Paulo Amaral, que antes trabalhava como preparador físico, inclusive pela nossa seleção na Copa de 58. Nilo era conhecido por ter um “canhão” no pé esquerdo e foi assim que ele marcou do meio da rua este gol contra o Botafogo, onde o goleiro Manga nem viu por onde a bola passou. Este gol não sai da memória dos torcedores americanos.

               Era o dia 18 de dezembro de 1960, quando América e Fluminense pisaram no gramado do Maracanã para decidirem o título carioca daquele ano. O técnico Jorge Vieira escalou a seguinte equipe; Ari, Jorge, Djalma Dias, Wilson Santos e Ivan; Amaro e João Carlos; Calazans, Antoninho (Fontoura), Quarentinha e Nilo. Já o técnico do Fluminense, Sr. Zezé Moreira, o mesmo que comandou nossa seleção na Copa de 54, tinha mais que o dobro da idade de Jorge Vieira.

               Ele já havia sido campeão carioca em 48 no Botafogo, em 51 no Fluminense, onde ganhou também a Copa Rio em 52 – o Mundial de clubes de hoje, além do Pan-Americano, invicto, em 52, primeiro título no exterior da seleção brasileira. E neste dia Zezé Moreira mandou a campo os seguintes jogadores; Castilho, Jair Marinho, Pinheiro, Clovis e Altair; Edmilson e Paulinho (Jair Francisco); Maurinho, Waldo, Telê Santana e Escurinho. Neste dia tivemos um público de 98.099 pagantes e o árbitro da partida foi Wilson Lopes de Souza.

               O Fluminense, com time e técnico mais experientes, só precisava do empate para ser bicampeão e terminou em vantagem no primeiro tempo com o gol do zagueiro-capitão Pinheiro, de pênalti, aos 26 minutos de jogo. Começou o segundo tempo e Nilo, ponta-esquerda, empatou para o América logo aos 4 minutos de jogo. O jogo estava muito equilibrado, até que aos 33 minutos, Nilo soltou uma de suas bombas que o goleiro Castilho não conseguiu segurar, rebateu de frente para o gol. O lateral direito Jorge, que avançava bem, aproveitou para fazer o gol do título. Final de jogo, América 2×1 Fluminense.  

               O América fez uma campanha bonita, com dezesseis vitórias, cinco empates e apenas uma derrota, que foi para o Bangu, dia 21 de agosto gol de Zózimo, na quinta rodada do primeiro turno, assim como o Fluminense também só tinha perdido uma partida, que foi para o Flamengo dia 20 de novembro e a partida anterior entre ambos pelo primeiro turno, foi disputada em 14 de agosto e havia terminado empatada por 1 a 1, portanto seria uma final bem equilibrada, apesar do Fluminense ter a vantagem do empate, pois tinha um ponto a mais que o América na contagem geral, até então.

               A equipe do América marcou neste campeonato 39 gols e sofreu 15. Esse foi o 7º título estadual do América, que já havia conquistado em 1913, 1916, 1922, 1928, 1931 e 1935. A partir desse título de 1960, até hoje não conquistou mais nenhum título. Conta-se a história que na época torcedores do outros clubes brincavam com Lamartime Babo, compositor dos hinos de todos os clubes do Rio de Janeiro, que, os títulos do América, cabiam numa única estrofe.

PALMEIRAS

               No final de 1962, Nilo foi contratado pelo Palmeiras. Junto com ele também veio o zagueiro Djalma Dias, que passou a ser chamado assim, pois o alviverde já tinha o Djalma Santos, então para diferenciar, passaram a chama-lo de Djalma Dias. Mas as contratações do Palmeiras não pararam por aí, chegaram ao Parque Antarctica também os jogadores, Ferrari e Paulo Leão do Guarani, Picasso do Grêmio, Tarciso do Botafogo de Ribeirão Perto, Elci do Sport Recife, Arenari do Bahia, Tupãzinho do Guarani de Bagé (RS) e ainda Nelson Coruja e Servilio da Portuguesa de Desportos.

               No Campeonato Paulista de 1963, o alviverde fez uma campanha espetacular, sagrando-se campeão com 14 pontos a frente do segundo colocado que foi o Santos de Pelé, que foi o artilheiro da competição com 22 gols.  Neste campeonato tivemos um jogo que entrou para a história do futebol. Ele aconteceu dia 15 de agosto, quando o São Paulo derrotou o Santos por 4 a 1. Foi o chamado jogo do “cai-cai”, pois Pelé e Coutinho foram expulsos, o lateral Aparecido não voltou para o segundo tempo e Pepe e Dorval alegando contusão deixaram o gramado. Como a regra é clara, segundo o ex-árbitro Arnaldo Cezar Coelho, com 6 jogadores em campo o jogo não pode prosseguir, sendo assim, Armando Marques deu por encerrada a partida. Vale lembrar que naquela época não era permitido fazer substituições.

               O jogo que decidiu o título de 1963, aconteceu dia 11 de dezembro de 1963, quando o Palmeiras derrotou o Noroeste por 3 a 0, gols de Servilio aos 14 e 44 minutos do primeiro tempo e Julinho Botelho aos 17 da etapa complementar. Neste dia o Verdão jogou com; Picasso, Djalma Santos, Djalma Dias, Valdemar Carabina e Vicente; Zequinha e Ademir da Guia; Julinho Botelho, Vavá, Servilio e Gildo. O técnico era Silvio Pirilo. O árbitro foi Anacleto Pietrobon e o jogo foi disputado no Estádio do Pacaembu, que recebeu neste dia um público de 37.023 pagantes. Na última o Palmeiras enfrentou o São Paulo. Ao entrar no gramado do Pacaembu para esse jogo, o Palmeiras já era campeão paulista de 1963. Sua preocupação maior foi evitar que o Tricolor “carimbasse sua faixa”.

               Alem de receber a faixa sem carimbo, o Palmeiras provocou novo acirramento na disputa pela Taça dos Invictos, pois com a vitória sobre o São Paulo, atingiu sua décima quinta partida sem derrota. De quebra, o Palmeiras sagrou-se, também, campeão paulista de Aspirantes desse ano. Este Derbi terminou com a vitória palmeirense por 1 a 0, gol de Julinho Botelho aos 25 minutos do segundo tempo. O arbitro foi Armando Marques, que a partir desse ano ficou conhecido em todo o Brasil depois daquele jogo entre Santos e São Paulo em que ele expulsou Pelé de campo.

               Pelo Palmeiras, Nilo disputou 50 jogos. Venceu 33, empatou 13 e perdeu 4. Marcou 16 gols. Depois do Verdão, Nilo foi jogar no América Mineiro, onde jogou ao lado do zagueiro Aldemar, que marcou época no Palmeiras e é considerado o melhor marcador de Pelé em toda sua carreira. Nilo ficou no clube mineiro até 1967, quando resolveu encerrar sua brilhante carreira. E depois que parou de jogar, passou a trabalhar como funcionário do Departamento de Tráfego do Jornal do Brasil. Infelizmente Nilo veio a falecer dia 20 de dezembro de 2006, em Nilópolis – RJ. Deixou um filho e muita saudade aos amantes do futebol, pois foi um jogador que encantou os torcedores pelos clubes que jogou.

Em pé: Jorge, Miltão, Lúcio, Sebastião Leônidas, Amaro, Wilson Santos e Olavo   –    Agachados: Canário, Calazans, Ilton Porco, Antoninho, João Carlos e Nilo
Em pé: Ari, Jorge, Djalma Dias, Amaro, Wilson Santos, Ivan e Olavo  –    Agachados: Calazans, Antoninho, Quarentinha, João Carlos e Nilo

 

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