TOUGUINHA: o pai da bola

                   Clóvis Touguinha dos Santos nasceu dia 14 de fevereiro de 1923 na cidade de Rio Grande, interior do Rio Grande do Sul. No meio futebolístico era conhecido por Touguinha. Foi um grande jogador de futebol. Atuou apenas em dois clubes em toda carreira: Grêmio e Corinthians, onde foi campeão paulista em 1951 e campeão do torneio Rio-São Paulo de 1950. Ídolo do Timão, Touguinha jogava um futebol clássico com belos passes, por este motivo ficou conhecido como “O pai da bola”.  Teve sua estreia pelo Corinthians no dia 21 de abril de 1949, num amistoso contra o Noroeste de Bauru  entrando no lugar do então titular Newton, ganhou a posição e ao lado de Idário e Julião formaram duas históricas linhas médias entre 1950 e 1952.

                  Diferentemente da maioria dos jogadores, Touguinha era um cavalheiro ao ceder entrevistas, extremamente educado e atencioso com a imprensa e os ouvintes do rádio, chegava a ser um poeta com frases como esta: “Boa noite, queridos ouvintes, cujos me prestigiam?. Ao todo foram 120 jogos, 68 vitórias, 26 empates e 26 derrotas.  Marcou 4 gols  com o manto alvinegro. Em 1967, o ex-atleta morreu na cidade de Porto Alegre, capital gaúcha, por causa não conhecida.

GRÊMIO

                 Despontou nos gramados em 1942 ao ser contratado pelo Grêmio Foot Ball Porto Alegrense, onde foi campeão gaúcho em 1946. A grande final foi em dois jogos contra o Riograndense. O primeiro jogo aconteceu dia 23 de março de 1947 e o Grêmio venceu por 3×2. O segundo jogo foi no dia 30 de março de 1947, no estádio Timbaúva, que pertencia ao Tricolor Gaúcho. E dessa vez o Grêmio atropelou seu adversário, vencendo por 6 a 1.  Nesse dia o técnico do Grêmio, Sr. Otto Pedro Bumbe, mandou a campo os seguintes jogadores; Júlio, Clarel, Joni, Niedersberg, Touguinha, Sanguinetti, Cordeiro, Beresi, Santana, Segura e Hélio. Os gols gremistas foram marcados por Hélio (2), Cordeiro (2), Beresi e Bentevi (contra).

CORINTHIANS

                 Touguinha permaneceu no Grêmio até 1948, quando foi contratado pelo Corinthians. Sua estreia com a camisa corintiana aconteceu dia 21 de abril de 1949, (quinta feira a tarde) num amistoso contra o Noroeste de Bauru, entrando no lugar do então titular Newton. Para esse jogo o técnico Joréca escalou a seguinte equipe: Bino, Moacir e Belacosa; Belfare, Hélio e Newton (Touguinha); Noronha Servilio, Baltazar, Ruy (Luizinho) e Colombo. O jogo terminou com a vitória corintiana por 4 a 2, gols de Baltazar, Hélio, Servilio e Colombo para o alvinegro de Parque São Jorge, enquanto que Laércio e Lamônica marcaram para o Noroeste. O jogo foi no estádio Alfredo Castilho, em Bauru e o árbitro da partida foi José Cortesia.

                No dia 8 de maio de 1949, o Corinthians enfrentou a Portuguesa de Desportos num jogo amistoso e venceu por 2 a 0, gols de Colombo e Noronha. Até aí tudo normal, mas acontece que o Corinthians neste dia, jogou com uma camisa grená. Era uma homenagem ao time do Torino que teve dezoito jogadores mortos em um desastre aéreo quatro dias antes, em 4 de maio de 1949. O time de Mazzola, Rigamonti, Operto, Ossola e outros astros que tanto encantara os brasileiros pereceu tragicamente em um desastre de avião.

                Foi na viagem de volta de Lisboa, onde tinha jogado com o Benfica. Por causa de um denso nevoeiro, já na descida, o avião chocou-se com a torre da Basílica de Superga. Ninguém se salvou. O mundo inteiro chorou junto com a Itália. Também em São Paulo houve grande comoção. E o futebol ficou de luto. Coube ao Corinthians a mais singular homenagem ao grande Torino.

                No ano anterior, o Corinthians havia sido o único clube brasileiro a derrotar os italianos em sua excursão pelo Brasil. Para essa partida diante da Portuguesa, o técnico Joréca mandou a campo os seguintes jogadores; Bino, Belacosa (Rubens) e Moacir; Belfare (Palmer), Touguinha e Hélio; Noronha, Servilio, Baltazar, Edélcio e Colombo.

               A renda deste jogo foi destinada às famílias dos jogadores vítimas da tragédia. O Pacaembu lotado refletia a solidariedade dos paulistanos. O presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Sr. Maximiliano Ximenes, fez um discurso que provocou lágrimas na plateia. Na fila olímpica formada pelos atletas uma novidade que elevou a tensão no estádio: os jogadores do Corinthians vestiam o uniforme grená do Torino.

CONQUISTAS

              Touguinha conquistou dois títulos pelo Corinthians. O primeiro foi o Torneio Rio-São Paulo em 1950 e o segundo foi o Campeonato Paulista de 1951. A conquista do Torneio Rio-São Paulo de 1950 foi muito comemorada, pois o time vinha de um modesto quinto lugar no Paulista de 1949. Não tinha nem técnico, pois devido ao fracasso no Paulistão do ano anterior, Joreca foi demitido e assim o time passou a ser treinado por dois diretores do departamento profissional. No final de 1949 o time chegou a ser goleado pelo Flamengo por 6 a 2. Mas como quase tudo na história corintiana é conquistado na base da superação, dessa vez não foi diferente. Depois desse tropeço, o Corinthians não perdeu mais e ganhou o Rio-São Paulo de 1950.

              Os participantes daquele ano foram os seguintes; Corinthians, Palmeiras, Portuguesa de Desportos, Vasco da Gama, Fluminense e Botafogo. O Timão fez sua estreia no dia 14 de janeiro diante do Palmeiras no Pacaembu. O Corinthians saiu na frente, 3 a 0, gols de Luizinho, Cláudio e Baltazar. Depois o Palmeiras marcou dois gols através de Washington, mas já era tarde, pois o jogo terminou com a vitória corintiana por 3 a 2.

             Depois o Timão derrotou o Vasco em São Januário no dia 22 de janeiro por 2 a 1, gols de Cláudio e Baltazar. Vasco que era a base da seleção brasileira na Copa de 50. A próxima vitima foi o Fluminense, 3 a 1, gols de Baltazar (2) e Noronha. Este jogo foi dia 28 de janeiro no estádio de São Januário, Rio de Janeiro. Depois o Corinthians derrotou a Portuguesa de Desportos por 5 a 3, gols de Baltazar (2), Claudio (2) e Noronha. Para a Lusa marcaram Nininho (2) e Pinga.

             Faltava somente enfrentar o Botafogo. Pelos resultados obtidos até então, bastava um empate para o Corinthians sagrar-se campeão. O jogo foi no dia 15 de fevereiro no Estádio Municipal do Pacaembu. Neste dia o Corinthians jogou com; Bino, Newton e Belfare; Idário, Touguinha e Hélio; Cláudio, Luizinho, Baltazar, Nelsinho (Edélcio) e Noronha. O jogo terminou empatado em 1 a 1, gol de Noronha para o Timão e Otavio para o Botafogo.  Com este resultado o Corinthians sagrava-se Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1950. Neste dia o Corinthians foi comandado por Christiano Calaf e Manoel dos Santos, pois não tinha um treinador definido.

            Depois veio o título paulista de 1951, um ano que ficará certamente marcado na história do Corinthians como um dos mais inesquecíveis. O título paulista coroou uma equipe altamente ofensiva e colocou fim a um jejum de dez anos sem conquistar o estadual. Comandados por José Castelli, o Rato, ex-jogador da equipe, o esquadrão alvinegro marcou nada menos do que 103 gols em 28 partidas. Média de 3,67 por jogo.

           Com um ataque irresistível, o título paulista veio com duas rodadas de antecedência, depois da goleada contra o Guarani por 4 a 0, no Pacaembu. A linha de frente ficou imortalizada: Cláudio (maior artilheiro da história do clube, com 305 gols), Luizinho (o Pequeno Polegar, 175 gols pelo clube), Baltazar (o Cabecinha de Ouro, 267 gols pelo Timão), Carbone (autor do centésimo gol naquele campeonato) e Mário (um dos maiores dribladores da história do clube). O time ainda tinha o goleiro Gilmar dos Santos Neves e a linha defensiva com Murilo, Julião, Idário, Touguinha e Lorena. Carbone foi o artilheiro do Campeonato Paulista de 1951, com 30 gols marcados.

            A última partida de Touguinha pelo Corinthians aconteceu no dia 9 de julho de 1952 (quarta feira a noite) quando o alvinegro enfrentou a Portuguesa de Desportos pelo Torneio Nacional. O jogo foi no Pacaembu e o jogo terminou empatado em 3 a 3, gols de Baltazar (2) e Carbone para o Corinthians e Lorena (contra), Pinga e Nininho para a Lusa do Canindé. Para este jogo o técnico Rato do Corinthians, mandou a campo os seguintes jogadores; Cabeção, Murilo e Julião; Sula, Touguinha (Lorena) e Roberto Belangero; Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Colombo (Mário). 

Em pé: Cabeção, Homero, Idário, Touguinha, Julião e Rosalem   –   Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Nardo e Colombo
Da esquerda para a direita: Cabeção, Baltazar, Touguinha, Lorena, Murilo, Jackson, Carbone, Idário, Julião, Luizinho e Cláudio
Em pé: Hélio, Bino, Touguinha, Idário, Newton e Belfare   –    Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Nelsinho e Colombo
Em pé: Idário, Touguinha, Lorena, Cabeção, Julião e Murilo    –   Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Jackson e Carbone
Em pé: Luizinho, Nelsinho, Belfare, Hélio, Idário, Baltazar, Touguinha e Newton    –   Agachados: Lúcio, Cláudio e Bino
Em pé: Cabeção, Murilo, Touguinha, Lorena, Julião e Idário    –    Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Jackson e Carbone
Em pé: Idário, Dr. Mário Trigo, Cabeção, Touguinha, Lorena, Murilo, Julião e o técnico Rato    –     Agachados: Um massagista do clube, Cláudio, Luizinho, Baltazar, Jackson, Carbone e o preparador físico Davison
Em pé: Idário, Touguinha, Hélio, Newton, Bino e Belfari   –    Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Nelsinho e Noronha
CORINTHIANS COM A CAMISA DO TORINO  (ITA)  –  Em pé: Hélio, Noronha, Edélcio, Baltazar, Servílio e Colombo    –   Agachados: Rubens, Touguinha, Bino, Belacosa e Belfare.
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