MAZURKIEWICZ: um dos melhores goleiros do futebol uruguaio

                   Ladislao Mazurkiewicz nasceu dia 14 de fevereiro de 1945, na cidade de Piriápolis – Uruguai.  Considerado um dos maiores goleiros da história e o maior da posição no Uruguai, também fez história no Peñarol e no Atlético Mineiro. Às vésperas da Copa do Mundo de 1970, era considerado o melhor goleiro do mundo. Disputou três Copas do Mundo (1966, 1970 e 1974) e é mais lembrado como o protagonista de um dos maiores lances da história do futebol, na Copa de 70, onde sofreu um drible sensacional de Pelé, que acabou chutando para fora. 

                  Em outro lance do mesmo jogo, cobrou mal um tiro de meta que o mesmo Pelé emendou de bate-pronto, mas recuperou-se a tempo e fez boa defesa. Considerado uma lenda do futebol uruguaio, Mazurkiewicz em 1972, se mudou para o Brasil, para defender o Atlético-MG. Ficou no Galo até 74. O curto período foi suficiente para que ele fosse considerado por muitos atleticanos como o melhor estrangeiro que já defendeu o clube mineiro.

                 Uma de suas últimas partidas com a camisa do Galo aconteceu dia 13 de abril de 1974, quando o Atlético enfrentou o Corinthians pelo Campeonato Brasileiro. O jogo foi no Mineirão e neste dia o time mineiro jogou com; Mazurkiewicz, Getúlio, Grapete, Vantuir e Cláudio; Vanderlei e Fausto; Árlem, Campos, Reinaldo (China) e Romeu. O técnico era Telê Santana. O Galo venceu por 2 a 1, gols de Fausto e China, enquanto que Marco Antonio marcou o único tento corintiano.

PEÑAROL              

                 Filho de pais poloneses, iniciou sua carreira no futebol pelo Peñarol do Uruguai. Reserva do então titular Luis Maidana, Mazurkiewicz estreou como titular numa partida contra o Santos, de Pelé, válida pelas semifinais da Copa Libertadores da América, em 1965. Acreditando em uma derrota certa, os uruguaios se surpreenderam quando terminaram o jogo com uma vitória por 2 a 1. Eleito como o melhor em campo, aquela noite marcou o início da carreira desse goleiro que se tornou uma lenda viva no futebol. Com a camisa do Peñarol, que defendeu de 1964 a 71, foi campeão uruguaio em 65, 67 e 68. Em 66, venceu a Libertadores e o Mundial de Clubes, derrotando o poderoso Real Madrid.

ATLÉTICO MINEIRO

                No auge de sua carreira, o goleiro veio assumir a camisa 1 do Galo Mineiro, sendo vaiado, no aeroporto de Montevidéu, por uma multidão de torcedores uruguaios que o acusavam de “traidor”. Chegou ao Atlético em 1972, nos tempos de Dario, Lôla, Vantuir e outros. Teve sua vinda a Belo Horizonte recheada por problemas. O então presidente do Atlético, Nelson Campos, por pouco dispensou o jogador por causa da mudança de valores, sugerida pelos empresários do jogador, no momento da assinatura do contrato, na Sede de Lourdes. O impasse com a diretoria permaneceu durante o dia todo. Os cartolas exigiam que o Atlético assumisse uma dívida do Peñarol com o jogador, motivo de sua briga com a equipe. O presidente se recusou e pediu à imprensa que fosse noticiado a desistência da contratação. Mazurkiewicz, entretanto, demonstrou grande vontade de vestir a camisa alvinegra e as negociações continuaram positivamente.

               As negociações voltaram a se complicar quando o jogador exigiu que o Atlético assumisse o pagamento de seu imposto de renda. Os dirigentes atleticanos, furiosos, encerraram a reunião pela segunda vez. Dizem que Nelson Campos já estava no carro, quando ouviu o chamado de um funcionário que informou que o uruguaio havia aceitado a proposta final. Já era noite quando tudo se resolveu. E o goleiro não decepcionou o esforço da diretoria. Durante seu tempo no Galo, o goleiro mostrou os prodigiosos reflexos, sua segurança, o extraordinário oportunismo somado à frieza que aumentavam a confiança absoluta dos companheiros. “Foi uma época inesquecível.”, lembra o jogador. Com a camisa do Atlético Mineiro, Mazurkiewcz disputou 89 jogos e sofreu 67 gols.

SELEÇÃO URUGUAIA

                Mazurkiewicz disputou três Copas do Mundo. A primeira foi em 1966, na Inglaterra a segunda e a que ficou mais marcada em sua carreira foi em 1970, no México e a terceira foi em 1974, na Alemanha, além de integrar por duas vezes a Seleção do Resto do Mundo.  Alguns jogadores têm a carreira marcada por um lance. Quando se pensa em Basílio, automaticamente lembra-se que ele fez o gol que encerrou o jejum de título do Corinthians, em 1977. Quando se fala no italiano Materazzi, vem à mente a cabeçada que o zagueiro levou de Zidane na final da Copa de 2006.

                Quando se fala de Paolo Guerrero, logo vem na lembrança os dois gols que deram o titulo do Mundial de Clubes em 2012 para o Corinthians. O goleiro Barbosa, não tem como não lembrar da Copa de 50, embora ele não fosse o culpado por perdermos aquele mundial em pleno Maracanã. E o volante Nasa, que jogou no Vasco? Não se recorda? Sempre quando é citado, está presente o gol contra que fez na final do Mundial de Clubes de 98.

               Caso semelhante ocorre com Mazurkiewicz. O nome do ex-goleiro ficou definitivamente ligado a um lance: ao gol que Pelé quase fez na semifinal da Copa de 70, quando o Rei do Futebol aplicou um lindo drible de corpo no arqueiro uruguaio e concluiu de virada, rente à trave direita. É verdade que o lance do drible do Pelé no Mazurkiewicz, no jogo contra o Uruguai na Copa de 70, ficou e ficará marcado como um dos grandes lances da carreira do Pelé, o tal “gol que não foi”.

                 Porém, analisando bem a situação, como pouco conhecedor do futebol, que me considero, o Pelé não fez o gol porque o grande “Mazurca” fechou o ângulo e diminuiu o espaço da finalização da jogada. Se o goleiro tivesse ficado no meio do caminho ou demorado em sair, fatalmente teria tomado o gol. Meu crédito nesse lance fica para o grande goleiro Mazurkiewicz. Apesar dos esforços do goleiro, o Brasil acabou vencendo aquela partida por 3 a 1. Clodoaldo, Jairzinho e Rivelino marcaram os gols da vitória dos futuros campeões do mundo, e Cubilla descontou para os quartos colocados daquela Copa.

                  Mas a carreira de Ladislao Mazurkiewicz, ficou longe de ser resumida a apenas um lance. O goleiro defendeu a meta da Celeste Olímpica em três Mundiais (66/70/74). No México, foi eleito o melhor goleiro da Copa. Na frente de feras como o inglês Banks, o italiano Albertosi e o alemão Sepp Maier.

                 Qual a maior defesa de todos os tempos? Bem, ninguém sabe. Simplesmente porque ninguém assistiu a todos os jogos de futebol do mundo e porque avaliar qual a melhor entre um grupo de centenas de grandes defesas é muito subjetivo. Mas, quando você leu à pergunta, deve ter pensado em na imagem de Banks espalmando para escanteio uma cabeçada perfeita de Pelé na Copa de 1970. Convencionou-se considerar essa a maior de todos os tempos, e ela realmente é digna postulante ao título.

                Então, lembre bem a intervenção de Banks. Uma jogada genial, feita por um goleiro já consagrado, no auge de sua forma e defendendo uma seleção de país europeu bastante influente. Ainda mais numa época em que a Fifa era presidida por um britânico. Bem, mesmo com aquela defesa no currículo, Banks não foi eleito o melhor goleiro da Copa de 1970. Esse título foi para Ladislao Mazukiewicz. Com a camisa da seleção celeste, ele disputou 36 partidas.

               O uruguaio foi um gigante. Na época do Mundial do México, ele já tinha no currículo um título da Libertadores e um Mundial Interclubes, ambos pelo Peñarol em 1966, e uma Copa América, em 1967. Em 1971, participou do jogo de despedida de Lev Yashin e foi escolhido para receber as luvas do soviético, talvez o maior goleiro da história. No ano seguinte, o uruguaio foi para o Atlético Mineiro. Ficou apenas três anos em BH e cavou um lugar como um dos grandes goleiros da história do clube mineiro.

               No final de 1974, foi defender o Granada, um dos melhores times entre os pequenos da Espanha na época. O clube vivia um dos melhores momentos de sua história e recebeu o apelido de “matagigantes” por vencer constantemente Real Madrid, Barcelona e Athletic Bilbao. Mazurkiewicz ficou lá e viu essa fase passar, culminando com o rebaixamento. Saiu e, já veterano, passou por Cobreloa, América de Cali e Peñarol, onde encerrou sua brilhante carreira em 1981.

               Então, é importante lembrar de Ladislao Mazurkiewicz por tudo o que ele fez. Para os brasileiros, também é momento de resgatar a passagem dele pelo Atlético Mineiro. Muito mais justo do que meter um “o goleiro que tomou o drible de corpo de Pelé em 1970” ao lado de seu nome. Como se fosse a única coisa importante que ele tivesse feito. O “Aranha Negra”, Lev Yashin, considerado o melhor goleiro da história, designou o uruguaio Mazurkiewicz como o seu sucessor.

TRISTEZA

               Na madrugada do dia 2 de janeiro de 2013, morreu o ex-goleiro uruguaio Ladislao Mazurkiewicz, aos 67 anos, em Montevidéu. O ex-atleta estava internado há cerca de uma semana por problemas respiratórios, e sua condição foi se deteriorando com o passar dos dias. A morte foi confirmada às 4h15 pelo ex-goleiro Fernando Álvez, que acompanhava o colega no hospital. O ex-jogador foi velado na casa Road Hermanos, em Montevidéu e foi sepultado no cemitério Parque del Recuerdo. Como seu nome não era muito fácil de se pronunciar, o torcedor brasileiro passou a chama-lo de “Mazurka” e é assim que encerramos esta matéria. Descanse em Paz, querido Mazurka.

1972   –    Em pé: Mazurkiewicz, Raul Fernandes, Oldair, Vanderlei Paiva, Vantuir e Cláudio Mineiro   –    Agachados: Guerino Neto, Spencer, Dario, Lola e Romeu
Peñarol do Uruguai    –    Em pé: Caetano, Mazurkiewicz, Goncalvez, Nelson Díaz, Forlán e Máspoli (Técnico)    –     Agachados: Abbadie, Pedro Rocha, Spencer, Cortéz e Joya
Seleção do Uruguai na Copa de 70   –   Em pé: Esparrago, Mazurkiewicz, Matosas, Ubinas, Ancheta e Morales    –    Agachados: Cubilla, Maneiro, Fontes, Cortes e Castilla
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