LIMINHA: autor do gol do título da Copa Rio de 1951

               Oswaldo Luiz Moreira nasceu dia 30 de janeiro de 1930, na cidade de São Paulo – SP. Foi um ídolo da torcida palmeirense onde jogou de 1951 até 1955 e nesse período conquistou títulos importantes ao alviverde. No meio futebolístico era chamado de Liminha, um centroavante que nunca foi o que podemos chamar de “menino bonzinho”. Devido as dificuldades que a vida lhe apresentou, encarava cada partida que disputava como uma verdadeira batalha. Começou jogando no Clube Atlético Ypiranga, onde profissionalizou-se em 1948, depois foi para o Palmeiras. Em 1956, com a negociação de Humberto Tozzi para a Lázio da Itália e a subida de Mazzola ao time principal do Palmeiras, Liminha foi negociado com a Portuguesa de Desportos, onde jogou por algum tempo. Depois da Lusa ainda teve passagens pela Ferroviária de Araraquara, pelo Nacional da capital, pelo Bragantino e pelo Jabaquara de Santos, onde pendurou as chuteiras no início de 1963.

INÍCIO DE CARREIRA

               Liminha surgiu para o mundo a bola em 1946, jogando nas equipes do Clube Atlético Ypiranga, onde profissionalizou-se em meados de 1948. Começou jogando como ponta direita trombador. Era um rompedor de sistemas defensivos com apenas 1,62m de altura. Ao lado dos companheiros Rubens, Wellington, Tico e Bibe, o valente Liminha logo começou a chamar a atenção dos grandes clubes, principalmente depois de uma partida espetacular que fez diante do Corinthians no dia 22 de outubro de 1950. O jogo terminou com a vitória corintiana por 4 a 3, mas Liminha foi considerado o melhor em campo, inclusive marcando um dos gols do Ypiranga, que neste dia jogou com; Oswaldo, Giancoli e Homero; Gonçalves, Reinaldo e Dema; Bueno, Rubens, Liminha, Bibe e Paulo.

              Os gols corintianos foram anotados por Jackson, Nelsinho, Baltazar e Luizinho, enquanto que Liminha, Rubens e Bueno marcaram para o Ypiranga. O zagueiro Homero anos depois iria jogar no Corinthians, sagrando-se inclusive campeão do IV Centenário em 1954, enquanto Dema e Liminha iriam jogar no Palmeiras, onde também fizeram grande sucesso.

PALMEIRAS

               No início da temporada de 1951, o Palmeiras antecipou-se ao interesse dos rivais e trouxe Liminha para o Parque Antarctica. Sua estreia somente aconteceu no final do mês de fevereiro contra o temível esquadrão do Flamengo no Pacaembu. Em tarde inspirada, Liminha foi o autor de quatro tentos na memorável goleada por 7×1. Estava mais do que confirmado que os dirigentes alviverdes tinham feito um excelente negócio, mesmo que alguns corneteiros de plantão ainda insistissem em chamar a atenção para o temperamento explosivo do atacante. Além do pavio curto, Liminha já era chegado aos prazeres da noite e do álcool. Mas os conselheiros tiveram que engolir seus alertas de precaução quando o atacante realizou uma excelente Copa Rio.

              Para esta Copa Rio, as equipes vieram muito fortes. Por exemplo, o Vasco da Gama/RJ, que tinha em seu elenco oito jogadores que haviam disputado a Copa de 50 pelo Brasil, era o favorito disparado. Inclusive, o time vascaíno chegou a desprogramar compromissos no exterior, dando férias a seus atletas, para poder priorizar a Copa Rio. Mas a Juventus/ITA, onde sete feras da Azurra e uma da seleção sueca também atuavam, era outro time pra lá de forte. O Estrela Vermelha, por sua vez, carregava o status de ser a base da seleção da Iugoslávia, o mesmo acontecendo com o Áustria Viena, que tinha em seu time nada menos do que 10 nomes do selecionado austríaco. Olympique de Nice/FRA e Sporting/POR também se qualificavam como as mais fortes equipes de seus países, e o Nacional/URU trouxe para o Brasil dois campeões mundiais – Perez e Paz.

                Mas o Palmeiras também estava muito forte, pois seu elenco também era composto por verdadeiras feras: além de Jair Rosa Pinto, Juvenal e Rodrigues Tatu, personagens da chamada “Tragédia do Maracanã”, o Verdão tinha nomes como Lima, Waldemar Fiúme, Liminha, Canhotinho, Achilles… O Palmeiras também deu prioridade máxima ao torneio, tendo feito cerca de um mês de concentração no Parque Antártica para o mesmo. Ou seja, já era esperado uma super copa aquela de 1951. Na fase de classificação o Palmeiras derrotou o Olympique da França por 3 a 0, e o Estrela Vermelha da Iugoslávia por 2 a 1.

               Na última partida desta fase teve um tropeço diante da Juventus da Itália e foi goleado por 4 a 0.  No entanto, mesmo com esta derrota o time alviverde estava classificado para a fase seguinte. O próximo adversário foi o Vasco da Gama e o primeiro jogo foi no Pacaembu, onde o Verdão venceu por 2 a 1. A segunda partida diante dos vascaínos foi no Maracanã e um empate já lhe bastava. E foi o que aconteceu, 0 a 0. E assim dessa maneira, o Palmeiras iria decidir o título com a Juventus da Itália, que também se classificou na outra chave.

               Na primeira fase a equipe italiana havia aplicado uma goleada de 4 a 0 e isto fazia com que a torcida esmeraldina ficasse muito preocupada com aquela final, que teve início no dia 18 de julho de 1951 em São Paulo, no Estádio Municipal do Pacaembu e o jogo terminou com a vitória palmeirense por 1 a 0, gol de Rodrigues. Veio a segunda e decisiva partida que foi disputada no Maracanã, que neste dia recebeu um público de 100.933 pessoas. Era o dia 22 de julho de 1951. Para este jogo o técnico Ventura Cambon, mandou a campo os seguintes jogadores; Fábio, Salvador e Juvenal; Túlio, Luís Villa e Dema; Lima, Ponce de León (Canhotinho), Liminha, Jair da Rosa Pinto e Rodrigues.

               Começa o jogo e a equipe italiana sai na frente do marcador. Logo aos 2 minutos da segunda etapa Rodrigues empatou a partida, mas os italianos voltaram a ficar na frente do marcador aos 18 minutos. Mas, aos 32 minutos Liminha empatou novamente a partida, gol este que garantiu ao Palmeiras, a conquista mais importante daquele período.

               No mesmo ano, foi campeão do torneio Rio – São Paulo, onde Liminha teve uma importante participação na conquista do título. A decisão do título foi contra o Corinthians no dia 11 de abril de 1951 (quarta-feira a noite). O jogo foi no Pacaembu, que recebeu neste dia um público de 54.465 pagantes. O Palmeiras venceu por 3 a 1, gols de Jair Rosa Pinto (2) e Aquiles, enquanto que Luizinho marcou o único tento alviverde. O Palmeiras jogou com; Oberdan, Salvador e Oswaldo; Waldemar Fiume, Luiz Villa e Dema; Lima, Aquiles, Liminha, Jair Rosa Pinto e Rodrigues. Vale lembrar que três dias antes, corintianos e palmeirenses já haviam se enfrentado e o Palmeiras venceu por 3 a 2, gols de Liminha, Aquiles e Homero (contra) e para o alvinegro marcaram Colombo e Jackson.  

               Jogando na ponta ou no comando de ataque, Liminha foi vice-campeão paulista de 1951 e 1953. Em 1954, ano do IV centenário da cidade de São Paulo, Liminha estava cansado de ser vice. Na partida que deu ao Corinthians o título por antecipação na penúltima rodada, (fevereiro de 1955 – empate por em 1×1 no Pacaembu), Liminha desferiu um soco no estômago do jogador Homero, causando uma enorme confusão no gramado do Pacaembu. Sua última partida com a camisa esmeraldina aconteceu em  30 de outubro de 1955, na vitória por 2×0 contra a Ponte Preta. Com a camisa alviverde, Liminha jogou 229 partidas. Venceu 129, empatou 43 e perdeu 57. Marcou 106 gols.

PORTUGUESA DE DESPORTOS

               Em 1956 Liminha foi jogar na Portuguesa de Desportos, onde formou um ataque maravilhoso, prova disto foi no dia 25 de abril de 1956, quando a Lusa derrotou o Corinthians por 4 a 3, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. E neste clássico contra o Corinthians, Liminha voltou a perder a cabeça, desferindo um soco justamente em um dos maiores cavalheiros da história do futebol paulista: Cláudio Christóvam de Pinho. Neste dia o técnico Délio Neves mandou a campo os seguintes jogadores; Félix, Reinaldo e Nena; Hermínio, Brandãozinho e Giacomini (Ceci); Liminha, Ipojucan, Airton, Edmur e Lierte. Os gols da Lusa foram anotados por Idário (contra), Edmur, Liminha e Airton, enquanto que Jansen, Cláudio e Paulo marcaram para o time alvinegro.

FINAL DE CARREIRA

               Liminha encerrou a carreira no início de 1963 jogando pelo Jabaquara da cidade de Santos e uma de suas últimas partidas como profissional aconteceu dia 18 de novembro de 1962, quando o Jabaquara enfrentou o Corinthians pelo Campeonato Paulista lá na Vila Belmiro e perdeu por 2 a 0, gols de Silva e Del Pozzo (contra). Nesta partida o Jabaquara jogou com; Dudízio, Sula, Del Pozzo e Rubens; Carlão e Macedo; Marcos, Liminha, Cabrita, Célio e Alcides.  O ponta direita Marcos no ano seguinte viria a jogar no Corinthians, aliás, esta foi a sua última partida pelo Jabaquara. E o atacante Célio também fazia sua despedida do time santista, pois no ano seguinte foi jogar no Vasco da Gama, onde se tornou o maior artilheiro vascaíno na década de 60, com 100 gols assinalados. Em 1971 foi jogar no Corinthians, mas não teve o mesmo sucesso de antes.   

               Liminha foi mais um grande ídolo do nosso futebol que foi derrotado pela bebida. O fim da vida de Liminha também foi marcado por um fato curioso: internado no Hospital São Paulo, o craque faleceu com apenas 55 anos de broncopneumonia aguda (fruto de sua incontrolável paixão pela noite e pelo álcool) no dia 22 de julho de 1985, exatamente no dia em que comemorava o 44º aniversário da conquista da Copa Rio, o maior título de sua carreira.

1955   –   Em pé: Laércio, Manoelito, Mário Travaglini, Ruarinho, Gérsio Passadore e Waldemar Fiúme     –     Agachados: Renatinho, Liminha, Humberto Tozzi, Jair Rosa Pinto e Rodrigues Tatu
Em pé: Dema, Rubens, Fábio Crippa, Juvenal, Luiz Villa e Waldemar Fiume     –   Agachados: Odair, Ponce de Leon, Liminha, Jair Rosa Pinto e Rodrigues
Em pé: Manoelito, Rubens, Cláudio, Dema, Juvenal e Luís Villa    –    Agachados: Guanchuma, Liminha, Jair Rosa Pinto, Carlyle e Rodrigues

Postado em L

Deixe uma resposta