GOIANO: campeão do IV Centenário pelo Corinthians

                Washington da Silva Guimarães nasceu dia 2 de fevereiro de 1928, na cidade de Rio Verde – GO. Foi um jogador que caracterizou-se como um jogador de muita raça, que não media esforços para levar o Corinthians às vitórias. Era um jogador viril e em muitos jogos foi quem defendeu Luizinho, o pequeno polegar, das provocações dos adversários. Fez parte ao lado de Idário e Roberto da linha média do time alvinegro que levantou o título do IV centenário em 1954. Um título que o zagueiro jamais esqueceu, pois foi sem dúvida o mais importante de sua carreira, embora tenha conquistado muitos outros. Marcou época no Corinthians. Revelado pelo Linense da cidade de Lins, interior paulista, de onde saiu em 1952 para defender o alvinegro de Parque São Jorge por indicação do jogador Eduardinho. Permaneceu no Corinthians até 1959 e nesse período disputou 296 partidas. Venceu 184, empatou 58 e perdeu 54 vezes. Marcou 22 gols. Foi um jogador de muita raça. 

CORINTHIANS

               Goiano chegou ao Parque São Jorge no início de 1952 e sua estréia no time alvinegro aconteceu dia 23 de março de 1952, quando o Corinthians goleou o Bangu por 5 a 0 em pleno Maracanã pelo Torneio Rio-São Paulo. Os gols foram marcados por Baltazar (4) e Colombo. Neste dia o Timão jogou com; Cabeção, Murilo e Julião; Idário, Goiano (Lorena) e Roberto Belangero; Cláudio, Luizinho, Baltazar, Gatão (Jackson) e Colombo.  No domingo seguinte, o Corinthians derrotou o Fluminense por 4 a 2 ainda pelo Torneio Rio-São Paulo. Neste dia Goiano marcou seu primeiro gol pelo Corinthians, enquanto que Baltazar marcou dois e Colombo marcou o quarto da partida.

               No domingo seguinte, o Corinthians foi até a cidade de Mococa fazer um jogo amistoso contra o Radium daquela cidade, jogo este que era para ter acontecido em 13 de fevereiro de 1952, mas neste dia aconteceu algo inusitado. O comandante do avião que levou o time corintiano, não conseguiu achar a cidade de Mococa, no interior paulista.  Antes de voltar à capital, a delegação sobrevoou a região durante quatro horas.  Os jogadores passaram mal e alguns como o zagueiro Murilo, chegaram a desmaiar.  Nos dias seguintes, um jornal implacável publicava o desenho de um piloto colocando a cabeça para fora do avião e perguntando à um pássaro que passava:  “Por favor, para que lado fica Mococa ?”   Somente no dia 6 de abril de 1952 esta partida foi realizada, e o Corinthians venceu por 4×2.  O árbitro foi Jorge Miguel, e o Corinthians jogou com:  Gilmar, Murilo e Julião;  Idário, Goiano (Lorena) e Roberto;  Cláudio, Luizinho (Souzinha), Nardo (Gatão), Jackson e Colombo.  O técnico foi Rato. Os gols foram marcados por:  Jackson, Colombo e Luizinho (2).

TEMPOS DOURADOS

               Quinze dias depois deste amistoso em Mococa, o Corinthians fez sua primeira excursão à Europa, a qual foi um verdadeiro sucesso. O time perdeu a primeira partida que realizou na Turquia, mas depois que se adaptou, não teve para mais ninguém. Inaugurou o Estádio Olímpico de Helsinque, na Finlândia (onde seria disputada a Olimpíada daquele ano) e chegou a 15 partidas invictas. Não havia taça em jogo, mas o Corinthians voltou para casa com o título extra-oficial de Faixa Ouro do futebol brasileiro. Em 1953 novamente conquistou o Rio-São Paulo e só não conquistou o título paulista, pois naquele ano o Corinthians passou praticamente metade do ano na Europa. Nesta excursão, simplesmente venceu praticamente todos os jogos que disputou. Venceu equipes como Barcelona e Roma (duas vezes cada) entre outras equipes. Conquistou ainda, naquele ano, o título da pequena Taça do Mundo disputada na Venezuela. Para muitos torcedores que desdenham do título Mundial conquistado pelo Corinthians em 2000, em cima do Vasco da Gama em pleno Maracanã nos pênaltis, eis que o alvinegro de Parque São Jorge, no distante ano de 1953, já havia ganho a Pequena Taça do Mundo na Venezuela.

               O torneio, que representou a primeira conquista internacional do clube, é considerado por historiadores do planeta bola como um os precursores da disputa intercontinental, sistematizada a partir de 1960. “Foi um triunfo de repercussão mundial, pois batemos o grande Barcelona duas vezes. Na volta, até desfilamos de carro aberto pela Capital”, lembrou o zagueiro corintiano Goiano. O dado curioso é que o time paulista entrou na disputa pela porta dos fundos. Inicialmente, o representante brasileiro na competição venezuelana seria o Vasco da Gama, campeão sul – americano em 48 e base da Seleção vice-campeã mundial na Copa de 1950, realizada no Brasil. Como os cariocas não puderam aceitar o convite, o alvinegro do Parque São Jorge, que acabara de se sagrar bicampeão paulista. Foi chamado para preencher a vaga. “Todos ficaram entusiasmados. As excursões sempre atraíram muito os jogadores”, afirmou Goiano. A equipe, recorda o zagueiro, chegou completamente desacreditada a Caracas. Pudera: além de não ter experiência internacional, o Timão teria pela frente no quadrangular dois adversários de peso: o Barcelona e a Roma.

               O primeiro, vencedor de quase todos os torneios que disputara em 1952, ostentava a base da seleção espanhola, quarta colocada na Copa de 50 e, de quebra, contava com o lendário centroavante húngaro naturalizado espanhol Ladislao Kubala. A Roma, por sua vez, tinha o uruguaio Alcides Gigghia, carrasco do Brasil no Maracanã apenas três anos antes. A única moleza, pelo menos em tese, seria um combinado local que contava com alguns brasileiros. “Nossa cota foi a menor entre os quatro participantes”, resume Goiano. No primeiro turno, o Corinthians foi logo mostrando as garras, turbinado por uma linha fantástica que contava com Luizinho, o Pequeno Polegar, Baltazar, o Cabecinha de Ouro, e o próprio Cláudio, conhecido como Gerente. Foram três vitórias seguidas. 1 a 0 sobre a Roma, 3 a 2 contra o Barcelona e 2 a 1 sobre os venezuelanos. De azarões, os brasileiros passaram a ser apontados como favoritos, e o que era melhor: bastaria uma vitória na primeira partida do segundo turno, diante do Barça, para levantar o troféu.

               Jogada em 26 de julho, a revanche foi disputadíssima. O gol só saiu aos 16 minutos do segundo tempo: após um escanteio cobrado por Cláudio, a bola sobrou para o médio Goiano fuzilar para as redes. Desesperados, os atletas espanhóis abriram a caixa de ferramentas, abusando das jogadas violentas contra os brasileiros. Não demorou muito, o gramado virou um campo de batalha.  Quando os ponteiros do cronômetro marcavam 21 minutos da etapa final, Kubala foi derrubado por Goiano, e imediatamente Cesar correu para esmurrar o brasileiro. O rechonchudo porém habilidoso húngaro levantou-se e partiu para cima de Vermelho, que havia tomado as dores do companheiro. Integrantes dos dois bancos de reserva também entraram para participar do sururu, juntando-se a repórteres, cartolas e policiais. Todo mundo entrou na briga. O árbitro resolveu encerrar o jogo, e todos desceram para os vestiários. Ficaram lá por pouco tempo. “A polícia nos chamou e disse que, se a gente não voltasse a campo, todo mundo ia preso”, recorda Goiano. Vaiadas pelos venezuelanos, as duas equipes voltaram a campo. Os corintianos só tiveram o trabalho de segurar o resultado, garantindo o título por antecipação. Para fechar a competição com chave de ouro, os brasileiros ainda venceram os dois últimos compromissos: 2 a 0 sobre a seleção de Caracas, e 3 a 1 na Roma.

               Realmente foi uma Era Dourada na carreira de Goiano e do seu amado Corinthians que ele tanto defendeu e amou em sua vida. Mas de todos os títulos que conquistou com a camisa corintiana, sem dúvida, foi o título paulista de 1954, o título do IV Centenário. Foi uma conquista que até hoje o torcedor corintiano lembra com muito carinho. Tudo aconteceu no dia 6 de fevereiro de 1955, quando o Corinthians empatou com o Palmeiras em 1 a 1 lá no velho Pacaembu. Neste dia o Corinthians jogou com Gilmar, Idário, Homero, Goiano e Alan; Roberto Belangero e Rafael; Cláudio, Luizinho, Baltazar e Simão. Um dos melhores times de todos os tempos do alvinegro de Parque São Jorge. Sem dúvida alguma, este título de 54 marcou a história do S. C. Corinthians Paulista.

A DESPEDIDA 

               A última partida de Goiano pelo Corinthians aconteceu no dia 27 de setembro de 1959, quando o Corinthians perdeu para Ferroviária de Araraquara por 3 a 1 pelo Campeonato Paulista. O jogo foi no estádio da Fonte Luminosa em Araraquara e os gols da Ferrinha foram marcados por Cardoso, Bazzani e Beni, enquanto que para o Timão, Miranda marcou o único tento. Neste dia o Corinthians jogo com: Gilmar, Benedito e Oreco; Walmir, Goiano e Roberto Belangero; Miranda, Joãozinho, Joaquinzinho, Rafael e Tite. O técnico foi Silvio Pirilo. Durante os sete anos que defendeu o Corinthians, sagrou-se campeão paulista em 1952 e 1954 e campeão do Torneio Rio- São Paulo em 1953 e 1954.  Para muitos, Goiano foi o maior zagueiro da história do Corinthians em todos os tempos, menos pela técnica, mas pela sua raça e estilo brigador. Goiano faleceu dia 25 de outubro de 2003. No final da vida, enfrentou problemas de saúde, tanto é que teve de amputar uma das pernas.

Em pé: Cabeção, Idário, Goiano, Homero, Olavo e Julião     –    Agachados: Cláudio, Luizinho, Carbone, Mário e Baltazar
Da esquerda p/direita: Gilmar, Rafael, Goiano, Homero, Idário, Alan, Nonô, Roberto Belangero, Simão, Luizinho, Cláudio e o técnico Osvaldo Brandão
Em pé: Gilmar, Idário, Goiano, Julião, Murilo e Roberto Belangero      –     Agachados: Cláudio, Luizinho, Gatão, Jackson e Colombo
Em pé: Oreco, Gilmar, Olavo, Cássio, Goiano e Roberto Belangero      –     Agachados: Zezé, Índio, Rafael, Zague e Boquita

Em pé: Alan, Homero, Goiano, Idário, Roberto Belangero e Gilmar      –    Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Rafael e Nonô

 

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