MOACIR: campeão do mundo com nossa seleção em 1958

                  Moacir Claudino Pinto nasceu dia 18 de maio de 1936, no bairro do Ipiranga, na cidade de São Paulo. Jogou no Flamengo do Rio de Janeiro de 1956 até 1962, formando no rubro negro um ataque poderoso com Joel, Dida e Zagallo (todos campões mundiais com ele em 1958 na Suécia). Em 1961 foi atuar no River Plate, da Argentina, depois foi jogar no Peñarol, do Uruguai. No ano seguinte foi para o Equador, onde jogou pelo Everest e pelo Barcelona de Guayaquil, onde passou a viver com sua família.

                   Teve a honra de fazer parte do grupo de jogadores que disputou a Copa do Mundo de 1958, onde foi reserva de Didi. Com a camisa canarinho marco dois gols, ambos no mesmo jogo contra a Bulgária no dia 14 de maio de 1958, num jogo amistoso realizado no Rio de Janeiro e que o Brasil venceu por 4 a 0, com dois gols de Moacir, um de Dida e um de Joel. Neste dia o Brasil jogou com; Castilho, De Sordi, Mauro Ramos de Oliveira, Zózimo e Nilton Santos; Zito e Moacir; Joel, Mazzola, Dida e Zagallo.

INFANCIA

                   Aos seis anos, o episódio marcante na vida de Moacir: Seu pai lhe deu um dinheiro e mandou jogar no bicho. Foi jogar uma peladinha e deixou o dinheiro embaixo de uma pedra, eram seis da tarde. Depois, foi procurar o dinheiro, mas o campo era cheio de pedras e não encontrou. Voltou para casa tremendo de medo. O pai, ferroviário, era muito rigoroso. Seu pai lhe deu uma tremenda surra. Depois o trancou com as galinhas, era uma noite terrivelmente fria. Apavorado, ele fugiu. Primeiro drible na sorte adversa, precoce determinação de tomar conta de si mesmo. Foi parar na delegacia. Um dia, dois, três e nada da família aparecer. Nem o pai, nem a mãe, nenhum dos oito irmãos. Acabou em um orfanato, em Osasco, Grande São Paulo, onde ficou por 11 longos e solitários anos.

FLAMENGO

                  Moacir tinha tratos com a bola e o diretor do colégio, amigo do legendário Gilberto Cardoso, presidente do Flamengo, o recomendou. Foi para o Rio de Janeiro treinar no juvenil, Foi aprovado e passou a morar na concentração. Sua estréia foi dia 24 de novembro de 1956, quando o Mengo derrotou o Bangu por 3 a 1. O Flamengo passou a ser sua casa e sua família. Quando ele já estava jogando no time titular, foi fazer um jogo contra o Corinthians em São Paulo. No hotel, sua mãe e seus irmãos o procuraram. Perguntou para sua mãe: “Por que não me buscou na delegacia, por quê? Mas ela só chorava e não me respondeu. Ajudei todos eles no início, mas depois fui para o exterior e nunca mais vi ninguém.”

COPA DO MUNDO

                  Devido suas brilhantes participações pelo Flamengo, o técnico Vicente Feola o convocou para o mundial de 1958 que seria disputado na Suécia. Sabia muito bem que ser titular naquela equipe seria muito difícil, pois ele estava disputando posição com Didi, que na época já era um grande craque, pois já tinha jogado no Fluminense e no Botafogo e sempre como titular absoluto. Sendo assim, Moacir não chegou a jogar nenhuma partida do mundial, mas teve a honra de fazer parte daquele fabuloso elenco que encantou o mundo.

                  Com a camisa da Seleção Brasileira, disputou 7 partidas. Venceu 5, empatou 1 e perdeu 1. Marcou 2 gols. Disputou a Copa Rocca de 1957, a Copa de mundo de 1958 e a Taça Atlântico em 1960. Depois da Copa de 58, Moacir ficou no Flamengo até 1960. Durante o tempo que jogou no rubro negro carioca, disputou 233 partidas, das quais venceu 133, empatou 44 e perdeu 46. Marcou 57 gols.

EXTERIOR

               Em 1961 foi jogar no River Plate, na Argentina e no mesmo ano jogou também no Peñarol do Uruguai. No ano seguinte foi jogar no Barcelona de Guaiaquil, do Equador, onde ficou durante seis anos. Próxima escala, Peru, no Carlos Mannucci, de Trujillo. Em 1974, aposentou as chuteiras, aos 38 anos de idade. Depois que parou de jogar passou a trabalhar como treinador no Equador. Se o abandono que teve na infância marcou fundo em sua vida, ele iria contracenar, a contragosto, um episódio semelhante.

               Só em 2008, no Rio de Janeiro, após 35 anos de distância, ele reencontraria o filho do primeiro casamento. “Demos um forte abraço, correram lágrimas. Chorei muito, muita emoção.” Moacir casou-se em 1958. Já com o filho, segue com a esposa para a Argentina, depois para o Uruguai, O casal se separou. Se viu por um curto período e perdeu o contato “Mas ao contrário do que aconteceu comigo, eu não abandonei meu garoto.” diz Moacir com lágrimas no rosto.

TRISTEZA

               Ser campeão do mundo é algo que acompanha um jogador para sempre. Mas ter o título mais importante do futebol no currículo não é garantia de um futuro tranquilo. Profissionais de um tempo em que os astros do futebol não ganhavam os salários de hoje, alguns campeões das Copas de 58, 62 e 70 vivem hoje sem luxo. E o caso mais grave é o de Moacir, integrante da seleção que deu ao Brasil o seu primeiro título mundial, na Suécia.

              Reserva de Didi em 58, o ex-jogador do Flamengo, aos 76 anos, vive hoje em Guayaquil (Equador) e enfrenta dificuldades financeiras para se tratar de um câncer de próstata, que o impede de trabalhar em uma escolinha de futebol para jovens na cidade equatoriana. Para tentar melhorar a situação financeira do campeão mundial, um grupo de amigos organizou um show em seu benefício no Rio de Janeiro.

              Toda a arrecadação foi destinada a Moacir. Segundo um dos organizadores, o cineasta José Carlos Asbeg, o evento integra uma campanha para que o Congresso Nacional e o Governo Federal agilizem a aprovação de um projeto de lei que concede aposentadoria aos campeões mundiais. Os atletas de 58 e 62 receberiam ainda uma premiação, “prometida desde 2008 e até agora não liberada”, segundo José Carlos Asbeg, diretor do filme “1958 – O ano em que o mundo descobriu o Brasil”. Nossos craques precisam de homenagens em vida e não depois de mortos.

              Atualmente Moacir mora numa pensão da periferia de Guayaquil, no Equador. Conta com a ajuda de amigos para comprar remédios. Salário dele mal dá para pagar educação dos três filhos. Infelizmente o que acontece com Moacir aconteceu com outros grandes craques, ou seja, não soube aplicar o dinheiro que ganhou quando estava no auge da carreira. Quando chega a velhice começam aparecer os problemas e as dificuldades aumentam a cada dia. Ele tem sido ajudado por Marcelo Neves, filho do ex-goleiro Gylmar e criador da Associação Brasileira dos Campeões Mundiais.

              Marcelo faz o que a CBF deveria fazer. Atualmente, o campeão mundial, que vestiu a camisa 13 na Suécia, mora no Equador e revela que depende de doações para pagar o tratamento que faz na luta contra o câncer. Moacir passou a viver em Guayaquil porque encerrou a carreira no Barcelona local, aos 41 anos, em 1966. Mora com a esposa Marta, e três filhos. Apesar das adversidades, Moacir, vive com a dignidade das pessoas honradas, não cobra nada de ninguém.

              Nem mesmo dos dirigentes do futebol, que um dia o incensaram e agora o ignoram. Em 2006, recebeu convites para assistir ao Mundial e pensou que a CBF é que havia mandado. Qual não foi sua surpresa ao saber que eram os alemães, os anfitriões, que estavam homenageando os campeões de 58.

               Comovido com a situação de Moacir, da Seleção de 58, que vive miseravelmente no Equador, a presidente da República está propondo aposentadoria especial aos campeões mundiais que vivem na pobreza. Juca Kfouri discorda. Pra ele, a CBF é quem deve cuidar deles oferecendo-lhe, por exemplo, seguro saúde. Concordo com o tal seguro. Mas ele não garante a bóia no prato de cada dia. Neste aspecto, estou com o presidente: se o cidadão fez algo de notável pelo país e se deu mal na vida pode e deve ser amparado pela cidadania.

               E, pra arranjar fundos, basta acabar com a farra das pensões políticas. Muitos dos pensionistas idológicos queriam só trocar uma ditadura por outra. E se os ditadores de plantão não tinham mandato popular pra governar, eles também não o tinham pra impor suas utopias políticas. As pensões políticas deveriam se limitar aos que, tendo sido arrancados de seus empregos por motivos políticos, vivem na penúria, hoje em dia. Mas não é isto o que acontece.

               Na verdade, gente muito bem posta na vida está completando a renda com um dinheiro que ficaria melhor no bolso daqueles que deram alegrias, de fato, ao povo brasileiro. Como o Moacir Claudino Pinto, meia-armador, titular no Flamengo e reserva de Didi na Seleção Brasileira de 1958.

              Moacir desabafa: “- Se eu parar de trabalhar, a minha família não come. Ganho pouco. Mal consigo pagar as contas. Se o dinheiro não dá para comprar os remédios, meus conhecidos é que gastam. Eles se unem para me ajudar. A Federação Equatoriana de Futebol também sabe da minha carência e já me auxiliou algumas vezes”. A casa onde Moacir mora está condenada pela Defesa Civil do Equador. No entanto, o ex-jogador não tem condições de reformar seu único bem. Ele estabeleceu como prioridade os estudos dos três filhos. Com isso, o orçamento ficou na “conta do chá”.

Em pé: De Sordi, Oreco, Dino Sani, Zózimo, Castilho e Mauro Ramos de Oliveira   –    Agachados: o massagista Mário Américo, Canhoteiro, Moacir, Vavá, Dida e Zagallo
Em pé: Joubert, Fernando, Milton Copolillo, Jadir, Dequinha e Jordan    –    Agachados: Luis Carlos, Moacir, Henrique Frade, Dida e Babá
Em pé: De Sordi, Jadir, Nilton Santos, Gilmar, Mauro e Roberto Belangero   –    Agachados: Mário Américo, Garrincha, Moacir, Mazzola, Pelé e Canhoteiro
Em pé: De Sordi, Mário Américo, Bellini, Dino Sani, Gilmar, Nílton Santos e Zózimo    –    Agachados: Joel, Moacir, Vavá, Dida e Zagallo
River Plate da Argentina 1961   –   Em pé: Ramos Delgado é o segundo, seguido do goleiro Carrizo    –   Agachados: Delém é o segundo, seguido de Moacir e Roberto Frojuello é quinto
Em pé: Altair, Cacá, Ernani, Orlando, Mauro e Roberto Belangero   –    Agachados: Joel, Moacir, Gino, Pelé e Pepe
1958 – Em pé: Joubert, Fernando, Milton Copolillo, Jadir, Dequinha e Jordan   –    Agachados: Joel, Moacir, Henrique Frade, Dida e Babá
Em Pé: De Sordi, Oreco, Zózimo, Dino Sani, Castilho, Mauro e o técnico Vicente Feola   –    Agachados: Mário Américo, Garrincha, Moacir, Vavá, Dida e Zagallo
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