ISMAEL: um dos melhores laterais que o Brasil já teve

                  Ismael Mafra Cabral nasceu dia 7 de fevereiro de 1938, na cidade de Águas da Prata – SP. Atuava como centro-médio nas categorias de base do Clube Atlético Juventus. Timidamente e por pouco tempo, foi aproveitado entre o elenco de aspirantes até que o treinador decidiu mudar sua posição para a lateral direita. Bendita providência e mais tarde Ismael se firmou como um dos melhores laterais do futebol brasileiro. Em 1955 prestou o serviço militar na cidade de Pirassununga (SP) e pouco tempo depois retornou a São Paulo para defender o juvenil do Palmeiras, onde mais tarde profissionalizou-se.

                  Graças a sua dedicação e regularidade, Ismael passou ao elenco principal em 1956, ao lado de feras como o goleiro Laércio e Waldemar Carabina. Mas, uma grave contusão na clavícula o afastou do time titular sendo emprestado ao XV de Piracicaba. Retornando ao Palmeiras, foi incluído junto ao companheiro Parada como parte do pagamento pelo passe do goleiro Rosan, revelado pela Ferroviária e vendido ao alviverde. Pelo Palmeiras Ismael jogou 46 partidas, conquistando 20 vitórias, 12 empates e 6 derrotas. Jogando pela Ferroviária, Ismael se recuperou e foi um dos destaques da equipe grená nas ótimas campanhas realizadas no Campeonato Paulista de 1960 e 1961. Pela Ferroviária, Ismael jogou 95 partidas, obtendo 52 vitórias, 22 empates e 21 derrotas.

SANTOS FC

                   Em 25 de julho de 1962 seu passe foi adquirido pelo Santos e na Vila Belmiro viveu seu melhor período como jogador profissional. Ismael nunca se esquecia do recado que o companheiro Mauro Ramos de Oliveira, costumava lhe passar antes de cada partida: “Quando você tiver dificuldade, abaixa a cabeça e chuta pra frente, pois sempre aparece um tal de Pelé para dominar a redonda com categoria e colocá-la no tapete verde novamente”. Brincava!

                  No alvinegro praiano ele se tornou bicampeão mundial interclubes em 1962 e 1963, ano em que enfrentou o timaço do Milan que contava com uma poderosa linha de ataque formada por Mora, Rivera, Mazzola e Amarildo. Mas o espetacular apoio do público carioca foi o grande diferencial nas duas partidas disputadas no Maracanã e o Santos ficou com mais uma estrela mundial no peito. Ismael também faturou os títulos paulistas de 1964 e 1965.

OUTROS CLUBES

                 Depois do Santos, onde deixou seu lugar para Carlos Alberto Torres, Ismael teve uma breve passagem pelo Fluminense e logo retornou ao Santos em 1967, quando em seguida foi negociado com o São Paulo. No Tricolor, Ismael realizou apenas 10 apresentações (6 vitórias, 1 empate, 3 derrotas) e não marcou nenhum gol. À época, ele brigou pela posição de lateral-direito com Deleu, Renato Gaúcho e com o estreante Claudio Deodato. Quando deixou o São Paulo, Ismael ainda defendeu por um curto período a camisa da Prudentina e posteriormente o Coritiba nas temporadas de 1968 e 1969.

                Foi para o Coxa acompanhando o técnico Francisco Sarno. Também foram para o futebol paranaense, na ocasião, outros importantes jogadores, como: Djalma Santos, Bellini, Rinaldo, Gildo, Ademar Pantera, Modesto, Neiva, Rossi, entre outros e juntos sagraram-se campeão paranaense. Na ocasião o Furacão estava há treze anos se nenhum título. Sua despedida dos gramados aconteceu no ano seguinte ainda com a camisa do Atlético Paranaense.

               Alguns dos grandes orgulhos de Ismael foi ter recebido como jogador o troféu Carlos Joel Nelli, da TV Gazeta, concedido aos melhores jogadores da temporada. “Conquistei estes troféus em 1959 (pela Ferroviária), 1962 e 1964 (no Santos).” O ex-lateral tinha gravado na memória a fase áurea do Santos nos anos 60. “Não é querer ser saudosista, mas o time do Santos era muito forte. Por exemplo, o centroavante reserva podia ser Toninho Guerreiro, Pagão ou Del Vecchio, já que o Coutinho era titular, lembrava orgulhoso o saudoso Ismael.

               Na opinião de Ismael, a partida mais difícil e emocionante que disputou pelo alvinegro santista foi a final do Mundial de 1963 contra o Milan, da Itália, no estádio do Maracanã. O Santos perdia por 2 a 0 e virou o jogo. “Os italianos já faziam festa no vestiário, no intervalo do jogo. Eles achavam que a partida já estava ganha, mas tivemos raça e reagimos. O apoio dos torcedores cariocas também foi essencial, tanto que a diretoria do Santos Futebol Clube prestou uma homenagem a eles preparando uma placa especial que está no Maracanã”.

               Na última década Ismael deixou de ser corretor de imóveis em Santo André e tentou a carreira de técnico, no entanto, não teve oportunidades. Ele vivia sozinho e morava na Rua dos Capuchinhos, na Vila Guiomar, em Santo André, perto da Vila Alpina do ABC (não confundir com o bairro da Vila Alpina na zona leste de São Paulo). Ismael passou por dificuldades e por pouco não foi atropelado por um trem na cidade do ABC Paulista, devido as complicações da diabetes. E foi por causa destes problemas que Ismael veio a falecer aos 70 anos, no dia 15 de janeiro de 2009, na casa de idosos Nova Morada, em Santo André (SP).

Em pé: Orlando, Ismael, Biguá, Cardinalli, Bastos e Dema    –    Agachados: Silvio, Nilo, Fifi, Hélio Burini e Nelsinho
1964  –   Em pé: Lima, Zito, Haroldo, Ismael, Modesto e Gilmar   –    Agachados: Toninho Guerreiro, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe
1963  – Em pé: Haroldo, Dalmo, Lima, Ismael, Gilmar e Mauro Ramos de Oliveira   –    Agachados: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Almir, Pepe e o massagista Macedo
1963   –   Em pé: Joel, Mengálvio, Geraldino, Ismael, Gilmar e Mauro Ramos de Oliveira     –    Agachados: Batista, Rossi, Coutinho, Almir e Pepe
Em pé: Zito, Ismael, Dalmo, Calvet, Gilmar e Mauro   –    Agachados: Bé, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe
Cada jogador do Santos com a camisa de um clube carioca exceto Gilmar   –   Em pé: Lima, Ismael, Joel Camargo, Olavo, Mengalvio e Gilmar     –     Agachados: Peixinho, Rossi, Toninho Guerreiro, Pelé e Pepe
1958    –   Em pé: Ismael, Jorge, Formiga, Waldemar Carabina, Nivaldo e Milton Buzzetto    –    Agachados: Renatinho, Fernando, Mazzola, Ivan e Caraballo
1958   –   Em pé: Waldemar Carabina, Laércio, Ismael, Maurinho, Gérsio Passadore e Milton Buzzeto    –     Agachados: Renatinho, Ney Blanco, Tati, Ivan e Colombo

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