PUSKAS: maior ídolo do futebol húngaro

                    Ferenc Purczeld Biró nasceu dia 2 de abril de 1927, na cidade de Budapeste – Hungria. Foi um extraordinário jogador, por onde jogou encantou o público com seu maravilhoso futebol. Até hoje é o principal jogador da história da Hungria e dificilmente irá aparecer outro igual a ele, pois brilhou não só em seu país, como também em toda a Europa. É também um dos poucos a terem jogado Copas do Mundo por dois países: participou da Copa de 1954 pela Hungria e a de 1962 pela Espanha.

                    Puskas é também um dos três atletas que marcaram gols em finais de Olimpíada e Copa do Mundo. Por seus inúmeros belos gols que marcou durante sua carreira, a FIFA em 2009 instituiu o Prêmio Ferenc Puskas ao autor do gol mais bonito do ano. Puskas foi campeão Olímpico em 1952 em Helsinque, quando a Hungria derrotou a Iugoslávia por 2 a 0. Na Copa 54 Puskas encantou o mundo, assim como a seleção húngara que de 1950 até 1956, perdeu somente uma partida.

                    Puskas começou aos dezesseis anos a sua carreira de jogador profissional, em plena Segunda Guerra Mundial, num time da sua cidade chamado Kispest, que embora tradicional,  não  era  uma  equipe  vencedora.  Fundado  em 1909, jamais ganhara o campeonato húngaro. Em 1948, Puskas quebrou o recorde de gols no campeonato, marcando cinquenta gols e sagrando-se campeão.

SELEÇÃO HÚNGARA

                   Puskas recebeu sua primeira convocação em 1945, com a Segunda Guerra Mundial recém-acabada, quando a Seleção Húngara se reuniu para dois amistosos contra a Áustria. Na estreia, marcou um gol na vitória por 5 x 2. Em 1947, era tratado como celebridade pela imprensa. Neste mesmo ano foi cobiçado pelo Juventus, que tentou levá-lo para a Itália. Não conseguiu. Puskas preferiu continuar jogando em casa, cercado de amigos. Em 1952, a seleção húngara foi apresentada ao mundo nas Olimpíadas de Helsinque.

                   Puskas era o líder de um time que realizou uma campanha irrepreensível: cinco jogos, cinco vitórias, vinte gols a favor e apenas dois contra. Com isto conquistou a medalha de ouro de uma forma brilhante. Em 1953, a Inglaterra enfim decidiu convidar a Hungria para um amistoso em Wembley. Isto fazia parte de uma tradição do English Team em provar sua superioridade sempre que uma seleção despontava na Europa; em seu místico estádio, os britânicos costumavam aplicar uma surra nos desafiadores e continuavam a se proclamar os senhores do futebol.

                   No dia 25 de novembro, cem mil pessoas lotaram Wembley e o resultado da partida geraria uma comoção nacional entre os ingleses. Numa tarde inspirada, Puskas aplicou um drible seco em seu marcador Billy Wright, arrastando a bola para trás com a sola de seu pé esquerdo e deixando o capitão inglês estatelado no chão, fuzilando então a meta inglesa, fazendo 3 x 1. Outros três minutos se passaram e Puskas fez o quarto.

                   A partida terminaria 6 x 3. Logo um novo encontro entre as duas seleções foi marcada, para dar aos ingleses a chance da revanche. Mesmo preparando-se melhor, o English Team levou de 7 x 1 em Budapeste. A vitória, em 23 de maio de 1954 não deixou dúvidas de que a Hungria era a melhor Seleção europeia, com seu misto de talento, disciplina e força, sempre comandada pelo extraordinário capitão Puskas.

COPA DE 1954

                   A um mês da Copa do Mundo de 1954, a seleção húngara somava 23 vitórias, 4 empates, 114 gols a favor e 26 contra em sua série invicta. A estreia na Copa foi contra a Coreia do Sul. O resultado deixou a larga impressão de que não passara de um treino para os húngaros, que venceram por 9 x 0, no que foi por muito tempo a maior goleada das Copas (superada apenas por um 10 x 1, curiosamente também aplicado pela Hungria, na Copa do Mundo de 1982 contra El Salvador). Puskas marcou duas vezes.

                   O jogo seguinte foi contra a Alemanha Ocidental, que escalou um time reserva, sabendo que não deveria vencer a partida. A Hungria venceu por 8 x 3 e Puskas marcou mais uma vez. O jogo seguinte foi contra o Brasil e mais uma vitória, desta vez por 4 a 2. Contra os brasileiros, mesmo não entrando em campo, Puskas fez parte da briga generalizada que ocorreu na partida: na chamada “Batalha de Berna”, ele abriu a testa do zagueiro Pinheiro com uma garrafada. Depois a Hungria venceu o Uruguai por 4 a 2 e foi disputar o título com a Alemanha Ocidental.

                  Chegava então o tão esperado dia 4 de julho de 1954, dia em que o mundo iria conhecer o grande campeão da Copa daquele ano. Fazia frio e chovia muito em Berna, cidade onde foi disputado o jogo. Mais de 60.000 pessoas estavam no estádio a espera de ver uma exibição de gala da seleção húngara, que jogaria com seu grande capitão Puskas. Como já havia acontecido nas partidas anteriores da Hungria, com dez minutos de jogo já vencia por 2 a 0. Gols de Puskas aos 6 minutos e Czibor aos 8. Era um verdadeiro rolo compressor o time húngaro, confirmando dessa maneira, o favoritismo que possuía para a conquista daquele mundial.

                 Mas, para surpresa dos húngaros, os alemães não se intimidaram e viraram o placar para 3 a 2. Puskas, aos 43 minutos, conseguiu empatar. Porém, o bandeirinha marcou impedimento. Os germânicos, com bastante fôlego souberam segurar a partida, quebraram a invencibilidade húngara e sagraram-se campeões. Esta foi a única derrota da seleção húngara em 6 anos, ou seja, de 1950 até 1956 só perderam esta partida, que por ironia do destino, foi a mais importante de todas.

REAL MADRID

                 Puskas chegara ao Real Madrid com o time consagrado internacionalmente: os merengues haviam vencido as três edições da Copa dos Campeões da UEFA, competição iniciada a partir da temporada europeia de 1955/56. Na campanha de 1958/59, Puskas mostrou-se decisivo contra o outro rival, o Atlético de Madrid: após duas partidas empatadas, as duas equipes tiveram de se enfrentar em um jogo extra, e Puskas marcou um dos gols na vitória por 2 x 1. Na segunda temporada no Real, a de 1959/60, Puskas, sagrou-se artilheiro com 25 gols.

                 Paralelamente, na Copa dos Campeões, o clube chegou pela quinta vez seguida à final, a primeira disputada por Puskas. Na campanha, os merengues já haviam dado o troco no Barcelona, contra quem jogaram nas semifinais. Foram duas vitórias por 3 x 1, com Puskas marcando três vezes – duas delas na casa do adversário, o Camp Nou. A temporada de 1960/61 teve novamente Puskas como artilheiro com 27 gols. Na temporada 1961/62 o Real voltou à final da Copa dos Campeões, decidida contra o Benfica. Puskas realizou outra performance notável. Com 23 minutos de jogo, já marcara duas vezes.

                 Os portugueses, que na edição anterior venceram o Barcelona na final, conseguiram deixar o placar empatado ainda nos 34 minutos do primeiro tempo, mas Puskas marcou o terceiro gol quatro minutos depois. Na temporada 1962/63, Puskas, mais uma vez, foi o goleador máximo, marcando 26 vezes. O décimo título espanhol – o quinto seguido – veio na de 1963/64, com o húngaro alcançando sua quarta artilharia, com vinte gols. Naquela temporada, o Real voltou à final da Copa dos Campeões. Puskas, que, com sete gols, terminaria novamente artilheiro do torneio.

                 Naturalizado espanhol, foi disputar a Copa de 1962 pela Espanha, que chegou à última partida da primeira fase precisando vencer para classificar-se. O jogo seria contra o Brasil. Antes da partida Puskas declarou que se a Espanha perdesse, tiraria a camisa e nunca mais atuaria pelo país. E nunca mais atuou mesmo, pois o Brasil venceu por 2 a 1, com dois gols de Amarildo que substituía Pelé.

FORA DAS QUATRO LINHAS

                 Depois que encerrou a carreira, acabou tornando-se um treinador de relativo sucesso. Uma de suas melhores performances foi quando levou o Panathinaikos, da Grécia, à final da Copa dos Campeões de 1971, perdida para o Ajax de Johan Cruijff. Com a equipe, foi ainda campeão grego em 1971 e 1972.  Após treinar equipes dos cinco continentes, encerrou a sua carreira de técnico no começo da década de 1990, treinando a sua Hungria em 1993. Ao retornar ao seu país, foi recebido como herói pelo povo.

                 Dia 20 de janeiro de 1997, Ferenc Puskas recebeu o troféu da Federação Internacional da História e Estatística do Futebol, por seus 511 gols em 533 partidas de campeonatos nacionais e internacionais – 94 na frente dos demais jogadores. Por ocasião de seu 70º aniversário, recebeu do então presidente do Comitê Olímpico Internacional a ordem de honra do COI, a máxima condecoração olímpica. Em 1999, o governo húngaro lhe nomeou embaixador do esporte do país. Em 2000, Puskás começou a sofrer do Mal de Alzheimer, doença degenerativa que atinge o cérebro e causa perda progressiva da memória.

                 Em 2001, o estádio municipal de Budapeste, passaria a chamar-se Estádio Puskás Ferenc em uma justa homenagem ao maior símbolo do futebol húngaro. Uma última grande homenagem em vida veio em 2004, quando foi eleito o melhor jogador da Hungria dos cinquenta anos da UEFA. O maior jogador da história da Hungria morreu em Budapeste, no dia 17 de novembro de 2006, depois de ficar internado com uma pneumonia durante cerca de dois meses, recebendo um funeral de Estado.

                É importante preservar a memória dos grandes nomes do futebol que deixaram sua marca na nossa história. Puskas era não só um jogador com imenso talento que ganhou muitas honras, mas também um homem notável. É, portanto, um prazer lhe prestar esta humilde homenagem, por tudo que ele representou no futebol mundial.

Seleção FIFA 1993   –   Em pé: Ferenc Puskás, Djalma Santos, Svatopluk Pluskal, Lev Yashin, Ján Popluhár, Karl-Heinz Schnellinger, Milutin ?o?kic, Josef Masopust, Luis Eyzaguirre e Jim Baxter   –    Agachados: Raymond Kopa, Denis Law, Alfredo Di Stéfano, Eusébio e Francisco Gento
Real Madrid 1960   –  Em pé: Vicente, Marquitos, Santamaria, Casado, Vidal Pachin e Miguel Muños (técnico)    –    Sentados: Canário, Del Sol, Di Stéfano, Puskas e Gento
Real Madrid    –    Em pé: Dominguez, Marquitos, Santamaria, Casado, Vidal e Pancho   –    Agachados: Canário, Del Sol, Di Stéfano, Puskas e Gento
Em pé: Dominguez, Marquitos, Santamaria, Pachin, Vidal e Zárraga   –    Agachados: Canário, Del Sol, Di Stéfano, Puskas e Bueno
Real Madrid   – Em pé: Dominguez, Marquitos, Santamaria, Pachin, Vidal e Zárraga   –    Agachados: Canário, Del Sol, Di Stéfano, Puskas e Gento
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