MAXAMBOMBA: jogou no Coritiba, Portuguesa e na Seleção Brasileira

                  José Francisco Bermudes, mais conhecido nos meios futebolísticos por Maxambomba. Não temos a data de seu nascimento, mas podemos afirmar que nasceu no final do século IXX. Foi um meia direita que fez história no  Coritiba, pois, além de ser o primeiro jogador do clube paranaense a vestir a camisa da nossa seleção, também fez parte do time que conquistou o primeiro titulo estadual pelo clube, isto em 1916. Maxambomba era o nome dos antigos bondes que circulavam pelo Recife no início do século XX e como o jogador tinha o hábito de dominar a bola e depois sair caminhando com ela como se estivesse marchando para depois desferir um fortíssimo chute, um verdadeira bomba, que geralmente resultava em gols, surgiu então seu apelido. 

INÍCIO DE CARREIRA

                 O paulista Bermudes já dava seus primeiros tirombaços no infantil do Carlos Gomes Foot-Ball Club no ano de 1906. Anos depois, em 1914, seu amigo Alexi, vulgo Turco, convidou o jovem craque para atuarem pelo Minas Gerais, clube da elite do Brás. Com o novo clube, Bermudes derrota o quadro da Villa Buarque, classificando-se para a primeira divisão do certame paulista onde obtém a quarta colocação em 1914. A próxima parada foi no Internacional do Paraná em 1915, onde se sagrou campeão paranaense jogando de center-forward. As brigas do futebol paranaense levaram a criação de uma nova Liga em 1916. Bermudes se transfere para o Coritiba sendo novamente campeão.

CORITIBA F.C. 

                 A unificação do futebol paranaense ocorreria por intermédio do desportista Belfort Duarte. O Coritiba jogou um tira-teima contra o Britânia, campeão da Liga rival, para decidir quem era o campeão de fato e de direito do Paraná, saindo-se vencedor o Coritiba com dois tentos de Bermudes. Começou a jogar no Coritiba na metade da década de 10, e foi um grande destaque para o time na época. Ganhou o primeiro título do clube (Campeonato Paranaense de Futebol de 1916) sendo artilheiro do campeonato com 16 gols. Logo no segundo ano de disputa do Campeonato Paranaense, o Coritiba mostrou sua força e conquistou seu primeiro campeonato.

               Campeão da APSA (Associação Paranaense de Sports Athléticos), o Alviverde, disputou o título contra o Britânia, campeão da LSP (Liga Sportiva Paranaense). Na final, em jogo único, o Coritiba derrotou o Britânia por 2×1, com dois gols de Maxambomba, que foi o artilheiro do campeonato com 16 gols. A equipe do Coritiba neste jogo foi a seguinte; Kaiser; Glaser, e Meneghetti; Ritzmann, Essenfelder e Thielle; Agnello, Maxambomba, Arturzinho, Naujoks e Natálio.

               O futebol de Maxambomba passou a ser conhecido depois de um jogo em que o Coritiba fez contra a Seleção Paulista no dia 15 de agosto de 1921. O Coritiba venceu por 1 a 0, gol de Abilio. Esta vitória foi ainda mais importante, pois alguns dias antes, a seleção do Paraná havia perdido para a seleção paulista por 2 a 1. Mas com esta vitória do Coritiba, estava reabilitada a moral do futebol paranaense.

               Para que se tenha uma vaga ideia, do que foi esse acontecimento lembre-se aqui, que cerca de 8 mil pessoas lotaram o estádio nos dois jogos. Os jornais da época faziam descrições emocionadas dos jogos e a conquista do Coritiba ocupou durante uma semana inteira o destaque das secções esportivas. O Coritiba ganhou o jogo com Galo, Baú, e Gibbein; Luis Abram, Pena e Ninho; Arnoldo, Arthursinho, Maxambomba, Abílio e Brandalise. 

               A seleção paulista jogou com Max, Bartô e Alexi; Nardini, Faragassi e Bertolini; Laerte, Neco, Fried, Viola e Tepet.  Depois dessa belíssima apresentação de Maxambomba diante dos paulistas, seu futebol passou a ser reconhecido e com isto foi convocado para defender nossa seleção, mas infelizmente não se tem registros das partidas disputadas pelo jogador.

AMÉRICA DO RECIFE

                Sinônimo de chute forte, raça e elegância na meia cancha, campeoníssimo por onde passou, Maxambomba seria escalado em qualquer seleção pernambucana do início do século. O América, hoje na segunda divisão do futebol pernambucano, até a metade do século passado era um clube de primeira linha, fazendo parte do mesmo naipe em que se encontravam Náutico, Santa Cruz e Sport. Foi nessa condição que certa vez o América recebeu um convite para participar de um torneio em Belém, com a presença de equipes do Norte e do Nordeste. Viagem de navio é claro, pois os deslocamentos por via aérea ainda eram um sonho. Em pleno domingo de carnaval, pela manhã, o América enfrentou o Clube do Remo, cuja fanática torcida compareceu em peso ao estádio.

               A certa altura do jogo houve um gol do time da casa, contestado pelos visitantes. E tome pressão em cima do árbitro Viveiros de Castro, um desportista paraense de muito prestígio. O pessoal de Pernambuco queria a invalidação do gol, sob a alegação de que o jogador do Remo usara a mão. Formou-se um furduncio que não tinha tamanho. Jogadores e torcedores alvoroçados. Como o árbitro mostrava-se cada vez mais inflexível, Maxambomba fez um sinal para que seus companheiros abandonassem o gramado. Assim, sob apupos, o América tirou, literalmente o time de campo.

               Escoltada pela Marinha, a equipe pernambucana seguiu para o hotel. Maxambomba, por via das dúvidas, foi em automóvel particular. À tarde, Maxambomba descansava na varanda do Grande Hotel do Pará, quando foi avisado de que centenas de estudantes, aproveitando o período carnavalesco, percorriam as ruas do Centro fazendo seu “enterro”, tão irritados tinham ficado com sua atitude, considerada anti-cavalheiresca. Aconselharam então ao jogador se recolher ao seu quarto para evitar aborrecimentos, uma vez que logo, a turma chegaria por lá. Maxambomba fez ouvido de mercador, permanecendo onde estava, de pijama, aguardando os acontecimentos. Malandramente, com a aproximação do “fúnebre”, tratou de trocar uma cédula de dez mil réis (digamos que seriam dez reais hoje) por um montão de vinténs.

                Quando os manifestantes surgiram aos gritos de “morra Maxambomba”, o atacante meteu a mão no bolso, puxou um monte de moedas e atirou-as em direção à multidão. A meninada caiu com gosto em cima das moedas. O gesto do jogador foi repetido várias vezes e, à medida que metiam a mão na grana, os jovens torcedores esqueciam o “enterro”, passando a dar vivas a Maxambomba. Que de vilão transformou-se em herói.  

PORTUGUESA DE DESPORTOS

                Maxambomba chegou na Lusa do Canindé em 1928 para disputar o Campeonato Paulista daquele ano e a equipe ficou em 5º lugar na competição. Com a camisa da Portuguesa, Maxambomba teve uma excelente média de gols, ou seja, um gol por partida, pois das 14 partidas que disputou, marcou 14 gols. Um jogo deste campeonato ficou marcado na história do futebol paulista. Foi o jogo em que a Portuguesa enfrentou o Corinthians no dia 25 de novembro de 1928. O jogo foi no Parque São Jorge e a Lusa jogou neste dia com; Dionysio, Raposo e Machado; Américo, Salvador e Ramon; Bellini, Salles, Maxambomba, Amleto e Varella. O Corinthians jogou com; Tuffy, Grané e Del Débbio; Nerino, Soares e Munhoz; Apparício, Neco, Gambinha, Rato e De Maria.

                O jogo terminou com a vitória corintiana por 3 a 2, gols de De Maria, Gambinha e Neco, enquanto que Amleto e Salles marcaram para a Lusa. Neste jogo quase aconteceu uma tragédia. A Lusa reclamou de um impedimento no segundo gol corintiano anotado por Gambinha. Um dirigente da Lusa de nome Benedito Bueno, inconformado, invadiu o gramado com um revolver na mão, mas não conseguiu atirar no juiz porque o jogador corintiano Neco o impediu. Revoltados os jogadores da Lusa deixaram o campo. Mesmo depois que a Portuguesa abandonou o campo, o árbitro autorizou Neco a dar nova saída e marcar o terceiro gol chutando contra o gol vazio. Com esta vitória o Corinthians sagrou-se campeão paulista. Este foi o 6º título paulista do alvinegro de Parque São Jorge e o pela segunda vez tricampeão com uma rodada de antecedência.

HOMENAGEM

                Quem foi ao Couto Pereira para acompanhar o Atletiba de 2009, além de presenciar uma vitoria emocionante do Coritiba, viu também uma linda homenagem da torcida aos ídolos que vestiram a camisa do Coxa ao longo dos seus cem anos de história. A torcida selecionou um jogador para cada década de história do Coxa e produziram bandeiras para cada um deles em uma demonstração de respeito aos grandes jogadores e a centenária história do Coxa. Cada uma das bandeiras representou uma década diferente, sendo que somente na década de 70 foram escolhidos dois atletas diferentes. E na bandeira da década de 10, lá estava estampada a figura de Maxambomba, um jogador que entrou para a história do clube ao conquistar o primeiro título estadual e também por ser o primeiro jogador de um clube paranaense a vestir a camisa da seleção brasileira.

Portuguesa de 1928 – Maxambomba está ao lado do home de chapéu
Maxambomba é o quarto em pé da esquerda para a direita
Coritiba   –  Maxambomba é o último em pé da esquerda para a direita
Curitiba – PR
Curitiba – PR

 

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