BRANDÃOZINHO: um dos maiores craques da história da Portuguesa

                 Antenor Lucas nasceu dia 9 de junho de 1925, na cidade de Campinas – SP. Considerado um dos maiores jogadores da Portuguesa de Desportos de todos os tempos, Brandãozinho simbolizou uma das grandes gerações de craques do clube na década de 50. Conquistou dois Torneios Rio-São Paulo pela Lusa do Canindé (1952 e 1955). Fez parte da Seleção Brasileira que disputou a Copa de 1954, na Suíça, a qual ficamos em ficamos em 6º lugar. Disputados três partidas, vencemos uma, empatamos uma e perdemos uma. Brandãozinho foi titular nas três partidas.

                Além do futebol, trabalhou como investigador de polícia durante 30 anos e trabalhou também no Detran de São Paulo. Segundo o conceituado jornalista Cláudio Carsughi, Brandãozinho foi um médio volante superior a Dino Sani, Zito e Clodoaldo. Por isso é considerado ainda hoje, como um dos melhores jogadores que já teve a honra de vestir a camisa da Associação Portuguesa de Desportos, onde fez partidas memoráveis, numa época em que a Lusa tinha uma verdadeira seleção.

PORTUGUESA

                Brandãozinho começou a carreira nos anos 40, na Portuguesa Santista. Defendeu a Briosa até 1948, ano em que se transferiu para Portuguesa de Desportos. Sua estreia com a camisa da Lusa, aconteceu dia 1 de setembro de 1949, quando enfrentou o Palmeiras num jogo amistoso realizado no Pacaembu e o alviverde de Parque Antarctica venceu de virada por 3 a 1. A Lusa abriu o placar com 10 segundos de jogo através de Simão, que anos mais tarde iria fazer muito sucesso no Corinthians. Neste jogo quem também fazia sua estreia era Jair da Rosa Pinto, que vestia a camisa do Palmeiras pela primeira vez. Neste dia a Portuguesa jogou com; Caxambu, Diogo e Nino; Luizinho, Brandãozinho e Hélio; Renato, Pinga II, Nininho, Pinga I e Simão.

                A estréia de Brandãozinho no Campeonato Paulista aconteceu com outra derrota e pelo mesmo placar, ou seja, 3 a 1, dessa vez para o Corinthians, em 11 de setembro de 1949. Os gols corintianos foram anotados por Baltazar (2) e Severo, enquanto que Nininho marcou o único tento da Lusa. Nesse jogo, Pinga II contundiu-se e, como não eram permitidas substituições, a Portuguesa jogou com 10 homens quase toda a partida. A primeira vitória de Brandãozinho com a camisa da Lusa, aconteceu em 26 de setembro de 1949, pelo Campeonato Paulista, contra a Portuguesa Santista (sua antiga equipe). A equipe da capital venceu por 4 a 1, com um gol de cabeça de Brandãozinho e os outros 3 marcados por Pinga, que ainda hoje é o maior artilheiro da Lusa com 190 gols.

TORNEIO RIO-SÃO PAULO

                Em 1952 a Portuguesa montou um grande time, tanto é, que da Seleção Paulista daquele ano, nada mais, nada menos, seis jogadores pertenciam a Portuguesa; Julinho Botelho, Pinga, Djalma Santos, Muca, Noronha e Brandãozinho. Conquistou o Torneio Rio-São Paulo com uma belíssima campanha, vencendo Palmeiras, Flamengo, Corinthians, Botafogo e goleando Bangu e Santos pelo mesmo placar, 5 a 1. Portuguesa e Vasco terminaram empatados em número de pontos, sendo assim, precisaram fazer duas partidas para decidir quem seria o legítimo campeão.

                A primeira partida foi realizado no Estádio Municipal do Pacaembu e a Portuguesa venceu por 4 a 2, gols de Nininho (2), Julinho e Pinga para a Lusa, enquanto que Ademir de Meneses e Manéca marcaram para o Vasco. Este jogo foi realizado dia 15 de junho de 1952. A segunda partida foi realizado no Maracanã e o jogo terminou empatado em 2 a 2, gols de Ademir de Menezes e Manéca para o Vasco, enquanto que Pinga marcou os dois gols da Portuguesa. Esse jogo aconteceu dia 19 de junho de 1952.  

FITA AZUL

               Brandãozinho também tem seus títulos internacionais pela Portuguesa. Na década de 50, o jornal “A Gazeta Esportiva”, criou o troféu “Fita Azul”, que seria entregue ao clube brasileiro de melhor desempenho no exterior. Em 1951, a Portuguesa, que tinha gênios como Djalma Santos, Julinho Botelho, Pinga e Brandãozinho, disputou 11 partidas na Europa, vencendo 10 e empatando uma. O auge da excursão foi a vitória por 4×3 sobre o Atlético de Madrid, campeão espanhol, partida que valeu pela Copa San Isidro.

              Outros títulos Fita Azul seria conquistado em 1953 e 1954, sendo que nesta última a Portuguesa começou sua temporada pela Europa de maneira desastrosa.. Na primeira exibição, em Londres, perdeu para o Arsenal por 7×1. Este resultado ao contrário de desanimar os lusos, serviu para um ânimo maior, tanto que, nas 20 partidas disputadas na sequência da temporada, a Portuguesa não perdeu nenhum.

               Em 1955, a Portuguesa estava novamente com um grande elenco e mais uma vez conquistou o Torneio Rio-São Paulo. A Lusa não começou bem a competição, perdeu para o Botafogo por 3 a 1. Cinco dias depois empatou com o Corinthians em 5 a 5. Como este placar não é nada comum, o que chamou a atenção na época, foi que o Corinthians três dias depois empatou novamente em 5 a 5, desta vez contra o Vasco da Gama, o que nos faz chegar a conclusão de que o ataque corintiano era muito bom, mas sua defesa era um desastre. Depois a Lusa reagiu e começou a vencer.

                Primeiro foi o América, depois o São Paulo, depois o Palmeiras, depois goleou o Santos por 5 a 1 e finalmente derrotou o Fluminense. Ao término desta fase do Torneio, Portuguesa e Palmeiras terminaram empatados, sendo assim houve necessidade de uma partida extra, que aconteceu no dia 29 de maio de 1955, quando a Portuguesa venceu por 4×2 e sagrou-se “Campeã do Torneio Rio São Paulo daquele ano. Neste jogo a Portuguesa jogou com; Cabeção, Djalma Santos, Floriano, Nena e Zinho; Brandãozinho e Airton; Julinho Botelho, Ipojucan, Edmur e Ortega.

SELEÇÃO PAULISTA

               Brandãozinho teve a honra de vestir a camisa da Seleção Paulista por inúmeras vezes e naquela época não era qualquer um que tinha este privilégio, precisava jogar muita bola. A inauguração oficial do Maracanã aconteceu dia 16 de junho de 1950, alguns dias antes da abertura da Copa realizada no Brasil. O jogo foi entre Seleção Paulista e Seleção Carioca, e o placar foi de 3 a 1 para os paulistas. O primeiro gol do estádio foi marcado por Didi, que na época jogava no Fluminense. Neste dia os paulistas jogaram com; Oswaldo Pizoni, Djalma Santos, Homero, Dema e Alfredo Ramos; Brandãozinho e Rubens; Renato, Ponce de Leon, Augusto e Brandãozinho II. O técnico foi Aymoré Moreira.

                Os gols paulistas foram marcados por Augusto (2) e Ponce de Leon. Três anos depois, Brandãozinho estava vestindo a camisa da Seleção Paulista novamente. Vejam a qualidade de jogadores daquela época; Cabeção, Djalma Santos, Olavo, Bauer e Hélvio; Brandãozinho e Antoninho; Julinho Botelho, Baltazar, Pinga e Rodrigues. O técnico era Aymoré Moreira, o mesmo que comandou nossa seleção na conquista do Bicampeonato Mundial em 1962, no Chile.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Brandãozinho disputou a Copa de 1954, na Suiça, onde ficamos em 6º lugar. O Brasil realizou três partidas. A primeira venceu o México por 5 a 0, gols de Baltazar (2), Pinga (2) e Julinho Botelho. A segunda partida empatou em 1 a 1 com a Iugoslávia, gol de Didi. Neste jogo aconteceu algo curioso, ao empatar na prorrogação contra a Iugoslávia, jogadores brasileiros saíram de campo chorando. Mas eles não sabiam que o empate já dava o direito de ir para a fase seguinte. Jogadores da Iugoslávia tentaram avisá-los, mas nenhum brasileiro entendia aquele idioma.

               E a terceira partida o Brasil perdeu para a poderosa Hungria por 4 a 2, gols de Djalma Santos cobrando pênalti e Julinho Botelho. A equipe brasileira era formada por; Castilho, Djalma Santos, Pinheiro, Nilton Santos e Bauer; Brandãozinho e Didi; Julinho Botelho, Baltazar, Pinga e Rodrigues. A campeã deste ano foi a Alemanha, que venceu a Hungria na final por 3 a 2. Foi a partir deste mundial de 1954, que as seleções passaram a usar números em suas camisas, esta foi também a primeira vez que o Brasil utilizou a camisa amarela, pois até então era branca.

               A sensação da Copa foi a seleção húngara, pois em todos os jogos, com menos de 10 minutos de jogo, sempre estava vencendo por 2 a 0, assim foi também contra o Brasil. Além das goleadas que impôs aos adversários, como aquela sobre a Coréia do Sul por 9 a 0. Com isto ela marcou 27 gols em apenas 5 jogos.

               Com a camisa da nossa seleção, Brandãozinho disputou 18 jogos, entre 6 de abril de 1952 e 27 de junho de 1954. Foram 13 vitórias, 2 empates e 3 derrotas. Nesse período sagrou-se campeão Pan-Americano no Chile em 1952 e vice-campeão Sul-Americano em 1953, além de disputar todos os jogos das eliminatórias para a Copa de 54, na Suíça. Em 1954 fraturou a perna e, após uma cirurgia mal sucedida, foi obrigado a encerrar a carreira. Recebeu passe livre da Portuguesa em 3 de junho de 1957 e passou a trabalhar com as categorias inferiores de Lusa, juntamente com Nena e Hermínio. Brandãozinho faleceu dia 4 de abril de 2000, aos 74 anos. 

Em pé: Djalma Santos, Brandãozinho, Cabeção, Nena, Herminio e Ceci   –    Agachados: Zé Carlos, Zé Amaro, Ipojucan, Edmur e Lierte 
1955   –  Em pé: Djalma Santos, Cabeção, Floriano, Nena, Brandãozinho e Zinho   –    Agachados: Julinho Botelho, Airton, Ipojucan, Edmur, Ortega e Mário Américo
Em pé: Djalma Santos, Ceci, Brandãozinho, Jacó, Muca e Manduco   –    Agachados: Julinho, Renato, Nininho, Pinga e Joel
Da esquerda para a direita:   Índio, Didi, Humberto Tozzi, Maurinho, Djalma Santos, Brandãozinho, Nilton Santos, Pinheiro, Julinho, Castilho, Bauer e o massagista Mário Américo
Em pé: Lindolfo, Djalma Santos, Ceci, Nena, Floriano e Brandãozinho   –    Agachados: Julinho Botelho, Zé Amaro, Ipojucan, Osvaldinho, Ortega e o massagista Mário Américo
Da esquerda p/direita   –   Didi, Humberto Tozzi, Baltazar, Alfredo Ramos, Julinho Botelho, Maurinho, Brandãozinho, Paulinho de Almeida, Mauro Ramos de Oliveira, Veludo e Bauer
Em pé: Djalma Santos, Eli do Amparo, Nilton Santos, Brandãozinho, Castilho e Pinheiro    –    Agachados: Mário Américo, Julinho Botelho, Didi, Baltazar, Pinga e Rodrigues Tatu
Em pé: Eli do Amparo, Gilmar, Haroldo, Hélvio, Brandãozinho e Paulinho de Almeida   –    Agachados: Cláudio, Baltazar, Ademir de Menezes, Didi e Rodrigues Tatu
Em pé: Djalma Santos, Gérson, Brandãozinho, Nilton Santos, Veludo e Bauer   –    Agachados: Julinho Botelho, Humberto Tozzi, Baltazar, Didi e Maurinho
Em pé: Lindolfo, Djalma Santos, Nena, Brandãozinho, Hermínio e Ceci   –    Agachados: Julinho Botelho, Ranulfo, Nininho, Pinga e Simão
Em pé: Aymoré Moreira (técnico), Cabeção, Helvio, Djalma Santos, Brandãozinho, Bauer e Olavo    –     Agachados: Julinho Botelho, Antoninho, Baltazar, Pinga e Rodrigues
Seleção Paulista de 1950    –   Em pé: Homero, Osvaldo Pizoni, Djalma Santos, Brandãozinho, Dema e Alfredo Ramos    –    Agachados: Claúdio Pinho (em traje de passeio, já que não jogou), Renato, Rubens, Ponce de Leon, Orlando (sósia de Leônidas da Silva) e Brandãozinho II
Em pé: Lindolfo, Djalma Santos, Brandãozinho, Nena, Ceci e Walter     –     Agachados: Edmur, Renato, Oswaldinho, Atis, Genê e Mário Américo
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