SANTA CRUZ F.C. – Fundado dia 3 de Fevereiro de 1914

               Um grupo de onze garotos, com idades entre 14 e 16 anos, residentes no bairro da Boa Vista, nas imediações do centro da cidade do Recife, que costumava jogar futebol no pátio da Igreja de Santa Cruz, decidiu tornar sério seus bate-bolas e fundar um clube.

               Assim, no início da noite de 3 de fevereiro de 1914, uma terça-feira, na casa nº2 da rua da Mangueira (hoje rua Leão Coroado, nas proximidades do Largo de Santa Cruz), os onze meninos, em reunião, como ficou registrado na ata da mesma, fundaram o clube que decidiram chamar de “Santa Cruz Foot-Ball Club”, cujo principal esporte seria o futebol. Na mesma reunião, foi escolhida e tomou posse a primeira diretoria, tendo como primeiro presidente José Luiz Vieira. Outra decisão tomada foi sobre as cores adotadas pelo novo clube, optando-se pelo branco e preto.

               Logo no primeiro jogo, o “time dos meninos” deu mostras daquilo que viria ser seu futuro. O adversário foi um outro clube recém-criado, o Rio Negro, na campina do Derby, um bairro próximo. Apesar de acostumados a jogar nas ruas, o garotos do Santa Cruz não estranharam o gramado, aplicando 7×0, com cinco gols de Silvio Machado.

             Após o massacre, o Rio Negro pediu revanche e impôs uma condição, “desta vez, Silvio Machado não jogará!”. O Santa Cruz concordou, assim marcou-se outro jogo, no campo do adversário, na rua Barão de São Borja, no hoje bairro da Soledade. Desta vez, com Carlindo no lugar de Silvio Machado. Resultado? Santa Cruz 9×0, com seis gols do substituto Carlindo. Aos poucos, os feitos do time foram se tornando notórios no Recife, vitórias como as iniciais, ou como contra o combinado de ingleses da Western Telegraph Company, só fizeram o clube ser cada vez mais admirado na cidade. Outro fator que contribuiu para que desde cedo o Santa Cruz possuísse a maior torcida do Estado foi sua origem.

             Enquanto os outros clubes que destacavam-se no cenário local eram elitistas, o Santa foi um clube surgido na classe média, popular desde seu nascedouro, sendo um dos primeiros a aceitar negros, algo raro na época. O escudo do clube inclusive foi desenhado em 1915 por Teófilo Batista de Carvalho, conhecido por Lacraia, primeiro negro a defender o Santa Cruz. Mas nem tudo correu bem no início, em um momento de crise, em 1914, o clube por pouco não deixou de existir. Em uma reunião, um dos fundadores propôs o gasto dos únicos seis mil réis existentes em caixa na compra de uma máquina elétrica de fazer caldo de cana (o que era sucesso na época, na Rua da Aurora).

            Foi então que, Alexandre de Carvalho agiu energicamente, dando um murro na mesa e pronunciando palavras que ainda hoje são sentidas no coração dos torcedores “O Santa Cruz nasceu e vai viver eternamente!”. Estava iniciada a história daquele que hoje é um dos maiores clubes do futebol brasileiro. Em 16 de junho de 1915, é fundada a Liga Sportiva Pernambucana (LSP), hoje Federação Pernambucana de Futebol. A entidade passou então a organizar os campeonatos estaduais. O primeiro ocorreu já em 1915, porém, antes do pontapé inicial, um acaso do destino mudaria para todo o sempre a história do “time dos meninos”.

            Uma das regras da LSP afirmava que seus afiliados não poderiam usar as mesmas cores, porém, tanto Santa Cruz como o Flamengo eram alvinegros, sendo assim, um dos dois teria que alterar seu pavilhão. A decisão saiu em um sorteio, o Flamengo venceu e como prêmio, permaneceu alvinegro, já o Santa teria que mudar suas cores.Assim, optou-se pela inclusão do vermelho junto ao branco e preto, nascendo assim o Tricolor.

             Dois fatores teriam influenciado na inclusão do vermelho, o primeiro teria sido a boa impressão que o time do Flamengo/RJ causou ao fazer uma excursão ao Recife na época. O rubro-negro carioca usava então um uniforme com listras horizontais vermelhas, brancas e pretas, o popular Cobra-Coral, que foi adotado pelo Santa Cruz. Outro fator teria sido a simpatia que alguns dos membros da diretoria nutriam pela Alemanha, na Primeira Guerra Mundial, que naquele momento se desenrolava na Europa. Na época, a bandeira alemã era composta por três faixas horizontais, preta, branca e vermelha. As novas cores do clube foram oficializadas no dia 16 de março de 1916.

              Solucionado o problema das cores, veio a disputa da primeira partida do Campeonato Pernambucano e coube ao Santa a honra de inaugurar a festa oficial nos gramados do Estado. No dia 1º de agosto de 1915, o Tricolor venceu a equipe da Coligação Sportiva Recifense por 1×0, com gol de Mário Rodrigues, e grande atuação do goleiro Ilo Just, um dos primeiros ídolos corais, ao lado de Pitota.

              Seis times participaram daquele campeonato e como Santa, Flamengo e Torre chegaram ao final da disputa empatados, o título foi decidido entre os três. Contra o Torre, o Tricolor foi impiedoso, fazendo 5×0, bastava vencer o Flamengo para conquistar o primeiro título, porém, o time acabou derrotado e como o Flamengo também venceu o Torre, ficou com o título.

             Ao fim de sua primeira competição oficial, o clube fundado por garotos e que quase deixou de existir em virtude da possibilidade da compra de uma máquina de fazer caldo de cana, conquistara o vice-campeonato, nada mal, porém a principal conquista já era bem clara naquela época e mantém-se até hoje idêntica: o Santa Cruz era o Mais Querido, seus jogos sempre reuniam um bom número de adeptos. Num tempo em que o futebol pernambucano ainda engatinhava, o Tricolor já era o Time do Povo.

ESCUDO

              O escudo do Santa Cruz Futebol Clube foi criado no ano de 1915, logo após a fundação da instituição. O autor do desenho foi um dos atletas que vestiam a camisa do Mais Querido na época, o atacante Teófilo Carvalho, mais conhecido como Lacraia.

              De lá para cá o escudo foi se modernizando até chegar nos moldes atuais. O detalhe é que desde a década de 1970 o distintivo teve suas cores invertidas, seguindo o estatuto do clube, que determina que as cores do Mais Querido devem ser representadas, necessariamente, na ordem preto, branco e vermelho. Desde os primeiros desenhos até os dias atuais, o distintivo do Santa Cruz já foi modificado diversas vezes. Em alguns momentos ganhou estrelas, em outros contornos amarelos e já foi até parecido com o do São Paulo/SP.

MASCOTE

              O mascote do Santa Cruz Futebol Clube é a Cobra Coral. A escolha foi feita devido a semelhança das cores do clube com as listras do animal.

UNIFORMES

              No ano em que foi fundado (1914), o Santa Cruz Futebol Clube trajava as cores preto e branco, porém, como já havia em Recife um time com essas cores, o Mais Querido foi obrigado a incluir o vermelho em seus uniformes. Assim, apenas no ano de 1915 o uniforme do Mais Querido passou a ser tricolor, conforme reprodução abaixo Atualmente os uniformes do Santa Cruz são fabricados pela Penalty em dois modelos, como determina o Estatuto do clube.

Uniforme Nº 1   –  Camisa com listras horizontais nas cores preto, branco e vermelho – necessariamente neste ordem

Uniforme Nº 2  –  Camisa branco com duas listras horizontais na altura do peito nas cores preto e vermelho.

HINO

                O hino oficial do Santa Cruz Futebol Clube foi composto pelos irmãos Valença (João e Raul Valença) na década de 1930. A letra fala da longa história de glórias do Mais Querido, exaltando a raça e o amor à camisa tricolor, e da imensa e apaixonada torcida coral.

               Além da bela composição dos irmãos Valença, outra música também pode ser considerada um hino do Santa Cruz. A composição “O Mais Querido”, do nobre tricolor Capiba, que foi elaborada em 1957 e alterada pelo mesmo em 1976, foi adotada pelos torcedores durante o passar dos anos e hoje é mais famosa que o hino oficial do clube.

               A trilha sonora da história do Mais Querido é repleta também de músicas que se tornaram populares e hoje estão na ponta da língua da Torcida Mais Apaixonada do Brasil, como “Santa Cruz de Corpo e Alma”, composta por Sebastião Rosendo, e “Vulcão Tricolor”, que é instrumental e foi elaborada pelo Maestro Forró.

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