LOURIVAL: Aniversariante do dia 31 de Janeiro

                 Lourival Prudêncio Carvalho nasceu dia 31 de janeiro de 1945. Iniciou sua carreira profissional jogando como meio campista do Noroeste da cidade de Bauru (SP), na primeira metade dos anos sessenta. No final da temporada de 1966, seu nome figurou nos reforços anunciados pelo São Paulo F.C para disputar o campeonato paulista de 1967. Com sua boa estatura, Lourival era um guardião implacável do sistema de marcação. Além disso, possuía um bom arremate de longa distância. Depois do São Paulo, Lourival atuou principalmente pelo Mixto-MT e pelo Bahia. Muito pouco se sabe sobre sua vida depois que deixou os gramados. Lourival realizou um total de 112 jogos pelo São Paulo, obtendo 44 vitórias, 38 empates, 30 derrotas e assinalou 18 gols.

                Seu grande momento dentro do Morumbi aconteceu justamente durante a temporada estadual de 1967, quando o volante quase se transformou no responsável direto pela conquista de um título paulista que não acontecia desde 1957. Naqueles tempos de ausência de títulos lá pelas bandas do Morumbi, Lourival partiu com a delegação do São Paulo para o estádio do Pacaembu, naquele dia 17 de dezembro de 1967, com uma real pretensão de colocar uma faixa de campeão no peito. Aquela data marcava mais um clássico contra o Corinthians e o tricolor do Morumbi estava muito perto de finalmente conseguir o sonhado título estadual.

               Pelo lado do Corinthians, o jovem atacante Benê foi inicialmente relacionado, ainda na concentração, para compor o banco de reservas. Quando já estava no Pacaembu, Benê foi repentinamente informado pelo técnico Lula que entraria jogando no lugar de Flávio Minuano. Naquele ano o São Paulo aparecia como vice-líder do campeonato até a penúltima rodada do returno (na classificação por pontos ganhos), com um ponto a menos que o Santos. Correndo paralelamente, o time da Vila Belmiro ainda aguardava o resultado de uma ação que tramitava nos tribunais, referente ao jogo interrompido contra o Comercial de Ribeirão Preto por falta de garantias de segurança.

               O Santos fatalmente acabaria vencendo esse recurso jurídico e assim ganharia mais um ponto na tabela de classificação. Mesmo com uma vitória do São Paulo contra o Corinthians, haveria a necessidade da realização de um “jogo extra”. Caso o Santos não fosse beneficiado pelo ponto nessa questão, o São Paulo poderia sair do Pacaembu com o título. Chegava a última rodada e o Santos iria enfrentar a Portuguesa Santista precisando vencer e ficar torcendo para um tropeço do Tricolor, que naquele mesmo dia iria enfrentar o Corinthians no Pacaembu. O Santos fez a parte dele vencendo por 3 a 0, enquanto isso lá no Pacaembu a história era outra.

              O Corinthians já não tinha mais chance de conquistar o título. O jogo seria contra o São Paulo, que naquele dia jogava por uma vitória para conquistar o título. Era o dia 17 de dezembro de 1967 e neste dia o técnico Lula mandou a campo os seguintes jogadores; Marcial, Osvaldo Cunha, Ditão, Clóvis e Maciel; Edson e Rivelino; Marcos, Tales, Benê e Gilson Porto. O Tricolor jogou com; Picasso, Renato, Jurandir, Roberto Dias e Edilson; Nenê e Lourival; Valter, Djair, Babá, e Paraná. O técnico era Sylvio Pirilo.  

              O primeiro tempo registrou um empate sem gols, deixando os torcedores do tricolor, que praticamente dominavam o estádio, bastante preocupados. No segundo tempo, quando eram jogados 25 minutos, o médio volante Lourival acertou o forte arremate que venceu o goleiro Marcial, a torcida são-paulina enlouqueceu de alegria. O Corinthians fazia uma partida apática e nada parecia arriscar o histórico triunfo do tricolor. No minuto derradeiro de jogo, quando já se ouvia aquela tradicional marchinha,“…tá chegando a hora, o dia já vem raiando meu bem, eu tenho que ir embora…”, uma última bola foi levantada por Maciel em direção da grande área do goleiro Picasso.

              O centroavante Benê, bem colocado, acerta uma cabeçada que toca junto ao pé do poste esquerdo, rolando depois caprichosamente em cima da linha fatal. O próprio Benê, um tanto desequilibrado, tocou de canela na bola que mansamente trilhou para o barbante da meta tricolor. O Pacaembu silenciou e mal o São Paulo deu uma nova saída, o árbitro Armando Marques decretou o final do encontro.

              Com o empate do São Paulo contra o Corinthians, a classificação do campeonato registrou uma igualdade de “pontos ganhos” entre Santos e São Paulo, cabendo ainda o resultado final do recurso promovido pelo Santos para decidir o campeonato. Então, o presidente da Federação Paulista de Futebol, João Mendonça Falcão, entrou em ação. Ele imediatamente tratou de convencer os dirigentes santistas para retirar o recurso da partida contra o Comercial, havendo então a necessidade da realização de uma “partida extra” para decidir o certame, o que financeiramente seria muito atraente. Sendo assim, Lourival e seus companheiros tiveram que enfrentar outro alvinegro pelo caminho na disputa pelo título. E deu Santos 2 a 1, gols de Edu e Toninho Guerreiro, enquanto que Babá marcou para o São Paulo. E assim terminava o Campeonato Paulista de 1967.

Em pé: Renato, Tenente, Roberto Dias, Fábio, Lourival e Jurandir    –    Agachados: Walter, Nelsinho, Babá, Fefeu e Paraná
Em pé: Renato, Edilson, Roberto Dias, Lourival, Jurandir e Picasso   –    Agachados: Walter Zum-Zum, Adilson, Djair, Nenê e Paraná
Em pé: Aguiar, Zé Oto, Roberto Rebouças, Amorim, Paes e Picasso   –    Agachados: Lourival, Sanfilippo, Zé Eduardo, Baiaco e Artur
Mixto de Cuiabá – 1970.   Em pé: Toninho, Lourival, Edson, Ari Martins, Polaco e Diogo    –   Agachados, Traíra, Zé Luis, Bife, Pastoril e Valdir
Em pé: Tobias, Brito, Virgílio, Geraldo, Ilzo Nery, Cláudio e Lourival   –    Agachados: Varlei de Carvalho, Carneiro, Zé Carlos, Romualdo e Coelho
1966  –   Em pé: Ilzo Nery, Aracito, Daniel, Virgílio, Lourival e Dário   –    Agachados: Paulinho, Araras, Tião Nego, Zé Carlos e Gualberto
Em pé: Dário, Lourival, Virgílio, Navarro, Aracito e Ilzo Nery   –    Agachados: Daniel, Tião Nego, Araras, Zé Carlos e Gualberto

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