ROBERTO DINAMITE: maior artilheiro da história do Vasco da Gama

                   Carlos Roberto de Oliveira pode ser um nome desconhecido para a torcida vascaína, principalmente ao torcedor brasileiro. Mas quando falar em Roberto Dinamite para qualquer torcedor, a lembrança é imediata do centroavante que marcou época em São Januário nos anos 70, 80 e 90, e que se tornou um dos maiores ídolos do clube do Vasco da Gama do Rio de Janeiro.

                   Roberto nasceu dia 13 de abril de 1954, portanto, hoje ele está completando 54 anos de vida.  Nasceu em Duque de Caxias – RJ. Com 16 anos era torcedor do Botafogo e fã de Jairzinho, autor de gols em todas as partidas durante a conquista do tricampeonato do mundial no México.  Já naquela época, demonstrava sua habilidade e precisão nos arremates de curta e longa distância. Graças a isso, foi convidado a treinar nas categorias de base do Vasco, onde marcou 46 gols em pouco mais de um ano.

                  Desta maneira, despertou a atenção do técnico da equipe principal, Mário Travaglini, que o relacionou para disputa do Campeonato Brasileiro de 1971.  No dia 25 de novembro de 1971, Roberto fez sua estréia como profissional com a camisa do Vasco, contra o Internacional de Porto Alegre, no Maracanã. A equipe cruz-maltina vencia por 1 a 0 e o jogo se aproximava do final quando Roberto, o atacante franzino de apenas  17  anos,  aproveitou  uma  rebatida  da zaga  gaúcha.

                  Com habilidade, dominou a bola na intermediária e chutou com extrema violência, não dando chances ao goleiro adversário, marcando o primeiro de suas centenas de gols. No dia seguinte, as manchetes dos jornais cariocas destacavam a potência do chute de Roberto. “Explode o garoto dinamite”, publicava o Jornal dos Sports, através do jornalista Aparício Pires. A partir daí, o jogador passou a ser conhecido no Brasil e em todo o mundo como Roberto Dinamite.  E assim começou sua longa história de amor com a torcida vascaína.

                  Em mais de 20 anos quase ininterruptos a serviço do Vasco, foi responsável direto pelos títulos de campeão brasileiro em 1974 e de campeão carioca em 77, 82, 87 e 92. Em 1984, na campanha do vice-campeonato brasileiro, o Vasco perdeu a final para o Fluminense, mas Roberto Dinamite voltou a ser o artilheiro do campeonato nacional.

                  Sempre com presença mortal na área, era dotado de excelente colocação e oportunismo, com excelente aproveitamento. Seu repertorio variado incluía chutes potentes com ambos os pés, cabeçadas, matadas de peito e se constituiu em um dos melhores cobradores de faltas e pênaltis de sua época. Sem falar na liderança e o respeito dos companheiros, tendo sido capitão do time durante boa parte de sua carreira. Sabia cobrar faltas como poucos, além de desenvolver ao longo de sua carreira, a capacidade de chutar com as duas pernas.

                 Em 1980, muito assediado por clubes europeus, o Vasco não pôde evitar a transferência de seu melhor atleta para o poderoso Barcelona, da Espanha.  Porem, a passagem de Dinamite pelo clube catalão foi péssima. Muito cobrado pela torcida, insatisfeita com a campanha no campeonato espanhol do mesmo ano, o centroavante não reeditava suas boas apresentações e não contava com a mesma sorte de antes. Três meses depois de deixar o Rio de Janeiro, tendo marcado apenas três gols na Espanha, Dinamite voltava a cidade maravilhosa e para os braços da torcida, que lotou São Januário para saúda-lo.  

                 Na sua re-estréia com a camisa do Vasco, o centroavante fez os cinco gols da vitória do Vasco contra o Corinthians, por 5 a 2, no dia 4 de maio de 1980.  Além do Vasco, ele defendeu a Portuguesa de Desportos em 1989, onde o atacante marcou nove gols nos seis meses em São Paulo, que o ajudaram a atingir a histórica marca de 190 gols em torneios nacionais, tornando-se o maior artilheiro da competição.

                A campanha da Portuguesa acabou sendo boa e a sétima colocação com 20 pontos, seis a menos que o campeão Vasco, o que fez com que a diretoria da Lusa tentasse a renovação com Dinamite. Em vão. O artilheiro mais uma vez voltava ao Vasco, onde em 1993 encerrou sua brilhante carreira.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               A seleção brasileira reservou grandes alegrias e decepções a Roberto Dinamite. Convocado pela primeira vez em 1975, o atacante esteve presente nas Copas do Mundo de 78 e 82, e fez, vestindo a camisa canarinho, o gol mais marcante de sua carreira. Estava esquecido por toda a imprensa e torcida há mais de 20 dias. Mas, com o gol que fez contra a Áustria, voltou a ser aclamado como ídolo do povo brasileiro de um dia para o outro.   No entanto, o matador teve seus momentos de desprazer. A maior tristeza da sua carreira foi a maneira como o Brasil foi desclassificado do Mundial de 78, na Argentina.

              O Brasil estava invicto, mas foi eliminado com a derrota do Peru por 6 a 0 para a Argentina.  Em 82, Roberto Dinamite foi convocado em cima da hora para disputar o Mundial da Espanha devido à contusão de Careca. Porém sua participação ficou restrita aos treinamentos, já que o técnico Telê Santana não o colocou em partida alguma. Com a camisa da seleção brasileira, Roberto Dinamite disputou 47 partidas (28 vitórias, 14 empates e 5 derrotas) e marcou 25 gols.

              Depois de encerrar a carreira, Roberto Dinamite ingressou na política e conseguiu ser eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro.  Em 2002, o maior ídolo vascaíno travou um duelo com o cartola Eurico Miranda, que o impediu de assistir a um jogo do Vasco da Gama nos camarotes de São Januário, o que o deixou ainda mais querido pela torcida vascaína, que sempre o admirou e o idolatrou dentro e fora do gramado.  Sem dúvida, Roberto é e será um dos maiores ídolos que já vestiu a gloriosa camisa do Vasco da Gama. 

              Quando se fala em artilheiro, pelo menos para o torcedor vascaíno, o primeiro nome que vem à mente é o de Romário.  Porem, o maior goleador da história do clube carioca é, com folga Roberto Dinamite.  O jogador que encantou os torcedores cruz-maltinos nas décadas de 70 e 80, é ainda o jogador que mais vezes marcou gols em jogos válidos pelo Campeonato Brasileiro, campeonato este que já completou 36 anos de existência.  Modesto, Roberto Dinamite garante que se manteve alheio ao glamour proporcionado por sua facilidade de ir às redes adversárias.  “Nunca me programei, nem fiz planos para ser famoso. Tudo aconteceu naturalmente em função dos meus gols”. 

              De todos os gols que Roberto marcou, há um que ele sempre comenta que foi o mais bonito de toda sua carreira. Este gol aconteceu no dia 10 de junho de 1976, quando o Vasco venceu o Botafogo por 2 a 1.  O Maracanã estava lotado, o Fogão vencia por 1 a 0, quando Roberto empatou a partida.  No último minuto de jogo, Zanata cruzou na área, Roberto matou no peito e, antes da bola tocar no chão, deu um lençol em Osmar, bateu com o pé direito de voleio no ângulo e garantiu a vitória. Além de ser o gol mais bonito, ele acabou se transformando numa espécie de marca do artilheiro.

              Alto e forte, Roberto usava com muita inteligência seu corpo e dificilmente perdia a bola para um adversário, tornando-se um grande perigo na área inimiga. Ele conseguiu a média de 36 gols por temporada nos 22 anos de carreira.  Disputou pelo Vasco 1.108 partidas e marcou 708 gols. Seu melhor ano foi em 1981, quando deixou por 62 vezes a sua marca de artilheiro, superando o recorde de Zico, o maior ídolo da torcida do rival Flamengo, que havia feito 45. Em toda sua carreira, disputou 1.199 partidas e marcou 754 gols.

PRINCIPAIS TÍTULOS:
Campeão carioca – 1977, 1982, 1987 e 1992  (Vasco)
Campeão brasileiro – 1974  (Vasco)

ARTILHARIA:
Foi o maior goleador do Vasco por 13 temporadas consecutivas
Maior artilheiro da história do Campeonato Brasileiro – 190 gols

Em pé: Andrada, Renê, Paulo César, Alcir, Miguel e Eberval   –    Agachados: Marco Antonio, Roberto Dinamite, Tostão, Silva e Gilson Nunes
Em pé: Paulo Roberto, Moroni, Vitor, Paulo Sérgio, Lira e Donato    –    Agachados: Mauricinho, Roberto Dinamite, Mazinho, Geovani e Romário

Em pé: Edevaldo, Roberto Costa, Donato, Ivan, Daniel González e Oliveira   –    Agachados: Mauricinho, Geovani, Roberto Dinamite, Marcelo e Marquinho

Roberto Dinamite e os apresentadores da Rede Globo, William Bonner e Fátima Bernardes
Copa de 1978   –   Em pé: Nelinho, Leão, Oscar, Amaral, Batista e Rodrigues Neto    –   Agachados: Gil, Toninho Cerezo, Jorge Mendonça, Roberto Dinamite e Dirceu
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