MULLER: ídolo no São Paulo e no Palmeiras

                Luís Antonio Correa da Costa nasceu dia 31 de janeiro de 1966, na cidade de Campo Grande – MS. É um dos poucos jogadores a ter atuado pelo quatro maiores clubes da capital. Atuou pelo São Paulo de 1986 até 1988, de 1991 até 1994 e em 1996. Pelo Palmeiras em 1995 e 1996, pelo Santos em 1997 e 1998 e pelo Corinthians em 2000 e 2001, sendo que pelo Timão disputou somente 13 partidas e marcou 3 gols. Um jogador sem identidade.  Assim pode ser considerado Luís Antônio Corrêa da Costa, o Muller. Apesar de marcar época no São Paulo, o atacante passou pelo trio de ferro de São Paulo, além de Santos, São Caetano e Portuguesa. Além disso, também fez sucesso no Cruzeiro. No exterior, acumulou fracassos na Itália e Japão. Esteve em três Copas do Mundo, uma como titular. Foi tetracampeão mundial com a seleção em 1994. Foi um atleta com uma carreira cheia de glórias e polêmicas.  

COMO TUDO COMEÇOU

                Muller começou no futebol em sua cidade, Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, atuando pelo Comercial. Chegou ao São Paulo em 1982. Depois de dois títulos nas categorias de base, o atacante foi promovido em 1984 aos profissionais. Mas foi em 85, no time do técnico Cilinho, conhecido como os Menudos do Morumbi, que ele passou a ter destaque com a conquista do título paulista de 1985, que tinha os seguintes jogadores; Gilmar, Zé Teodoro, Oscar, Dario Pereira e Nelsinho; Falcão, Silas e Márcio Araujo; Müller, Careca e Sidney. Ainda neste ano de 1985, foi campeão paulista pelo tricolor e do mundial sub-20 com a seleção brasileira.

                Em 86, além de levantar o caneco do Campeonato Brasileiro, foi convocado pelo técnico Telê Santana para a Copa do Mundo, como reserva da dupla Careca e Casagrande. No período em que vestiu a camisa 7 do São Paulo tornou-se o quinto maior artilheiro da história do clube, com 158 gols. Ostentou por algum tempo uma invencibilidade em finais de campeonato que só foi quebrada com a derrota na decisão da Libertadores de 1994. Apesar de ser um dos destaques do São Paulo nos anos 1990, durante o período em que Telê Santana foi o treinador, com quem teve alguns desentendimentos.

EXTERIOR

                Teve uma passagem de algum destaque no futebol italiano, de 1988 a 1991 onde jogou pelo Torino sem conseguir, no entanto, evitar o rebaixamento de seu time. O jogador teve momentos difíceis na Itália. Não conseguiu a adaptação esperada. Apesar da vontade de retornar, o atacante ficou na Europa por três anos. Só voltou a vestir a camisa do São Paulo em 1991. No mês de outubro de 1994, esteve na Inglaterra para acertar transferência para o Everton. Não ficou no país alegando que os ingleses iam deixar de cumprir todas as cláusulas prometidas durante as negociações. No entanto, em 1995, foi para o Kashiwa do Japão para atuar ao lado de Careca.

ÉPOCA DE OURO

               Logo nos primeiros seis meses, conquistou o título brasileiro de 1986, numa final emocionante contra o Guarani no estádio Brinco de Ouro, em Campinas. Muller fez um dos gols no tempo normal que terminou empatado em 3 a 3. Vieram então os pênaltis e o Tricolor sagrou-se Campeão Brasileiro.  Depois de ficar algum tempo na Europa, voltou ao Morumbi em 1991 e logo nos primeiros meses, sagrou-se campeão brasileiro novamente, desta vez contra o Bragantino. Depois ganhou o bicampeonato da Libertadores e do Mundial Interclubes em 1992 e 1993. O sucesso no Tricolor trouxe mais uma oportunidade na seleção. Deu uma grande contribuição na classificação para a Copa de 94. No entanto, perdeu a posição na última partida para Romário.

              Muller completou seu ciclo de títulos em 1994, com a conquista da Copa do Mundo dos Estados Unidos. Entrou apenas uma vez, na vitória por 3 a 0 contra Camarões. No entanto, voltou às manchetes em uma discussão ainda no campo com o técnico Carlos Alberto Parreira, após a partida contra os Estados Unidos.

PALMEIRAS

              Depois de ficar esquecido no Japão, onde não conseguiu sucesso, Muller reencontrou seu bom futebol no Palmeiras, com o técnico Wanderley Luxemburgo. Ajudou o time do Parque Antárctica a conquistar o Paulista de 96 com facilidade. Fez parte do famoso ataque que marcou 102 gols na competição com Müller Rivaldo, Djalminha e Luizão. Nessa última fase de sua carreira foi apelidado de “garçom”, dada a frequência que deixava seus companheiros em condição de fazer gols. No entanto, o sonho durou pouco. Ele não atuou na final da Copa do Brasil para retornar ao São Paulo. O Verdão sentiu a falta do atacante e perdeu a final para o Cruzeiro.

MÁ  FASE

              Depois do Mundial, Muller não conseguiu ter o mesmo sucesso. Seu relacionamento com o técnico Telê Santana não foi o mesmo. O jogador não se mostrava com empenho. A volta ao São Paulo em 1996  foi desastrosa. A torcida tricolor tinha grandes esperanças na equipe que também contava com o técnico Carlos Alberto Parreira, tetracampeão do mundo. No entanto, o time pecou no entrosamento e acabou eliminado na primeira fase do Campeonato Brasileiro e da Supercopa da Libertadores. No final da temporada, Muller foi liberado para o Peruggia, da Itália. Após mais uma passagem frustrada pelo velho continente, Müller foi vestir a camisa do Santos. Grande estrela do time, conseguiu fazer boas campanhas, mas não chegou ao maior objetivo: acabar com o jejum de títulos nacionais que durava desde 1984.

              Com a camisa do Peixe, reviveu a dupla com Careca que fez sucesso na década de 90. Em 1998, sofreu uma grande frustração por não fazer parte do elenco convocado para a Copa do Mundo da França. No mesmo ano, deixou o Santos por causa de uma proposta salarial irrecusável do Cruzeiro. A passagem pelo time mineiro foi marcada pelos vices. Perdeu as finais do Brasileiro (98), Sul Minas e do Mineiro (2000). Sucesso apenas na Copa do Brasil 2000, quando entrou no segundo tempo da última partida e foi um dos responsáveis da virada contra o São Paulo.

              A vida religiosa de Müller ganhou destaque em 1999. O jogador apareceu na televisão durante o comando de culto de uma Igreja Evangélica. Sua empolgação religiosa assustou algumas pessoas. Meses depois, foi oficializado como pastor. Em 2000, na reserva do Cruzeiro, Muller foi liberado para o Corinthians. Marcou apenas um gol no Campeonato Brasileiro e fez parte de um time que ficou com a segunda pior campanha da primeira fase da Copa João Havelange. A sorte do Timão é que o regulamento não previa rebaixamento.

             Apesar da péssima atuação em 2000 e depois de acertar a sua saída do clube, o atacante voltou ao Corinthians em 2001, por um pedido do técnico Wanderley Luxemburgo. Foi campeão paulista e vice da Copa do Brasil. No meio do ano, pediu dispensa e fez acusações sobre problemas internos no clube. Nesta época, surgiu a polemica de que alguns jogadores receberam mulheres na concentração antes da final da Copa do Brasil.

NOVOS DESAFIOS

              Depois de uma boa atuação no Tupi, de Minas Gerais, o atacante retornou a São Paulo no final de 2003. Aos 37 anos, Muller tinha diante de si um novo desafio em sua longa e vitoriosa carreira: vestindo a camisa da Portuguesa, o seu primeiro jogo na segunda divisão do futebol brasileiro. E justamente diante do Palmeiras, clube onde também deixou sua marca – aliás, Muller é o único jogador a vestir a camisa de seis grandes clubes paulistas: São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Santos, São Caetano e Portuguesa.  Mas sua passagem pela Lusa do Canindé durou apenas três meses, graças à desclassificação da equipe na Série B de 2003. De volta à Minas Gerais, Muller chegou como novo reforço do Ipatinga.

              Mas em 2004, o veterano jogador decidiu antecipar sua aposentadoria: convidado pela diretoria, ele assume o cargo de técnico pela primeira vez. E uma nova coincidência diante deste desafio: sua estréia, dia 28 de março, será diante do Cruzeiro, outro clube onde fez história. Ficava uma dúvida no ar, como será seu estilo no banco de reservas: tranqüilo e com categoria invejável, como nos gramados, ou agitado e determinado, como pastor nos cultos evangélicos. Nem uma coisa, nem outra, sua carreira de treinador foi curtíssima, pois logo começou a trabalhar como comentarista esportivo, mas que também logo acabou.

Em pé: Edmílson, Bordon, Serginho, Axel, Zetti e Rojas (treinador de goleiros)   –    Agachados: Válber, Muller, Denilson, Adriano, Belletti, Valdir e o Sr. Laudo Natel
Em pé: Vagner, Zé Carlos, Bernardo, Dario Pereira, Daniel e Zé Teodoro   –    Agachados: Muller, Silas, Careca, Pita e Sidnei
Copa de 1986   – Em pé: Sócrates, Josimar, Júlio César, Edinho, Branco e Carlos   –    Agachados: o massagista Nocaute Jack, Muller, Júnior, Careca, Alemão, Elzo e o roupeiro Ximbica
1993   –   Em pé: Zetti, Dinho, Ronaldão, Cafu, Leonardo e Tonino Cerezo   –    Agachados: Muller, Doriva, Válber, Palhinha e André Luiz
1996 –  Em pé: Júnior, Cafú, Sandro, Cléber, Galeano e Velloso   –    Agachados: Flávio Conceição, Rivaldo, Luizão, Djalminha e Muller,
Em pé: Zetti, Ronaldão, Leonardo, Ricardo Rocha, Zé Teodoro e Antônio Carlos   –    Agachados: Muller, Raí, Macedo, Bernardo e Cafu
Em pé: Taffarel, Ricardo Rocha, Mauro Galvão, Ricardo Gomes, Jorginho e Branco   –    Agachados: Muller, Alemão, Careca, Dunga e Valdo
Em pé: Dida, Wilson Gottardo, Gustavo, Marcelo Djian e Gilberto   –    Agachados: Muller, Fábio Júnior, Ricardinho, Djair, Valdir e Valdo

      

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