GILSON PORTO: um baiano que venceu em São Paulo

                  Gilson Pereira Porto nasceu dia 14 de fevereiro de 1944, na cidade de Feira de Santana – BA. Foi um ponta esquerda que partia pra cima dos laterais e quando chegava na linha de fundo fazia o cruzamento. Jogou no Corinthians, no América do Rio de Janeiro, no Internacional de Porto Alegre, no Bahia e no Fluminense de Feira de Santana, sua cidade natal. Em 1965 teve a honra de vestir a camisa da Seleção Brasileira, num jogo em que o Corinthians fez contra o Arsenal da Inglaterra. Neste dia o alvinegro de Parque São Jorge representou o Brasil, usando a camisa azul da nossa seleção.

                  Entrou para a história do Inter de Porto Alegre ao marcar o último gol no antigo estádio, denominado “Estádio dos Eucaliptos” em março de 1969 e depois marcou um dos gols na inauguração do novo estádio, o “Estádio Beira Rio” que foi inaugurado em abril de 1969 num jogo amistoso contra o Benfica de Portugal, onde o time colorado venceu por 2 a 1, gols de Claudiomiro de cabeça e Gilson Porto. Para o time português marcou o lendário Eusébio.

CORINTHIANS

                 Filho do também futebolista Mário Porto, Gilson Porto começou a carreira no Bahia de Feira de Santana, sendo emprestado aos 16 anos para o Fluminense da mesma cidade . Anos depois foi jogar no Bahia. Sua história com o alvinegro de Parque São Jorge começou num amistoso que o Corinthians fez em Salvador contra o Bahia dia 31 de janeiro de 1965. Neste dia o time baiano venceu por 2 a 0, gols de Alencar e Raimundo Mário. Neste jogo o ponta esquerda do time baiano era Gilson Porto, que jogou muito, chamando a atenção dos dirigentes corintianos. Após o jogo, o técnico Osvaldo Brandão conversou com os dirigentes do Bahia e fecharam rapidamente o negócio, comprando em definitivo o passe de Gilson Porto. 

                Sua estréia com a camisa corintiana aconteceu dia 15 de agosto de 1965, quando o Corinthians venceu a Portuguesa de Desportos por 2 a 1 pelo primeiro turno do Campeonato Paulista. Sua estréia foi boa, pois no primeiro jogo com a camisa alvinegra marcou um gol. O outro gol corintiano foi anotado por Dino Sani, enquanto que para a Lusa do Canindé marcou Abelardo cobrando pênalti. Neste dia o técnico Osvaldo Brandão mandou a campo os seguintes jogadores; Heitor, Galhardo, Eduardo, Clóvis e Edson; Dino Sani e Rivelino; Geraldo José, Flávio, Manoelzinho e Gilson Porto.

                Jogando pelo Corinthians, Gilson Porto participou de várias partidas importantes, como por exemplo, aquela em que o Tabu contra o Santos quase foi quebrado, quando Nair cobrou um pênalti aos 43 minutos do segundo tempo e o goleiro Cláudio defendeu. O jogo estava 1 a 1 naquele momento. Outro jogo foi contra o Arsenal da Inglaterra, quando o Corinthians representou o Brasil. Este jogo aconteceu em Londres no dia 16 de novembro de 1965 e o alvinegro perdeu por 2 a 0. Também participou do jogo em que Garrincha fez sua estréia no Corinthians dia 2 de março de 1966. E também daquele jogo histórico entre Corinthians e Portuguesa no dia 24 de fevereiro de 1966, quando o alvinegro venceu a Lusa por 5 a 4.

                Gilson Porto jogou no Corinthians numa época muito difícil, pois estava num jejum de título estadual, mas chegou a formar excelentes ataques, como por exemplo aquele de 1966 que tinha, Garrincha, Rivelino, Flávio, Tales e Gilson Porto. Com a chegada do ponta Eduardo que veio do Américo carioca, Gilson Porto foi perdendo a posição de titular, então pediu para ser negociado e não demorou muito para o Inter de Porto Alegre se interessar e adquirir seu passe. Infelizmente Eduardo não chegou a jogar por muito tempo no Corinthians, pois veio a falecer num trágico acidente automobilístico juntamente com o lateral Lidu, no dia 28 de abril de 1969.

               A última partida de Gilson Porto pelo Corinthians aconteceu dia 23 de janeiro de 1968, quando o Timão goleou o Bahia de Feira de Santana por 7 a 0, num jogo amistoso realizado no Estádio Jóia da Princesa. Os gols foram marcados por; Flávio (2), Marcos (2), Rivelino, Tales e Gilson Porto. Neste dia o técnico Lula mandou a campo os seguintes jogadores; Barbosinha, Galhardo, Ditão, Luiz Carlos (Clóvis) e Maciel (Edson); Dino Sani e Rivelino; Benê (Marcos), Tales, Flávio (Silvio) e Eduardo (Gilson Porto).

               Com a camisa do Corinthians, Gilson Porto fez 134 jogos. Venceu 82, empatou 27 e perdeu 25. Marcou 11 gols, sendo que um foi no dia de sua estréia e outro no dia de sua despedida. Nesse período sagrou-se campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1966, quando o Corinthians dividiu o título com o Santos, Botafogo e Vasco da Gama, pois estávamos bem próximos da Copa de 66 que foi disputada na Inglaterra e por falta de datas, os quatro clubes foram declarados campeões. Esta foi a maior conquista oficial do Corinthians entre 1954 e 1977.

INTERNACIONAL – RS

                Ao deixar o Corinthians, foi jogar no Rio Grande do Sul, mais propriamente no Internacional de Porto Alegre. O time colorado já era 17 vezes campeão gaúcho quando foi inaugurada a sua casa, à altura de suas tradições. Fundado em 1909, o time colorado vinha buscando notoriedade e sempre chegando bem nas disputas de campeonatos de maior expressão; porém uma coisa faltava ao Inter: um estádio. Apesar de ser proprietário do Estádio dos Eucaliptos, o Internacional precisava de uma arena que comportasse mais que os 10 mil torcedores que o Eucaliptos abrigava em suas velhas arquibancadas de madeira.

                O jogo que inaugurou o Estádio dos Eucaliptos aconteceu em março de 1931, num tradicional GreNal, sendo que neste dia o Internacional venceu por 3 a 0. Para a Copa do Mundo de 1950 o estádio também passa a ser de concreto, por conta da Confederação Brasileira de Desportos, CBD. O Mundial teve dois jogos no estádio – Suiça x México, e México x Iugoslávia.

               A última partida no Eucaliptos é disputada em março de 1969: o Inter ganha do time mais antigo do futebol brasileiro, o Rio Grande, por 4×1; o velho ídolo Tesourinha entra só no final, joga alguns minutos, e arranca a rede de uma das traves. O estádio resiste ao tempo e segue sólido no bairro Menino Deus. Atualmente, existem quadras de futebol com grama sintética para aluguel no local. Em 1956 o vereador Ephraim Pinheiro Cabral iniciou o projeto de doação do terreno onde hoje está o Estádio Beira Rio. Na realidade, o terreno só veio a existir em 1959, já que antes era uma beirada do Rio Guaíba que teve de ser aterrada.

               O estádio teve suas obras interrompidas em 1965 devido à falta de dinheiro, porém com grande disposição e esforço de diretoria, torcida e jogadores, que doaram dinheiro e material para a construção, o sonho saiu do papel. O Banco da Província do Rio Grande do Sul também teve de intervir para que as obras continuassem. Então, em 6 de abril de 1969, o Estádio José Pinheiro Borda foi inaugurado. O nome é uma homenagem póstuma ao imigrante português que tanto lutou para a construção do estádio e faleceu antes de vê-lo pronto.

               A partida de inauguração aconteceu entre Inter e Benfica, campeão europeu da época. Após jogo disputadíssimo, o Internacional saiu vitorioso por 2 a 1, com gols de Claudiomiro de cabeça e Gilson Porto cobrando falta. O Benfica descontou com o lendário Eusébio. Neste dia o Internacional jogou com; Gainete, Laurício, Scala, Sadi, Pontes, Bráulio, Sérgio, Claudiomiro, Valdomiro e Gilson Porto. O Benfica jogou com; José Henrique Nascimento, Jacinto, Humberto, Porto, Adolfo, Torres, Simões, Eusébio, Vitor Martins, Cavaco e Calisto.

FINAL DE CARREIRA

               Ao deixar o Internacional, em 1971 foi jogar no América do Rio de Janeiro. Lá encontrou vários jogadores que também estavam em final de carreira, mas que fizeram sucesso pelos clubes que passaram. O time americano era assim formado; Rosan, Aldeci, Alex, Leon e Djair; Badeco e Tadeu Ricci; Bataglia, Almir Pernambuquinho, Edu (irmão do Zico) e Gilson Porto. Quando parou de jogar, Gilson Porto iniciou carreira de treinador, dirigindo principalmente times do nordeste. Tinha o carinho especial pelo Fluminense de Feira de Santana, time que dirigiu várias vezes.

               Viveu por muitos anos em Juazeiro, chegando a trabalhar como treinador, comandando as categorias de base do Camaçari e do Fluminense de Feira de Santana e a equipe principal do Barreiras no Campeonato Baiano. Infelizmente no dia 13 de janeiro de 2003, Gilson Porto conheceu seu maior rival, que o derrotou. Faleceu vítima de câncer no pâncreas, na cidade de Feira de Santana, a 108 quilômetros de Salvador, com 58 anos de idade. Foi sepultado em sua terra natal, no Cemitério da Piedade. Deixou três filhos; Zulema, Frederico e Gilson Porto Jr.

               O craque baiano sempre foi uma pessoa simples e humilde e sempre procurava fazer aquilo que seu técnico mandava. Procurava não inventar e fazer o seu feijão com arroz e por ser disciplinado dentro e fora de campo, sempre teve o carinho do torcedor do clube que defendeu. Por isso, nossa humilde homenagem no dia de hoje à este jogador que tanto honrou a camisa do Corinthians, do Internacional e de outros que ele defendeu suas cores.

Em pé: Jair Marinho, Dino Sani, Marcial, Edson, Clóvis e Eduardo   –   Agachados: Marcos, Rivelino, Geraldo José, Flávio e Gilson Porto
Em pé: Buticce, Odair, Onça, Mário Braga, Baiaco e Paulo Henrique    –     Agachados: Natal, Amorim, Picolé, Eliseu e Gílson Porto
Em pé: Gainete, Pontes, Scala, Carbone, Valmir e Hermínio    –   Agachados: Sérgio Galocha, Valdomiro, Claudiomiro, Tovar e Gílson Porto
Em pé: Clóvis, Marcial, Edson, Galhardo, Eduardo e Maciel    –    Agachados: Marcos, Rivelino, Ayrton, Flávio e Gilson Porto
1967   –  Em pé: Oswaldo Cunha, Ditão, Barbosinha, Clóvis, Dino e Maciel    –    Agachados: Bataglia, Prado, Silvio, Rivelino e Gílson Porto
Uma das primeiras partidas de Rivelino no time principal do Corinthians: Marcos, Rivelino, Flávio, Nei e Gilson Porto
Em pé: Jair Marinho, Dino Sani, Galhardo, Ditão, Édson e Heitor    –    Agachados: Garrincha, Nair, Flávio, Tales e Gílson Porto
Em pé: Jair Marinho, Édson, Galhardo, Ditão, Dino Sani e Heitor    –    Agachados: Garrincha, Nair, Flávio, Tales e Gílson Porto
1967  –  Em pé: Jair Marinho, Dino Sani, Ditão, Marcial, Clóvis e Maciel   –    Agachados: Roberto Bataglia, Rivelino, Silvio, Flávio e Gilson Porto

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