PAULO LUMUMBA: ídolo do Grêmio de Porto Alegre

                    Paulo Otacílio de Souza nasceu dia 22 de junho de 1936, na cidade de Aracajú – SE. Foi um jogador que marcou época jogando pelo Grêmio de Porto Alegre, onde conquistou dez títulos ao todo e mesmo depois que deixou o clube, passou a trabalhar nas categorias de base, chegando até a comandar a equipe principal em algumas partidas. Teve também uma passagem pelo São Paulo jogando duas temporadas. Na primeira em 1960 foi muito bem, marcando 21 gols em 42 partidas que disputou, mas na segunda não foi tão bem, fazendo com que fosse negociado.

                   Jogou ainda no Confiança, de Sergipe, no Fluminense em 1970, onde também foi campeão e encerrou sua carreira no Aimoré, do Rio Grande do Sul. Era um atleta forte e costumava alisar seu braço, mostrando a força que tinha, mas nunca usou de sua força física para ganhar uma parada dentro de campo, pois era um centroavante rápido, se deslocava muito bem e estava sempre presente na cara do gol, fazendo com que se tornasse um dos grandes artilheiros do nosso futebol. 

SÃO PAULO F.C.

                  Paulo Lumumba, como era conhecido no meio futebolístico, começou sua carreira no modesto Confiança de Sergipe, até que veio parar no Tricolor Paulista. Infelizmente chegou numa época em que a diretoria do clube só pensava em construir seu estádio e com isto todo investimento era em cimento, areia, ferro, etc… enquanto que o departamento de futebol ficava sempre em segundo plano. Mesmo assim, quando chegou ao Morumbi em 1960 fez uma bela temporada. Logo que chegou teve um clássico pela frente, foi no dia 22 de maio, quando o Tricolor enfrentou o Corinthians pelo Torneio Nacional.

                  O jogo foi no Parque São Jorge e terminou empatado em 1 a 1, gol de Paulo Lumumba, que deixou sua marca de artilheiro e mostrou a torcida são-paulina porque foi contratado. O gol corintiano foi anotado por Rafael. Neste dia o técnico Remo Januzzi mandou a campo os seguintes jogadores; Albertino, Ademar, Vilásio e Riberto; Sátiro e Sérgio; Peixinho, Paulo Lumumba, Bibe, Agenor e Canhoteiro. 

                 Uma de suas melhores partidas com a camisa do Tricolor foi num amistoso contra o Mirassol, no interior paulista. Aliás, este foi o primeiro confronto entre as duas equipes. O jogo foi realizado dia 20 de junho de 1960 no estádio José Campos Maia e o jogo terminou com a vitória do Tricolor por 7 a 1, com três gols de Paulo Lumumba, dois de Celso, um de Agenor e um de Sérgio. Com estes três gols,  Lumumba mantém o título de maior artilheiro da história do confronto com o Mirassol. Além dele, Washington também fez três gols na vitória por 5 a 0, pelo Paulista de 2009.

                No Paulistão de 1960, o São Paulo ficou em 8º lugar e o campeão foi o Santos, mas quase que o Tricolor complica a vida do Peixe. No primeiro turno empatou em 1 a 1 na Vila Belmiro, gol de Paulo Lumumba para o São Paulo. No segundo turno, no dia 11 de dezembro, O Santos enfrentou, pela primeira vez, o São Paulo no recém inaugurado Morumbi, sendo que com um empate seria campeão. Mas o Tricolor ganhou por 2 a 1 e impediu a festa santista em sua casa. Os gols são-paulinos foram anotados por Dino Sani cobrando pênalti e Peixinho, enquanto que Pepe marcou o único tento santista.  

               Na última rodada a Portuguesa venceu o Jabaquara, por 2 a 0, empatando em pontos com o Santos e torcendo que este perdesse para o Palmeiras, o que forçaria um jogo extra. Mas, em 17 de dezembro o Santos recebeu na Vila Belmiro o mesmo Palmeiras que lhe havia tomado o título do ano anterior. Bastava-lhe um empate para o título e desta vez, Pelé e Zito fizeram os dois gols do Peixe que venceu por 2 a 1 e enfim chegou ao título de campeão paulista de 1960.

               No ano seguinte o São Paulo ficou em 3º lugar e viu o time da Vila Belmiro conquistar seu bicampeonato paulista. Como Paulo Lumumba não fez um bom campeonato, o São Paulo resolveu negocia-lo com o Grêmio de Porto Alegre, onde se tornaria um dos grandes ídolos do Tricolor Gaúcho. Com a camisa do São Paulo, Paulo Lumumba disputou 63 jogos. Venceu 23, empatou 17 e perdeu 23. Marcou 29 gols.

GRÊMIO

               Paulo Otacílio de Souza, conhecido como “Paulo Lumumba”, foi contratado pelo Grêmio junto ao São Paulo em maio de 1961. O homem negro e magro era um centroavante com o “cheiro de gol”. Fez a sua estreia no dia 02 de julho de 1961 frente ao Juventude na vitória por 3 x 0 pelo Campeonato Gaúcho. Neste dia, Lumumba deu o seu recado, marcando 2 gols. O centroavante fez parte de um período mágico onde o clube possuía um dos melhores ataques da sua história.

               O ano de 1964 ficou marcado na história do Grêmio. Além de conquistar o título gaúcho derrotando o Internacional por 3 a 0, no dia 1 de novembro, naquele ano montou um grande time que o torcedor gremista não esquece. Com este título garantiu a presença na Taça Brasil de 1965. E por falar em Taça Brasil, um jogo entrou para a história, aconteceu no dia 19 de janeiro de 1964, quando Santos e Grêmio se enfrentaram no Pacaembu.

               Este jogo ficou famoso não só pelo belíssimo jogo que as duas equipes proporcionaram aos torcedores presentes, onde tivemos sete gols e porque verdadeiros monstros sagrados do nosso futebol estavam em campo. O jogo terminou com a vitória santista por 4 a 3. O Santos jogava por um empate, uma vez que na primeira partida realizada no estádio Olímpico, em Porto Alegre, havia vencido por 3 a 1.

               Neste segundo jogo, o técnico Carlos Froner mandou a campo os seguintes jogadores; Alberto, Valério, Airton Pavilhão, Ortunho e Cléo; Aureo e Milton; Marino, Joãozinho, Paulo Lumumba e Vieira. Do outro lado, o técnico Lula escalou a seguinte equipe; Gilmar, Dalmo, João Carlos, Haroldo (Joel) e Geraldino; Zito e Lima; Batista, Coutinho, Pelé e Pepe.  O Grêmio chegou a estar vencendo por 3 a 1, com dois gols de Paulo Lumumba e um de Marino, mas vieram dois pênaltis a favor da equipe praiana que Pelé converteu e tudo ficou igual no placar. Aos 38 minutos da etapa final, Pelé marcou o quarto gol santista e virou o placar, vencendo a partida por 4 a 3.

               O fato que deixou aquele jogo inesquecível, foi que nos minutos finais o goleiro Gilmar foi expulso de campo e Pelé terminou o jogo como goleiro improvisado. A lenda, sempre aumentada, diz que Pelé “operou 4 ou 5 milagres” evitando o empate e até a vitória gremista. Mas, na verdade, foram poucos minutos e o “goleiro” Pelé praticamente não foi acionado. Pegou duas “bolinhas” e o Pacaembu quase veio abaixo. Mas, no rádio, virou o “maior goleiro do mundo”.    

               Lumumba após encerrar a carreira de jogador voltou para o Grêmio onde atuou na formação de atletas das categorias de base, foi técnico da equipe profissional e antecedeu o técnico Tele Santana pouco antes da conquista estadual de 1977. Ao entregar o cargo a Tele Santana, mostrou o cidadão que era. Disse não esmorecer pelo fato de retornar as categorias de base, pois era funcionário do clube e estava ali para cumprir sua missão como funcionário dedicado.

               Vai-se um grande ídolo, mas fica a saudade do centroavante goleador e que vestia a camisa do  tricolor gaúcho com amor e garra. Em sua passagem pelo Grêmio, Lumumba conquistou 10 títulos – foi campeão Sul-Brasileiro em 1962, bicampeão da Cidade (1964 e 1965), Campeão da Copa do Rio da Prata em 1968, e seis vezes campeão Gaúcho (de 1963 a 1968). A última vez que Lumumba vestiu a camisa do Grêmio foi dia 21 de janeiro de 1968, quando o Tricolor Gaúcho perdeu pra o Joinville por 2 a 0.

LEMBRANÇA

               Paulo Lumumba, morreu dia 21 de agosto de 2010, aos 74 anos. O corpo de Lumumba foi velado na capela número 9 do cemitério Papa João XXIII, onde foi sepultado. Azul de tão negro, assim se definia Paulo Lumumba. “Meu irmão” era como chamava seus amigos mais próximos, com um cumprimento recheado do sotaque sergipano que manteve apesar de tantos anos vivendo longe de seu Estado. O orgulho por sua própria história e raça estava não apenas no andar altivo, com peito cheio e cabeça em pé, mas na voz e forma de conversar. Tinha condição física invejável, e sempre batia a mão sobre o músculo do antebraço para mostrar sua resistência. Sempre, ensaiava discursos para enaltecer a força daqueles que foram escravos.

               Paulo Lumumba carregou a tocha na maratona para comemorar os 80 anos do Grêmio.  Quando Lumumba a recebeu, o rosto de pele lisa – e azul – não escondia a emoção pela homenagem. A conduziu até a parte interna do estádio Olímpico com a certeza de que ali havia o reconhecimento a tudo que ele representou ao Tricolor. Foi um atacante e tanto. Formou uma das melhores equipes que o Grêmio teve em sua história nos anos de 1960.

               Depois de encerrar a carreira como jogador, permaneceu no clube onde chegou a treinar a equipe principal, antes de Telê Santana assumir como técnico. Trabalhou no auxílio de treinadores e foi responsável pelas categorias de base. Nunca mais deixou o Rio Grande do Sul. Dias depois de sua morte, houve um jogo entre Grêmio e Ceará pelo Campeonato Brasileiro. Antes de a partida iniciar, o árbitro pediu um minuto de silêncio em homenagem a Paulo Lumumba.

               Provavelmente a maioria daqueles jogadores que vestiram a camisa do Grêmio naquele dia não tinham a menor ideia do que ele significou para o clube. É bem provável, também, que eles não tenham a menor ideia do que o Grêmio significa para eles, pois aquele amor e orgulho que jogadores como Paulo Lumumba tinham em vestir uma camisa do Grêmio, dificilmente veremos nos dias de hoje.   

Em pé: De Sordi, Riberto, Dino Sani, Servílio, Albertino e Vitor    –    Agachados: Peixinho, Paulo Lumumba, Gino, Celso e Agenor
1960    –   Em pé: Vilásio, Roberto Dias, Geraldo, Luís Valente, Suly e Vítor    –   Agachados: Paulo Lumumba, Amauri, Gino, Benê e Canhoteiro
Grêmio de 1960   –    Em pé: Ortunho, Valério, Aureo, Airton Pavilhão, Vieira e Alberto    –   Agachados: Marino, Joãozinho, Paulo Lumumba, Milton e Cléo
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