BEBETO: um verdadeiro atleta de Cristo

               José Roberto Gama de Oliveira nasceu dia 16 de fevereiro de 1964, na cidade de Salvador (BA). “É tetra! É tetra!” Quem não se lembra da histeria do narrador Galvão Bueno, da Rede Globo, quando a seleção brasileira sagrou-se campeã mundial de futebol, em 1994? Já se passaram quinze anos, mas a emoção é sempre forte diante das imagens da histórica conquista nos gramados dos Estados Unidos. Uma destas cenas ficou para sempre eternizada no imaginário afetivo de cada torcedor brasileiro: a de Bebeto, à beira do campo, comemorando seu gol na quarta-de-final contra a Holanda.

              Para homenagear o filho Mattheus, que acabara de nascer no Brasil e que ele ainda nem conhecia, Bebeto simulou o famoso “nana-nenê”, gesto que correu mundo. Um dos principais jogadores da campanha do tetra, Bebeto, tem seu nome inscrito na história do futebol brasileiro.  Bebeto começou a carreira jogando nos infantis do Vitória (BA). Chegou a ser profissionalizado pelo rubro-negro da Boa Terra em 1982, mas no ano seguinte, mais precisamente dia 23 de março de 1983, já vestia a camisa do rubro-negro carioca, o Clube de Regatas Flamengo.

FLAMENGO

              No começo de trabalho na Gávea, Bebeto era apontado como sucessor ideal de Zico, que estava deixando o Flamengo para defender a Udinese, da Itália. Aos poucos, o franzino jogador mostrava que tinha talento e poderia também fazer sucesso na equipe rubro-negra. Bebeto, na verdade, não era um meia autêntico como o Galinho, mas um atacante hábil e que também sabia fazer gols. Com uma constelação de craques como Zico, Júnior e Leandro, o clube carioca estava no auge: acabara de conquistar o tricampeonato brasileiro, a Taça Libertadores da América e o Mundial Interclubes. Seu passe foi comprado por 65 milhões de cruzeiros, uma fortuna para a época, ainda mais levando-se em conta que Bebeto era apenas uma promessa.

              Pesou na decisão pela transferência, o apoio de seu irmão mais velho, Nilton, que exercia forte influência na sua vida. O Palmeiras ofereceu R$ 80 milhões, mas a família de Bebeto, preferiu vê-lo no time do Rio de Janeiro. Era seu sonho. A morte trágica de Nilton, em 1985, traumatizou o jogador. Contudo, o baianinho logo ficou à vontade no prestigiado futebol do Rio. Já no Brasileiro daquele ano, vestiu a faixa de campeão. No Estadual de 1986, comandou o time na campanha do título. No ano seguinte, o craque levantou também o caneco da Copa União, equivalente ao campeonato brasileiro.

              Bebeto logo virou xodó da torcida, e chegou ao ápice de sua carreira vestindo a camisa do Mengão no titulo de 1987, quando fez o gol do título contra o Internacional. Curiosamente, Bebeto acabou se transferindo do Flamengo para o arqui-rival Vasco da Gama em 1989, fato que causou a ira da fanática torcida rubro-negra, ainda mais porque, no mesmo ano, ele levou o clube cruzmaltino ao título brasileiro, sendo o artilheiro da competição.  Depois de passar pelo Vasco e conquistar a Copa do Rei da Espanha pelo Deportivo La Coruña da Espanha, Bebeto retornou ao futebol brasileiro.

              Foi mais uma vez defender o Flamengo, que no ano anterior tinha investido muito na formação de um grande ataque no papel (Edmundo, Romário e Sávio) e que não tinha dado certo na prática. No Flamengo, Bebeto não conseguiu emplacar como em sua primeira passagem pela Gávea e com isto foi para o Sevilla da Espanha, mas em 1997 voltou ao Brasil para jogar no Vitória da Bahia, clube em que ele havia começado sua carreira. Bebeto realizou 310 partidas com a camisa do Flamengo (170 vitórias, 78 empates e 62 derrotas) e marcou 151 gols.

VASCO DA GAMA

              Logo em seu primeiro ano em São Januário, Bebeto foi peça fundamental na conquista do Campeonato Brasileiro de 1989. O time cruz-maltino, que tinha ainda Acácio, Luís Carlos Winck, Marco Aurélio, Célio Silva, Quiñonez, Mazinho, Zé do Carmo, Boiadeiro, Bismarck, William, Sorato, entre outros, bateu o São Paulo na final em pleno Morumbi. Aos cinco minutos da etapa final, após cruzamento de Winck, Sorato cabeceou com violência no canto direito do goleiro Gilmar, marcando o gol do título. Era o dia 16 de dezembro de 1989. Três anos depois deixou o Vasco.

SELEÇÃO BRASILEIRA

              Bebeto ganhou a Copa América, numa decisão épica contra o Uruguai no Maracanã, dia 16 de julho de 1989, vencida por um a zero, gol de Romário. A dupla prometia brilhar na Copa do Mundo de 1990, mas o time, desorganizado e desunido, acabou eliminado pela Argentina. Foi uma das decepções da carreira de Bebeto. Como não estava na melhor forma física, Bebeto ficou apenas na reserva da seleção brasileira de 90 na Copa da Itália. A dupla de ataque titular do time comandado por Sebastião Lazaroni foi Careca, então do Nápoli e Muller que jogava no Torino. Quando 1994 chegou, Bebeto era titular absoluto do time de Carlos Alberto Parreira.

               Ele marcou três gols naquela Copa. Um deles, decisivo: o da vitória por um a zero sobre o time da casa, na oitava de final. Àquela altura, ninguém mais duvidava que o título viria, sobretudo ele e os outros evangélicos do time principal, como Taffarel, Zinho, Leonardo e Jorginho. Ao todo, entre titulares e reservas, havia oito evangélicos na delegação. Bebeto atribui à fé papel determinante na conquista: “Lógico que tivemos de trabalhar intensamente, mas o Senhor nos deu tranqüilidade para entrar em campo e dar o melhor de nós”. Segundo ele, reuniões de louvor e oração eram freqüentes na concentração. “A gente sabia que podia até perder, só que nossa fé estava acima das derrotas e vitórias.”

               Para alegria geral da nação, o Brasil levou a Copa, interrompendo um sofrido jejum de 24 anos. Na final, o Brasil derrotou a Itália nos pênaltis, depois de ter empatado por 0 a 0 no tempo normal e prorrogação. O curioso é que Bebeto cobraria o quinto pênalti brasileiro naquela decisão, mas não foi necessário porque o italiano Roberto Baggio jogou para fora as chances da Azzurra. Neste dia o Brasil jogou com; Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco; Mauro Silva, Mazinho e Dunga; Bebeto, Romário e Zinho. Era o dia 17 de julho de 1994. 

              Mas, como acontece a todo jogador profissional, nem tudo foram glórias na sua carreira. Bebeto sentiu o gosto do fracasso no vice-campeonato mundial em 1998, quando o time de Zagallo, favorito ao título, foi batido pela França depois daquela esquisitíssima convulsão de Ronaldo antes do jogo final.

LA CORUÑA DA ESPANHA

              Em 1992, Bebeto deixou o Vasco da Gama para defender o Deportivo La Coruña, da Espanha. Viveu um bom momento no futebol espanhol, embora sua equipe não fosse considerada uma grande força do país. Barcelona, Real Madrid e Atlético Madrid eram os mais badalados. Foi lá que aconteceu sua conversão ao Evangelho, em 1992, por intermédio do testemunho do colega de time e também brasileiro Donato. “Na verdade, até ali eu sempre levei uma vida dedicada a Jesus, mas não podia dizer que era convertido”, reconhece.

             De fato, ele foi um atleta exemplar dentro e fora das quatro linhas, sempre se dedicou à família, nunca teve seu nome envolvido em escândalos e, em mais de 20 anos de carreira, só foi expulso de campo duas vezes. Mas, admite, faltava algo. “Entreguei minha vida a Jesus num culto em uma igreja evangélica espanhola”, conta. A passagem pelo La Coruña foi um dos melhores períodos de sua vida. Ele consagrou-se como o maior ídolo e artilheiro da história do clube espanhol. “Eu agradeço muito a Deus pelo amor e carinho que o povo de lá tinha por mim e minha família. Todos respeitavam muito a minha fé. Até hoje, La Coruña é uma espécie de segunda casa.”

FINAL DE CARREIRA

              Em 1997, Bebeto voltou a jogar no Vitória da Bahia, clube que começou sua carreira. E lá, levantou a taça no Campeonato Baiano e também da Copa do Nordeste de 1997. Bebeto permaneceu no clube baiano também no segundo semestre, embora o Corinthians tenha tido muito interesse em tirá-lo do Barradão. Depois do Vitória, Bebeto defendeu o Botafogo, entre 1998 e 1999. Lá, ele foi campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1998. Depois do Botafogo, o atacante defendeu ainda o Toroz Neza, do México (1999), o Kashima Antlers, do Japão (2000), Vasco da Gama (2001 e 2002), Al Ittihad, da Arábia (2002), antes de encerrar a carreira de futebol. Seu último jogo oficial foi pelo time árabe contra o Flamengo de Guarulhos (SP), uma partida amistosa.

              Bebeto já pendurou as chuteiras, mas guarda um currículo invejável: além do título na Copa do Mundo de 94, ele foi campeão brasileiro pelo Flamengo e pelo Vasco, conquistou vários títulos internacionais e tornou-se o quinto maior artilheiro da seleção, pela qual marcou nada menos que 55 gols. Contudo, o ex-jogador enche a boca para dizer que sua maior vitória não foi com a bola nos pés, e sim, com Jesus no coração: “Tudo o que eu conquistei foi muito bom, mas a coisa mais importante foi a minha conversão a Jesus”, exulta Bebeto. “Deus me deu alegria e muita paz. São coisas que ninguém tira”, afirma.

Em pé: Leandro, Zé Carlos, Andrade, Edinho, Leonardo e Jorginho    –     Agachados: Bebeto, Ailton, Renato Gaúcho, Zico e Zinho
1989   –   Em pé: Mazinho, Taffarel, Mauro Galvão, Ricardo Gomes, Aldair e Branco    –    Agachados: Bebeto, Romário, Silas, Dunga e Valdo
Em pé: Mazinho, Taffarel, Mauro Galvão, Ricardo Gomes, Aldair e Branco   –    Agachados: Bebeto, Romário, Silas, Dunga e Valdo
Em pé: Taffarel, César Sampaio, Rivaldo, Aldair, Júnior Baiano e Cafú    –    Agachados: Ronaldo, Roberto Carlos, Leonardo, Bebeto e Dunga
Em pé: Ricardo Rocha, Taffarel, Mauro Galvão, Jorginho, Ricardo Gomes e Branco   –    Agachados: Bebeto, Careca, Silas, Valdo e Dunga
1989    –   Em pé: Mazinho, Luiz Carlos Winck, Zé do Carmo, Quiñonez, Marco Aurélio e Acácio    –     Agachados: William, Sorato, Marco Antônio Boiadeiro, Bebeto e Bismarck
Em pé: Cantarelli, Leandro, Mozer, Jorginho, Andrade e Adalberto   –    Agachados: Bebeto, Adílio, Chiquinho, Gilmar Popoca e Marquinho Carioca
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