CÉSAR SAMPAIO: ídolo do Palmeiras nos anos 90

                  Carlos César Sampaio Campos nasceu dia 31 de março de 1968, na cidade de São Paulo (SP). Foi descoberto por um olheiro do Peixe quando jogava futebol de salão. Na Vila Belmiro, ele começou jogando como lateral-direito, mas logo passou para o meio-de-campo. Em menos de dois anos, já era um dos volantes titulares do Peixe e passou a ser cobiçado pelos clubes da capital. A chegada à Seleção Brasileira também foi rápida. Em 1990, ele foi convocado por Paulo Roberto Falcão e iniciou uma trajetória de sucesso com a camisa amarelinha.

PALMEIRAS

                 César Sampaio continuava chamando a atenção dos clubes da capital. Em 1991, o Santos não resistiu à proposta do Palmeiras: US$ 450 mil mais o meia Ranielli e o atacante Serginho Fraldinha pelo volante. Começava aí uma trajetória vitoriosa com a camisa alviverde.  No Palmeiras, Sampaio viveu os dois últimos anos da fila de 16 anos sem título. Nesse período de fracassos, ele era a certeza de categoria no meio, ainda que os companheiros não ajudassem. A grande fase começou em 1993, quando Sampaio foi comandado por Wanderley Luxemburgo.

                 Naquela temporada, foram três títulos: campeão paulista (o fim da fila), brasileiro e Torneio Rio-São Paulo. Sampaio era presença constante nas convocações da Seleção Brasileira e se tornara uma unanimidade nacional. Tudo levava a crer que ele iria participar da Copa do Mundo de 94. No primeiro semestre, mais um título paulista. Mas, inexplicavelmente, Parreira deixou César Sampaio de fora da lista dos atletas convocados. Não escondeu a decepção: “Eu me convocaria, se fosse o técnico da seleção”. A opinião pública ficou do seu lado.

                 Ninguém entendia a ausência de César Sampaio na Copa. Mas, no Palmeiras tudo ia bem, formava uma dupla fantástica com Mazinho e ganhou o apelido de Monstro do Parque Antártica, uma alusão à sua capacidade de dominar o meio-campo com imensa facilidade. No segundo semestre, veio mais um  título de campeão brasileiro. Com a camisa do alviverde de Parque Antarctica, César Sampaio teve muitos momentos de alegria, mas tem um que ele jamais esquecerá. Foi no dia 4 de dezembro de 1993, quando ele marcou o gol mais bonito da sua carreira e também o gol que garantiu a classificação do Palmeiras para a final do Campeonato Brasileiro daquele ano ao vencer o São Paulo por 2 a 0, gols de César Sampaio e Edmundo.  

                  Foi um verdadeiro gol de placa; César Sampaio recebe a bola no meio e passa ao campo de ataque, avançando por entre os espaços abertos na defesa tricolor. Com passadas largas, ele conduz a bola com classe, como se ela estivesse grudada no seu pé direito. A defesa tricolor fica estática diante de sua habilidade. Ele passa por Luís Carlos Goiano e por mais dois zagueiros adversários. A torcida alviverde se levanta. César Sampaio carrega a bola e Zetti sai do gol. O corte é seco, para a direita. O gol fica livre, escancarado.

                 Com o pé direito, ele rola a bola, mansa e macia, para o fundo do gol do São Paulo. Um golaço!   Na comemoração desse gol tão emblemático, César Sampaio deixou bem clara uma de suas marcas registradas: a religiosidade fervorosa. “Foi um presente de Deus. O Senhor honrou nossa fé e trabalho”, disse, emocionado. Era a consagração de uma carreira tão brilhante, pois ainda naquele ano de 93, recebeu a Bola de Prata da Revista Placar.

JAPÃO

                Faltava ainda a conquista da independência financeira do volante. Por isso, no começo de 1995, Sampaio rumou para o Japão, na época o eldorado do futebol mundial. Ele foi jogar no Yokohama Flugels, ao lado dos companheiros Zinho e Evair. No Oriente, Sampaio jogou 4 anos pelo mesmo clube, conquistando o respeito e a admiração dos japoneses. Mesmo jogando longe do Brasil, Sampaio não foi esquecido pelo técnico da Seleção Brasileira, Zagallo. O volante foi campeão da Copa América de 1997 e participou do vice-campeonato da Seleção na Copa de 98, na França. Sampaio, aliás, foi um dos poucos jogadores que se salvaram na campanha brasileira. Ele foi o maestro do meio-campo e ainda marcou três gols em sete partidas. Nessa época, a sua contratação era o maior desejo de muitos clubes brasileiros.

DE VOLTA AO BRASIL

                No começo de 1999, ele acabou voltando para o Palmeiras, em uma negociação de US$ 4 milhões, um valor bastante elevado para um atleta de 31 anos. E nem parecia que ele havia ficado tanto tempo longe do Palestra Itália. Em pouco tempo, Sampaio readquiriu a condição de ídolo da torcida e passou a ser ainda mais respeitado pelos adversários. O Monstro do Parque Antártica estava de volta. Com o capitão César Sampaio em campo, o Palmeiras conquistou o maior título de sua história: a Copa Libertadores da América. Nem mesmo a decepção da derrota na final do Mundial Interclubes, em Tóquio, abalou a sua segunda passagem pelo Verdão. No começo de 2000, ele se sagrava campeão do Torneio Rio-São Paulo pela segunda vez.

                Ele ficou no Palestra até a metade do ano, quando se transferiu para o La Coruña, da Espanha. E não foi uma passagem das mais felizes. Sampaio sofreu duas contusões e entrou em atrito com os dirigentes do clube espanhol. Esquecido na Espanha, ele aceitou a oferta do Corinthians e voltou para o futebol brasileiro no final de 2001, para desespero dos palmeirenses, que não admitiam ver César Sampaio no arqui-rival. A passagem pelo Corinthians foi meteórica, ficou pouco mais de dois meses e recebeu uma nova proposta do exterior.

DE VOLTA AO JAPÃO

              Depois de deixar o futebol brasileiro pela segunda vez e se transferir ao Japão mais uma vez, César Sampaio se fixou no meio campo do Kashiwa Reysol. O atleta continuou se destacando pelo seu vigor mesmo após chegar aos 33 anos de idade. Na última temporada, o volante disputou 37 partidas pela equipe japonesa. Porém, César Sampaio não foi lembrado por Luiz Felipe Scolari em maio de 2002 e acabou não disputando sua segunda Copa, que se realizou no país em que jogava Em janeiro de 2003, ele se tranferiu para o Sanfrecce Hiroshima, aproveitando a fama no futebol do Japão e o respeito que conquistou do outro lado do mundo. Apesar de não ter demonstrado o mesmo futebol de sua primeira passagem pelo futebol nipônico, César Sampaio foi titular absoluto do Sanfrecce por mais de um ano, até que decidiu voltar, de forma definitiva, ao futebol tupiniquim. O volante supercampeão estava pronto para o último capítulo de sua carreira profissional: em outro grande clube paulista, o São Paulo.

SÃO PAULO

               A chegada ao Tricolor, em meados de 2004, atendeu a um pedido do técnico Cuca. Na época, o treinador são-paulino de então entendia que a equipe do Morumbi precisava de um atleta experiente no meio-campo, renomado, com passagens consagradas pela seleção brasileira e pelo exterior. César Sampaio, aos 36 anos, era o nome ideal. O ex-palmeirense e corintiano até que começou bem no clube do Morumbi, mas não conseguiu se fixar como titular no Campeonato Brasileiro. César Sampaio não reeditou, no São Paulo, o mesmo nível que o consagrou no rival Palmeiras, tampouco teve papel tão discreto como o que exerceu na curta trajetória no Corinthians.

              A partir de certo momento, Cuca começou a contar com o volante mais como um motivador do elenco que como atleta indispensável em campo. Até o final do ano, quando anunciou a aposentadoria, Sampaio exerceu uma liderança positiva no elenco são-paulino. Após pendurar as chuteiras, César Sampaio chegou a ser convidado pelo presidente do Tricolor, Marcelo Portugal Gouvêa, a assumir um cargo diretivo no clube. O volante agradeceu, com a elegância de sempre, recusou o convite e voltou aos estudos.

CUIDOU BEM DO FUTURO

              Foi um dos melhores volantes do futebol mundial na década de 90. Jogou a Copa do Mundo de 1998 onde se destacou fazendo gols e conquistando o vice-campeonato. Dos seis gols que marcou pela Seleção Brasileira, três foram naquele Mundial. Em outubro de 2006, César Sampaio integrou a AGS – Gestão Esportiva, empresa em parceria com Rodrigo Aguiar e Fábio Gentille. A atual parceria da AGS é o Esporte Clube Pelotas, em uma das primeiras gestões profissionais do país. Também trabalhou em algumas emissoras de rádio como comentarista esportivo, mas nunca deixou de dizer que ainda é um atleta de Cristo.

2000   –   Em pé: Agnaldo, Marcos, Tiago Silva, Roque Júnior, Argel, Galeano, César Sampaio e Sérgio    –    Agachados: Arce, Basílio, Fernando, Jackson, Júnior, Euller, Neném, Alex e Rogério
1994   –   Em pé: Carlos Pracidelli, Cléber, Velloso, César Sampaio, Cláudio, Wágner, Antônio Carlos e Carlinhos Neves   –    Agachados: Edmundo, Flávio Conceição, Evair, Rivaldo e Zinho
1993   –   Em pé: Sérgio, Tonhão, Cláudio, Roberto Carlos, César Sampaio e Alexandre Rosa   –    Agachados: Flávio Conceição, Amaral, Maurílio, Edílson e Jean Carlo
Copa de 1998    –   Em pé: Taffarel, César Sampaio, Rivaldo, Aldair, Júnior Baiano e Cafú   –    Agachados: Ronaldo, Roberto Carlos, Leonardo, Bebeto e Dunga
Em pé: Mazinho, Roberto Carlos, César Sampaio, Tonhão, Sérgio e Antonio Carlos   –    Agachados: Edmundo, Daniel Frasson, Evair, Edílson e Zinho
1990   –   Em pé: Luis Carlos, Índio, Sérgio Guedes, Camilo, Marcelo Veiga e César Sampaio    –   Agachados: Derval, Paulinho, Serginho Chulapa, Gilmar e Kazu
1999    –   Em pé: Arce, Marcos, Roque Júnior, Rogério, César Sampaio e Júnior Baiano   –  Agachados: Paulo Nunes, Júnior, Oséas, Alex e Zinho
Em pé: Odair, Toninho, Ivan Izzo, Andrei, Luís Eduardo e César Sampaio   –    Agachados: Erasmo, Betinho, Evair, Edu Marangon e Edivaldo
Em pé: Dunga, Evandro, César Sampaio, Pedro Paulo, Celso, Paulo Róbson e De León   –    Agachados: Carlos Alberto Borges, Serginho Chulapa, Paulo Leme e Zé Sérgio
Postado em C

Deixe uma resposta